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Memórias do tricampeonato de Guga em Roland Garros

Normalmente agora eu deveria estar escrevendo sobre a conquista de Na Li em Roland Garros. A primeira chinesa a vencer um Grand Slam, depois de ter derrotado Francesca Schiavone por 64 76. Mas, amanhã dia da final masculina faz 10 anos do tricampeonato de Guga em Roland Garros e depois de responder inúmeras entrevistas sobre aquelas duas semanas do ano 2001 na capital francesa, dar informações para os jornalistas nos últimos meses, tendo feito parte dessa história, vou contar um pouquinho do que lembro.

Estava tentando, sem ajuda de computador e papéis a lembrar tudo o que havia se passado naquelas três semanas em Paris. Sim três semanas, porque o Guga chegava sempre uns 5, 6 dias antes do torneio começar para treinar.

Confesso que minha memória já foi melhor. Claro que lembro da estreia contra o Coria e de toda a expectativa gerada em torno desse jogo, dos jornalistas argentinos falando “cuidado com o Coria, ele pode ganhar do Guga.” Claro que Guga não deu muitas chances ao argentino…

Lembro muito bem do jogo contra o Michael Russell e da sensação que eu senti estando ao lado do Larri e do Rafael assistindo o jogo, quase perdido, num dia de muito frio em Paris e vendo tudo se transformar quando ele salvou o match point. Lembro do meu amigo jornalista Fernando Eichenberg me perguntando após a partida se eu tinha ideia de quantas trocas de bola aquele match point teve? Não tinha ideia na hora, mas nunca me esqueci. Foram 28.  É claro na minha mente a alegria do Guga depois daquela vitória e a emoção dele ao vencer o jogo. Ainda lembro da expressão do Larri olhando pra mim e dizendo, quando ele começou a desenhar o coração na quadra naquele dia: “O que ele está fazendo?” Estava demonstrando todo o seu amor ao torneio, ao público francês, à quadra central e agradecendo a sensação que havia passado naquele momento, algo que ele diz até hoje nunca ter sido superado.

Depois vieram as vitórias sobre o Kafelnikov e o Ferrero, bem mais tranquilas do que as do ano 2000. Havia muita especulação também em cima do Ferrero. Ele havia vencido o Guga na final de Roma e praticamente estava cantando vitória, fazendo aparições para a imprensa com passeio no Senna, photoshoots, etc… Falou, falou, falou, mas quem arrasou foi Guga que o derrotou em três sets.

A final, depois de um primeiro set complicado, foi uma curtição. Quando começou a disputar o terceiro set Guga já sentia que ia ganhar o tricampeonato e foi curtindo com a torcida, com todo mundo aquele momento e claro, todos nós também.

Depois de tentar lembrar de todos esses momentos – a festa depois no Terra Samba e as fotos no dia seguinte no Sacre Couer – fui procurar meus arquivos de press releases que eu havia escrito naquele Roland Garros e fiquei emocionada lendo o material e relembrando que foi naquele ano que Kafelnikov apelidou Guga de o Picasso das quadras; foi naquele ano também que Guga ganhou o trofeu da ITF de melhor do mundo e em vez de ficar na festa de Gala no Bois de Boulogne, fomos jantar churrasco brasileiro; Encontrei menções também às presenças de Leonardo e Rodrigo Pessoa torcendo por Guga e do vice-campeonato de Jaime Oncins nas duplas mistas em Paris.

Ah, não esqueço que de tanto trabalho nem tive tempo para me trocar antes de irmos pra festa… Fui das últimas a deixar Roland Garros naquele domingo de 2001, sempre contando com a companhia do amigo e que esteve ao meu lado durante quase toda a carreira do Guga, Paulo Carvalho. 

Vou reproduzir aqui alguns dos textos que achei mais bacanas que escrevi naquele Roland Garros 2001.

GUGA SALVA MATCH POINT E ESTÁ

NAS QUARTAS-DE-FINAL DE ROLAND GARROS

 

 

Brasileiro teve a vitória do coração.

 

Gustavo “Guga” Kuerten está nas quartas-de-final de Roland Garros. Com uma vitória emocionante, à base de muita luta, Guga virou um jogo praticamente perdido e venceu o norte-americano Michael Russell, por 3 sets a 2, parciais de 3/6 4/6 7/6 (3) 6/3 6/1, em um espetáculo de 3h25min de duração, na quadra central de Roland Garros, que terminou com o brasileiro ajoelhado no meio de um coração, que ele mesmo desenhou. Na terça-feira, em horário ainda indefinido, Guga enfrenta o russo Yevgeny Kafelnikov, em busca de uma vaga na semifinal do Grand Slam.

