Indian Wells continua crescendo, mas para os brasileiros, Miami ainda é preferência nacional

Indian Wells continua crescendo e recebendo elogios do mundo todo, mas para nós brasileiros o Sony Open, em Miami, que começa nesta terça, com jogos da chave principal feminina, ainda segue na frente.

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Miami está a apenas 08h de vôo de São Paulo. O fuso é de 1 hora somente, o espanhol é praticamente a língua oficial do local, brasileiros que vivem no sul da Flórida invadem o Crandon Park e os que moram por aqui também. O segundo principal patrocinador do evento, o Itaú, é um banco brasileiro. Diversas celebridades do esporte nacional costumam aparecer no torneio, especialmente os da Fórmula Indy.

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Sem falar que o Crandon Park, em Key Biscayne, fica a pouquíssimos minutos do centro de Miami, facilitando a vida de quem quer ir e vir do complexo e aproveitar para curtir uma praia ou fazer compras, atravessando um dos mais belos cartões postais da região, a Rickenbacker Causeway.

Passei em Miami na semana passada e já dava para sentir o clima do torneio pela cidade. A vontade era de ficar por lá, fazer bom uso da minha credencial, acompanhar e curtir esse ambiente único em um Masters 1000, mas tive que voltar antes.

Para quem estiver por lá ou quem for acompanhar a competição daqui, este ano o torneio promete muito mais emoção, especialmente com as participações de Roger Federer e Rafael Nadal, que não jogaram no ano passado.

Os latinos, apesar de terem perdido suas estrelas da década passada, quando Guga, Nico Lapentti, Luis Horna, Fernando Gonzalez, Nicolas Massu, Guillermo Cañas, Guillermo Coria, David Nalbandian, entre outros, transformavam o Crandon Park em um local ainda mais festivo, poderão torcer pelos duplistas (entre os brasileiros apenas Bruno Soares e Marcelo Melo jogam) e por uma série de jogadores argentinos e colombianos que estão na disputa. Juan Martin del Potro está na chave, mas ainda é dúvida, com lesão no pulso.

2013 Sony Open Tennis, MiamiSerena e Venus Williams chegam sempre com fome de título, depois de não jogarem Indian Wells anualmente, por conta de ofensas e acusações de racismo sofrida há mais de uma década.

Atual campeã e número um do mundo, Serena vive pertinho de Miami, em Palm Beach (pouco mais de 1 hora) e estreia contra a vencedora do jogo entre Francesca Schiavone e Yaroslava Shvedova.

A cabeça 2, Li Na, aguarda a ganhadora do confronto entre Iveta Melzer (ex-Benesova) e Alisa Kleybanova.

Vai ser interessante acompanhar como vai se sair a campeã de Indian Wells, Flavia Pennetta – espera qualifiers – no seu primeiro torneio pós a maior conquista da carreira. Victoria Azarenka que costuma jogar bem em Miami não compete, lesionada, assim como Agnieszka Radwanska.

As atenções também estarão bem voltadas para Maria Sharapova, que ainda não fez uma grande exibição em 2014, com o novo técnico Sven Groeneveld. Sem falar nas novatas americanas e na local Victoria Duval, nascida no Haiti.

Entre os homens, em um momento em que os tops estão jogando praticamente de maneira equilibrada, o Sony Open pode vir a dar continuidade à interessante quinzena que Indian Wells proporcionou aos fãs de tênis, com muitas surpresas pelo caminho. Murray_Sony Open_301O detentor do título, Andy Murray, ainda não conseguiu voltar ao melhor nível, depois de ter sido submetido a cirurgia nas costas, no ano passado. Ele espera o ganhador de Ebden e Kubot, para conhecer o primeiro adversário na sua segunda casa. O escocês passa boa parte do ano em Miami, onde tem apartamento, treinando para o circuito.

Vice em 2013, David Ferrer, apesar de alguns bons resultados nesta temporada, ainda não está no melhor da forma e se recupera de lesão que o tirou de Indian Wells. Pode enfrentar Granollers ou Gabashvilli na primeira rodada.

Campeão no deserto californiano, Djokovic que volta a estar com Boris Becker no Crandon Park, terá pela frente um dos jogadores mais queridos da região, Juan Monaco, ou o francês Jeremy Chardy.

Vice, Roger Federer, depois de curtir a nova boa fase na Disney, aguardará o ganhador de um qualifier e do sempre perigoso Ivo Karlovic.

Para alegria dos americanos, ou melhor, alívio, o top 10 nativo, John Isner, jogará contra o vencedor de Berlocq e Donald Young.

Alexander Dolgopolov, a grande sensação do momento, espera Bernard Tomic, que retorna de cirurgia no quadril e Jarkko Nieminen.

Super badalado, Stanislas Wawrinka, o campeão do Australian Open, pega o ganhador de Gimeno Traver e do convidado Karen Kachanov.

Número um do mundo, Nadal aguarda o vencedor do duelo entre Hewitt e Haase.

A lista de tenistas para ficarmos de olho nestes primeiros dias de Sony Open é extensa e continua com Fabio Fognini, Milos Raonic, Jo-Wilfried Tsonga, Gael Monfils, Tommy Haas, Tomas Berdych, Grigor Dimitrov, entre muitos outros, que vale a pena ficar ligado e assistir nas belas quadras roxas do Crandon Park.

Fotos de Cynthia Lum

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Mini Break

E assim, sem nem percebermos dois meses da temporada 2014 já se passaram. As vitórias de Na Li e Stanislas Wawrinka no Australian Open parecem distantes e dentro de poucos dias, com o início do Masters 1000 de Indian Wells, a Gira de Ouro também ficará para trás.

A passagem e a vitória de Rafael Nadal no Rio Open, a semana inspirada de Teliana Pereira na capital carioca, o sucesso de Bellucci nos dois ATPs do Brasil, as conquistas de Fabio Fognini, em Viña del Mar, de David Ferrer, em Buenos Aires e de Federico Delbonis, em São Paulo, entrarão para as estatísticas do ano e os olhos do mundo do tênis estarão voltados para os Estados Unidos.

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Os meus ficarão ligados na televisão, enquanto curto uns bons dias de férias.Não, eu não estava de férias nestes 40 dias em que fiquei sem postar. Pelo contrário, estava completamente inserida no mundo do nosso esporte, que aliás hoje celebra o World Tennis Day, o dia mundial do tênis, com eventos simultâneos em diversos países e trabalhando mais horas do que dá para acreditar, como assessora de imprensa do Rio Open apresentado pela Claro hdtv.

