Resultados dos Challengers dão novo sinal de alerta para o tênis brasileiro

Sei que estamos no meio do ATP Finals, que Del Potro ganhou um jogo emocionante contra Roger Federer, as semifinais foram definidas com os dois, além de Murray e Djokovic, mas isso não me faz parar de pensar no momento alarmante que o nosso tênis passa. Já escrevi um post sobre o assunto em abril e volto a escrever agora.

 

Tivemos uma boa sequência de torneios Challengers no Brasil nas últimas semanas e desde a Peugeot Tennis Cup, no Rio, venho observando os resultados dos brasileiros. Em três torneios da categoria no País – Rio de Janeiro, Porto Alegre e São Leopoldo, nenhum tenista do Brasil alcançou a semifinal.

 

Quando escrevi em abril sobre o primeiro sinal de alerta, pelo menos havia tenistas brasileiros avançando nos Challengers do Brasil, mesmo sendo mais velhos. E o alerta era para isso, pelo fato de nenhum Novato, fora Guilherme Clezar, apresentar resultado  consistente nos Challengers.

 

Thiago Alves, 30 anos,  havia vencido o Challenger de São Paulo (Villa-Lobos);  Ricardo Hocevar, 27 anos, havia sido vice em Santos; Julio Silva, 33, em São Paulo e Clezar empolgando com o título do Challenger do Rio Quente Resorts.

Veio o segundo semestre e a situação não mudou. Piorou. Pelo menos em dois dos cinco Challengers jogados no Brasil, um tenista daqui foi à final. No entanto, nem Leonardo Kirche, 27, vice em Campinas e Hocevar, campeão em Belém, são jogadores novos.

 

Entendo que houve uma mudança no circuito, que não jogadores novinhos se destacando no top 100. Mas é sim um momento de alerta, quando três vezes seguidas, com 12 brasileiros na chave, ou mais (foram 12 no Rio e em Porto Alegre e 13, em São Leopoldo), nenhum deles alcança a semifinal. E ainda, no Rio, por exemplo, apenas Ricardo Mello, 33 anos e André Ghem, 30 estavam nas quartas-de-final. 

 

Tentei buscar explicações e não encontrei. Alguns disseram, ah, esse Challenger está muito forte, por isso os brasileiros não estão indo bem? Ah, a quadra está lenta, tem que saber jogar bem todos os fundamentos, não dá só para bater na bola…

Enfim, alguma coisa precisa ser feita.

Não é falta de torneio; não é falta de investimento.

 

Seis meses se passaram do post que escrevi e não houve qualquer mudança de padrão no ranking dos brasileiros. Continuamos apenas com Clezar, 19 anos, entre os top 10 do País de novato e vendo a evolução, por méritos próprios, de Fabiano de Paula, 23 anos, que começou o ano na 380ª posição e está no 239º lugar.

 

Pelo menos, nas dulas, Bruno Soares, Marcelo Melo e André Sá, além de Thomaz Bellucci na simples, tem deixado a bandeira brasileira hasteada no circuito mundial

 

Fotos de João Pires/Fotojump

 

3 Comments

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3 Responses to Resultados dos Challengers dão novo sinal de alerta para o tênis brasileiro

  1. Daniel Martins

    Acompanhei de perto o torneio último aqui do Rio e confirmou para mim a opnião que eu já tinha. Acho que a questão é técnica. A formação está errada. Olha pros tops e verá a diferença no “estilo” de jogo atual entre eles e os brasileiros.
    Nossos tenistas fazem muita “força” para bater na bola (acho que as tensões dos encordoamentos estão muito elevadas também para as novas cordas de poliester… aliás, aqui no Brasil ninguém se preocupa muito com a especificidade de seus equipamentos…) e ela não anda. Comparativamente, se desgastam demais produzindo pouco resultado. Investem muito na tentativa da pancada em detrimento de uma maior regularidade. Jogam com o braço tenso, com o corpo tenso. Tênis não é isso…
    Vi o Lindell jogar, por exemplo. Na boa, deixa o cara ir para a Suécia, não vai virar nada jogando daquele jeito…
    O que falta pro Bellucci ser um top? Regularidade. Por que o Guga foi tudo o que foi? A bola dele andava muito e era regular. E que força ele fazia para bater na bola e fazer ela andar?

    Abraços!

  2. Daniel Martins

    Exatamente! Faltou eu dizer isso. Os jogos são muito iguais e todos os jogos que vi parace que ganhou quem quis mais.
    Inclusive, esta é uma das razões do Djokovic ser o que é. Já viu alguém querer mais que ele?
    Abraços.

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