 

Atual campeão do torneio, Guga acordou cedo neste domingo para enfrentar o norte-americano. Quando a partida começou o termômetro marcava 11o.C na quadra Philippe Chatrier e o vento fazia a temperatura parecer ainda mais fria. Guga saiu sacando, mas perdeu o seu serviço no terceiro e no quinto game, deixando Russell fazer 5/1. No 5/2, Guga devolveu uma quebra, mas não foi suficiente para reverter a situação do set e no game seguinte, no saque de Guga, com uma direita paralela, Russell fez um set a zero.

 

No segundo set, a partida seguiu equilibrada até o 3/4, quando Guga perdeu o seu saque. No game seguinte, o catarinense devolveu a quebra, mas no 4/5 não conseguiu manter o seu serviço novamente e com outra bola paralela, desta vez de esquerda, Russell fez 2 sets a 0.

 

Na terceira série, o norte-americano que veio do qualifying, parecia estar ainda mais no jogo, continuando a jogar bolas na linha e a estragar qualquer tipo de jogada que Guga tentava fazer. No 2/3 ele quebrou o serviço do número um do mundo e fez 2/4. Em seguida, sacou e fez 2/5 e no 3/5 sacou para ganhar a partida e esteve bem perto disso. Guga teve dois break points, não converteu e Russell chegou ao match point. Depois de um ponto muito disputado, com uma bola na linha, Guga escapou de deixar a quadra e aí sim conseguiu quebrar o saque do norte-americano e levar a decisão do set para o tie-break. Confiante depois de haver vencido um set no tie-break no jogo contra Alami, Guga não deixou dúvidas de que não queria entrar no avião e voltar para o Brasil. Entrou firme na hora do desempate e com uma devolução de saque para fora de Russell, fechou a série, com 7/3 no tie-break.

 

Um pouco mais aliviado no quarto set e jogando mais solto, Guga ficou adiante no placar do jogo pela primeira vez ao quebrar o serviço de Russell no segundo game e só precisou manter o seu saque para empatar o jogo em dois sets. Com um ace Guga fechou a série e entrou no quinto set, em que conseguiu três quebras de saque para vencer a partida, no primeiro, quinto e último game. No 5/1, no segundo match point, Guga cravou um smash na quadra e celebrou uma das maiores vitórias de sua carreira.

 

Emocionado, Guga desenhou um coração na quadra de saibro com a sua raquete, ajoelhou no meio dele e agradeceu a torcida que o apoiou durante toda a partida.

 

“Eu sou muito emotivo e hoje tive uma das melhores sensações da minha vida em uma quadra de tênis. Foi muito especial e talvez um dos dias mais felizes que eu já tive,” disse Guga, que não planejava desenhar o coração na quadra. “Foi uma coisa do momento. Eu estava com uma sensação incrível que eu não tenho muitas vezes e foi a maneira que eu encontrei de agradecer ao público, que influenciou muito a minha vitória de hoje.”

 

Sem nunca ter enfrentado Russell antes na carreira, Guga contou que encontrou dificuldades com o jogo do norte-americano no início do jogo. “Ele jogou o melhor tênis dele numa situação muito difícil. Eu nunca tinha jogado com ele e estava mais defensivo do que agressivo. Ele estava me frustrando e bloqueando todo o tipo de jogada que eu tentava fazer, até que chegou um momento em que eu fiquei mais tranquilo e saí de uma zona de segurança para uma de risco e as bolas na linha, a esquerda paralela, o saque, tudo começou a funcionar. Saí do fundo do poço para o paraíso. Na hora que estava tudo praticamente perdido, terminado a bola pegou na linha, entrou e quando o jogo terminou me senti o homem mais feliz do mundo por alguns minutos. Ganhei uma recompensa por todo o trabalho que eu venho fazendo. Muita gente me viu treinando aqui às 20h durante alguns dias e essas coisas de repente fazem a diferença e me fizeram acreditar que eu poderia ganhar.”

 

Feliz com a vitória, antes de iniciar as entrevistas para as televisões internacionais, Guga brincou, querendo saber se ninguem havia tido um ataque do coração no Brasil, por causa do seu jogo. “Em poucos segundos me tiraram e me colocaram de novo no torneio e agora estou aqui, nas quartas-de-final, em vez de estar arrumando as malas para entrar no avião. Já não tenho mais nada a perder e provavelmente vou jogara bem mais solto daqui pra frente.”

