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Foi um anti-clímax em Paris, mas o que vale agora é que Nadal é o maior campeão de Roland Garros da história

 

Lembro exatamente há 11 anos quando o Guga ganhou o terceiro Roland Garros de estarmos em êxtase, pensando, nossa, é o terceiro “Trophee des Mousquetaires.” Isso já era uma coisa impensável, ver alguém diante dos seus próprios olhos ganhar três Roland Garros. Aí vem o Nadal e nesta segunda-feira chuvosa em Paris, derrota o número um do mundo, Novak Djokovic, por 6/4 6/3 2/6 7/5, para quem chegou a perder sete vezes seguidas, e supera todos os recordes do torneio, vencendo Roland Garros pela sétima vez.

Por mais que a gente queira ver um outro jogador posando para a foto como troféu de campeão, ou fosse perfeito ter dois tenistas, no masculino e no feminino completando o Grand Slam no mesmo torneio, já que Sharapova havia sido campeã no sábado, temos que admirar a força mental e o domínio do Nadal no saibro.

Ganhar um Grand Slam não é nada fácil. São duas semanas em que você tem que estar no auge da sua forma, passar por adversidades, vencer sete jogos de cinco sets, aguentar a pressão externa e a sua própria e gerenciar tudo o que envolve a disputa de um torneio deste nível.

Ganhar este mesmo Grand Slam sete vezes em oito anos, é quase que inacreditável, ainda mais da maneira como “Rafa” tem feito, sem passar verdadeiramente por apuros, dominando completamente o torneio do começo ao fim, deixando o público com pena dos adversários a cada massacre.

Outro dia estava lendo uma matéria sobre como era enfrentar Bjorn Borg, na época em que ele dominava Roland Garros, como o Nadal domina hoje. Aparentemente era ainda mais tranquilo para ele. Não tinha adversários, pelo menos no saibro, como Federer e Nadal.  As única vezes que precisou de cinco sets para vencer foi na primeira final, em 1974, contra Manuel Orantes e na última, em 1981, contra Ivan Lendl. Nos outros anos passava por todas as rodadas como Nadal, vencendo por 6/2 6/2 6/0, 6/1 6/1 6/2, enfim, perdendo o mínimo de games possível.

A mesma sensação que os adversários de Borg tinham naquela época, devem ter os adversários de Nadal hoje em dia.

A final terminando nesta segunda-feira, com a dupla-falta de Djokovic, foi um anti-climax, deste momento histórico e de uma final de Roland Garros. Mas, daqui a alguns anos e daqui a muitas décadas, ninguém vai se lembrar, quando contar que o Nadal tem sete títulos de Roland Garros e que ele é o maior vencedor da história do torneio, que ele ganhou a final em dois dias e com uma dupla-falta de Djokovic. O que está escrito agora e para sempre é que ele é o maior campeão de Roland Garros!

Infelizmente a comemoração de Nadal, as entrevistas e todo o resto vão ter que ficar para um próximo torneio. Tenho estrada para pegar aqui na Europa.

Au Revoir, Roland Garros.

 

Foto do Nadal da Cynthia Lum

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Hoje há exatamente 15 anos, Guga conquistava o 1º Roland Garros – e todo mundo em uma história para contar daquele 1997

Hoje faz exatamente 15 anos da histórica primeira conquista de Guga em Roland Garros. Era 08 de junho de 1997 e Guga derrotava o espanhol Sergi Bruguera na final do Grand Slam francês, recebia o trofeu das mãos de Bjorn Borg, reverenciando-o e transformando para sempre a os rumos do esporte no Brasil, a vida dele e a minha também.

Já escrevi inúmeras vezes sobre jogos marcantes do Guga, experiências que vivi, conquistas inéditas, mas escrever sobre isso daqui de Roland Garros e tendo passado já quase duas semanas neste lugar que também é sagrado para mim, tem um sentido especial.

Várias vezes durante esta quinzena me peguei lembrando daquele 1997, da estada no simples Hotel Mont Blanc – parece mentira, mas me lembro exatamente do meu quarto, da vista da janela para o Boulevard Victor, do velhinho careca da recepção, do telefone tocando sem parar, dos faxes chegando do brasil, e da alegria contagiante daquele momento inesperado, em que tudo era novidade. Lembro inclusive da roupa que usei na festa da vitória, no Ritz e não é porque fico vendo em fotos não. Engraçado, mas não tenho fotos daquela noite no Ritz. Devia estar insanamente ocupada ou o filme deve ter acabado. É, naquela época as fotos ainda não eram digitais.

Aquela conquista de 1997 é daquelas tão marcantas, em que todo mundo tem alguma história para contar. Ontem mesmo, no Dinner de la Presse, em Roland Garros, um jornalista da Rádio Catalã veio me contar a sua história com Guga há 15 anos. Com alguns membros da direção de comunicação em Roland Garros relembramos momentos daquele 1997, em que de fato Roland Garros se tornou verde e amarelo. Com jornalistas amigos e que estavam em Paris naquele 08 de junho também damos boas risadas lembrando de fatos momentaneamente esquecidos e ainda brincamos: é se passaram 15 anos e continuamos aqui, trabalhando e revivendo essas emoções.

Olho as fotos do Guga e vejo uma alegria tão pura, genuine, um garoto ganhando inesperadamente um dos maiores torneios do mundo, em que tudo era motivo de alegria. E eu, assim como ele, também era uma garota, com 20 anos e sem saber muito bem o que estava fazendo, mas tentando ajudar a organizar toda aquela demanda por informações e entrevistas.

No Brasil ninguém sabia o que era tênis de verdade. As perguntas variavam do que é um Grand Slam, para o que é saibro e se depois de perder o jogador estava eliminado.

A música que Larri tocava na recepção do hotel do Gonzaguinha, com o refrão “Viver e não tem a vergonha de ser feliz,” não sai da minha cabeça nesses últimos dias, pois esse era mesmo o sentimento daquele 1997, de uma felicidade inocente, que a capa do jornal L’Equipe do dia 09 de junho conseguiu traduzir perfeitamente, com uma imagem do sorriso do Guga e a frase: “Obrigada por esse sorriso”

 

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