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Nem Serena, nem Nadal. O primeiro Grand Slam do ano é de Na Li e Wawrinka.

Há duas semanas só se falava em Serena Williams, Rafael Nadal, Victoria Azarenka, Novak Djokovic, um pouco sobre Maria Sharapova, Roger Federer, Andy Murray e Juan Martin del Potro. No entanto, quem saiu de Melbourne erguendo os trofeus do Australian Open foram Na Li e Stanislas Wawrinka.

Na Li Australian Open championA chinesa vinha chegando perto do título há alguns anos, mas sempre parecia faltar algo para que o sonho de vencer o “Grand Slam da Ásia Pacífico,” fosse realizado.  Wawrinka vinha melhorando mês a mês, desde o incrível jogo com Djokovic, no ano passado, neste mesmo Grand Slam. Mas, até então, de fato imaginar que o trofeu não ficaria nas mãos de um dos top 4 – só Safin e Del Potro conseguiram tal feito desde 2005 – também parecia sonho.

Na Li chegou ao título de maneira consistente, depois de salvar match point contra Safarova, na terceira rodada e com a chave aberta não precisou nem enfrentar tenista entre as top 20 para ganhar o seu segundo Grand Slam. Mas, isso não importa. Ninguém vai lembrar, anos lá na frente, ao olhar o nome de Na Li entre as campeãs na Austrália, de quem ela ganhou para se tornar a detentora do título.

Assim como pouquíssimos lembraram hoje da final abandonada por Justine Henin, diante de Amelie Mauresmo, em 2006, quando começaram a levanter a hipótese de Nadal desistir no meio da final contra Wawrinka, após ser atendido pelo médico, sentindo dor nas costas. Wawrinka Australian Open champion

O número 1 suíço, isso mesmo – confesso que é estranho escrever o número 1 para o Wawrinka, até ele disse na entrevista que apesar de ser o primeiro jogador do seu país, ainda acha que está atrás de Federer, mereceu o título. Ganhou de Djokovic nas quartas-de-final, de Berdych na semi e vinha fazendo um jogo brilhante até Nadal dar sinais de que algo estava bem errado.

Conseguiu administrar a situação de ver um adversário lesionado e apesar de ter perdido o terceiro set, não deixou a cabeça ir muito longe, já pensando no trofeu, no título, na hora de fechar o jogo no quarto.

O tênis esperava comemorar os recordes de Serena Williams e Rafael Nadal neste Grand Slam. Serena se aproximaria cada vez mais de Chris Evert e Martina Navratilova, venceria o 6º Australian Open. Nadal se tornaria o primeiro tenista depois de Rod Laver a vencer todos os Grand Slams pelo menos duas vezes e igualaria a marca de 14 trofeus de Pete Sampras, que estava lá para entregar a taça ao campeão.

Mas, em vez disso o torneio viu dois novos campeões e dos mais populares, triunfarem na Rod Laver Arena. É um interessante início de temporada para a ATP e para a WTA.

Bravo, parabéns Na Li e Wawrinka.

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Azarenka ganhou, e ponto.

Não era o resultado que a maioria dos fãs na Rod Laver Arena queria. Não era o resultado que milhares de fãs ao redor do mundo gostariam de ver, especialmente depois do incidente com Sloane Stephens, na semifinal. Mas, nem sempre o que a gente quer, ou para quem torcemos, sai vencedor. Azarenka conseguiu superar todas as adversidades externas, teve resiliência e é bicampeã do Australian Open. Ganhou da chinesa Na Li, quase uma local em Melbourne, no que eles chamam do Grand Slam da Ásia-Pacífico, de virada, por 6/4 4/6 6/3 e manteve o posto de número um do mundo.

Azarenka Australian Open champion

Anos atrás li uma entrevista do Boris Becker em que ele contava que para vencer um Grand Slam o tenista tem que se fechar numa bolha durante duas semanas. Na verdade, um pouco mais. Tem todos os dias que antecem a disputa de um torneio desta categoria.

Azarenka Melbourne

Muita gente pode pensar que por ter um dia descanso entre os jogos, ganhar um Grand Slam pode ser mais fácil do que outro torneio qualquer. Mas é diferente. São duas semanas em que você não pode perder o foco e tem que se desligar do mundo exterior.