 

Esta é a quarta vez que Guga alcança as quartas-de-final em Roland Garros e a segunda consecutiva, tendo sido campeão em 1997, 2000 e quadrifinalista há dois anos. Com 11 vitórias seguidas no Grand Slam francês, Guga (Banco do Brasil/Diadora/Head/Globo.com/Motorola) voltará a competir na terça-feira, enfrentando um velho rival, campeão do torneio em 96, o russo Yevgeny Kafelnikov (7o. colocado no ranking mundial e 8o. na corrida dos campeões), de quem ganhou nas duas vezes em que ergueu o troféu de campeão em Paris, também nas quartas-de-final. “Já vou entrar na quadra com essa vantagem,” brincou ele, que no total, já enfrentou Kafelnikov oito vezes, vencendo cinco, inclusive a última, no Masters Cup de Lisboa.

 

Tenista número um do mundo e terceiro colocado na Corrida dos Campeões, Guga já garantiu 250 pontos no ranking mundial e outros 50 na Corrida. Se passar por Kafelnikov fica com 450 e 90, respectivamente.

 

TORCIDA ESPECIAL

Além do apoio da torcida francesa, do irmão Rafael, do técnico Larri Passos, Guga contou com uma força a mais neste domingo em Roland Garros. O cavaleiro Rodrigo Pessoa e o jogador de futebol Leonardo estavam acompanhando a partida do número um do mundo na Tribuna Internacional, ao lado também do cantor e compositor Marcelo.

 

Conhecido de Guga, Pessoa veio esta manhã de Bruxelas para prestigiar o catarinense e antes do jogo começar conversou bastante com Rafael.

 

Já Leonardo, conseguiu um convite com amigos e encontrou Guga depois do jogo. Os dois almoçaram juntos no restaurante dos jogadores, que fica embaixo da quadra Philippe Chatrier.

 

GUGA X KAFELNIKOV – Confrontos Diretos

1996 ATP Tour de Stuttgart / saibro Kafelnikov d. Guga 6/1 6/4

1997 Roland Garros / saibro Guga d. Kafelnikov 6/2 5/7 2/6 6/0 6/4

1998 New Haven / rápida Kafelnikov d. Guga 6/4 6/4

1999 Masters Series Indian Wells / rápida Guga d. Kafelnikov 0/6 7/6 6/3

1999 Masters Series Roma / saibro Guga d. Kafelnikov 7/5 6/1

2000 Roland Garros / saibro Guga d. Kafelnikov 6/3 3/6 4/6 6/4 6/2

2000 Olimpíadas Sydney / rápida – Kafelnikov d. Guga 6/4 7/5

 

GUGA VENCE KAFELNIKOV E ESTÁ NA SEMIFINAL DE ROLAND GARROS

 

 

Gustavo “Guga” Kuerten está na semifinal do torneio de Roland Garros, um dos eventos mais importantes do circuito mundial. Nesta terça-feira, com uma atuação impecável, ele derrotou o russo Yevgeny Kafelnikov, por 3 sets a 1, parciais de 6/1 3/6 7/6 (3) 6/4, em 2h32min de jogo e decide, na sexta-feira, pela terceira vez na carreira, uma vaga na final do torneio. O adversário é o espanhol Juan Carlos Ferrero.

 

Depois de ter ganhado uma nova vida no torneio, ao salvar um match point na partida de oitavas-de-final contra Michael Russell, Guga entrou solto na quadra Philippe Chatrier e com o objetivo de surpreender Kafelnikov, campeão de Roland Garros em 1996. E foram necessários apenas 18 minutos para Guga mostrar isso ao russo, 7o. colocado no ranking mundial. Nesse tempo, Guga fechou o 1º set, com duas quebras de serviço no 2/1 e no 4/1 e só perdendo três pontos no seu saque no set inteiro.

 

No 2ºset, foi a vez de Kafelnikov tomar conta da partida e ele e Guga começaram a protagonizar um belíssimo espetáculo de tênis em Roland Garros. No 1/2 ele conseguiu uma quebra de saque e manteve o seu serviço para fechar o set em 6/3, com um ace. No 3º set, o russo chegou a estar bem perto de sacar para a série, quando no 4/4, Guga sacava com 0/40. Guga se salvou desses três break points e de outros dois no mesmo game e conseguiu levar a decisão para o tie-break, em que entrou concentrado, jogando ponto por ponto e venceu por 7/3.

 

No 4º set, Guga saiu na frente e abriu 3/0 com duas quebras de serviço do adversário. Mas, Kafelnikov não quis se entregar e ainda conseguiu quebrar o saque de Guga mais uma vez, no 3/0. Mas foi só o que Guga deixou o russo fazer, além dos aplausos que recebeu do próprio adversário, ao dar uma passada de esquerda paralela espetacular. No 4/3 salvou dois break points para sacar para a vitória no 5/4 e celebrar a passagem à semifinal com uma bola de Kafelnikov que ficou na rede.

