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Marcelo Melo faz história e é campeão de Roland Garros com Ivan Dodig

O Brasil tem mais um campeão de Grand Slam. Neste sábado em Paris, Marcelo Melo conquistou o primeiro trofeu da categoria da carreira, ao lado do croata Ivan Dodig, derrotando a maior dupla de todos os tempos, dos irmãos gêmeos Bob e Mike Bryan por 6/7 7/6 7/5.

Marcelo Melo faz história e é campeão de Roland Garros com Ivan Dodig

Diante dos olhos atentos do tricampeão de Roland Garros, Gustavo Kuerten, Melo foi quem sacou para fechar a partida e conquistar o Grand Slam francês.

Vice de Wimbledon e semifinalista do Australian Open e do US Open, o mineiro enfim ergueu um trofeu de Grand Slam e justamente no maior palco do esporte para o Brasil, o palco que mudou a história do tênis no País, 18 anos atrás quando Guga conquistou o seu primeiro título na capital francesa.

” Fiquei um pouco nervoso vendo o Guga na torcida. Ele estava colocando pressão em mim,” brincou o mineiro na cerimônia de premiação. ” Há quatro anos tomei a decisão de jogar com o Dodig e hoje ganhamos Roland Garros. Obrigado ao meu parceiro, ao meu irmão e técnico Daniel Melo e a todo mundo na torcida.”

Melo se junta agora a um número restrito de estrelas brasileiras que conquistaram títulos de Grand Slam: Guga, Maria Esther Bueno, Thomaz Koch e Bruno Soares. Eram somente quatro e neste sábado se tornaram cinco os campeões de Grand Slam brasileiros.

Com apenas quatro Grand Slams disputados no ano e um número escasso de tenistas do Brasil competindo, o feito de Marcelo Melo fica ainda maior.
Ele se tornou também o primeiro brasileiro a ganhar um título de duplas masculinas em Roland Garros.

Confira a lista de todos os títulos de Grand Slam vencidos por brasileiros
Maria Esther Bueno
1958 – Wimbledon, duplas
1959 – Wimbledon, simples; US Open, simples
1960 – Wimbledon, simples e duplas; Australian Open, duplas; US Open, duplas; Roland Garros, duplas e duplas mistas
1962 – US Open, duplas
1963 – Wimbledon, duplas; US Open, simples
1964 – Wimbledon, simples;  US Open, simples
1965 – Wimbledon, duplas
1966 – Wimbledon, duplas; US Open, simples e duplas
1968 – US Open, duplas
Thomaz Koch
1975 – Roland Garros, duplas mistas
Gustavo Kuerten
1997 – Roland Garros, simples
2000 – Roland Garros, simples
2001 – Roland Garros, simples
Bruno Soares
2012 – US Open, duplas mistas
2014 – US Open, duplas mistas
Marcelo Melo
2015 – Roland Garros, duplas

Foto de Cynthia Lum

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Feijão enfrenta espanhol e Bellucci pega australiano na estreia em Roland Garros

Os dois brasileiros garantidos na chave principal de Roland Garros, Thomaz Bellucci e João Souza, o Feijão, não enfrentarão nenhum tenista cabeça-de-chave logo na primeira rodada.

Bellucci e Feijão não pegam cabeças-de-chave na estreia em Roland Garros

A chave, sorteada nesta sexta-feira em Paris, colocou Bellucci diante do australiano Marinko Matosevic, número 100 do ranking mundial, em confronto que será inédito.

Já Feijão, pegará o espanhol Daniel Gimeno Traver, 65 na ATP, em jogo que acontecerá também pela primeira vez na carreira dos dois.

Bellucci, 60, já alcançou as oitavas em Roland Garros, em 2010. Feijão, 80, tenta vencer uma partida na chave do Grand Slam francês pela primeira vez e está com uma sequência de 8 derrotas seguidas, enquanto Thomaz disputa a final do ATP de Genebra.

