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E Portugal comemora o seu 1º campeão de ATP

E Portugal enfim tem um campeão de ATP. Foi das raquetadas de João Sousa que saiu o primeiro título português da história, neste domingo, em Kuala Lumpur. Joao Sousa ATP

Portugal, aquele país que a gente achava que não chegaria lá, que tinha sempre aqueles tenistas jogando uns Challengers por aqui, outro ali, agora tem campeão de ATP.

Lembro, há um ano, durante a Peugeot Tennis Cup, no Rio, quando vi um monte de portugueses andando juntos e jogando os Challengers por aqui. Pedro Sousa, João Sousa, Frederico Gil, Gastão Elias.. As mulheres, nos últimos meses também começaram a jogar bem.  Michelle Larcher de Britto e Maria João Koehler estão quase entre as 100.

O país vive o melhor momento da história do esporte. Não, eles não vão sediar uma Olimpíada daqui a quatro anos, não tem, de perto, os investimentos que temos no Brasil, mas parecem ter encontrado uma estrutura, um jeito que está dando certo de trabalhar.

João Sousa, 24 anos, pode ser um caso isolado. Mas, não importa. Colocou, como disse o grande promotor do tênis português, o país no topo do Everest.

Imagina o que é sediar um ATP Finals – o que Guga ganhou em 2001 -, ter um ATP há muitos, muitos anos – o Portugal Open – transmitir torneios mundo afora, dar espaço para o esporte na mídia – e nunca ver um português triunfar?

Para mim, a grande virada de João Sousa, que treina em Barcelona desde o início da adolescência, veio no US Open, em que ganhou de Grigor Dimitrov em cinco sets na primeira rodada e depois de Jarkko Nieminen, també em cinco sets, na segunda. E em seguida lá estava ele diante de Novak Djokovic, no Arthur Ashe Stadium.  Sousa fez apenas quatro games diante do número um do mundo. Mas, não importa. Ele havia alcançado a terceira rodada de um Grand Slam, com a sensação de pertencer ao circuito e isso só faz aumentar a confiança.

Hoje é o 51º colocado no ranking mundial. Os Challengers que ele tanto disputou e bem misturou com ATPs e qualifyings, vão ficar para trás.

Mas, este dia histórico em Portugal jamais será esquecido.

Amigo jornalista de longa data, Hugo Ribeiro, comentou ontem de quantos anos esperou para ver um português campeão. Há quantos anos cobrindo o esporte para esperar por este momento. “Quantos anos desejei e esperei por este dia. Nem há palavras para a importância do que o João Sousa fez hoje. Olha que até o nosso Presidente da República, em dia de eleições para as prefeituras, se referiu ao ao João. Não foi o mesmo de quando o Guga ganhou Roland Garros, mas poderá ter um efeito muito grande na evolução do ténis português.”

Diria que é aquele momento da inveja boa. Parabéns aos amigos portugueses. E pelo menos temos alguém falando português no grande circuito e vencendo.

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Resultados dos Challengers dão novo sinal de alerta para o tênis brasileiro

Sei que estamos no meio do ATP Finals, que Del Potro ganhou um jogo emocionante contra Roger Federer, as semifinais foram definidas com os dois, além de Murray e Djokovic, mas isso não me faz parar de pensar no momento alarmante que o nosso tênis passa. Já escrevi um post sobre o assunto em abril e volto a escrever agora.

 

Tivemos uma boa sequência de torneios Challengers no Brasil nas últimas semanas e desde a Peugeot Tennis Cup, no Rio, venho observando os resultados dos brasileiros. Em três torneios da categoria no País – Rio de Janeiro, Porto Alegre e São Leopoldo, nenhum tenista do Brasil alcançou a semifinal.

 

Quando escrevi em abril sobre o primeiro sinal de alerta, pelo menos havia tenistas brasileiros avançando nos Challengers do Brasil, mesmo sendo mais velhos. E o alerta era para isso, pelo fato de nenhum Novato, fora Guilherme Clezar, apresentar resultado  consistente nos Challengers.

 

Thiago Alves, 30 anos,  havia vencido o Challenger de São Paulo (Villa-Lobos);  Ricardo Hocevar, 27 anos, havia sido vice em Santos; Julio Silva, 33, em São Paulo e Clezar empolgando com o título do Challenger do Rio Quente Resorts.

Veio o segundo semestre e a situação não mudou. Piorou. Pelo menos em dois dos cinco Challengers jogados no Brasil, um tenista daqui foi à final. No entanto, nem Leonardo Kirche, 27, vice em Campinas e Hocevar, campeão em Belém, são jogadores novos.

 

Entendo que houve uma mudança no circuito, que não jogadores novinhos se destacando no top 100. Mas é sim um momento de alerta, quando três vezes seguidas, com 12 brasileiros na chave, ou mais (foram 12 no Rio e em Porto Alegre e 13, em São Leopoldo), nenhum deles alcança a semifinal. E ainda, no Rio, por exemplo, apenas Ricardo Mello, 33 anos e André Ghem, 30 estavam nas quartas-de-final. 

 

Tentei buscar explicações e não encontrei. Alguns disseram, ah, esse Challenger está muito forte, por isso os brasileiros não estão indo bem? Ah, a quadra está lenta, tem que saber jogar bem todos os fundamentos, não dá só para bater na bola…

Enfim, alguma coisa precisa ser feita.

Não é falta de torneio; não é falta de investimento.

 

Seis meses se passaram do post que escrevi e não houve qualquer mudança de padrão no ranking dos brasileiros. Continuamos apenas com Clezar, 19 anos, entre os top 10 do País de novato e vendo a evolução, por méritos próprios, de Fabiano de Paula, 23 anos, que começou o ano na 380ª posição e está no 239º lugar.

 

Pelo menos, nas dulas, Bruno Soares, Marcelo Melo e André Sá, além de Thomaz Bellucci na simples, tem deixado a bandeira brasileira hasteada no circuito mundial

 

Fotos de João Pires/Fotojump

 

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