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Tênis brasileiro vive momento antagônico

A triste realidade do tênis nacional

O tênis brasileiro vive momentos distintos entre os homens e as mulheres. Com a eliminação de Thomaz Bellucci na estreia em Hamburgo, o Brasil não terá nenhum tenista entre os top 100 da ATP. Enquanto isso, entre as mulheres, Teliana Pereira está chegando cada vez mais perto. Já é a 105ª. É possível que a única top 100 do país seja a Teliana.

Teliana Pereira top 100

É triste para o tênis brasileiro abrir o ranking da ATP e não encontrar a sigla (BRA) entre os 100 primeiros colocados no ranking mundial. Não é culpa de Thomaz Bellucci. Ele era o único entre os 100 melhores. Nos últimos anos só ele e Ricardo Mello estiveram nesta posição constantentemente. Foram raras as aparições de João Souza,o Feijão, Rogério Dutra Silva e Thiago Alves.

Mello estava sempre entre os 70 e 90º. Bellucci, entre os melhores do mundo mesmo. Passou um tempão entre os top 40.

Ficou três meses parado e como nem todo mundo é um Rafael Nadal que volta ganhando muito mais do que perdendo, vencendo título atrás de título, a recuperação do Bellucci pode demorar. Ele perdeu na estreia em Stuttgart e no 70o. lugar defendia os pontos, nesta semana, da conquista do torneio de Gstaad.

Os sinais de renovação continuam distantes. Há mais de um ano escrevi sobre isso. Apenas Guilherme Clezar e Thiago Monteiro tem 20 anos ou menos entre os top 10 do país.

Vivemos dos excelentes resultados do país nas duplas, com Bruno Soares, Marcelo Melo, André Sá e mais recentemente Marcelo Demoliner. Bellucci top 100

Bellucci ganhou um torneio na semana passada, mas foi ocasional. Não vai se dedicar a esta categoria.

O fato é que o Brasil vem sofrendo há anos. Tivemos sorte com o Bellucci tanto tempo entre os top 100. Agora é a hora de encarar a realidade de frente.

Pode ser e torço muito para isso, que Monteiro e Clezar sejam os futuros nomes do Brasil entre os top 100. Mas, ainda estamos longe disso.

Enquanto isso, Teliana Pereira vai colhendo os resultados de uma longa temporada na Europa.

Foi para o velho continente em abril e não voltou ainda.

Viajou com o foco no top 100 e está muito próxima de se tornar a primeira mulher, desde Andrea Vieira, em 1990 (Dadá ficou entre 1989 e 1990 entre as top 100), a entrar para o grupo das 100 melhores do mundo.
Atual 105ª na WTA, venceu na estreia hoje em Bastad, garantindo 30 pontos na listagem. Se o ranking fosse feito hoje al estaria entre as 100, mas depende de resultados de outras tenistas.

Thiago Monteiro tenis

As outras meninas também vem subindo. Bia Haddad Maia já está entre as 300 e Paula Gonçalves é a 305ª. Mas, assim como Clezar e Monteiro, estão trabalhando para, mas ainda estão longe das tops.

Assim como Teliana, Thiago Monteiro está há um tempão disputando uma sequência longa de torneios.

São atitudes como essas, com foco e determinação, que fazem a diferença e acrescentam muito no conjunto de fatores que levam um tenista a chegar lá ou não, um país a ter vários jogadores na chave principal de um Grand Slam, ou não e uma nação como o Brasil que há 12 anos tinha o número um do mundo, a não ter um jogador se quer entre os top 100.

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Teliana: a história da menina do sertão vai ficando cada vez mais distante

Há mais de 10 anos conto a história de Teliana Pereira, a menina que cortava cana no sertão pernambucano e começou a jogar tênis, quando o pai se mudou com a família para Curitiba, para trabalhar numa academia de tênis. Teliana e os irmãos eram boleirinhos e o dono da Academia, o francês Didier Rayon, deu a eles a chance de aprender a jogar. Provavelmente, a partir de hoje, não precisaremos mais a contar essa história.

Teliana Pereira WTA

Teliana, que nesta quarta-feira derrotou a cabeça-de-chave 2 do WTA, sim um WTA, não um Challenger, de Bogotá, a francesa Alize Cornet, 36ª do mundo, por 7/6 6/7(2) 6/2, cada vez mais dispensará apresentações. Não será mais a menina do sertão que era esperança do tênis brasileiro.

Depois de anos vendo a alegre menina jogar torneios juvenis, ir para a Europa pela primeira vez, ganhar apoio da Little Dreams Foundation, através de Amelie Mauresmo, aprender francês, ganhar o primeiro Challenger, vencer em Campos do Jordão, ganhar medalha no Pan do Rio, se machucar,  conseguir patrocínio, entrar para o Instituto Tênis, ficar fora da Fed Cup por brigas políticas, sair do IT, se recuperar, perder patrocínio, se machucar de novo, ficar sem técnico, conseguir apoio de novo e voltar a viajar com o irmão Renato, começar a subir no ranking, disputar qualifying de Grand Slam, enfim, ela está chegando onde todas as tenistas sonham em chegar, no grande circuito.

Com sua própria garra, vontade, luta, perseverança e o apoio da família – o irmão Renato jogou um pouco de tênis profisisonal e hoje viaja com ela e o outro irmão, José Pereira, joga os torneios da série Future – Teliana está no melhor momento da carreira. É também o melhor que o tênis brasileiro já viu nos últimos 15 anos.