 

“Quando a minha primeira bola entrou em jogo eu já estava sentindo-a bem melhor na minha raquete, do que no jogo contra o Russell. Eu sabia que tinha que começar bem no jogo, até para surpreendê-lo um pouco e mostrar que eu estava sólido. Ele esperava que eu jogasse mais cruzado e eu estava indo mais para a parelala e arrisacando mais do que o normal. No Masters, em Lisboa, joguei assim com ele e deu certo,” contou Guga, muito feliz por estar, pela terceira vez, na semifinal de um Grand Slam e especialmente em Roland Garros, seu torneio favorito.

 

“Tenho agora que desfrutar um pouco disso. Passei por uma maratona antes desses jogos e não é todo dia que você está na semifinal de um Grand Slam. Tive as melhores sensações da minha vida no tênis nesta quadra central de Roland Garros e vou lutar muito para estar pela terceira vez na final,” comemorou o número um do mundo, que em nove confrontos venceu Kafelnikov seis vezes, incluindo a vitória desta terça-feira e outras duas nas quartas-de-final deste mesmo torneio, nos anos em que foi campeão, 1997 e 2000.

 

“Já estão dizendo que o Kafelnikov é o meu amuleto e tomara que seja mesmo, mas não é isso que vai me fazer ganhar o torneio. Os jogos contra o Kafelnikov são sempre como jogos de xadrez, em que um ponto pode mudar tudo e você tem que estar focado, no jogo o tempo todo. Agora me vejo com boas chances de ganhar outra vez, mas vou ter que estar muito forte mentalmente”, concluiu Guga, que foi chamado por Kafelnikov de um Picasso das quadras, pelas mágicas que faz com sua esquerda. “Ele falou isso porque nunca me viu desenhando. Talvez eu possa fazer mágica na quadra, mas quando pego o papel sou como um jogador do qualifying.”

 

O técnico Larri Passos, que está com Guga há 11 anos, se emocionou tanto quanto o seu pupilo ao vê-lo alcançar a semifinal de Roland Garros pela terceira vez e, com lágrimas nos olhos, disse que uma das principais coisas que Guga continua fazendo é o trabalho duro. “Hoje, antes do jogo nós aquecemos por 45 minutos e isso é fundamental. O Guga é número um do mundo e continua dando duro. Ele jogou um 1ºset incrível contra o Kafelnikov e o principal nos próximos dois dias vai ser trabalhar duro e fazer a recuperação física também.” O técnico também aproveitou para explicar que não tem falado muito com a imprensa porque “aprendi com os chineses, que os sábios não falam e eu porque não sou sábio e tenho que aprender a cada dia, me calo.”

 

 

GUGA VENCE FERRERO E ESTÁ NA FINAL DE ROLAND GARROS

 

Brasileiro ganhou por 3 a 0 e lutará pelo terceiro título em Paris

 

Gustavo “Guga” Kuerten está na final do torneio de Roland Garros. Nesta sexta-feira em Paris, com uma atuação perfeita do começo ao fim, Guga não deu chances ao espanhol Juan Carlos Ferrero, 4o. colocado no ranking mundial, e venceu, sem perder um set, por 6/4 6/4 6/3, em 2h10min de um show de tênis na quadra Philippe Chatrier. No domingo, a partir das 09h15min (Brasília), ele luta pelo tricampeonato com o espanhol Alex Corretja.

 

Melhor jogador de saibro da temporada, Guga, como ele mesmo afirmou, “jogou perto da perfeição” seguindo um plano de jogo e estando forte mentalmente em todos os momentos da partida, inclusive naqueles em que a situação não lhe era tão favorável. Logo no primeiro game o brasileiro teve três break points contra e conseguiu reverter a situação. No 3/3, teve seu serviço quebrado, mas não deixou Ferrero tomar a dianteira no jogo, devolvendo a quebra em seguida, quebrando novamente o serviço do “Mosquito,” no 5/4 e fechando a série com um winner de esquerda cruzada.

 

No segundo set, Guga abriu 2/0, mas perdeu o seu saque no game seguinte. O jogo seguiu igual até o 5/4, quando novamente o brasileiro quebrou o saque de Ferrero, com uma esquerda do adversário na rede e fez 2 sets a 0. No terceiro set, mantendo o mesmo ritmo forte do início do jogo, Guga continuou sem dar chances ao espanhol, mesmo quando este tinha algum break point a favor. Guga se superava e, com jogadas fantásticas, não deixava o espanhol respirar por muitos segundos e no 4/3 a quebra apareceu, deixando o brasileiro tranquilo para sacar para vitória no game seguinte. No segundo match point, com uma bola para fora de Ferrero, Guga pulou, ergueu os braços para cima e comemorou a sua terceira passagem a uma final de Roland Garros, tendo sido campeão em 1997 e 2000.