Foi um ano de trabalho para chegar até a final da competição e desde dezembro um trabalho muito intenso. Dias seguidos, com finais de semana inexistentes e sem brincadeira, umas 16 horas diárias no Jockey Club Brasileiro, durante o evento.

A vontade era de ficar escrevendo o dia todo no blog, na Tennis View, curtir como uma jornalista de tênis, a maior competição da América do Sul. Mas, os deveres de assessora de imprensa me impediram, primeiro eticamente e depois física e mentalmente fazê-lo.

Agora descanso uns dias e volto em breve!

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Nem Serena, nem Nadal. O primeiro Grand Slam do ano é de Na Li e Wawrinka.

Há duas semanas só se falava em Serena Williams, Rafael Nadal, Victoria Azarenka, Novak Djokovic, um pouco sobre Maria Sharapova, Roger Federer, Andy Murray e Juan Martin del Potro. No entanto, quem saiu de Melbourne erguendo os trofeus do Australian Open foram Na Li e Stanislas Wawrinka.

Na Li Australian Open championA chinesa vinha chegando perto do título há alguns anos, mas sempre parecia faltar algo para que o sonho de vencer o “Grand Slam da Ásia Pacífico,” fosse realizado.  Wawrinka vinha melhorando mês a mês, desde o incrível jogo com Djokovic, no ano passado, neste mesmo Grand Slam. Mas, até então, de fato imaginar que o trofeu não ficaria nas mãos de um dos top 4 – só Safin e Del Potro conseguiram tal feito desde 2005 – também parecia sonho.

Na Li chegou ao título de maneira consistente, depois de salvar match point contra Safarova, na terceira rodada e com a chave aberta não precisou nem enfrentar tenista entre as top 20 para ganhar o seu segundo Grand Slam. Mas, isso não importa. Ninguém vai lembrar, anos lá na frente, ao olhar o nome de Na Li entre as campeãs na Austrália, de quem ela ganhou para se tornar a detentora do título.

Assim como pouquíssimos lembraram hoje da final abandonada por Justine Henin, diante de Amelie Mauresmo, em 2006, quando começaram a levanter a hipótese de Nadal desistir no meio da final contra Wawrinka, após ser atendido pelo médico, sentindo dor nas costas. Wawrinka Australian Open champion

O número 1 suíço, isso mesmo – confesso que é estranho escrever o número 1 para o Wawrinka, até ele disse na entrevista que apesar de ser o primeiro jogador do seu país, ainda acha que está atrás de Federer, mereceu o título. Ganhou de Djokovic nas quartas-de-final, de Berdych na semi e vinha fazendo um jogo brilhante até Nadal dar sinais de que algo estava bem errado.

Conseguiu administrar a situação de ver um adversário lesionado e apesar de ter perdido o terceiro set, não deixou a cabeça ir muito longe, já pensando no trofeu, no título, na hora de fechar o jogo no quarto.

O tênis esperava comemorar os recordes de Serena Williams e Rafael Nadal neste Grand Slam. Serena se aproximaria cada vez mais de Chris Evert e Martina Navratilova, venceria o 6º Australian Open. Nadal se tornaria o primeiro tenista depois de Rod Laver a vencer todos os Grand Slams pelo menos duas vezes e igualaria a marca de 14 trofeus de Pete Sampras, que estava lá para entregar a taça ao campeão.

Mas, em vez disso o torneio viu dois novos campeões e dos mais populares, triunfarem na Rod Laver Arena. É um interessante início de temporada para a ATP e para a WTA.

Bravo, parabéns Na Li e Wawrinka.

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O Australian Open não é mesmo o Grand Slam dos brasileiros

Dizem que a Austrália é o Brasil que deu certo. O clima e a receptividade do povo são mesmo comparáveis ao do nosso País. Mas, nada disso tem efeito quando o assunto é o Australian Open para os brasileiros. A não ser pelo resultado do juvenil Tiago Fernandes, campeão da competição em 2010, nunca avançamos por lá.

Desta vez não foi diferente. Thomaz Bellucci até passou o qualifying mas foi eliminado na segunda rodada. Os duplistas Marcelo Melo e Bruno Soares, cada um com seu parceiro, que no ano passado foram, no mínimo, até a semifinal de Roland Garros, US Open e Wimbledon, em duplas e / ou duplas mistas, mal chegaram até as quartas. Bruno+Soares+Australian+Open+Day+3+1aaodi-xv-2l

André Sá jogou o Grand Slam com Feliciano Lopez, mas deu azar de enfrentar Bruno Soares na estreia.

Marcelo Zorman foi o juvenil que mais avançou na chave – parou nas oitavas-de-final.

Claro, tivemos um marco histórico na competição. O Brasil voltou a ter representente feminina na chave, com Teliana Pereira, depois de 20 anos. Mas, ela também não passou da estreia.

Quando Guga competia também não era diferente. Curiosamente, o Grand Slam australiano é o que ele tem a pior participação. Até em Wimbledon ele chegou às quartas, mas em Melbourne nunca passou da terceira rodada.

Já procurei explicações, falei com os atletas, mas é difícil encontrar um padrão para as respostas. Alguns dizem que a proximidade com as festas de final de ano no Brasil, depois de uma longa temporada atrapalham. O brasileiro já está no calor, no verão, não quer fugir do frio para a Austrália, como fazem, principalmente os europeus e americanos.

A dificuldade de adaptação ao fuso horário é igual para todos, mas aparentemente sofremos mais com isso.

É um mistério e por enquanto, no quesito tênis, o Brasil não funciona muito bem na Austrália.

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Começou a 2a semana do Australian Open – é um novo torneio

Começou a segunda semana do Australian Open e como em todo Grand Slam, costumamos dizer que tem início um novo torneio.

Dos 128 jogadores em cada chave, masculina e feminina, só restaram 16, disputando as oitavas-de-final, ou como se diz lá fora, Round of 16. Ou seja, de  256 só sobraram 32 tenistas em Melbourne. Muitos já pegaram o avião de volta, alguns comemorando uma boa vitória, outros, como Del Potro, lamentando a derrota precoce.