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O Roland Garros mais interessante dos últimos tempos

roland garros 2014Há tempos, ou melhor, há anos que não chegávamos nesta fase da temporada com tantas dúvidas. Com Roland Garros marcado para começar daqui a uma semana, pela primeira vez em muito tempo, Nadal não chegará à capital francesa com uma série de vitórias seguidas e um número de títulos impressionantes. Mas, não é só ele. Os outros tenistas tops também não dominaram os últimos meses no circuito. Por isso, este Roland Garros, mesmo antes de começar, já promete ser um dos mais interessantes dos últimos tempos.

Claro que não dá para dizer que o oito vezes campeão de Roland Garros não é um dos favoritos a erguer o Trophee des Mousquetaires, ainda mais em um Grand Slam e em jogos de cinco sets. Qualquer um que ganhou um torneio oito das últimas nove vezes será sempre favorito, mas a condição é bem distinta dos anos anteriores. Mesmo tendo sido campeão do Rio Open e do Masters 1000 de Madri, Nadal “não sobrou” em quadra, passou sim muita dificuldade e precisou de toda a sua força mental para vencer jogos que antes ganhava em menos de uma hora.

Novak Djokovic derrotou o número um do mundo Nadal na final de Roma e foi até a semi em Monte Carlo. Não jogou em Madri com lesão no punho. Apesar de ter vencido o Rei do Saibro no Foro Itálico, Djokovic também não teve vida fácil no torneio. Precisou vencer diversos jogos em três sets, mas segue confiante para Paris, onde tentará vencer o único torneio do Grand Slam que falta em seu currículo.

rafael nadal roland garros 2014djokovic roland garros 2014

 

 

 

 

Roger Federer pouco jogou na temporada de saibro. Foi vice-campeão em Monte Carlo, pulou Madri para acompanhar o nascimento dos gêmeos Leo e Lenny e em um dia de muito vento na capital italiana, perdeu na estreia em Roma. Chegará em Roland Garros com menos jogos do que está acostumado, mas jogando muito melhor do que em 2013. Federer roland garros

Stanislas Wawrinka ganhou o primeiro Masters 1000 da carreira em Monte Carlo, mas depois não conseguiu avançar nem em Madri, nem em Roma. O campeão do Australian Open chegará a Porte DÁuteil com muitas dúvidas na cabeça.

David Ferrer, também acostumado a brilhar na temporada de saibro, não chegou a ter uma gira sul-americana fantástica, apesar do título em Buenos Aires. Foi à semi em Monte Carlo e Madri, mas parece que ainda falta algo para o jogo do vice-campeão de Roland Garros do ano passado chegar onde estava 12 meses atrás.

Andy Murray até que fez um bom torneio em Roma, mas também pouco jogou no saibro e deve estar com a cabeça mais voltada para Wimbledon do que a terra vermelha de Paris.

 

Tomas Berdych fez uma temporada de saibro sem grandíssimos resultados. Todos sabem que a “terre battue” não é o seu piso predileto, mas o checo não chegará a Paris no auge da forma. Ele até foi vice-campeão do Portugal Open, mas não foi o suficiente para elevar seu nível de jogo.

 

Dimitrov tennis star Os novatos que brilharam nas últimas semanas, Grigor Dimitrov, Kei Nishikori e Milos Raonic, já não tão novos assim, mas pertencentes a uma geração diferente a dos big 4, tem a chance de mostrar a que vieram. Mas, será que eles estão prontos fisicamente para duelar com os melhores em jogos de cinco sets durante duas semanas, no mais desgastante dos Grand Slams. Eles chegaram perto de bater os tops nas últimas semanas, mas no momento final foram superados pelo próprio corpo ou pela mente ainda em formação de super campeão.

A discussão em torno dos franceses sempre acontece quando chega esta época do ano. Gael Monfils, Jo-Wilfried Tsonga, Richard Gasquet, Gilles Simon e Julien Benneteau serão os nomes mais invocados nos próximos dias em Paris. Mas, será que algum deles está pronto para erguer o trofeu que pela última vez foi levantado por um francês há 31 anos, com Yannick Noah? Monfils, apesar de pouco ter jogado nas últimas semanas, acredita no seu potencial em Roland Garros. Já afirmou que cresce de produção quando joga na sua casa e que sonha com o título. Até mesmo lembrou a posição de número 66 de Gustavo Kuerten, quando o brasileiro venceu o Grand Slam parisiense pela primeira vez.