Azarenka parecia estar neste estado para ganhar de Na Li. A força mental que ela mostrou para não deixar os acontecimentos extra quadra e toda a controvérsia que girou o mundo nos últimos dois dias depois de pedir tempo médico (durou 10 minutos), no 5/3 do segundo set contra Sloane Stephens e dizer após a vitória, na televisão que “estava amarelando quando foi para o vestiário,” só aumentou o número de fãs de Na Li. Os tenistas, em especial, foram duros com a bielorussa. Jamie Murray e Tommy Haas se mostraram indignados com a número um no twitter.

Azarenka entrou em quadra esperando o pior. Poderia até ter sido vaiada. Não foi. A torcida até que se comportou. E se poderia melhorar ao longo do jogo, nada conspirou a favor dela para isso. Na Li caiu duas vezes em quadra torcendo o tornozelo. A primeira queda levou a um tempo médico para fazer a famosa botinha no pé e a segunda terminou com a cabeça de Li batendo forte na quadra e ela tendo que ser examinada para ver se não havia nada mais sério com a queda. Enquanto era examinada, ela ria da situação e conquistava ainda mais a torcida. Na Li Chinese Australian Open

Azarenka, do outro lado da rede, sacava para não esfriar numa noite fresca em Melbourne. Aproveitou o momento em que Li estava um pouco mais fragilizada e poucos games depois já estava jogando a raquete no chão e chorando copiosamente.

O chora era uma mistura de alegria e muita tensão.

Já com a Daphne Memorial Cup em mãos, Azarenka chegou para a coletiva de imprensa da campeã e admitiu: “Achei que a torcida fosse ser muito pior. Se pudesse fazer algo diferente, teria pedido o tempo médico antes – no jogo contra Stephens.”

Li Na já tinha passado pela sala de imprensa, feito muito jornalista rir com as declarações de que caiu “because I am stupid,” mas também não quis dar desculpas. Azarenka jogou melhor, e ponto.

Gostemos ou não da Azarenka; achemos ou não o RedFoo um “pouco” over; nada disso importa. O fato é que a Azarenka teve uma força mental impressionante e muito tênis, claro, e é a bicampeã do Australian Open e número um do mundo.

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Essa batalha épica, Simon x Monfils, era tudo o que o Australian Open precisava

Por que gostamos tantos desses jogos?

Eu não era a única. Estava vendo diversos comentários e um monte de gente comentando que o Australian Open, até então, não estava empolgando. Bastou esse jogo de 4h43min, em que Gilles Simon venceu a batalha épica francesa contra Gael Monfils, por 6-4 6-4 4-6 1-6 8-6 ,que tudo mudou. Já estou louca para que chegue a próxima rodada para ficar grudada na TV.

Gilles Simon Australian Open battle

Sou acostumada, todos os anos, a dormir tarde, acordar cedíssimo para ver os jogos noturnos de Melbourne, a passar duas semanas com o relógio todo errado. Mas, neste ano, o Australian Open ainda não havia me fisgado. Pensei que talvez fosse por ter voltado de Londres sem ter feito preparação alguma, ou seja, lido sobre tênis durante duas semanas ou assistido jogos na TV. Nada disso. Era o torneio que ainda não havia empolgado mesmo.

 

Claro que todo mundo gosta de ver uma exibição de gala de Roger Federer, Maria Sharapova, Novak Djokovic, Andy Murray, Serena Williams. Mas, eses jogos tão breves e unilaterais não mexem com as nossas emoções, não nos fazem acordar cedinho e não cair no sono de novo. Amanhã mesmo não vamos nem lembrar, na ponta da língua, de quem a Sharapova ganhou de 6/0 6/0 na primeira rodada.

Quem se lembra dos adversários fáceis que Federer enfrentou em 2008? Pouquíssimos acredito. Mas, todos se lembram do jogo épico entre Lleyton Hewitt e Marcos Baghdatis que varou a madrugada em Melbourne.