Novak Djokovic Aus Open

Os jornalistas, principalmente os australianos, que durante praticamente o mês inteiro que atencedeu o Grand Slam fizeram matérias com as “esperanças locais,” já aceitaram a dura realidade de que mais uma vez não terão tenistas nas fases decisivas do torneio. Bernard Tomic inclusive já anunciou que ficará afastado por uns bons três meses do circuito, para se submeter a uma cirurgia no quadril.

Enquanto preprava este post, alguns jogos das oitavas-de-final estavam acontecendo.

Eugenie Bouchard Aus OpenA Austrália viu sua última tenista na chave principal – Casey Dellacqua -  de simples dar adeus, diante da canadense Eugenie Bouchard. Mas, sendo realista, faz muito mais sentido ver a novata Bouchard nas quartas de um Grand Slam, do que Dellacqua.

Fabio Fognini até que fez bonito alcançando um lugar entre os 16 melhores do torneio. Mas, o talento italiano não foi suficiente para dar trabalho a Djokovic.

Flavia Pennetta, mais madura, continua seu sucesso nos Grand Slam. Depois de alcançar a semifinal do Australian Open, derrotou Angelique Kerber e está nas quartas em Melbourne. Pennetta Aus Open

David Ferrer também já está nas quartas (d. Florian Mayer), a sua nona consecutiva em Grand Slam.

Na Li sofreu bem menos do que nas rodadas iniciais e depois de vencer Ekaterina Makarova, por 6/2 6/0, continua fazendo do “Aussie Open,” o seu Grand Slam de maior sucesso.

Tomas Berdych também avançou perante Kevin Anderson, sem dificuldades.

A grande surpresa do dia foi a vitória de Ana Ivanovic diante de Serena Williams, a número um do mundo.

Coisa rara de se ver, Serena foi eliminada nas oitavas-de-final de um Grand Slam.

Ana Ivanovic Aus Open

A diferença, para Ivanovic, foi não entrar derrotada em quadra. Já deu para notar, quando ela venceu Samantha Stosur, na terceira rodada, que ao mencionar o próximo jogo contra Serena, não estava intimidada.  Confessou que a vitória sobre Venus Williams, na final de Auckland, deu a confiança que ela precisava e que desde o início do jogo sentia que estava no que eles chamam de “in the zone,” dentro do jogo e que tinha chances. Ivanovic acreditou e começará a ser chamada de “Aussie Ana,” novamente. Apelido este que foi dado a ela quando alcançou a final em Melbourne, seis anos atrás.

Neste domingo, segunda em Melbourne, tem mais jogos de oitavas-de-final. Federer, Nadal, Murray, Sharapova, Azarenka, todos estarão em ação. E vale a pena notar como parece de fato outro torneio.

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As regras do calor no Australian Open

O assunto é o calor, desde antes do Australian Open começar. Com temperaturas passando dos 40°C os jogadores estão sofrendo e reclamando do torneio por não paralisar partidas ou tomar alguma atitude a respeito.

Azarenka heat

Claro que não é agradável jogar num calor de mais de 40°C, mas nenhum médico ou organizador de evento seria irresponsável a ponto de prejudicar de fato a saúde de um tenista. Há alguns anos o Grand Slam australiano instituiu uma política de calor – Heat Policy que diz exatamente isto que reproduzo abaixo.

Os técnicos dos jogadores tops não estão reclamando das condições do tempo. Andre Agassi mandou mensagem para o ex-treinador Brad Gilbert falando que a melhor coisa é aceitar a situação e usar para sua vantagem. Não é novidade alguma que faz calor em Melbourne.

Lembro de anos, uns quase 20 anos atrás, quando eu ainda não estava tão inserida no meio do tênis, era apenas uma admiradora do esporte, de uma foto do Boris Becker em um jornal, todo vermelho e a legenda dizendo – “poderia fritar um ovo na quadra.” Naquela época não havia heat policy.  Ferrer Aus Open

Para quem quiser se aprofundar um pouco em como funciona, aqui está o official heat policy do Aus Open.

In the event of extreme heat, the Referee has the right to order a rest period and/or suspend play at any time as per the following policy:

The Australian Open Extreme Heat Policy will be applied at the Referee’s discretion and may be altered at any time.
At the Referee’s discretion, when the Wet Bulb Globe Temperature only (WBGT) is above the pre-determined threshold, the Tournament Referee may suspend the commencement of any further matches on outside courts.
Any matches currently in progress will continue until the end of the current set. At the completion of the set, play will be suspended.
Where play in any match commences outdoors (or with a roof open) and the WBGT temperature exceeds the pre-determined threshold, the match will continue until the completion of the set. At the end of the set a decision may be made by the Referee to close the roof for the remainder of the match and the following matches, when the EHP is still in effect (on Rod Laver Arena and Hisense Arena).
A roof will only be closed because of extreme heat if a decision has been made by the Referee to suspend the completion or commencement of matches on the outdoor courts.
When the EHP has been implemented, the Tournament Referee will suspend the calling of any further matches on outside courts.
Supplement:
In the Women’s Singles, to allow a 10 minute break between the 2nd and 3rd sets when a WBGT 30.1 reading has been recorded prior to the calling of the match by Tournament Control. Readings are continually made throughout the day.
ForJunior Singles, to allow a 10 minute break and Wheelchair Singles to allow a 15 minute break between the 2ndand 3rdsets, this will be applied at the Referee’s discretion at a predetermined threshold, prior tothe calling of the match by Tournament Control. Readings are continually made throughout the day.
The break will not apply between the second and third sets if play had previously been suspended after the first setdue to EHP.
During the suspension of play, the Referee will review the conditions and make a decision as to whetherthe EHP is still in force. A player will be given at least 30 minutes notice prior to the resumption of play.Announcements will be made via the public address system

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Vai começar e o Australian Open está mais agitado do que nunca

Enquanto muita gente ainda está de férias, outros entrando lentamente no ritmo de trabalho, alguns ainda curtindo o alto verão no hemisfério sul e outros se protegendo do frio polar no hemisfério norte, começa nesta noite de domingo (Brasília), o primeiro Grand Slam da temporada, o Australian Open, em Melbourne.Djokovic australian open

Bem diferente do ritmo das férias, mas com a atmosfera mais relax dos Grand Slams – conhecido também por ser o “happy slam” – o torneio já está agitado antes mesmo do primeiro saque da chave principal ser dado.

