E quem diria, Sharapova é fã do estilo de vida parisiense. Eu também!

Hoje de manhã estava tomando o Petit Dejeuner no Café Les Editeurs, em Odeon, o bairro dos escritores, pensadores e boêmios, e pensando na vida parisiense, em como é maravilhoso ter lugares como este, em que você pode entrar, tomar um café, ler o jornal – os jornais ficam à disposição dos clientes, sem custo – ou até mesmo ler um livro da biblioteca do café, ou fazer uma mini-reunião, ligar o computador, pegar o caderninho de anotações e escrever.  Mais tarde, em Roland Garros, Maria Sharapova que hoje avançou à semifinal do Grand Slam parisiense, falava justamente sobre isso. 

“Adoro como as pessoas levam a vida aqui em Paris. Elas sentam nos cafés, uma perto das outras, conversam, estão a poucos centímetros dos carros que passam em frente, mas é muito bom. Quem não gostaria de ter esse estilo de vida?”

Fiquei surpresa ao ouvir essa declaração de Sharapova. E ela continuou. “Poderia comer todos os dias no restaurant L’Avenue, comer o escargot e os morangos de sobremesa. Claro que engordaria uns 20k, mas tudo bem. Todo mundo aqui anda de bicicleta ou a pé.”

Como ela é tão americanizada, mora em Los Angeles, numa casa daquelas enormes, anda de carro sempre, e é adepta do estilo americano de ser e viver, não pensei que ela pudesse gostar deste  estilo de vida francês.

E justamente eu vinha pensando nisso, porque depois do café da manhã no tradicional Les Editeurs, fui visitar uma amiga minha na região do metrô François Miterrand. Andei até St Michel, olhei para a imponente Notre Dame e fui pegar o RER – trem, já que era direto e apenas duas estações de “viagem”. Nossa, mas como andei dentro da estação.

O metrô fica a duas quadras e mais do escritório da minha amiga. Na volta, peguei o RER e desci na Gare D’Austerliz para trocar de trem para metrô, na linha que vem direto para Roland Garros.

Andei, andei e andei dentro da estação.

Quando cheguei na estação de Roland Garros, a Porte D’Auteil e tinha que andar mais uns 10 minutos para entrar no estádio, quase me desanimei. Mas você começa a andar e vai. Quando vê, já chegou. São questões de hábitos e é realmente um estilo de vida diferente.

Poucas pessoas tem carro. Se tem, não usam durante a semana ou durante o dia. É mais do que normal andar a pé, de metrô, de bicicleta. É normal sentar num restaurante ou café apertado e ficar ouvindo a conversa dos outros, sem prestar atenção. É mais do que normal tomar uma taça de vinho – ou mais – na hora do almoço e numa noite de verão, pegar uma garrafa de vinho como eu fiz na outra semana, com amigos, e bebericar às margens do Senna.

O que não é comum é ver a Sharapova falando sobre isso e muito menos chegando à semifinal de Roland Garros com uma certa tranquilidade. Derrotou Kaia Kanepi hoje por 6/2 6/3 e até agora só perdeu um set no torneio. Vai jogar contra Petra Kvitova, que precisou de três sets para vencer Yaroslava Shvedova.

A outra semifinal é entre Samantha Stosur e Sara Errani.

Parece que Sharapova nunca esteve tão perto de vencer o torneio que ela aprendeu a gostar e o único que falta para ela completar o Grand Slam.

Foto da Sharapova de Cynthia Lum

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