Tsonga também continua com discurso otimista, mesmo sem ter ganhado um título no saibro ou feito uma final neste 2014 na terra batida.

Gasquet nem sabe se poderá jogar. A lesão nas costas é mais grave do que se imaginava e ele só tomará uma decisão um dia antes de Roland Garros começar.

Os outros correrão por fora, bem por fora.

Os argentinos que durante anos foram destaque da temporada de saibro chegarão a Paris sem nenhum tenista cabeça-de-chave e com apenas 6 (com Ormaechea) representantes na chave principal. Não que isso seja pouco, especialmente comparado ao Brasil que vai apenas com Thomaz Bellucci e Teliana Pereira, mas para quem já teve uns 14 na chave, é quase preocupante.

serena williams champion tennis

E entre as mulheres, dá para imaginar alguém além de Serena Williams e Maria Sharapova brigando mesmo pelo título. Podemos falar em Li Na, mas a chinesa não teve uma super temporada de saibro, assim como a polonesa Agnieszka Radwanska.

A novata Simona Halep, agora no top 5, pode fazer bonito, mas ainda deve precisar de uns anos para vencer a Coupe Suzanne Lenglen.

Ana Ivanovic vem fazendo a melhor temporada dos últimos tempos, mas na hora final, ainda está faltando aquele plus das campeãs. O mesmo podemos dizer da compatriota Jelena Jankovic.

Flavia Pennetta ganhou Indian Wells, mas depois não avançou muito nos torneios no saibro. sharapova paris 2014

Entre as francesas, Alize Cornet será o centro das atenções, seguida pela novata Caroline Garcia. Mas nenhuma delas venceu o suficiente até agora para dar esperança de título.

Pode ser que uma ou outra tenista do estilo de Carla Suarez Navarro ameace Serena ou Sharapova no início do torneio, mas não devem passar de um jogo apertado para as duas últimas campeãs em Paris.

A pergunta é quem vai conseguir ir mais longe, além de Serena e Sharapova.

E que o torneio que mais exibe o tênis arte comece!

Desta vez assistirei de casa, já sentindo falta de estar em Paris, mas pelo mais nobre dos motivos. Não, não vou cobrir a Copa do Mundo, estarei de licença maternidade.

 

 

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E Clezar vai se transformando em jogador!

Guilherme Clezar ATPSabe quando você tem a sensação de ver um tenista começar a se desgarrar do grupo, a tomar dianteira e a se transformar? É essa a sensação que tenho com o jovem Guilherme Clezar, de 20 anos e que disputa a segunda semifinal seguida de ATP Challenger Tour – São Paulo – entrou nesta semana para o top 200 do ranking mundial(é o 197 e vai subir mais) e já é o quinto brasileiro mais bem ranqueado na ATP.

O gaúcho treinado por João Zwetsch, desde que terminou a carreira juvenil, com direito a vice-campeonato de duplas de Roland Garros, vinha tendo alguns resultados expressivos aqui e ali.

Ganhou, no ano passado, o Challenger do Rio Quente Resorts, mas numa temporada instável, com muitas derrotas em primeiras rodadas e a disputa de torneios Futures.

Clezar começou 2013 no Aberto de São Paulo e foi se arriscar no qualifying do Australian Open. Não ganhou um jogo, mas já estava ali entre os grandes do circuito.

Poucas semanas depois passou o qualifying do Brasil Open e só perdeu para Thomaz Bellucci, na primeira rodada, no tie-break do 3º set. Clezar não estava com medo, nem intimidado pelo grande ginásio do Ibirapuera e pelo top 40 da ATP. Depois, venceu 2 jogos no duríssimo qualifying do ATP de Buenos Aires e voltou a jogar os torneios Challengers.

Foi semifinalista em Santos, perdendo para o número dois do País, Rogério Dutra Silva, também em 3 sets e agora já está na semi, no Paineiras do Morumby. Nesta semana venceu o cabeça-de-chave 2, o também brasileiro João Souza, o Feijão, nas oitavas-de-final.