O “buzz” começou algumas semanas atrás com a contratação de Boris Becker para o cargo de “Head Coach” de Novak Djokovic e da inclusão de Stefan Edberg na equipe de Roger Federer. Sem falar em outros treinadores campeões de Grand Slam que entraram para o time de alguns tenistas nas últimas semanas do ano, como Sergi Bruguera com Richard Gasquet e Michael Chang com Kei Nishikori. Todo mundo está querendo ver como essas parcerias se desenvolverão.

Fotos de Becker treinando Djokovic na Rod Laver Arena já estão por todo lado. E o alemão tem uma missão difícil. Djokovic é tetracampeão do Australian Open, venceu os últimos 3 seguidos e não perde uma partida desde meados de setembro.

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Victoria Azarenka, a atual campeã como Djokovic, também chegou a Melbourne com nova equipe. O técnico Sam Sumyk permanece, mas ela inicia o ano como nova preparadora física e fisioterapeuta. Será que já notaremos alguma diferença?

Rafael Nadal volta a Melbourne depois da sentida ausência no ano passado. Campeão do primeiro torneio da temporada, em Doha, todos já se perguntam, se ele vai manter o ritmo alucinante de vitórias de 2013. A estreia é daquelas que todo mundo ouviu o “oh oh oh”quando a chave foi sorteada. Encara o “menino terrível”da Austrália, Bernard Tomic.

Andy Murray voltando de uma cirurgia nas costas, em que ficou meses parado, é uma incógnita para este Grand Slam.

Roger Federer, em seu primeiro torneio ao lado de Edberg, quer fazer melhor do que em 2013. Não jogou exibições durante o time off e se dedicou 100% à sua preparação para 2014. A semifinal em Melbourne, no ano passado, foi o seu melhor resultado em um Grand Slam no ano inteiro.

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David Ferrer joga o seu primeiro Grand Slam como cabeça-de-chave 3 e de técnico novo depois de toda uma carreira ao lado de Javier Piles.

Vai ser interessante observar como se sairão também Lleyton Hewitt, campeão do ATP de Brisbane há 1 semana e que resolveu jogar duplas ao lado de Patrick Rafter, sim ele mesmo; Juan Martin del Potro, que derrotou Tomic na final em Sidney; Tomas Berdych, sempre perigoso, mas que parece nunca conseguir chegar lá; assistir Jo-Wilfried Tsonga, uma vez vice-campeão na Austrália, com seu novo time formado por Nicolas Escude e Thierry Ascione.

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Sem falar em diversos outros nomes que estão na chave, em um lugar onde muitas surpresas podem acontecer.

É lá na Austrália, especialmente pela época da temporada, que de repente surgem finalistas ou até mesmo campeões inesperados. Foi o caso de Arnaud Clement, Thomas Johansson, Marcos Baghdatis, Jo-Wilfried Tsonga, entre outros.

Vamos ver também como vai se sair Thomaz Bellucci, depois de ter vencido 3 jogos e passado o qualifying.  Depois de um 2013 dos mais complicados, Thomaz parece ter começado o ano com o pé direito – e também de técnico novo, Francisco Clavet.

Entre as mulheres, é animador ver uma brasileira na chave principal de um Grand Slam. Apesar da estreia de Teliana Pereira na ser fácil, a tenista só tem a crescer com a experiência  – enfrenta a russa Anastasia Pavlyuchenkova, 30ª na WTA – na primeira rodada.

O drama, ou melhor, o “buzz” parece ser um pouco menor na WTA do que na ATP.

Será que Serena Williams continuará dominando o circuito da mesma maneira que fez em 2013?

E Na Li, manterá as boas campanhas dos últimos anos no Melbourne Park?

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O que esperar de Maria Sharapova ao lado de Sven Groeneveld, depois de meses longe das quadras. Ela jogou o WTA de Brisbane, mas não é muita medida.

A australiana Samantha Stosur, continua sendo a grande esperança de bons resultados do país, mas diante dos fiascos das últimas temporadas, ninguém mais ousa apostar suas fichas na campeã do US Open 2011. Quem sabe assim ela jogue menos pressionada por ela mesmo.

Como será que Ana Ivanovic vai se sair? Praticamente uma australiana adotiva, a sérvia começou o ano vencendo o WTA de Auckland e ganhando de Venus Williams na final. Nada comparável a uma chave de Grand Slam, mas será que suficiente para devolver a confiança à uma vez campeã de Roland Garros.

Venus por sua vez, tem uma estreia complicada contra a russa Ekaterina Makarova, que sempre costuma jogar bem na Austrália.

Vai ser interessante também observar Sloane Stephens, com o técnico Paul Annacone; as novatas americanas como Madison Keys & CIA; as britânicas Laura Robson e Heather Watson, ver como se sai Eugenie Bouchard, entre outras. E assistir ao duelo de quase 3 décadas de diferença entre Belinda Bencic, que no ano passado estava ganhando Grand Slam juvenil e Kimiko Date Krumm (27 anos as separam).

Eu especialmente estarei de olho nas tenistas e nos jogadores também, que daqui a pouco mais de um mês desembarcarão no Rio para jogar o Rio Open apresentado pela Claro hdtv.

Teremos também as duplas. Pena o sorteio que colocou Andre Sá e Feliciano Lopez diante de Bruno Soares e Alexander Peya, logo na primeira rodada. Melo jogará com Dodig.

Finalistas dos últimos 2 Grand Slams (Melo em Wimbledon e Soares em NY), os brasileiros buscarão uma primeira final em Melbourne.

Espero conseguir, em meio aos preparativos para o Rio Open, sim já estamos trabalhando a mais do que mil, conseguir manter o blog atualizado com frequência durante o Grand Slam e aproveitar as madrugadas de insônia para assistir muito tênis.

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É incrível o que Roger Federer fez em Melbourne

Podem dizer que ele já acabou, que não vai ganhar mais Grand Slam, que já passou dos 30 e não consegue mais acompanhar o ritmo dos outros, mas ele é uma lenda do esporte e fazer o que Roger Federer fez, nesta quarta em Melbourne é para pouquíssimos. Federer and laver

Há semanas Federer anunciou que faria uma noite de caridade antes do Australian Open começar. Já vi isso acontecer uma ou outra vez, mas nunca da maneira que foi feita em Melbourne.

A Rod Laver Arena foi toda modificada para receber Roger Federer and Friends – saíram os logos dos patrocinadores e entraram os logos RF e da Rolex, patrocinadora de Federer e do evento.