 

“Joguei perto da perfeição, me movimentando bem e com as minhas táticas de jogo bem claras, do início ao fim da partida,” disse Guga. “Eu sabia que não podia deixá-lo controlar o jogo e nem mesmo respirar muito. Tentei surpreendê-lo com jogadas fundas e usando a experiência que adquiri nos últimos dois anos e de já ter sido campeão aqui duas vezes. Estava super à vontade na quadra e quando estou sentindo bem a bola na raquete e jogando o meu melhor tênis é difícil alguém ganhar de mim.”

 

De tão bem que Guga vem jogando ele foi comparado a Picasso pelo russo Yevgeny Kafelnikov, há três dias, e o número um do mundo contou que tentou acreditar no russo. “Eu tentei acreditar nas palavras dele, de que eu sou um Picasso na quadra. Agora quem sabe possa pegar alguma coisa do Van Gogh e tentar desenhar o meu jogo ainda melhor, porque eu não poderia querer jogar mais do que eu joguei hoje. Foi um dia muito feliz para mim e um prêmio pelo que eu passei aqui essa semana, nos jogos e nos treinos. Foram horas na quadra tentando dar um passo adiante e foi na parte mental, com a minha cabeça positiva que eu me superei,” comemorou Guga, sem esquecer do jogo contra o norte-americano Michael Russell, nas oitavas-de-final, em que salvou um match point. “O Guga que está hoje em quadra é um Guga diferente do que o de antes do match point contra o Russell. Como eu já disse, me tiraram do torneio e me colocaram de volta e agora não tenho mais nada a perder. Fui um abençoado naquele dia.”

 

E é assim, tranquilo e curtindo cada momento, que Guga pretende disputar a sua terceira final em Paris e a quinta da temporada, tendo conquistado três títulos, em Buenos Aires, Acapulco e Monte Carlo. “Nem nos meus sonhos mais mirabolantes eu poderia imaginar que eu estaria disputando a minha terceira final em Roland Garros. Vou entrar em quadra me sentindo um cara de muita sorte e disposto a lutar por todos os pontos.”

 

Nas duas outras finais que jogou em Roland Garros, Guga venceu, respectivamente, o espanhol Sergi Bruguera e o sueco Magnus Norman.

 

A partida final, será a 29a. em Roland Garros, sendo que destas 29 ele está invicto a 13. “Roland Garros para mim é um lugar muito especial. Toda vez que venho para cá, até mesmo para treinar, sinto uma coisa a mais, uma energia especial.”

 

Neste sábado, Guga (Banco do Brasil/ Diadora/ Head/ Globo.com/ Motorola) deve manter a mesma rotina com o técnico Larri Passos. Acordar por volta das 11h, fazer trabalho físico e, no final da tarde, uma hora de treinos na quadra. A esses treinos, Larri credita a passagem de Guga à final. “Foi a vitória do trabalho. Ontem à noite eu assisti uma reportagem sobre o Maurice Green e ele respondeu uma pergunta sobre qual era o segredo do sucesso dele e a resposta foi o trabalho que eu faço com o meu técnico. Eu e o Guga trabalhamos duro nesses últimos dias e eu mostrei o ombro pra ele no final do jogo, porque treinei forte com ele na quadra, fiz muita força e deu certo.”

 

Com 700 pontos já garantidos no ranking mundial e outros 140 na Corrida dos Campeões, Guga pode ficar com 1000 e 200, respectivamente, se passar pelo espanhol Alex Corretja, 13o. colocado no ranking mundial e 32o. na Corrida. Os dois já se enfrentaram seis vezes, todas elas no saibro, com quatro vitórias para Guga, incluindo a última, nas quartas-de-final do Masters Series de Roma.

GUGA FAZ FESTA BRASILEIRA EM PARIS

 

 

Depois de conquistar o tricampeonato de Roland Garros, no domingo à tarde, em Paris, derrotando o espanhol Alex Corretja, por 3 sets a 1, parciais de 6/7 (3) 7/5 6/2 6/0, em 3h12min de jogo, Guga comemorou como queria.

 

Curtiu o terceiro triunfo, se igualando a Mats Wilander, Ivan Lendl e Bjorn Borg, na quadra, festejando bastante com a torcida, desenhando um novo coração, deitando nele, vestindo uma camiseta com os dizeres Je táime Roland Garros e posando para fotos com a bandeira brasileira.

