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Carlos Moyá, lembranças de 1997, ano que também transformou a sua carreira

A aposentadoria de Carlos Moyá, anunciada por ele ontem, em uma coletiva de imprensa, em Madrid, não pegou ninguém de surpresa. O espanhol pouco jogou nesta temporada, está com 34 anos de idade e nunca conseguiu se recuperar de uma lesão no pé, como ele mesmo afirmou.

Há dois anos ele vinha sofrendo ainda mais com a artrose e resolveu operar, no ano passado, buscando uma melhora para poder continuar competindo.

A cirurgia não trouxe o resultado esperado, trouxe efeitos colaterais e depois de muito relutar ele teve que optar por deixar as quadras da ATP.

página da Tennis View de 97, com a entrevista de Moyá (desculpem a falha, a foto dele saiu virada mesmo)

Ontem depois de ler algumas notícias sobre a coletiva dele em Madrid, fiquei pensando quando tinha ouvido falar do Moyá pela primeira vez.

Lembro dele ter ganhado o ATP de Buenos Aires em 1995, mas tenho claro na minha mente a ascensão dele em 1997, quando chegou à final do Australian Open.

Não sei porque mas aquilo marcou. Lembro da vitória sobre o Becker na primeira rodada, sobre o Chang na semi e o burburinho que se formou quando ele chegou à final. Não resistiu a Sampras na decisão, mas aquele verão australiano do mesmo 1997 que transformou a carreira de Guga, transformou a do espanhol.

E buscando ainda mais fundo na minha cabeça, tinha uma certa lembrança de que ele tinha sido o nosso entrevistado número dois da Tennis View, depois do Guga ter inaugurado a primeira edição da revista, dois meses antes.

Logo que cheguei hoje ao escritório fui abrir nosso livro de arquivos de todas as Tennis View e me deparei com a entrevista de Moyá na nossa segunda edição.

Não me pergunte como entrevistamos a sensação do momento na época, porque não me lembro.

Foi por telefone, mas valeu e as respostas estão bem interessantes.

Já naquela época havia 14 espanhóis entre os top 100. A resposta de Moyá para o sucesso era de que havia muitos torneios satélites na Espanha – os Futures de hoje – e os tenistas não tinham que sair do País para marcar pontos no ranking mundial. Além disso o programa da Federação Espanhola ajudava muito.

Na entrevista ele ainda parecia assustado com a repentina fama, fato que ele mesmo confirmou na sua conferência de despedida.

Assisti um vídeo da entrevista dele ontem e quando perguntaram qual o momento que mudou a sua carreira ele nem precisou pensar muito.

“O Australian Open, em 1997, foi o que mais impactou a minha carreira. Eu era conhecido no meio do tênis na Espanha, tinha ganhando alguns torneios e de repente saí de Mallorca par air para Austrália, fui vice-campeão em Sidney e fui à final do Australian Open, em quadra rápida.

Todo mundo falava que eu podia jogar bem na rápida, mas até você ir lá e realmente vencer é diferente.

Comecei bem com a final em Sidney, aí fui lá e ganhei do Becker em cinco sets.

De repente fui ganhando mais jogos e as minhas quadras de treino começaram a ficar cheias de gente assistindo, querendo tirar foto. Parecia que estava sonhando acordado.
Depois de ter chegado à final, quando volto para a Espanha, todo mundo estava no aeroporto me esperando. Não podia acreditar.

Para mim, tudo começou na Austrália, não só a popularidade, mas o meu tênis também.”

httpv://www.youtube.com/watch?v=L5YiC5Oj1l4

Lendo algumas matérias nos jornais espanhóis como o ABC, El País, Marca, o tio e técnico de Rafael Nadal, Toni é enfático ao dizer que foi Moyá que fez os espanhóis acreditarem que podiam jogar bem na quadra rápida. Antes só jogavam no saibro.

Foi Moyá também, o primeiro espanhol, muitos anos antes de Rafael Nadal, a chegar ao topo do ranking mundial, em 1999, ao derrotar Gustavo Kuerten na semifinal do Masters 1000 de Indian Wells.

A carreira de Guga e Moyá, nessa época, corriam lado a lado.

Guga ganhou Roland Garros em 1997, Moyá em 1998. O espanhol foi vice-campeão do Masters em 1998, Guga foi campeão no ano 2000.

Os dois travaram belos embates no circuito. Guga derrotou-o na final, na casa dele, em Mallorca, em 1998. Moyá já tinha vindo ao Brasil naquele ano, e perdido para Guga em Porto Alegre na Copa Davis.

No ano seguinte, Guga venceu o espanhol mais uma vez na Davis, em Lérida.

Moyá foi campeão em Monte Carlo em 1998; Guga em 1999.