Tsonga Federer

Federer conseguiu trazer Laver para bater uma bolinha com ele. Dois mitos do esporte, talvez os dois maiores de todos os tempos, batendo bola na quadra que leva o nome do australiano. Ainda entraram em quadra outras lendas do esporte australiano, Tony Roche, que foi técnico de Federer, Patrick Rafter, Lleyton Hewitt. Federer enfrentou Jo-Wilfried Tsonga, venceu, por 6/7 6/3 7/5 – jogo arbitrado pelo juiz brasileiro Carlos Bernardes, que se vestiu de smoking – , mas como sempre, nestes momentos o resultado foi o que menos importou.

O público que lotou a quadra central do Melbourne Park se levantou para aplaudir os mitos do tênis e claro que com o valor do ingresso comprado para a noite especial, ainda colaboraram com a Fundação de Roger Federer que ajuda crianças carentes na África do Sul, país natal de sua mãe.

Federer arrecadou AU$ 1 milhão e afirmou que o objetivo é atender, até 2018, 1 milhão de crianças na região. Números tão grandiosos quanto os da carreira dele.

Roger FEderer Foundation

E ele continuará arrecadando. O Australian Open deixou banners como este pelo site e no Facebook, com imagem de Federer e link para doação.

A torcida é para que Federer ainda jogue por muito tempo.

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“Tênis também é um esporte para os cegos.”

Recebi hoje de colegas da argentina um vídeo com deficientes visuais praticando o esporte.

O vídeo me fez lembrar uma matéria que fizemos na Tennis View alguns bons anos atrás, relatando como funciona o esporte e contando as origens do “Blind Tennis,” no Japão.

Reproduzo aqui a matéria feita na época pelo repórter Leonardo Stavale.

“Tênis também é um esporte para os cegos.”

“Blind Tennis, ou Tênis para Cegos.” Esta frase causa espanto em qualquer pessoa que conheça o esporte e nunca tenha ouvido falar que os cegos também podem jogar tênis.

Tennis View também se espantou ao tomar conhecimento de que o esporte para deficientes visuais e cegos existia, e desde 1990 e descobriu que tudo começou no Japão, com um garoto de 16 anos e que hoje em dia existem campeonatos para a categoria.

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Pouco difundido pelo mundo, o “Blind Tennis,” pode ser jogado por pessoas completamente ou parcialmente cegas, com algumas diferenças das regras do tênis profissional, como a bolinha, que é feita de esponja e com elemntos internos que fazem com que ela emita um som alto na hora que se aproxima do jogador.

Conheça, neste emocionante relato do jornalista Leonardo Stavale, como a vontade de jogar tênis, de um jovem do Japão, criou mais um esporte para os deficientes visuais e como, a exemplo do Tênis em Cadeira de Rodas e do Tênis para Surdos, o “Blind Tennis,” também pode vir a se tornar um esporte Paraolímpico.

O sonho de um adolescente japonês de 16 anos, parcialmente cego, fez nascer mais um esporte no mundo em 1986: o “Blind Tennis” (tênis para cegos e deficientes visuais). Com problemas na visão desde o nascimento, Miyoshi Takei (falecido em 2011) queria usar toda a parte perfeita de seu corpo para jogar tênis. O desafio era fazer o esporte em três dimensões, com a bola ‘quicando’. Isso porque nos esportes para cegos já existentes na época, como o voleibol, tênis de mesa e beisebol a bola era rolada no chão, ou seja, em apenas uma dimensão. Takei pediu auxilio ao seu professor de educação física, que se interessou pela idéia.

O primeiro desafio do estudante da Escola para Cegos e Deficientes Visuais da Prefeitura de Saitama, no Japão, era produzir uma bola especial que permitisse aos jogadores encontrá-la pelo som emitido quando a bola tocasse o chão.  A primeira tentativa foi com uma bola de plástico, em que ele e seu professor inseriram, no seu interior, bolinhas de chumbo. O resultado sonoro foi eficiente, porém a bola não pulava de forma apropriada. Eles experimentaram vários outros materiais, mas a bola perfeita para o “Blind Tennis,” não estava pronta. Ainda.

Depois de se formar na escola, Takei iniciou um curso de educação especial em fisioterapia, em Tóquio. Mas a bola ideal não saía de sua cabeça. O estudante levou então a bola original ao “Centro Esportivo de Tóquio Para os Deficientes,” e pediu a um instrutor que jogasse tênis com ele. Em um primeiro momento o instrutor não acreditou muito na idéia daquela jovem, mas foi movido e inspirado pelo entusiasmo de Takei.

A bola perfeita e o sonho realizado

Um certo dia,  Takei descobriu a bola utilizada no mini-tênis, importado da Suécia. Comprou uma dessas bolas, feita de material esponjoso e a partiu ao meio colocando dentro uma bola de tênis de mesa, que possui quatro bolinhas de chumbo no interior – para cegos e deficientes visuais.

Graças ao esforço do estudante, o “Centro de Reabilitação Nacional para Deficientes – NRCT,” em Saitama, iniciou um projeto para manufaturar a bola especial. Para completar a realização do jovem, o NRCT promoveu o primeiro torneio nacional no dia 21 de outubro, de 1990.

tennis ball

A professora Ayako Matsui  do curso de fisioterapia onde Takei  se graduou, começou a dar aulas de “Blind Tennis,” em 2003. Ela contou à Tennis View, que atualmente ensina o esporte para crianças a partir de cinco anos, perto de Tóquio, além de promover o esporte pelo País. De acordo com ela existem cerca de 300 praticantes no Japão. “Eu sei que na Austrália há uma associação para  parcialmente cegos. Eu acredito que o Japão seja o único país onde se joga tênis para totalmente cegos.”

Amante do tênis, a Sra. Matsui abriu um clube para ensinar o “Blind Tennis” para crianças, podendo ajudar nas necessidades do portador de deficiência visual. “As crianças com problemas de visão não são boas no esporte, pois elas não podem se mover livremente e também não há tantas oportunidades de praticar. Isto não é bom para o desenvolvimento delas. O tênis é um excelente esporte para ensiná-las a localizar a bola e a posição na quadra. Elas precisam ouvir o som cuidadosamente, e de muita concentração. É um ótimo treinamento para as habilidades vitais delas,” explica a professora.