Mérito próprio da tenista que no ano passado resolveu encarar longas viagens e começou a ter bons resultados na Europa e na América do Sul. Conseguiu ajuda de amigos em Curitiba para viajar, o ranking subiu e no fim do ano conseguiu apoio da CBT para custear as viagens com o irmão.  Não ficou com medo da Austrália e arriscou. Não foi bem, mas não desanimou. E há três semanas ela praticamente não para de vencer.

Parece ter aproveitado bem os treinamentos com Dadá Vieira, em São Paulo e com Carla Tiene e Roberta Burzagli em Medellin, durante a Fed Cup, onde perdeu apenas um jogo. Na chave do pequeno WTA de Cali – inovação do circuito com premiação de U$ 125 mil – foi vice-campeã de duplas e quadrifinalista de simples.

Saiu do evento e foi direto para o WTA – premiação de U$ 235 mil – em Bogotá. Ganhou três jogos no qualifying, venceu a 1ª rodada e hoje derrotou Cornet.

Nesta quinta, vai descansar. Volta a jogar na sexta, contra a tenista de Luxemburgo, Mandy Minella, para ir à semifinal de um WTA.

Teliana deu um salto na carreira, o maior que já deu até hoje, ao marcar a sua principal vitória e atingir o melhor resultado. Agora divide o vestiário com tenistas de nome como Jelena Jankovic e Flavia Pennetta. Está no mesmo hotel que elas, pega o mesmo transporte e está vendo, de perto, como elas treinam e o que precisa fazer para melhorar. É uma diferença enorme, em termos de premiação, estrutura, visibilidade, confiança e nível de jogo e treinamento do que os Challengers e Futures que ela tanto disputou.

Enquanto estava no trânsito, vindo para casa, pensava na minha querida amiga jornalista, Lia Benthien, que muitos anos atrás, enquanto assessora da CBT, do Instituto Tênis e minha parceira em muitos eventos, me apresentou a Teliana. Quantos textos não escrevemos dela, quantas pautas emplacamos contando a história da menina do sertão pernambucano.

Essa história agora começa cada vez a ficar mais distante da Teliana, destaque da home do site da WTA, número 1 absoluta do tênis brasileiro – 1ª brasileira a alcançar as quartas-de-final de um WTA desde 1999, com Vanessa Menga, na mesma Bogotá –  e cada vez mais próxima do top 100 (ela é a 156ª e deve ficar perto das 136 com as quartas-de-final), apesar do caminho ainda ser longo e depender muito dela se manter sem lesões e aguentar jogar, consistentemente semana atrás de semana.

 

 

 

 

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Fed Cup mostra que podemos acreditar em um futuro para o tênis feminino do Brasil

Estamos longe, muito longe ainda de ver uma brasileira ganhando títulos no grande circuito mundial. Décadas e décadas distante de Maria Esther Bueno. Mas agora, pelo menos, estamos caminhando para evoluir. O Brasil chegou nesta sexta-feira à final do Zonal Americano da Fed Cup, posição que não ocupava há 9 anos e enfrenta  o Canadá, no sábado, por uma vaga no Play Off do Grupo Mundial II.

Equipe Fed Cup

Afirmo que estamos no caminho certo não apenas pelo resultado destes três dias de jogo em Medelín. Mas pelo equipe que envolve a Fed Cup e o tênis feminino, neste momento, no Brasil.

Todas as jogadoras que integram a equipe brasileira – Teliana Pereira, Paula Gonçalves, Bia Haddad Maia e Laura Pigossi, estão lá por mérito e pela vontade que tem de evoluírem, irem adiante e serem jogadoras tops. Se chegarão lá não sabemos. Mas Teliana está no melhor momento da carreira e no 165o. lugar no ranking, todas são comprometidas, esforçadas e dentro do possível são as que estão jogando os Grand Slams – juvenis e profissionais – e torneios maiores mundo afora. E ganharam os três confrontos do Grupo B, com Paraguai (cabeça 1), México e Chile.

Pela primeira vez nos últimos anos, vejo também uma equipe técnica que faz sentido.  A coordenação geral é da Dadá Vieira, a última brasileira que esteve entre as top 100. A vontade da Dadá de ver uma menina chegar lá de novo é tanta, que eu acredito. Teliana Pereira

A técnica da equipe é a Roberta Burzagli. Última brasileira a vencer o Banana Bowl nos 18 anos e que há mais de 8 temporadas é técnica juvenil internacional da ITF. Viaja o circuito com as melhores juvenis do mundo. Está presente em diversos torneios, vendo de perto quem é quem e a tendência do tênis feminino.

E a capitã, Carla Tiene, foi das últimas brasileiras que eu vi dar o melhor em quadra, superando lesões, falta de patrocínio e de torneios para conseguir jogar e durante muitos anos. Fez muito bem a transição de jogadora par técnica e assume, com segurança, o posto de capitã.

As meninas tem uma dura missão no sábado. Enfrentam o país mais difícil na final, mas que não conta com a número um da nação, Aleksandra Wozniak. Mas, é uma decisão, novidade para as meninas brasileiras.

Independente do que acontecer neste sábado, dá para acreditar que o futuro do tênis feminino do Brasil, país que terá 2 WTAs a partir do ano que vem e um já daqui a poucas semanas, existe.

(fotos de Roberta Burzagli)

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