Boas lembranças dos 20 anos do Abierto Mexicano e 2 títulos do Guga

O Abierto Mexicano Telcel, o ATP 500 de Acapulco, comemora 20 anos nesta temporada e fez uma série de ações para marcar a data, com cartazes e vídeos espalhados pelo México e nos canais de mídia social do evento que celebra as duas décadas com a presença de Nadal no balneário. Gustavo Kuerten, campeão de simples e dupals, há 12 anos,  faz parte dos destaques do evento.

Guga Acapulco

Guga foi campeão da primeira edição disputada em Acapulco. Antes, o ATP mexicano acontecia na Cidade do México e a Gira Latino-Americana no saibro não existia. A mudança para Acapulco aconteceu quando a Gira foi instituída e um novo complexo de tênis foi inaugurado dentro do luxuoso resort Fairmont Princess.

A semana de fevereiro de 2001 foi uma daquelas máginas na carreira de Guga. Saímos de Buenos Aires, na noite de domingo, depois de Guga derrotar José Acasuso e conquistar o trofeu do ATP argentino.

A viagem nos surpreendeu e acabou sendo muito mais longa do que o esperado. Tivemos que fazer conexão em São Paulo, pegamos um vôo que parava em Acapulco e enfim muitas horas depois chegamos ao famoso litoral mexicano, destino favorito de americanos milionários décadas atrás.

De alguns eventos, não sei porque, tenho memória vivíssima de tudo o que aconteceu. Kuerte Abierto Mexicano

Lembro de ter ficado chocada com o número de jornalistas mexicanos presentes neste lugar tão longe da Cidade do México. E todos eles numa posição de fãs, sempre cercando Guga para tirar fotos e pedir autógrafos depois das lotadas coletivas de imprensa. Mais ainda do que vimos com Nadal e Federer em São Paulo. Era estranho. Uns meses atrás um jornalista tinha sido expulso de Roland Garros por fazer o mesmo.

Apesar de jogar e simples duplas, pelas quadras ficarem a poucos passos do quarto e da piscina, havia tempo para muitas atividades, entrevistas, ações com patrocinadores.

Guga bateu-papo com crianças de um projeto social da região, participou da tradicional noite de branco do torneio, aproveitou boas horas na piscina ao lado da mãe Alice, deu muita entrevista, mas não saiu do complexo.

Eu até me aventurei para conhecer o balneário. Vi belas paisagens, gente mergulhando (salto ornamental), caí no conto do turista comprando mais pedras azuis do que usei até hoje, comi muito mais fruta do que esperava e trabalhei muito também. O fuso horário não era fácil em relação ao Brasil, a internet não tinha tantas informações como hoje, havia bastante jornalista brasileiro por lá, Guga podia perder o posto de número um do mundo caso não alcançasse a semifinal, enfim, tinha muita coisa acontecendo. E era carnaval no Brasil. Guga era a única notícia importante em meio aos desfiles.

Guga era número um do mundo e jogou muito tênis naquela semana, como fizera em Buenos Aires e faria praticamente o ano todo.

Perdeu apenas um set no torneio todo – fui conferir essa info, não lembrava de cor – para Fernando Meligeni, nas quartas-de-final. Começou ganhando de Felix Mantilla, depois de Alexandre Simoni, sim ele mesmo, passou pelo Meligeni – lembro até dos textos que escrevi -, ganhou do Cañas na semifinal e na final venceu o hoje técnico do Milos Raonic, Galo Blanco, por 6/4 6/2.

Voltou poucas horas depois para a quadra central para conquistar o título de duplas com o americano Donald Johnson. Ganharam dos cabeças-de-chave 1, David Adams e Martin Garcia por 6/3 7/6(5).

Para comemorar a conquista, a organização do torneio propôs que Guga tirasse uma foto com chapéu de mexicano. Ele relutou em tirá-la, mas enfim acabou cedendo e fizemos a foto num pôr-do-sol lindo, com vista para a praia. Até hoje, todos os campeões tiram foto com o sombrero.

Fernando Meligeni também deve ser lembrado nessas comemorações de 20 anos do Abierto Mexicano. Ele foi vice-campeão duas vezes. Uma na Cidade do México, em 1995 perdendo para Thomas Mustar e outra em Acapulco, em 2002, perdendo a final para Carlos Moyá.

O Brasil ainde teve outro finalista no ATP mexicano, Roberto Jábali, que também perdeu para Muster, em 1994. ATP Acapulco Kuerten

Há dois anos, os mineiros Marcelo Melo e Bruno Soares ficaram com o vice-campeonato da competição.

Ainda voltamos para Acapulco mais uma vez, em 2003. Guga foi à semifinal. Ganhou de Coutelot, Ferrer, Gonzalez e perdeu um duríssimo jogo para Mariano Zabaleta.

Se alguma vez voltar ao ATP mexicano tudo será diferente. A partir do ano que vem o torneio passa a ser disputado em quadra rápida, na semana que antecede o Masters 1000 de Indian Wells.

 

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