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Feijão “Aquela derrota na Davis me abalou bastante”

João Souza, o Feijão, amargou nesta terça-feira em Paris a nona derrota seguida. Perdeu para o espanhol Daniel Gimeno Traver, por 76 64 64 na estreia em Roland Garros. O tenista que começou o ano com tudo, alcançando a semi do Brasil Open e as quartas do Rio Open, não consegue vencer desde a partida mais longa da Copa Davis, em que acabou perdendo para Leonardo Mayer por 3 sets a 2, em 6h42min.

Depois de perder a 9a seguida, Feijão afirma: "Aquela derrota da Davis me abalou muito"

Apesar de mais uma derrota Feijão não apareceu abatido na sala de entrevistas número dois em Rolannd Garros. Demorou para chegar – houve um desencontro com os profissionais da comunicação do torneio encarregados de trazer os jogadores para as entrevistas -, mas falou, como sempre, abertamente sobre a fase que vive e o jogo contra Gimeno Traver.

“Tive os meus momentos e as minhas chances. Especialmente no 1o. set. Tive mini break, mas nenhuma chance muito grande. Nesse nível não pode deixar escapar essas pequenas chances. No final das contas estou triste pela derrota, mas pelo que vinha jogando nas últimas semanas foi um bom jogo.”

Diante de poucos jornalistas brasileiros e alguns curiosos estrangeiros, Feijão falou também sobre o que aconteceu depois de uma boa fase, para ter caído tanto de produção.

” Esse jogo da Davis me abalou bastante. Aquela derrota foi bem chave na verdade. A minha energia caiu. Foi um jogo longo, histórico, mas eu perdi o jogo. De repente se eu tivesse ganhado a minha moral teria aumentado, o Brasil teria ganho e a energia de repente teria mudado. Independente de ter sido um jogo do jeito que foi, eu perdi. Quem realmente sentiu a derrota fui eu, mais do que ninguém. Desde então não consegui mais achar o nível que estava jogando antes. Caí, em vez de ter subido. Baixei muito meu nível. Aquele jogo me abalou e eu não consegui mais repetir o que eu vinha jogando. Me abalou na parte técnica e mental” contou Feijão, mas ciente de que “são águas passadas e que tem que seguir em frente.”

O brasileiro, que está na Europa com o técnico argentino Andres Schneiter, falou também sobre o calendário e a falta de confiança com as derrotas.

Feijão Cynthia Lum

“Eu estou na Europa há seis semanas. Joguei os maiores torneios, acabei arriscando um pouco a mais no calendário. Joguei com os melhores jogadores todas as semanas, então não tive os melhores resultados. Tênis é baseado muito em confiança. Principalmente nos momentos chaves. Quando você está com confiança, você não pensa. Quando eu tive as oportunidades hoje, pensei de mais, coisa que não vinha acontecendo até o jogo da Davis. As reações e os pensamentos estavam saindo de forma muito mais natural. Sem confiança você sempre duvida um pouco a mais”

Para recuperar a confiança e o bom tênis, Feijão acredita na dupla – vai jogar com Victor Estrella Burgos e em muita semanas de jogos na Europa.

“Todo tenista tem essa baixa. Não é a minha primeira vez e não vai ser a última. Agora é continuar trabalhando. Tem o jogo de duplas, que de repente dá para sentir o gostinho de ganhar um jogo de novo e vou ficar mais 10 semanas na Europa. Vou jogar mais 4 Challengers, Wimbledon, mais 2 Challengers e 3 atps.”

O brasileiro vai agora mesclar o calendário entre torneios de médio porte e de grande. ” Se tivesse jogado muito bem as outras semanas e aqui, não faria esse mix. Mas, como joguei pior impossível vou ficar 16 semanas aqui na Europa. No ano passado fiquei 13 semanas. Não tem outro jeito. Vou ficar jogando e vou ficar aqui com o meu treinador. Não tenho filho, nem namorada então tenho condições de fazer isso.”Dependendo de como for na dupla em Paris, Feijão joga ou não o Challenger de Prostejov, na semana que vem.Diana GabanyiFotos de Cynthia Lum

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Aplausos para Feijão, o tenista que mudou o rumo do confronto com a Argentina

O Brasil ainda pode ganhar o confronto. O Brasil ainda pode perder.

Independente do resultado o que ficará marcado para sempre deste confronto entre Brasil e Argentina foi o jogo que acabamos de assistir entre João Souza, o Feijão e Leonardo Mayer, com vitória do hermano por 7-6(4), 7-6(5), 5-7, 5-7, 15-13. Foram 6h42min de jogo, tornando a partida a mais longa da história na Copa Davis e a segunda mais longa do tênis, perdendo apenas para aquele jogo entre Nicolas Mahut e John Isner que teve duração de 11h05min em 2 dias, em Wimbledon.

Fejão épico
Feijão perdia o jogo por 2 sets a 0 e Mayer liderava o 3o. por 4/1 quando começou a virada.

Feijão foi conseguindo minar um pouco o jogo do Mayer e cresceu na partida. Venceu o terceiro set por 7/5 e o quarto pelo mesmo placar.

Já era quase 15h30 quando o 5o. set começou. Depois do 4/4 cada game virou um drama.

Mayer teve match point, Feijão teve break point e assim foi até o final do jogo.

Não dava para saber o que iria acontecer em cada game.

Uma hora Feijão parecia mais inteiro, outra era o argentino.

O portenho tinha match point e Feijão salvava. Sem medo, arriscava e entrava.

Mayer gesticulava, reclamava, encarava outro match point e perdia. Mas, continuava vivo no jogo.

Tão vivo que em certo momento, mesmo já com mais de 6h de jogo, no intervalo chamava a torcida e cantava com os companheiros de equipe.

Coisas que só uma Copa Davis ou um jogo de tanta duração, com torcida por países pode fazer.

No fim, no match point número 11, Mayer venceu. Feijão poderia ter ganhado o jogo. Foi mais um ponto entre os tantos outros do jogo que deu a vitória ao argentino.

Mas, ninguém saiu de cabeça baixa.

Feijão sai de cabeça muito erguida.

Foi ele quem fez a diferença no confronto.

Quando saiu o sorteio que designou a Argentina para enfrentar o Brasil, na primeira rodada do Grupo Mundial, em setembro do ano passado, o país vizinho era mais do que favorito.

Feijão era o 101o. colocado no ranking mundial, estava disputando torneios Challenger no circuito e Bellucci , o 79o. Apesar da vitória contra a Espanha, também terminou o ano jogando torneios da série Challenger.

Como o Brasil iria vencer a Argentina com apenas um jogador no top 100 e a dupla, que é uma das melhores do mundo na Davis com Melo e Soares?

Mas, o ano começou e Feijão trocou o Challenger de São Paulo (não entrou no calendário este ano), que costumava jogar, pelo ATP de Doha. Ganhou uma rodada na chave, foi disputar o qualifying do ATP de Sidney, teve match point para entrar na chave principal e jogou direto o Australian Open.

Veio o Brasil Open e Feijão foi à semifinal. Veio o Rio Open, um ATP 500 e Feijão foi às quartas-de-final.

Ganhou pontos no circuito não jogando torneios Challengers, mas jogando contra tenistas tops, treinando com eles e ganhando muita confiança.

Como resultado viu seu ranking subir para a 75a. posição, a sua melhor da carreira e o colocando como número um do Brasil.

Feijão, que sempre gostou de jogar com este clima de Davis, sempre cresceu com a torcida ou em situações desafiadoras, mudou todo o confronto.

A Argentina que sempre teve uma série de jogadores entre os top 100, teve que se deparar com um jogador estabelecido entre os 100 e muito, muito confiante e ainda amargar com a ausência de Del Potro em quadra e com a decisão do capitão Orsanic, de deixar Juan Monaco de fora.

Com o status de hoje, Feijão está pronto para enfrentar qualquer um dos jogadores argentinos e mostrou isso em quadra.

Foi praticamente o elemento surpresa (para os argentinos) da Davis.

Entrou quase um desconhecido no circuito e saiu como herói.

Dizer que o Brasil parou para assistir o Feijão seria muita presunção, mas que muita gente que não acompanha tênis parou para ver o que estava acontecendo, parou e mundo afora virou comentário em todos os lugares, daqueles que só acontecem quando há algo épico se passando. Feijão ganhou novos fãs, cresceu perante os olhos de todo o mundo e viu muita gente falar de tênis.
Com certeza muitos tenistas mirins escolheram um novo nome para ídolo e ele se chama João Souza, Feijão.

 

Foto: Cristiano Andujar

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