 

Depois de passar por uma maratona de entrevistas para jornalistas do mundo inteiro e de falar ao vivo com a France 2 /3, canal de televisão responsável pela transmissão do torneio na França, Guga voltou ao hotel onde está hospedado, próximo a Roland Garros, trocou de roupa e partiu para a região da Bastilha.

 

Lá, no restaurante brasileiro, Terra Samba, ele comemorou com a família, com o técnico Larri Passos, os membros de sua equipe e os amigos que o acompanharam na campanha rumo ao tri, o título que mais saboreou na quadra central de Roland Garros.

 

No restaurante, Guga comeu churrasco, arroz, feijão, cantou e dançou ao som do músico Marcelo.

 

Também estava presente no Terra Samba o vice-campeão de duplas mista, Jaime Oncins, que ficou em Paris para assistir ao companheiro de equipe de Copa Davis jogar a final do torneio mais charmoso de tênis do mundo.

 

Bem ao seu estilo, Guga estava completamente à vontade, entre a mãe Alice, o irmão Rafael, o técnico Larri, sua equipe e os amigos.

Fotos da nossa fotógrafa e grande amiga Cynthia Lum

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Dementieva explica a despedida do tênis, em Doha


Dementieva anuncia o fim da carreira em DohaA despedida de Elena Dementieva pegou todo mundo de surpresa ontem. A russa, de 29 anos, depois de perder o seu último jogo no WTA Championships, em Doha, contra Francesca Schiavone, anunciou para o mundo que estava se aposentando das quadras.

A decisão ela já havia tomado no início da temporada, mas optou por não contar para muitas pessoas – somente a família e os amigos muito próximos sabiam da decisão – querendo evitar turnê de despedida e ter que falar sobre o assunto o tempo todo.

Preferiu deixar o circuito enquanto ainda estava vencendo. Chegou ao terceiro posto no ranking mundial, venceu 16 torneios, ganhou a Medalha de Ouro Olímpica em Beijing, em 2008 e agora está pronta para começar uma família.

Primeira russa a alcançar a final de um Grand Slam – em 2004, em Roland Garros, perdeu a final para a compatriota Anastasia Myskina -, Dementieva não conseguiu vencer um torneio da categoria, mas sempre estava lá. Teve seu saque como seu principal inimigo, mas não deixou de vencer por isso. Competiu durante 13 temporadas, encantando o mundo.

Não posso dizer que conheço bem a tenista. Claro que a vi jogar bastante, participei de bastante entrevistas com ela e durante muitos anos em Paris ela ficava no mesmo pequeno hotel, a poucos passos de Roland Garros, em que costumávamos ficar com o Guga. Discreta, fluente em diversas línguas, era dedicada ao esporte, aos estudos, um pouco diferente das superestrelas do circuito. Era uma estrela, sem precisar aparecer.

Como despedida, deixo aqui a transcrição da entrevista coletiva enviada por colegas, que ela concedeu ontem, no Khalifa Stadium, em Doha, logo após anunciar que não competiria mais na WTA.

Q. Why are you doing it?
ELENA DEMENTIEVA: (Laughter.) I need some support. Why are you asking me these questions?
I think it’s the right time for me. I never wanted to wait until my ranking dropped and I’m not going to be able to go to the main draw. I always wanted to leave this sport with a passion for it. Tennis has been such a big part of my life, and always will be.
To be honest with you, I mean, if I would be a man I would never stop playing. But in the age 29; I have to think about something else. I think I’m ready for the big change in my life.
Still, it’s very tough decision to make. Very emotional. I made the decision in the beginning of this season, so it was very hard coming to the tournaments knowing that this was my last one. It was very emotional for me to play the whole year.
But, I mean, that’s decision like — you know, it will happen to every athlete, and you have to get ready for this.

Q. What ideas do you have for the future? You say you want to explore new avenues. Media? Coaching? Getting away from tennis altogether?
ELENA DEMENTIEVA: You know, I think — well, I’m pretty sure I’m going to miss so many things about our tour. Well, right now I feel like it’s the end of the world, because I really like to play. It’s going to be completely different life for me.
It’s really hard to talk about it. Very emotional.

Q. In those circumstances, it’s tough, I know, but some of the Tweets that have been coming in from all over the world, most seem to be why? They can’t understand why someone as who is talented as you and can still play at a very high level would decide that now is the time to stop playing. That seems to be the general feeling.
ELENA DEMENTIEVA: Yeah, that’s the way I feel. When I talk to my family about this decision I was really waiting for them to support me, but they were very surprised. They told me, You have to make the decision. It’s up to you. You are the only one who knows what is the right time for you. Nobody else.
We want you to play because we know who good you can be, and you still can play couple of years and win many tournaments. But if you feel this way, you have to make this decision. I was really looking for some support. I think nobody was really happy about it maybe except my boyfriend.
Yeah, I feel very sad. But, like I said, it’s the right time for me.