São jogos como os contra o Bellucci e essas vitórias que ele vai conquistando, agora de forma mais consistente, diante de tenistas mais bem ranqueados e mais experientes, com um bom mix de torneios entre ATPs e Challengers, que dão a certeza de que Clezar está de fato se transformando em um jogador.

Rogerio Dutra Silva tenis

Entre todos os tenistas brasileiros que disputaram essas 3 semanas de Challenger por aqui, com exceção de Rogerio Dutra Silva, campeão em Itajaí e vice em Santos, Clezar foi o único que se destacou. Nos três torneios, já nas quartas-de-final quase não havia brasileiros em quadra.

No Taroii Open, em Itajaí, apenas Rogério Dutra Silva estava nas quartas; em Santos, Rogerinho, Clezar e João Souza eram os brasileiros em ação e em São Paulo, apenas Clezar e Rogerinho.

O sinal de alerta para o tênis brasileiro continua vermelho.

 

Fotos de João Pires

 

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Um dia de vitórias brasileiras em Roland Garros e a vaga para as Olimpíadas praticamente garantida com Melo e Soares

O jogo de Marcelo Melo e Ivan Dodig foi tão rápido que um atraso de cinco minutos na linha 10 do metrô que liga Odeon a Roland Garros, quase me fez perder o jogo. Saí do apartamento às 10h45, com a ideia de chegar em Roland Garros 11h10, com o jogo em andamento. Mas, é sábado, o metrô tem menos carros e ainda parou por cinco minutos na estação Charles Michel Auteil.

Com o povo impaciente, a saída foi meio tumultuada e acabei demorando bem mais do que o normal para adentrar Roland Garros e chegar à quadra 6. Mas, ainda bem que cheguei a tempo de ver Melo e Dodig jogarem alguns games do segundo set, derrotarem os campeões do US Open, Jurgen Melzer e Philipp Petzchner, avançarem às quartas-de-final de Roland Garros e praticamente garantir a vaga do Brasil nas Olimpíadas de Londres.

Melo comemorou muito a vitória. Em um ano atípico, depois de algumas temporadas jogando com um parceiro fixo, André Sá ou Bruno Soares, disputou torneios com 6 parceiros diferentes até se entender com o croata Dodig.

O mineiro teve também que mudar o calendário e se adaptar ao ranking, que já não permitia que entrasse em todos os grandes campeonatos e à falta de parceiro. “Fizemos um calendário estratégico. Não adiantava eu ir para Roma, por exemplo e jogar com alguém que eu nunca joguei, só por jogar. Preferi ficar treinando bem em Belo Horizonte, sabendo que eu ia jogar aqui com o Dodig.”

A parceria com o tenista número 3 da Croácia, que nasceu na Bósnia Herzegovina, começou por acaso. Os tenistas acabaram jogando juntos em Memphis, onde foram à decisão e depois disso combinaram de jogar juntos onde desse. “Acho que ele não esperava que a gente fosse jogar tão bem. Gostou de jogar duplas e combinamos de jogar os Grand Slams.”

Deu tão certo que é a primeira vez que Dodig alcança as quartas-de-final de um Grand Slam. Melo repete as quartas que fez com Bruno Soares, em 2010.

E se era de um bom resultado que Melo precisava para garantir a vaga nas Olimpíadas, ele já foi longe. Encontrei o Melo no dia que cheguei a Paris, na sala dos jogadores e batendo um papo, ele achava que se ele e Soares vencessem uma rodada, já estava meio que garantido com. “Mas, melhor ter um bom resultado para garantir.” Segundo ele, “demos um outro passo muito, mas muito importante.”

Por falar em Bruno Soares, ainda uma rodada atrás de Melo, ele também ganhou rápido neste sábado de muito sol, que era para ser de chuva. Com o parceiro americano Eric Butorac, derrotou Filippo Volandri e Dudi Sela, por 6/3 6/2 e está nas oitavas-de-final. 

Estar em Roland Garros é bom, é maravilhoso, mas com os brasileiros ganhando, fica melhor ainda.

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