O fato de muitas crianças serem cegas desde o nascimento é a principal dificuldade. “Elas  nunca viram alguém jogar tênis e por isso não têm como aprenderem  copiando de alguém,” explica Ayako. “É muito difícil ensinar para as crianças o movimento do corpo. Leva muito tempo para que as crianças totalmente cegas consigam bater na bola. É preciso muita prática,” completa.

No Japão há um campeonato nacional disputado anualmente, em novembro. A média é de 70 participantes. Além do torneio nacional, existem outras 10 competições locais. Matsui desconhece qualquer outro torneio de tênis para cegos e deficientes visuais em outro lugar do mundo. No Brasil, não há registros do esporte para deficientes visuais.

Em janeiro deste ano, os japoneses começaram a promover o esporte internacionalmente, com uma visita à Inglaterra, que foi o segundo País a introduzir o “Blind Tennis.” O objetivo é incluir o esporte no programa dos Jogos Paraolímpicos.

O “Tênis para Cegos,” segue as mesmas regras de contagem do circuito mundial de tênis. Há diferenças no tamanho da quadra, quantidade de quiques. Confira as regras:

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Quadra

- Comprimento: 13,4 m

- Largura: 6,1 m

- Dividida em duas metades por uma rede de 80cm de altura no centro e 85cm nas pontas.

- São necessários no mínimo três metros de espaço livre no fundo da quadra e dois metros nas laterais

- As linhas da quadra são feitas por fitas adesivas com uma linha de 2mm por baixo, para que os tenistas sintam a marcação da quadra

- Normalmente o Blind Tennis é disputado em ginásios fechados para que o som da bola fique ainda mais audível.

 

Raquete

- Raquetes Junior

Bola

- O diâmetro da bola esponjosa é de 9cm

- No centro da bola há uma outra de tênis de mesa que contém quatro bolinhas de chumbo para produzir o som ao tocar o chão

- Além de produzir o som, as bolas permitem aos deficientes visuais que indentifiquem a altura, direção e velocidade aproximada da bola.

- Pode ser amarela ou preta

- Cada bola é especialmente manufaturada e custa aproximadamente US$ 10

Categorias

- B1 (o ‘B’ é usado como abreviação de Blind) é para as pessoas totalmente cegas

- B2, B3 e B4 são parcialmente cegos. B2 é capaz de ver o movimento de uma mão quando ela se move em frente aos seus olhos. A falta de visão é abaixo de 0.03  ou a visão é abaixo de  5 graus.  A falta de visão dos atletas B3 é acima de 0.03 ou a visão é acima de 5 graus. Para os jogadores B4  não há regulamentação para a falta de visão.

Os tenistas da classe B1 tem direito a três quiques.  Os jogadores da B2 e B3 podem deixar a bola tocar o chão duas vezes. Na categoria B4 a bola pode pingar apenas uma vez.

Jogadores da classe B2, B3 e B4 podem jogar na categoria B1 com venda nos olhos.

Saque:

- O sacador deve pergunta “Ready?(pronto). Em seguida o recebedor deve responder  “Yes” (sim). Após a resposta do recebedor, o sacador tem cinco segundos para sacar.

- Caso o recebedor não responda, e o sacador execute o golpe mesmo assim, um ‘let’ é chamado

- Tanto o sacador como o recebedor podem perguntar ao juiz ou boleiro qual a posição deles na quadra

Falta no saque

- Quando a bola não atinge a área de saque no primeiro quique

- Quando o sacador começa o movimento do saque, mas não atinge a bolinha

- Quando a bola atinge o recebedor diretamente sem encostar na quadra

- Quando o sacador atinge a bola correndo ou andando

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Perda de pontos

- Em caso de dupla-faltas

- Quando não se bate na bola antes do número correto de quiques

- Quando alguém passa orientações durante o andamento da partida

- Quando a bola o atinge diretamente – se estiver dentro da quadra.

- Quando a bola toca duas vezes a raquete

- Quando o contato com a bola é feito na área do adversário (invasão)

- Quando alguma parte do corpo, ou da raquete encostar a rede antes do ponto acabar

- Quando a bola atinge o juiz

Contagem

- A contagem é igual ao do circuito profissional de tênis. No Japão, na maioria dos torneios o set vai até 4 games. Quando há empate em 3-3, joga-se um tie-break.

Outras Regras

- Quando os dois jogadores tem visão parcial, o sacador pode escolher a bola amarela ou a preta. Depois da escolha não se pode mudar a cor da bola até o final da partida.  Em partida com tenistas sem nenhuma visão é utilizada a bola amarela.

- O jogador pode perguntar ao juiz a natureza do seu saque (o quanto saiu, se saiu lateralmente, etc).

- Se uma bola quebrar durante um rally joga-se o ponto novamente

* A professora Ayako Matsui  possui um site na Internet com informações e regras do esporte e como organizar clínicas e conduzir aulas para deficientes visuais: http://www.hanno.jp/~matsui/

Para entrar em contato com Matsui, o e-mail é matsui-tennis@hanno.jp

Leonardo Stavale

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Um bate-papo com Milos Raonic

E assim, como um daqueles saques a mais de 220km/h que o adversário mal consegue enxergar, a temporada 2014 já começou oficialmente. A época de retrospectivas já passou e o momento, quase já atrasado também é de previsões para o circuito.

Um dos nomes que todos ficarão de olho neste ano é o de Milos Raonic e aqui vai uma entrevista que  a Tennis View publicou com ele na sua última edição. A entrevista foi feita antes do ATP Finals, mas dá para conhecer bem a personalidade – ainda muito forte da região dos balcãs onde ele nasceu – do hoje canadense e ver que ele sabe que tem que amadurecer, mas que quer ir além da barreira do top 10 que quebrou em 2013.

Aproveito para me despedir do ano, enquanto tento encontrar uma maneira par 2014 de manter este blog sempre atualizado, mesmo durante o meu intenso trabalho como assessora de imprensa do Rio Open.

Mais jovem tenista entre os top 12 do ranking mundial, o canadense Milos Raonic quer muito, muito mais.

Aos 22 anos de idade, no melhor ano da sua jovem carreira no circuito profissional, Raonic já chegou ao top 10, depois de alcançar a final do Masters 1000 de Montreal e levou o seu país à semifinal da Copa Davis.

 Raonic também esteve perto de se tornar o primeiro canadense a alcançar as quartas-de-final de um Grand Slam, no US Open, quando perdeu para Richard Gasquet, nas oitavas, com match point. Foi do mesmo Gasquet que ele ganhou na semifinal do ATP de Bangcoc, no fim de setembro, em que viria a conquistar o título, derrotando Tomas Berdych na final.

