O fenômeno Yannick Noah. 29 anos depois da conquista em Roland Garros ele ainda é a maior personalidade da França

Acho que é difícil explicar o que Yannick Noah significa para a França. Fiquei pensando a quem poderíamos compará-lo aqui no Brasil, mas quem é eleito nove vezes seguidas (a pesquisa é feita a cada seis meses) a maior personalidade de um País? Quem se transformou de ídolo do tênis, último francês a ganhar Roland Garros em ídolo da música? Acho que só sendo francês para explicar o fenômeno Noah. 

Daqui a três semanas ele, que deixou até o ator Omar Sy para trás na pesquisa, aquele que está fazendo o maior sucesso com o filme “Os Intocáveis,” estará no Rio de Janeiro para jogar a Peugeot Tennis Cup e me sinto uma felizarda por ter a oportunidade de estar perto dele mais uma vez. Noah tem uma energia diferente, algo que te contagia, te fantasia, te emociona. Seja com um sorriso, com uma jogada fantástica, um refrão de uma música, ou uma frase em que ele declare o amor à vida, a paixão ao esporte, ou a adoração por Bob Marley.

 

Vi Noah pela primeira vez há muitos anos, quando ainda como estagiária fui a um evento no Hotel do Frade, em Angra dos Reis, em que ele jogou e cantou para convidados. Fiquei encantada. Tenho até hoje lembranças fresquíssimas desse encontro.

 

Poucos anos depois, já com a Tennis View fundada, vi novamente ele tocar e jogar em Itaparica, em outro evento para convidados, mas que só fez aumentar a minha admiração pelo ídolo que cresceu nos Camarões.

Ao longo dos anos, em diversos eventos pelo mundo, com a revista e com o Guga trombei com Noah. Guga, durante dois anos, participou de um evento beneficente para a fundação dele, a premiadíssima “Les Enfantas de la Terre,” com Noah, em uma grande arena de música, subiu ao palco e cantou ao lado do campeão de Roland Garros 1993.

 

Ao longo destes anos também fui acompanhando a carreira dele, lendo livros, assistindo documentários e tenho até um CD de Noah aqui em casa, com a banda Zam Zam. Lembro de estar num supermercado em Paris e de repente ouvir uma música de Yannick Noah tocando e pensar, nossa, o cara está mesmo pop. 

Tantos tenistas tentaram virar músicos e não conseguiram. Mas Noah conseguiu. Se reinventou e até capa da Rolling Stone ele foi.

 

Hoje ele leva mais pessoas para os estádios de futebol, ou para as casas de show, do que levava para Roland Garros. Talvez se Roland Garros tivesse capacidade para 80.000 pessoas, lotaria com Noah.

Ele lotou o Stade de France.

 

Há poucos meses na vitória de Françoise Hollande, nas eleições francesas, foi Noah quem cantou na Praça da Bastilha.

 

Empolgada com a vinda da maior personalidade da França ao Brasil, de um tenista que desafiou padrões do tênis, fui procurar ler um pouco mais sobre ele. Descobri que lançou neste ano um CD em homenagem a Bob Marley. Assisti o clip de uma de minhas músicas favoritas de Marley, Redemption Song, com Noah cantando e com o filho, estrela do Chicago Bulls, Joakim Noah, aparecendo também.

Em uma das entrevistas que li online sobre o lançamento do disco, Noah, hoje com 52 anos, diz que Bob Marley “moldou quem ele é hoje, que as roupas e o cabelo que usa até hoje são inspirados nele.”

 

Fui procurar em casa, na minha estante da sala, o livro que comprei há alguns anos, “Noah por Noah,” com fotos e histórias da vida nos Camarões, a família, o encontro com Arthur Ashe, a mulher, os filhos, as conquistas, Roland Garros, a Copa Davis, como capitão e jogador, o primeiro disco, a mudança para Nova York, a carreira de músico de sucesso. Enfim, são páginas de alegria, com uma mistura de análise profunda sobre os fatos da vida, a fama quase insuportável em Paris, a transição, as raízes familiares, os exemplos de vida. A vontade era de começar a ler as 265 páginas todas de novo. Acho que é o que vou fazer.

 

 

Leave a Comment

Filed under Uncategorized

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *