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Com a despedida de Ferrero, só resta Hewitt

Juan Carlos Ferrero disputou nesta terça-feira a sua última partida de simples como jogador de tênis profissional, em casa, em Valência, no ATP 500 que ajudou a levar para a região espanhola. Perdeu para Nicolas Almagro por 7/5 6/3, mas quem perdeu mesmo foi o circuito profissional que se despede de um dos poucos campeões de Grand Slam fora do grupo dos FAB Four, Federer, Nadal, Djokovic e Murray que ainda estavam em atividade. Agora só resta Lleyton Hewitt. 

 

Segundo espanhol a chegar ao topo do ranking mundial, Ferrero teve os seus melhores anos na ATP durante a Era Guga e logo que o brasileiro sofreu a primeira cirurgia no quadril.

Sem a personalidade marcante do seu antecessor Carlos Moyá, e não tão expressivo quanto Guga, Marat Safin, Lleyton Hewitt e Andy Roddick, o campeão de Roland Garros 2003 e vice do US Open, foi talvez o número um menos reconhecido deste período.

Diversas vezes vi seus jogos serem colocados longe das quadras principais e ele andar quase desapercebido pelas ruas espanholas quando não estava em um ambiente esportivo.

 

Mas, dentro dela fez mais pelo esporte espanhol do que podemos lembrar antes de Nadal dominar o circuito. Ganhou a primeira Taça Davis para a Espanha, no ano 2000. Dois anos depois foi vice-campeão do ATP Finals, em Xangai e em 2003 teve o melhor ano da carreira, ganhando Roland Garros e sendo vice do US Open, derrotando Andre Agassi na semifinal e chegando ao topo do ranking mundial.

No total ganhou 16 títulos, entre eles um no Brasil, ainda na Costa do Sauípe, onde adquiriu uma propriedade nas proximidades e se sentia em casa.

Ganhou seu primeiro título há 13 anos, em Mallorca, em 1999.

Foi ele o principal articulador na ATP para levar o torneio para Valência, onde reside e tem uma academia. Da mesma maneira que Guga foi fundamental para o Brasil voltar a ter um ATP, quando o torneio foi para o Sauípe, Ferrero conseguiu levar um torneio para a sua casa que hoje, 10 anos depois, está bem estabelecido e com bons nomes sempre competindo por lá.

Com Guga, Moyá, Safin e Roddick já longe das quadras, só resta agora Lleyton Hewitt da geração dos tenistas “new balls please,” em ação. Foi até por isso que Hewitt jogou em Valência neste ano, a pedido de Ferrero. Foi especialmente para a despedida do companheiro de circuito espanhol, talvez já pensando na sua própria aposentadoria.

Ele não admite mas há rumores de que se aposente no Australian Open.

Pelo menos uma coisa é certa. Ferrero ainda não sabe 100% o que fará, mas continuará envolvido com tênis. Ele tem a sua academia, a Equelite, um hotel no mesmo lugar, viajará com Nicolas Almagro durante algumas semanas no ano que vem e já manifestou o desejo de ser capitão da Copa Davis. Mas, o momento agora é de relembrar a carreira do tenista.

A primeira parte da despedida, com um discurso na quadra central do Valencia Open, já  foi emocionante. Ferrero falava e os olhos dele se enchiam de lágrimas. A parte dois continua nesta quarta, depois do jogo de duplas ao lado de David Ferrer, com uma homenagem que vem sendo divulgadíssima. Afinal, a cerimônia contará com as presenças confirmadíssimas de Nadal e Moyá, respectivamente, o successor e o antecessor.

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