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Ode ao jogo de duplas e aos duplistas. São eles que mantém o nome do Brasil em alta no circuito.

A vitória de Bruno Soares e Marcelo Melo, diante da melhor dupla de todos os tempos, os irmãos Bryan, campeões de 13 Grand Slams e no total, 84 títulos, na casa deles, em um confronto de Grupo Mundial de Copa Davis, com o Brasil a ponto de ser eliminado, foi tão importante e impactante que resolvi deixar a noite passar para dedilhar estas linhas.

Depois que o jogo acabou e comecei a ver a reação do País com o feito dos mineiros, com matéria em Jornal Nacional, menção dos principais jornalistas esportivos, ou nã,o do Brasil, mensagens que comecei a receber no telefone, no twitter, fiquei tentando contextualizar o que havia acabado de acontecer.

Brazil davis cup doubles Melo Soares

Vira e mexe, à noite, em uma festa, me vinham imagens do jogo, mas principalmente da cara de alegria e certeza de que haviam entrado para a história de Melo e Soares após a partida.

Lembrei de Guga em Lérida, na Espanha, quando derrotou os espanhóis na casa deles. Era 1999. Ganhou os jogos de simples e o de duplas, com Jaime Oncins. Calou uma nação.

Fiquei tentando lembrar se depois houve tamanha performance do Brasil em uma Copa Davis. Fomos à semifinal no ano seguinte e às quartas em 2001. No ano 2000 tivemos o emocionante confronto no Rio de Janeiro, com vitória histórica também de Fernando Meligeni.

Desde então, nunca mais brilhamos na Davis desta maneira.  Até tivemos jogos disputadíssimos, em cinco sets e quadra lotada no interior paulista. Mas, nos últimos dez anos quando enfrentamos grandes nações jogamos na repescagem, muitas vezes sem grandes estrelas e nunca mais no Grupo Mundial.

É muito diferente entrar e ganhar de uma Colômbia, ou de uma Rússia desfalcada, em uma quadra e em um ambiente construído por nós mesmos, em um clube, do que entrar para jogar naquela imponente Jacksonville Arena. As apresentações das equipes pareciam entradas de jogos da NBA. A estrutura em si e tudo o que diferencia um confronto de Grupo Mundial, em um local como os Estados Unidos, fazem da vitória ainda mais especial.

Bruno e Marcelo, de fato, fizeram o país sentir orgulho, jogaram com o verdadeiro espírito de guerreiros, de Copa Davis, tão difícil de resgatar nos últimos tempos. Ontem, todo mundo foi dormir mais feliz e por causa de um jogo de duplas.

Já faz tempo que venho escrevendo e falando que o Brasil hoje em dia depende dos duplistas, de Melo e Soares e de André Sá.  Eles tem carisma, mostram o amor pelo jogo de tênis em quadra e são eles que conseguem deixar constantemente o nome do Brasil nos trofeus mundo afora. Claro que Bellucci ganha um ou outro ATP, mas Melo, Soares e Sá estão semanalmente disputando títulos.

Foi Bruno Soares, no ano passado, que ganhou um Grand Slam para o Brasil, 11 anos depois de Guga. Foi campeão de duplas mistas do US Open.

Foi Marcelo Melo que ganhou o primeiro ATP do ano, nas duplas, em Brisbane. E depois, na semana seguinte, em Auckland, Bruno também foi campeão.

Somadas todas as finais de ATP, mais o US Open, que Melo, Soares e Sá disputaram o número chega a 65. São 21 finais de Soares, 22 de Melo e 22 de Sá.

E o caso das duplas se torna ainda mais interessante quando olhamos para os clubes nos finais de semana. As quadras ficam lotadas de amigos jogando duplas.

Estatísticas de tênis amador, da ITF, mostram que o jogo de duplas é muito mais disputado do que o de simples.

Ao longo da história da Tennis View – gostaria tanto de encontrar um texto digitalizado que o Emilio Sanchez escreveu anos atrás sobre a importância das duplas.
Por essas constatações a ITF não altera o formato da Davis e permanece com um único dia para a disputa de duplas, com importância suficiente para decidir ou virar um confronto e no caso do Brasil, encher de orgulho uma nação.

 

Foto de Marcelo Ruschel/Poapress

 

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Copa Davis: O Brasil aproveitou a chance

Com uma equipe mais experiente e Madura, o Brasil finalmente aproveitou a chance, derrotou a Rússia por inconestáveis 3 jogos a 0, com vitórias de Rogerio Dutra Silva, Thomaz Bellucci e Marcelo Melo e Bruno Soares, que deram o ponto decisivo ao Brasil, vencendo Gabashvili e Bogomolov Jr. por 75 62 76(7)e voltou ao Grupo Mundial da Copa Davis, de onde saira em 2003.

Entre boicotes à então direção da entidade maior que rege o tênis brasileiro e a lesão e a aposentadoria de Gustavo Kuerten, o Brasil ficou quase uma década longe da elite do tênis.

Volta agora, mais maduro, guiados pelo capitão João Zwetsch, com o apoio de toda uma nação. Mas, não vamos nos iludir. Apesar de agora pertencermos ao grupo que tem os 16 melhores países do mundo, ainda não temos um time renovável. Sim, juvenis estão sendo preparados, mas há um buraco enorme entre os jogadores atuais e os que estão por vir.

É a hora de aproveitar essa chance que tiveram de derrotar a Rússia bicampeã da competição entre nações, que veio desfalcada ao Brasil, em um ambiente propício para o País, atrair mais adeptos e criar uma base consistente.

 

 

 

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