Q. How will you occupy your time?
ELENA DEMENTIEVA: Well, I study. I study in one of the best university in Moscow. I started last year, so obviously now I have more time to do some more study.
Then I decide what I like to do in my life. Because I think it’s one of the most difficult part, you know, for every athlete to make such a big change in my life.
I really want to keep myself busy, because it’s going to be hard to watch all the girls playing. I know I’m going to follow the tournaments. I’m sure I’m going to watch Australian Open and send some messages to the winners.
I’m going to keep myself busy and try to find some other interests in my life.

Q. So when you did the speech for Amélie in Paris, you already know for you?
ELENA DEMENTIEVA: Yes, and, you know, I was very emotional for her, because we all kind of — we had idea that she was going to retire in Paris, but I think nobody really know about my decision.
I didn’t want to make it public. I didn’t want everybody talking about the whole season. You know, I only told to my family and close friends, so today in the court I was very surprised that everyone kind of knew about my secret. They all were standing, and it was very special for me.

Q. How do you want people remember you in the future?
ELENA DEMENTIEVA: Well, I don’t know if I want people to remember me. I’m sure I’m going to remember myself as Olympic champion. That’s the best thing could ever happen in my career. That was the biggest goal, and I’m so proud of that moment. It was unforgettable experience and unforgettable memories for me and my family.
I don’t think about how people going to remember me.

Q. Was there one match or one experience that – I guess it was this time last year – made you think, That’s it, one more year? Or did you just come to the conclusion when you were in the off-season and taking time off?
ELENA DEMENTIEVA: Well, I always had a dream of winning French Open, so starting — you know, playing this season, I just wanted to give myself another try. After Olympic Games, that was the biggest dream of mine. I was so close.
But I mean, I was pretty lucky. I never had so many injuries during my career. I was pretty healthy. But that injury probably happened in the worst moment in my entire career.
Yeah, but, you know, I have no regrets. I think I was practicing very hard; I was trying very hard; that was my way.
If it didn’t happen, it didn’t happen, but I have nothing to blame myself. I was very professional and I had nothing but tennis, tennis, tennis, and I did it with passion.
So I have absolutely in regrets. I have so many things to be proud of. It was a very difficult and long way for me. So, yeah, I just have very nice and unforgettable memories.

Q. Stacey Allaster said, This is your family; please don’t go away, or don’t go away for too long. Can you imagine being involved in the WTA Tour in some way in the future?
ELENA DEMENTIEVA: Yeah, it’s so true. I know all of these people who work in WTA for so many years, and we get very close with some of them. It feels like a family. We’re all spending so much time together, traveling together. It’s very hard not to see them again.
I’m not sure if I’m going to be involved in WTA Tour, but it’s great to know that Stacey is taking care of our tour. I think she’s doing a great job. It’s not an easy job to do. We have so many great changes already.

Q. I remember asking you at the start of the week how you thought you were going to do next year, and now I know why you said you didn’t want to talk about next year.
ELENA DEMENTIEVA: It was so funny, like all the players are asking me, Oh, where you going for vacation? Where are you going tos tart next year? I’m playing Hopman Cup or Hong Kong. What’s next for you?
I was like, Well I don’t want to talk about it.

Q. But in terms of strength of the game, how strong do you think women’s tennis is and can become with some of the young players coming into the game right now, someone like Caroline Wozniacki, for instance, the new No. 1?
ELENA DEMENTIEVA: Well, it’s really great achievement for her. In the age 20 she’s reaching the No. 1 one position. I think it’s extraordinary result. It’s good to have new faces on the tour. She played an excellent year, and she really deserves to be No. 1.
You know, I just feel sorry for Williams sisters, that they are not here. With them, it’s really interesting and challenging for the rest of the players. But I think we’re going to see some more young players coming on the tour and playing in the top level, because I think this is kind of time to change.
There are a lot of 29, 27, 30 years old players that are going to retire in a year or two, so for sure we going to see some new faces coming up.

Q. Does stop playing tennis in not a big country, in Qatar, mean anything for you?
ELENA DEMENTIEVA: You know, in the beginning of every season, I always had a motivation to get to the Championships. This is the biggest event in the end of the season.
You know, I was very happy that I could play my last one here. It’s been three years that we’re playing here. Like I said, it’s been very amazing and unique experience for all of us. I will remember this. It was very special.