 Dono de um potente saque e de uma das direitas mais fortes do circuito, Raonic enfim fez a ATP comemorar um novo nome entre os melhores do mundo, uma novidade entre os tops. Já que Grigor Dimitrov e Bernard Tomic estão demorando um pouco mais do que o esperado para ocupar estas posições também.

 Atualmente treinado pelo croata Ivan Ljubicic, o canadense que nasceu em Montenegro e se mudou com a família para Toronto, quando tinha apenas três anos de idade, é um dos maiores ídolos do Canadá, o país em que o Hockey é o esporte número um.  Durante a Copa Davis e o Masters 1000 do seu país, Raonic jogou inclusive com o símbolo do Canadá, a “maple leaf” na camiseta, especialmente feita para ele.

 Um dos primeiros tenistas a integrar o centro de treinamento da Tennis Canada, em 2007, Raonic é fruto do trabalho da federação local, com uma combinação de bons técnicos e um jogo que se adapta ao circuito atualmente.

 Campeão de 5 ATPs, em apenas sua terceira temporada completa na ATP, ele já foi eleito o novato do circuito em 2011, ao pular da 156ª para a 31ª posição. Mas, antes um conformista com o top 50, o canadense quer mais. “Quero ser o melhor do mundo.”

Tennis View conversou exclusivamente com Raonic, e descobriu muito mais sobre o tenista.

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Tennis View – Você alcançou a final do Masters 1000 de Montreal, em agosto e entrou pela primeira vez no top 10 da ATP.  Para muitos jogadores isso é o sonho de uma carreira toda e você já chegou lá com 22 anos de idade. Qual foi a sensação?
Milos Raonic – Foi uma grande sensação no momento, logo que aconteceu. É um momento que significa muito para mim, porque você sabe que é aquilo que você quer conquistar, é onde você quer chegar, é o seu objetivo de sempre. Mas, eu sempre disse muitas vezes que um dos meus objetivos também era entrar para o top 8 e jogar o ATP World Tour Finals, algo que seria enorme para mim. Agora estou mais perto e quando dou um passo para trás, percebo que é só um passo adiante do que eu realmente quero conquistar. Não muda muito em termos do porque eu jogo ou de para que eu jogo, que é sempre, constantemente me tornar mais forte mentalmente para os grandes jogos e continuar aprendendo através dessas experiências, para chegar ao meu objetivo

TV – Você estava de olho no top 10, ou era algo que você sonhava  alcançar quando era criança?

MR – Quando eu era mais jovem eu achava que eu seria feliz no top 50. Mas, as coisas mudaram desde então. A minha crença no meu tênis mudou muito, acredito muito mais nas minhas habilidades e no progresso que eu posso fazer e onde posso chegar.

TV – Quando você chegou em Montreal, a sua confiança não estava lá no alto não. O que aconteceu que fez com que você tivesse aquela semana incrível?

MR – É verdade e acho que isso me ajudou, de alguma maneira, naquela situação. Eu cheguei em Montreal sem muitos bons resultados e não estava jogando muito bem. A minha performance nos jogos não estava boa, mas eu estava treinando bem. Então, a única coisa que eu podia fazer era jogar partida por partida e não me preocupar até onde eu iria deste jeito. Eu estava muito mais vivendo o momento do que qualquer outar coisa e isso fez com que eu não me preocupasse muito com outras coisas, mas apenas em entender o meu tênis. Aí as coisas começaram a acontecer. A torcida me ajudou muito, especialmente a sair de situações difíceis. Cada vez que me encontrava em um buraco eles me energizavam. Esse empurrão extra me ajudou nas situações difíceis.
TV – Você teve a melhor semana da sua carreira em Montreal, mas infelizmente ela talvez fique marcada pelo incidente com o Del Potro. Você mesmo disse depois que percebeu ter feito um erro de julgamento, não avisando o juiz que você tinha de fato tocado a rede naquele ponto crucial. Você ficou surpreso com o tanto que as pessoas falaram sobre isso?

MR – Muitas coisas estavam acontecendo para mim naquela semana. Eu estava jogano bem, voltando a ter confirança e não tive a chance de absorver o que estava acontecendo a minha volta. Todos os meus jogos foram super tarde e depois eu estava fazendo fisioterapia e na manhã seguinte me preparando para o próximo jogo. Não tive tempo, de verdade, para rever a situação até depois do torneio terminar. Em Cincinnati me desculpei com o Juan Martin del Potro publicamente e desde então não tive tempo de sentar com o Juan e discutir o que aconteceu. Nós dois estamos bem com o assunto. Não acho que seja algo que ficará marcado na minha semana que foi maravilhosa. Eu acho que há coisas muito mais interessantes para serem lembradas daquela semana. Vamos dizer que foi um aprendizado para mim. A situação nunca havia acontecido antes e agora eu aprendi com ela e sei que vou lidar melhor com isso da próxima vez.

TV – Você fez algumas mudanças na sua equipe recentemente, contratando o Ivan Ljubicic como seu técnico e contratando um preparador físico. Porque você decidiu mudar?

MR – O Galo (Blanco) e eu decidimos na temporada de saibro que tínhamos que seguir outros caminhos. Tenho que dizer que valorizo muito tudo o que ele fez por mim e me ensinou. Acho que o Ivan é perfeito para mim. Ele é um grande nome que se aposentou apenas um ano atrás e ele tem muito conhecimento e entende muito dos jogadores que estão no circuito. Com o Ivan, quando ele estava jogando o melhor tênis dele, ele era um dos tenistas que mais entendia do jogo de tênis e sabia o que ele tinha que fazer para vencer ou como manipular os adversários. Ele era um dos jogadores mais intelectuais em quadra. Acho que com essas qualidades ele pode me ajudar muito com o meu tênis. Tem sido ótimo.

Obviamente não tivemos muito tempo para trabalhar em muitas coisas técnicas. Tem sido mais filosofia e como lidar com certas coisas, tentar ser mais agressivo e incorporar isso em todos os jogos. Porque quando me encontro diante dos jogadores tops, sei que é isso que tenho que fazer para vencer. Se eu jogar cada partida, seja com um cara top 200, top 100 ou número um do mundo, com essa atitude eu sei que é assim que vou progredir e melhorar. Quando eu me encontrar diante de um top, já vou ter feito isso em três jogos anteriores, em vez de ficar na defensiva e ter que mudar e jogar agressivo. Quero que seja o meu estilo normal de jogo.

