Antes de enfrentar Monfils em Roland Garros, Gulbis solta o verbo, diz que os tops são chatos e que os tenistas são manipuláveis

Leitura diária obrigatória, o jornal LÉquipe é minha companhia matinal no trajeto de metrô do 11º arrondissement para Roland Garros e hoje, ao ler a entrevista que fizeram com o Gulbis, minha vontade era abrir o laptop no vagão e começar a escrever de lá.

O jornal esportivo francês entrevistou o adversário de Gael Monfils, que não economizou nas palavras, muito menos nos pensamentos. A entrevista é tão forte que tem um aviso aos pais – “palavras explícitas”antes do ping-pong começar.

“Somos facilmente manipuláveis. Não somos acostumados a refletir. A maioria de nós se contenta em jogar Play Station, assistir filmes idiotas e o resto do tempo, em treinar.”

Reproduzo aqui algumas partes da entrevista de Pascal Coville.

Gulbis Latvia

Você tem a reputação de ter boca grande. Isso te cansa?

“Muita gente pensa que sou mimado, rico e arrogante. Mas se me conhecessem, mudariam de ideia. Quando digo algo é porque refleti antes de falar e assume o que digo. Se acham que sou mimado, olhe os jogadores de federações grandes, como os Estados Unidos. Eles sim são mimados. Eles tem tudo. Eu tive a sorte de ter  um pai que trabalhou toda a vida para poder me ajudar.”

Sempre te compararam com o Safin por você falar livremente e de desmontar em quadra…

Ö tênis atual precisa urgentemente de personalidades. Respeito o Roger, Rafa, Djokovic e Murray, mas as entrevistas deles são entediantes. Honestamente, eles são chatos. Vou sempre ao youtube assistir entrevistas e parei de ver as de tênis rapidamente. O Federer que começou essa moda, de super boa imagem, de gentleman suíço perfeito. Repito que respeito o Federer, mas não gosto que os jovens jogadores tentem imitá-lo. Não aguento ouvir “Tive um pouco mais de sucesso nos momentos importantes e por isso ganhei.”O que isso quer dizer? Se eu ganho de alguém, mandei o cara para casa.. Sei de muita gente que gostaria de “mandar o adversário para aquele lugar”

Você arrisca assim a parecer um bad boy

“Não tenho vontade de parecer gentil em quadra. Em quadra é Guerra. Fora da quadra, sem problema algum, Tenho boas relações com a maioria dos jogadores. Gostaria de ver entrevistas como as do boxe.Eles não são os mais brilhantes do mundo, mas quando estão prontos para a batalha eles dão o que o povo quer, a Guerra, o sangue, a emoção.  As pessoas querem ver raquetes sendo quebradas na quadra.

Você tem também uma reputação de festeiro..

“Quando eu saio, saio mesmo. Não quero entrar em detalhes, mas quando faço festa, vou a fundo. Qual o problema de sair com os amigos até as 07h? É normal.

Gulbis x Monfils

Mesmo antes de um jogo?
Isso eu nunca fiz. O que eu fiz de pior foi sair no sábado tendo um jogo na terça. Teve um impacto negativo na minha performance e paguei pela minha estupidez e pelo meu caráter volátil. Mas isso faz parte de outra vida.”

 Em 2010 você ganhou do Federer em Roma e pensávamos que sua carreira deslancharia, mas não foi o que aconteceu.

“Tive 2 chances de deslanchar. A primeira em 2008 quando alcancei as quartas aqui em Roland Garros e em 2010, com a semi em Madri e as quartas em Roma. Espero que a Terceira seja boa.

Em Roland Garros eu era jovem e estúpido, mas jogava muito bem. Fiz um bom jogo depois contra o Nadal em Wimbledon. Tudo foi muito rápido e disse äh isso é muito fácil, não preciso treinar. Vamos fazer festa”

E segui semanas assim. Demorei 6 meses para voltar.

A segunda vez não foi tanto culpa minha. Me machuquei em Roland Garros e tinha que me tratar por um mês, em Tenerife. Os meus amigos vieram e a festa recomeçou. Mais 6 meses para eu reencontrar meu jogo. Dois erros por causa do meu caráter.

Voltando ao jogo, você chegou a pensar em parar de jogar?

“Não porque eu não queria parar com algum arrependimento. Havia ouvido falar muito bem do Gunter Bresnik e fui trabalhar com ele. Decidimos de voltar a jogar como quando eu tinha 15 anos e deixei meu braço encontrar os movimentos sem pensar. Comecei a bater melhor e melhor na bola e reencontrei o gosto até mesmo de treinar.”

Porque você não se junta ao conselho dos jogadores?

Ös jogadores tops que tem falar se querem que alguma coisa muda. Ninguém vai me escutar e além disso, não mudaria nada. O sistema é muito burocrático. Os jogadores tops precisariam estar de acordo em muitos assuntos para fazer as coisas avançarem. Mas, os tops ficam contentes que os menores sejam tratados como merda e não tenham dinheiro para pagar bons técnicos. E os jogadores da grandes federações são controlados por elas. Como pensar em boicotar torneios se mais da metade dos top 100 são controlados por federações?

O que você espera do jogo contra o Monfils? Não vão ser fácil jogar contra ele aqui.

“Difícil foi o meu primeiro jogo (contra o brasileiro Rogério Dutra Silva). Estava muito nervoso. Agora estou mais relaxado.”

Para terminar, quando foi a última vez que você festejou sem limites?

“No dia 1º de novembro… Vodka com leite. Você deveria provar.

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