Não precisamos nem ir tão longe. Não consigo dizer, sem ter que pensar um pouco, de quem Rafael Nadal e Novak Djokovic ganharam antes de chegaram à semi do Australian Open e fazerem o jogo mais longo de uma final de Grand Slam todos os tempos.  Gael Monfils Australian Open battle

Diante de todos esses aspectos e do jogo entre Monfils e Simon, fiquei pensando, o que torna essas batalhas de gladiadores, de super-atletas, tão interessantes para o ser humano? Monfils e Simon, jogando 4h43min, não estavam apresentando um tênis do mais alto nível.

Eu mesma estava assistindo o jogo naquele estado, na cama, com um olho aberto e outro quase fechando. Até que no meio do terceiro, set, acho que no 3/3, reparei no Monfils agachando, se alongando e pensei.. Ih, esse cara está cansando, o jogo pode ficar interessante, porque o Monfils é lutador, vai correr agora atrás de todas as bolas. Foi o que aconteceu.

 

O que vimos em quadra foram dois tenistas transformados em super atletas, indo além dos limites, ninguém querendo sair de quadra sem lutar até o final, sem desistir, jogando na adrenalina, esquecendo as dores, mostrando fragilidade ao ter cãibras diante das telas do mundo todo, mas continuando a jogar.

Queremos torcer para um, mas ao mesmo tempo não queremos ver o outro que está lutando da mesma maneira intensa, perder.

Talvez, ao assistirmos jogos que fogem ao comum, apesar de estarmos vendo atletas superando os próprios limites, nos sentimos mais próximos deles, quando eles deixam transparecer as emoções. E em jogos épicos, não há como escondê-las.

Por isso que os Grand Slams e a Copa Davis são diferentes e os jogos em cinco sets nas finais do Masters 1000 também eram.

Alguns vão dizer que estou sendo imediatista e que agora o Simon não vai conseguir se recuperar para enfrentar o Murray nas oitavas-de-final. Pode ser que não consiga e dificilmente, com seu frágil corpo, estará em condições de jogar de igual para igual contra o campeão do US Open. Poucos conseguem se recuperar, como fez Rafael Nadal após vencer Fernando Verdasco na semifinal, em cinco longuíssimos sets e ganhar o campeonato, alguns anos atrás. Mas isso faz parte do jogo e vira uma outra questão para muito mais discussão.

 

O ponto agora é admitir que adoramos assistir essas batalhas e que era isso que o Australian Open precisava. Jeremy Chardy até venceu um jogo e tanto, em cinco sets, contra Juan Martin del Potro, mais cedo em Melbourne, mas foi longe de ser uma batalha heróica.

 

 

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A temporada ATP/WTA 2013 mal começou e tanta coisa já aconteceu

Acabo de voltar das minhas quase duas semanas de uma viagem fantástica por Londres e pela The School of Life. Foi só pisar em São Paulo que meus dedos começaram a coçar para escrever no blog. Estamos apenas no dia 12 de janeiro da temporada 2013 e quanta coisa já aconteceu na ATP e na WTA?  BERNARD TOMIC

 

The School of LifeDurante os dias que passei em Londres, no que a Time Out classificou de “retraining the brain,” na The School of Life, entre aulas, reuniões, bate-papos pude contar um pouco da vida no circuito mundial, assistir aulas sobre humanidades que tinham muito a ver com o treinamento e preparação mental que muitos tenistas usam. Aliás, que sem a concentração que eles tem, não conseguiriam ser os campeões que são. Inúmeros exemplos passaram pela minha cabeça. Foram dias que culminaram com uma Diana mais criativa, divertida, motivada e inspirada. Longe da tela do computador e do celular por muitas horas diariamente, acompanhava à noite ou de manhã cedo o que estava acontecendo na ATP e na WTA. E nestas duas semanas:

 

*Bruno Soares foi campeão em Auckland, ao lado de Colin Fleming, derrotando Brunstrom e Nielsen 7/6(1) 7/6(2)  Bruno Soares campeão ATP

*Marcelo Melo ganhou o título do ATP de Brisbane, com Tommy Robredo, com quem ele combinou de jogar durante o Gillette Federer Tour

*Samantha Stosur perdeu na 1ª rodada dos dois WTAs que ela jogou

*Sharapova desistiu de jogar o WTA de Brisbane e lançou Sugarpova na Austrália

*Bernard Tomic conquistou o 1º título da carreira em Sidney, ganhando de Kevin Anderson na final

* Andy Murray ganhou o ATP de Brisbane e na Inglaterra já acham que ele e Djokovic é que dominam o circuito agora. Para os britânicos, Federer já ficou para trás.