Depois, no ano 2000, a carreira de Guga deslanchou, vencendo o Masters e mais dois Roland Garros. Moyá teve altos e baixos e continuou no circuito, surpreendendo quando conseguia e se mantendo ativo e vencendo títulos.

Assim como o amigo Guga, encerrou a carreira por lesão e com os mesmos números de títulos que o brasileiro: 20 (não são iguais em números de Grand Slams e Masters).

Outro momento marcante que Moyá destaca, além de Roland Garros, foi a vitória na Copa Davis, em Sevilla, em que também foi capa da Tennis View, em dezembro de 2004.

Ele ainda vai jogar o Masters ESpanhol no fim do ano e a Copa Peugeot Argentina, em Buenos Aires, cidade onde conquistou seu primeiro título, em 1995.

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Toronto ou Montreal? Tennis Canada traz inovações e ainda quer ver tenistas da ATP e WTA competindo nas duas sedes, ao mesmo tempo.

Comecei o dia hoje com a ideia de escrever este post para falar da volta dos grandes nomes do tênis às quadras, com a disputa do Masters 1000 do Canadá e na sequência, o de Cincinnati.

Apesar de todo mundo reclamar que a temporada de tênis é longa, que os grandes torneios deveriam ser mais espaçados, que as semanas de descanso poderiam se tornar uns dois meses, aposto que a maioria estava sentindo falta de ver ou ouvir falar de Rafael Nadal e Roger Federer.

Desde o fim do torneio de Wimbledon, há mais de um mês, nenhum deles jogou. Algumas outras estrelas do esporte, como Djokovic, disputaram a Copa Davis, ou jogaram um ou outro torneio do Olympus US Open Series, que começou há duas semanas, mas de Nadal e Federer só se viu fotos nas praias da Espanha e da Itália.

A ideia era falar um pouco deles e dos dois Masters 1000 na sequência, mas na hora de me atualizar sobre o primeiro, o de Toronto, achei e fui lembrando de tantas histórias e notícias interessantes que Nadal e Federer vão ficar para outro momento.

O Masters 1000 do Canadá tem uma história antiga. Começou a ser disputado em 1881. As sedes do torneio se alternam a cada ano. Um ano os tenistas jogam em Montreal e no outro, em Toronto, se revezando com as mulheres.


Neste ano o Masters 1000 será realizado em Toronto, na sede da Universidade de York, um bonito campus, não muito distante da metrópole.

Desde 2004, quando o estádio novo ficou pronto, o evento ganhou um upgrade e tem uma das mais belas estruturas do circuito. A quadra central tem capacidade para 11.800 pessoas, com luxuosas salas VIPs, inúmeros restaurantes e facilidades para o espectador.

Sempre querendo inovar, a Rogers Cup, que é disputada em duas semanas, sendo a primeira sempre masculina e a segunda feminina mudará no ano que vem.Passará a ser realizada simultaneamente, ou seja, tenistas da ATP e WTA continuarão alternando as sedes ano a ano, mas jogarão na mesma semana.

É a tendência do circuito de cada vez mais fazer campeonatos de homens e mulheres juntos, como já acontece em Indian Wells, Miami e Madrid além dos Grand Slams. Mas, no caso do Canadá pelo fato dos eventos serem disputados em duas sedes, será um novo desafio para a Tennis Canada, a Federação de tênis canadense.

O colega jornalista Tom Tebbutt, publicou na sua coluna de quarta-feira, no The Globe and Mail, uma entrevista com o Presidente da Tennis Canada, Michael Downey, em que ele tem grandes planos para o evento.  Para o ano que vem, quer inundar os canais de televisão com jogos ATP e WTA simultaneamente e tinha uma ideia mais arrojada de fazer metade da chave masculina e metade da feminina em cada sede, com os jogadores viajando de Montreal para Toronto e Toronto para Montreal, para disputar a final. Mas, num primeiro momento a ideia não foi bem aceita pelos jogadores. Ele quer agora ver como vai funcionar no ano que vem, deixar a história esfriar e quem sabe retomar o assunto e ver se os tenistas se acostumaram à ideia.

Nadal faz sorteio da chave ao vivo, com Live Streaming, direto da CN Tower

Mas, nem por isso a Rogers Cup deixará de inovar em 2010. O sorteio da chave será transmitido ao vivo nesta sexta, 16h (Toronto), com live streaming no novo site da Tennis Canada – lovemeansnothing.ca – com Rafael Nadal, direto da turística CN Tower.

Vamos ver como evoluirão os canadenses.

O Masters 1000 seguinte, o de Cincinnati, no ano que vem, terá disputa de homens e mulheres ao mesmo tempo e há pouquíssimos anos, nem havia um WTA feminino no meio-oeste americano.

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