TV – Agora você tem um preparador físico. Entendo que você perdeu uns 5 quilos. Você estava sentindo que precisava perder pedo para ser mais eficiente em quadra?

MR – Não, aconteceu. Não era algo que eu estava pensando como objetivo. E não foram uns 5 quilos e sim uns  3,5k, 4k. O peso saiu naturalmente. Eu não estava me forçando e dizendo eu tenho que perder este peso. Aconteceu e me sinto melhor. A gente tem feito muitas coisas, como treinamento funcional, melhorando a minha movimentação, estabilidade e as minhas juntas. O básico que você precisa em termos de preparação física faz a diferença.

TV – Você jogou muito bem em Montreal, mas também tem sido um grande jogador de Copa Davis e a chave para o Canadá ter alcançado a semifinal da competição. Parece que representar o seu país te transcende, enquanto outros jogadores se sentem paralisados com a pressão. Como você explica isso?

MR – É verdade, a Copa Davis é uma grande parte da minha temporada. A gente tem jogado tão bem e temos maximizado as oportunidades. A Copa Davis é um evento de equipe e um evento nacional, mas tem uma coisa que eu sempre disse para mim mesmo e mantive essa mentalidade é que não é outro jogo. Não há mudança de regras, não há mudanças estruturais e você ainda está competindo como um indivíduo. Então foquei nisso e deu certo. Quando você fica um pouco nervoso, e isso acontece com todos, tem que se concentrar no apoio que você tem ao seu redor para passar por essas situações e voltar para onde deve estar, se concentrar e jogar bem.

TV – Suas origens são de Montenegro e mesmo que você seja canadense e more no Canadá, seus irmãos ainda vivem em Montenegro. Quando você vai visitá-los, você também sente que lá, de alguma maneira, é a sua casa?

MR – Sim, eu sinto. Eu nasci em Montenegro e os meus pais me criaram como eles foram criados lá. Como você disse, meu irmão e minha irmã moram lá, mas eles cresceram em Montenegro mais do que eu. Quando nós mudamos para o Canadá eu tinha 3 anos, mas a minha irmã já tinha 14 e portanto, passado infância dela toda por lá. Toda a minha família próxima está lá, primos, tios, avós, então é realmente um sentimento bem caseiro, por causa das pessoas, quando vou até lá. E desde que sou muito jovem a gente sempre vai para Montenegro, uma ou duas vezes por ano, porque a noção de família sempre foi muito importante para a nossa criação. Então me sinto em casa e me sinto à vontade lá. Mas, apesar disso, o verdadeiro sentimento de casa para mim, onde estou mais familiarizado, é em Toronto.

TV – Essa sua segunda cultura te deixa muito próximo de jogadores da ex-Iugoslávia, como o Novak Djokovic, por exemplo?

MR – Com certeza. Eu me dou muito bem com o Novak, mas também com o Janko (Tipsarevic), com Zimonjic (Nenad) e também com o Tomic (Bernard) e Matosevic (Marinko). Nós todos nos damos muito bem. Temos aquela cultura e entedemos o outro. Obviamente a língua que a gente fala no vestiário é a mesma. Tem muitos de nós ao redor de mundo, muitos de nós com essa cultura da ex-Iugoslávia e é bom ter essa camaradagem no circuito, porque quando você viaja tanto quanto nós viajamos, você está longe de casa. É bom ter amigos e pessoas com quem você se relaciona através da sua cultura.

TV – Você mencionou o Bernard Tomic, como um dos jogadores que você se dá bem. Mas, ele não é dos tenistas mais populares do circuito. Como você o vê como pessoa?

MR – Eu não gostaria de falar muito sobre ele. Mas, posso te dizer que ele é um bom cara e acho que às vezes ele sai para o lado errado, por exemplo. Ele é um caro muito bom, bom de coração. Acho que as pessoas tem que conhecê-lo melhor e não sair julgando ele antes disso. Eu me dou super bem com o Bernard e temos boa intenção um em relação ao outro. É bom tê-lo no circuito e vê-lo jogar bem.

TV – Você já enfrentou todos os jogadores tops. Quem mais te impressionou até hoje?

MR – Eu acho que cada um deles tem qualidades impressionantes. Se você olhar par ao Roger, pode dizer que ele é um grande atleta, um grande jogador de tênis e uma grande pessoa. Eu não estava no circuito nos anos em que ele mais dominou, quando ele vencia três Grand Slams por ano. Acho que teve um ano em que ele perdeu apenas quatro jogos, ou algo assim. Não vi isso. Mas, o Roger, com tudo que ele conquistou, é tão significante, não apenas para as crianças que estão querendo jogar tênis, mas no que ele significa para o tênis.

Depois você tem o Rafa, o cara que mais me impressionou neste ano. Ele perdeu uns sete meses no ano passado e no começo desta temporada e depois volta, não apenas vencendo muito, mas também muito aberto para mudar o tênis dele. Ele jogou o melhor tênis dele neste anon a quadra rápida. Realmente é impressionante.

O Novak, desde o meu primeiro ano no circuito, em 2011, eu o admiro pelo profissionalismo que o levou ao posto de número um do mundo, o que ele mudou e como ele conseguiu manter isso por dois anos e meio. Eu estive perto dos melhores momentos dele e pude assistir a mudança dele de disciplina e como isso o levou a lugares que antes ele não chegava.

TV – E quem deles você menos gosta de enfrentar?

MR – Acho que o tenista que eu gosto de enfrentar, mas tive mais problemas até agora é o Rafa. Ele tem, de longe, os melhores resultados contra mim e é um jogador que não me deixa nada à vontade.

TV – Você alcançou o top 10, mas também consegue se enxergar, um dia, como o melhor jogador do mundo? É um objetivo para você?

MR – Sim, é o que eu quero. Quero ser o melhor. Não estou colocando uma data para esse objetivo ser alcançado, mas estou fazendo o melhor que posso e depois vejo o que acontece. Naqueles dias em que você não está se sentindo no seu melhor, ou que você não está com pique de correr por muito tempo, é a motivação por esse objetivo que me faz passar por esses dias e continuar me levando além dos 100%, mesmo quando você não está com tanta vontade. É para isso que estou dando tudo de mim.

Georges Homsi

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