Hewitt tennis australia

* Hewitt ganhou a exibição em Kooyong, vencendo Del Potro e  lançou uma linha de roupas chamada C’mon

* ATP anunciou novos patrocinadores para o circuito: Rolex e Tecnifibre

* Kia renovou contrato por mais cinco anos com o Australian Open

*Rogerinho foi vice-campeão do Aberto de SP

* Radwanska, a Agnieszka ganhou 2 WTAs seguidos  Radwanska WTA

* Grigor Dimitrov disputou a 1ª final de ATP da carreira (perdeu para Murray)

* Vesnina, Serena Williams e Na Li já ganharam títulos neste ano

* A Espanha ganhou a Hopman Cup

* Gasquet e Tipsarevic foram campeões em Doha e Chenai, respectivamente

* Cinza, roxo, laranja e amarelo serão as cores predominantes dos atletas Nike no Australian Oepn

* Djokovic e Azarenka são os cabeças-de-chave 1 do Australian Open. As chaves foram sorteadas na sexta –

* O Kid’s Day bateu recorde de público em Melbourne e Federer brincou com o Bob Esponja Federer Australian Open Kid's Day

* Sem nem dar tempo de eu fazer um aquecimento, o Australian Open já começa nesta noite de domingo, com apenas Bellucci e os duplistas Melo, Sá e Soares na chave principal. Todos os outros jogadores do Brasil perderam na 1ª rodada do qualifying.

* E daqui a 15 dias, depois do primeiro Grand Slam do ano, essa lista de coisas que já aconteceram em 2013, não terá a minima importância.

 

 

 

 

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Azarenka, a bielorussa campeã do Australian Open e nova nº 1 do mundo

Há um ano, Victoria Azarenka era uma top 10 consistente. Uma tenista que jogava bem e estava sempre lá entre as 10 melhores do mundo, beliscando um torneio menor e chegando até as quartas ou semifinais de um maior.  Mas, daí para se tornar número um do mundo, alguma coisa mudou.

A bielorussa de 22 anos entendeu que para chegar além precisaria trabalhar mais, melhorar o físico, ser mais consistente em alguns golpes e também evoluir mentalmente.

E foi o que ela fez. Os meses de 2011 foram passando e a campeã do Australian Open, que derrotou Maria Sharapova por 6/3 6/0 na final, foi crescendo e encostando na amiga  Caroline Wozniacki. Tanto encostou, que tirou o trono da dinamarquesa.

Desde 2009 ao lado do francês Sam Sumyk, Azarenka, a primeira bielorussa a conquistar um Grand Slam, quer mais.

Ela é a 21ª tenista a alcançar o posto mais alto do ranking mundial. Feito para poucas, mas num circuito que perdeu um pouco das grande estrelas, foi a quinta tenista diferente na sequência a vencer um Grand Slam. No ano passado, Clijsters, Li Na, Kvitova e Stosur conquistaram os maiores títulos do calendário mundial do tênis.

Apesar de pouco conhecida mundialmente, o esporte espera que ela consiga manter a consistência, especialmente agora em que a WTA deixará de ser criticada por ter uma número um sem um título de Grand Slam, como era o caso de Wozniacki, líder por 67 semanas.

Nascida em Minsk, Azarenka começou a se projetar no tênis ainda criança e no início da adolescência foi treinar na Espanha. Não gostou da experiência e teve uma segunda oportunidade de ir para o exterior, na sequência. Foi para os Estados Unidos e lá se encontrou. Teve o português Antonio Van Grichen como um de seus primeiros grandes mentores, ganhou o Australian Open juvenil em 2005 e sete anos depois levantou a taça de campeã, a Daphne Cup, derrotando as melhores do mundo e também campeãs em Melbourne, CLijsters e Sharapova, na sequência.

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