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Muita paciência com o Nadal

Nadal Brasil Open ATPAntes mesmo de voltar às quadras, ainda em dezembro, Rafael Nadal pediu paciência. Calma para saber o momento certo de voltar a competir e agora o que ele precisa é de tempo e o público, de paciência, porque isso ele demonstrou que tem e sabe precisar. 

Desde o retorno ao circuito, na semana passada, em Viña del Mar e especialmente nesta semana, no Brasil Open, ouço comentários e recebo mensagens de fãs, jornalistas, apreciadores do esporte, entre outros, reclamando do desempenho de Nadal.

“O Nadal normal não perderia 8 games para este cara,” ou “Nossa, como ele está errando essas devoluções,” e por aí vai.

Não vamos esperar que Nadal, depois de tanto tempo parado e sem poder treinar no mais alto nível, neste período, com uma lesão rara no joelho, volte a arrasar os adversários como se acostumou a fazer nos últimos 8 anos.

Ele mesmo afirmou e para todo mundo ouvir que precisará de tempo, paciência e que ainda tem dias ruins, com dores no joelho, como foi o caso da semifinal contra Martin Alund. Já disse que não é favorito para a final contra Nalbandian. A expectativa é de que as dores diminuam ao longo das semanas e que ele chegue em forma na temporada de saibro européia.

Qualquer pessoa, quando fica sem praticar exercício, sofre no recomeço. Imagina um atleta do nível de Nadal.

E não vamos esquecer que as condições em São Paulo estão longe das ideiais. Além da altitude, tem a problemática quadra e as bolas que foram alvo de repetidas reclamações dos tenistas.

Entendo que para os fãs e a comunidade tenística seja duro ver Nadal ter dificuldade com adversários que faria de bolinha de ping pong normalmente. Foi duríssimo passar por isso com Guga, nas inúmeras tentativas dele de voltar a competir. Com a diferença de que Guga jamais voltou a ser o mesmo.  Não acredito que seja o caso de Nadal. Ou se for, ainda é muito cedo para afirmar qualquer coisa. Nadal serve Brasil Open

Nadal está dando os passos iniciais e como disse um amigo jornalista, quando se anda, se vai adiante.

Foi com este pensamento, em 1997, que Andre Agassi também deu a cara para bater e se submeteu a jogar torneios Challengers para recuperar a confiança abalada. Perdeu a primeira final que jogou, no Challenger de Las Vegas para o desconhecido Christian Vinck, então número 202º do ranking. Muito pior do que o ranking de Horácio Zeballos que ganhou de Nadal, na final de Viña del Mar, na semana passada.

Agassi ainda jogou outro Challenger, em seguida, em Burbank e foi campeão, mesmo tendo dificuldades pelo caminho.

Recomeçou passo a passo e com muita coragem de arriscar a reputação em torneios em que a maioria dos adversários são muito piores do que você e jamais imaginariam te enfrentar.

Mas, esses passos são necessários. E vale pensar que se não fosse isso, o Brasil, com seu ATP 250, provavelmente não seria brindado com a presença do heptacampeão de Roland Garros.

Por isso, muita paciência.

 

Fotos de Dália Gabanyi

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Nadal, que incrível

Não é novidade para ninguém que Nadal não esteja jogando o tênis que o levou a sete títulos de Roland Garros. Ele mesmo disse isso e vem dizendo desde a semana passada. Mas, não importa. A presença dele aqui em São Paulo, na nossa cidade, é igualmente incrível.

Nadal sao paulo

É incrível que possamos ouvir da boca dele e não le rem algum site ou agência de notícias internacional que ainda vai demorar para voltar ao altíssimo nível; que acredita na recuperação; que o exame anti-doping deve ser público; que o circuito tem torneios em demasia em quadra rápida e que isso acaba com o corpo do tenista; que a semana no Chile foi especial; que a América Latina deve ter mais atenção da ATP; que ele ainda tem dias bons e ruins e muitas outras observações e opiniões que só lemos por terceiros.

É incrível que Rafael Nadal continue a mesma pessoa atenciosa e simpática de sempre e mesmo em meio a uma multidão de jornalistas, pare para me cumprimentar. Não importa que eu o conheça desde que tinha 16 anos. Foi em Mallorca, quando Guga voltava a competir depois da primeira cirurgia e ao chegar no balneário espanhol foi treinar e mandaram um tenista local para bater bola com ele. Era o Nadal.

É incrível que Nadal vá treinar e todos nós, jornalistas e os fãs também, possamos assistir de muito perto. Chance raríssima de ver o Rei do Saibro, treinando no saibro, aqui, no Ginásio do Ibirapuera.

É incrível ver o Ibirapuera lotado.

É incrível e arrepiante ver Nadal entrar em quadra e ser ovacionado no Ginásio pertinho de casa.

É incrível vê-lo dar autógrafos, se preocupar com um tumulto e pedir calma para os fãs.

É incrível ouví-lo falar obrigado em vez de Merci, Gracias, Danke, ou em qualquer outra língua que seja.

E olha que eu já tive a oportunidade de ver Nadal jogar, treinar, competir, dar entrevistas, erguer trofeus, se curvar a Guga quando ele ainda nem havia ganhado Roland Garros e o brasileiro era o então Rei do Saibro. Sem poder jogar, lesionado, em Sauípe, Guga foi à Bahia fazer uma aparição para patrocinadores e foi reverenciado pelo espanhol.  Lembro da cena até hoje.

Mesmo assim, vê-lo aqui e competindo, independentemente do momento da carreira, é incrível.

 

Ah – e é incrível rever grandes amigos como o Benitão, o Benito, assessor do Nadal, novamente no Brasil.

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