A very special evening with Andre Agassi in NYC

A special evening with Andre Agassi.

Andre Agassi to “Open” up to public in New York City.

Era isso que estava escrito no email que recebi há pouco mais de um mês.

Detalhes diziam que Agassi estaria no Town Hall de NYC, para um evento único – once in a lifetime -, na época do US Open, para um real time talk show com o jornalista esportivo Rick Reilly, uma sessão de perguntas e respostas com o público e logo após, um coquetel, para um número limitado de pessoas.

Ingressos estavam à venda no Ticketmaster.

Vim para NYC com esse evento na minha cabeça e pensando que deveria ser interessante presenciar o lançamento do livro “Open”, que tanta controvérsia gerou – e que eu adorei ler, colocando como uma das melhores autobiografias que já li em minha vida – em paper back.

capa do livro Open em paperback

Como o evento foi promovido pelo Tennis Channel, ontem, recebi um convite para ir ao Town Hall e participar da special evening com Andre Agassi.

Por isso perdi os jogos de Bellucci e Mello no US Open, nesta quinta e só quando cheguei de volta ao hotel, depois da meia-noite, do Town Hall, que fiquei sabendo da derrota de ambos.
Valeu a pena ter ido ao Town Hall e visto Andre Agassi falar da sua obra prima com J R Moehringer e contar ainda mais detalhes da sua vida e carreira.

Tudo muito bem organizado, como sempre fazem os americanos.

O evento começou às 20h15. Primeiro entrou o apresentador, Rick Reilly e logo depois, ovacionado com o público de pé, Andre Agassi.


A primeira pergunta que Reilly fez foi porque Agassi resolveu escrever o livro e contar tudo o que contou. Muita gente já tinha me perguntado e eu mesma havia me questionado.

De tudo que ele falou ficou claro que os três anos que ele levou escrevendo o livro com o “Pullitzer Prizer winner,” J R Moehringer foram anos de terapia, em que ele conseguiu se conhecer melhor, conhecer quem era o verdadeiro Andre Agassi.

“É a jornada da minha vida que coloco no livro e foi um prazer poder parar e refletir em tudo o que aconteceu comigo e espero que quando uma pessoa termine o livro ela possa fechá-lo e refletir sobre o que aprendeu sobre ela.”

Agassi falou e respondeu perguntas por quase duas horas.

Contou coisas que já tinha lido no livro e revelou outras.

Bem humorado, chegou até a imitar o saque de Boris Becker e explicou como fazia para identificar de fato, através da posição da lingual, onde o alemão ia sacar. “Ele ficava enlouquecido quando eu ganhava dele. Adorava voltar para o vestiário e ficar assitindo as entrevistas coletivas dele. Um dia ele foi à loucura e falou: parece que ele lê a minha mente. A minha vontade era falar, não é a sua mente, é sua língua.”

Agassi tentando explicar como Becker posicionava sua língua ao sacar

Piadinhas deixadas de lado, Agassi disse que seu pai, a quem ele faz severas críticas no livro, não leu o livro e não lerá. “Liguei para ele assim que o livro saiu e falei para ele não se preocupar com o que estava saindo na imprensa, que muita coisa estava pela metade. Ele disse que não leria o livro, que já tinha 80 anos e não ia se preocupar com isso, mas que se tivesse que começar tudo de novo comigo o faria, só que não no tênis, no baseball ou no golfe para eu ter uma carreira mais longa e ganhar mais dinheiro.”

Ficou claro também no bate papo com o tenista que ele tentou mostrar o que realmente aconteceu com ele desde que seu pai o fazia bater de 3 a 4 mil bolas por dia saídas do Dragon até o fim da sua carreira.

“Eu era uma criança e sentia todo o peso nas costas de carregar os sonhos do meu pai. Ele chegou do Irã e tinha na cabeça que um dos seus filhos viveria o American Dream. Eu era o mais novo e só restava eu com essa chance.”

O casamento que não deu certo com Brooke Shields também foi tema da conversa. Agassi não sabe se a ex-mulher leu o livro e revelou que Steffi e Brooke nunca se encontraram, mas que uma vez quando Brooke ligou para ele e Steffi atendeu o telefone ele resolveu mudar o número de telefone da casa.

“Eu não sabia quem eu era naquela época – do casamento com Shields – como ia me casar? Não recomendo a ninguém essa experiência.”

Sobre a atual esposa, Steffi Graf, ele contou que sempre teva fascinação por coisas que ele não podia controlar ou não sabia como ou quem eram e que desde sempre tinha curiosidade de conhecer a pessoa Steffi Graf.

Do tênis atual, Agassi foi só elogios para Roger Federer. Disse que se ele tivesse que enfrentar o suíço no seu melhor, as pessoas iriam perguntar porque o tênis americano vai tão mal e que com Sampras, caso enfrentasse Federer, aconteceria o mesmo.

“O tênis muda e é possível que apareça alguém especial, mas nós presenciamos com o Federer algo fora do normal. Se um jogador tem um ou dois golpes que o colocam num nível acima do resto ele já é incrível. O Federer tem umas cinco armas assim.”

Agassi também comentou sobre o episódio com Pete Sampras e voltou a dizer que o conterrâneo era a sua antitítese. Mais do que isso afirmou que o que mais o chateou quando escrevia o livro foi o fato de perceber que não conhecia nada do seu maior rival. Mas, não deixou de enaltecê-lo e dizer que sua carreira não teria sido a mesma sem ele.

Já é tarde e amanhã tenho que acordar muito cedo.

Não vou conseguir baixar as fotos aqui pois o leitor do cartão da máquina ficou na sala de imprensa, no US Open.

Mas, antes de terminar, fica mais uma coisa que ele contou no Town Hall.

A filha Jazz está jogando tênis duas vezes por semana, apesar dele e Steffi não quererem que ela siga a carreira de tenista profissional – mas apoiarão caso seja a escolha da pequena – e que Jaden é adepto do baseball e que pratica o esporte diariamente. “Mas eu nunca o empurro para jogar baseball. Ele vem me pedir, depois de fazer a homework, para que a gente vá ao parque jogar.”

Só pelo que escrevi aqui já deu para ver que foi uma very special evening with Andre Agassi.

Antes de deixar o New York City Town Hall Agassi autografou alguns livros. A fila era grande e ele pacientemente atendeu todos os pedidos – detalhe, para evitar confusão e dar a chance a todos de terem o exemplar de Open autografado,  ele só assinava o livro e não tirava fotos com os fãs. Repare como ele olha no olho da pessoa para quem está autogrande o livro.

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One Response to A very special evening with Andre Agassi in NYC

  1. Rodrigo Faraco

    Olá Diana,

    não conhecia teu blog. entrei aqui através de uma chamadinha que colocaram no twitter – linkando pra essa matéria com o Agassi. Adorei o texto, talvez por também um fã de andre agassi. foi meu primeiro ídolo no tênis. Parabéns, um abraço e sucesso sempre.
    Faraco

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