Q. When you came into the top part of the game, you were a major part of what was, you know, probably wrongly called at the time, the Russian Revolution. There was so many of you girls coming through at the same time. Do you see now that Russia is going to carry on producing such a number of top-class players, or do you think it’s going to be more maybe China or places like that that bring numbers of players through?
ELENA DEMENTIEVA: Well, it’s difficult for me to talk about China because I don’t know exactly how many junior players they have for the moment. I think we going to see some more very good Russian players coming on the tour.
Well, I think from my generation, the key for all of those good result was the competition. We had so many great players, and the competition really makes you work hard. It’s just an extra motivation for all of us.
So I think right now we have so many good juniors playing in the top level and trying to come to the tour, so, yeah, for sure we going to see some more Russian girls.

Q. You said that if you were a man you would play on forever, and you got some big changes in your life coming up. Can we assume you’re looking to start a family in the future?
ELENA DEMENTIEVA: I hope so, yeah.

Q. Which is the best moment in your sports career that you would never forget it?
ELENA DEMENTIEVA: Well, there are a couple of things, couple of weeks that I will never forget. I would never forget my first tournament that I won on the tour, because I was waiting for this moment for a long, long time.
I remember I won in Amelia Island, one of the very popular tournament on the tour, beating like four, you know, top 10 players. Beating Justine in the semifinals, saving match point, I still remember that. And then beating Lindsay Davenport in the final, I was so exciting to win my first event.
For sure I will remember all the experience in the Olympic Games. My first Olympic Games in Sydney with a silver medal; disaster in Athens; and for sure the gold medal in Beijing. I will never forget it. That was the best week of my career. Yeah, like I said unforgettable experience.

Q. What were the biggest disappointments in your career, that French Open against Anastasia?
ELENA DEMENTIEVA: No, I’ve not thought about that as a disappointing. I was 19 years old. It was a great experience for me.
Like I said, I have no regrets because, you know, that was my way. That’s the way I played. I was far away from being perfect, but, you know, I had a great fighting spirit. Even without good serve, I was struggling for so many matches, but I was fighting and I was never give up. I was giving 100% on the court no matter who well I was playing. This is what I like.
You don’t have to be perfect, but you have to try very hard, and I did all the time.

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Schiavone diverte publico e quer mais um Grand Slam. “Depois que voce ganha um, fica com fome.”

O US Open já entrou hoje na sua segunda semana. Confesso que não havia reparado, até chegar hoje a Flushing Meadows, que as mulheres jogavam por vaga nas quartas-de-final.
Dos quatro jogos femininos de oitavas-de-final deste domingo, escolhi o da Schiavone para dar uma olhada. Queria ver a italiana campeã de Roland Garros jogando em Nova York.
Amigos que vieram ao torneio nesta semana já tinham falado que os jogos dela estavam um show. Primeiro, porque joga um tênis clássico e inteligente e depois porque sempre dá o seu melhor em quadra, vibra, chama o público.
Um jornalista comentava que ir a um torneio e assistir um jogo da “French Open champion” já vale o ingresso.
Tenho que concordar.
Ela é uma “show woman,” e neste domingo o show demorou apenas 68 minutos. Ganhou de Pavlyuchenkova por 6/3 6/0 e está nas quartas-de-final do US Open Tennis Championships pela segunda vez na carreira.
A primeiro foi em 2003, quando foi derrotada por Jennifer Capriati.
Desde a vitória em Roland Garros, no início de junho, o melhor resultado de Schiavone havia sido as quartas-de-final em Montreal, em seis torneios que disputou.
Agora, ela “desencantou” de novo e quer escrever um novo capítulo na sua história.
“Venci um Grand Slam e quero outro. Tenho fome de vitórias, mas tenho que respeitar o Grand Slam e ainda estou longe do ultimo jogo,” disse a italiana, na sua sempre divertida entrevista coletiva.
Perguntaram para ela, qual era o sabor da quadra rápida do US Open, já que havia experimentado o saibro de Roland Garros. Ela falou que ainda não provou, mas que vai pensar em algo se continuar vencendo.
Schiavone também disse que com seu jogo variado e o spin, causa problemas para as jogadoras, por isso está se saindo tão bem. “Eu sou rápida e vario muito as jogadas. Isso atrapalha as jogadoras. Não é como no saibro em que mais lento e dá para fazer uns 10, 20 ou 30 golpes num ponto, mas ao mesmo tempo posso sacar e volear, posso jogar rápido ou mais devagar. É como a pizza Capricciosa. Não é margherita. É Capricciosa, a mesma mas com um ingrediente diferente.”  Pizza aliás, que ela tem comido em Little Italy.
Perguntaram para Schiavone se ela sentiu a pressão depois de Roland Garros. Perdeu na estreia em Wimbledon e em outros torneios também, ou na segunda rodada. Ela explicou. “Pressão tem todos os dias, quando você joga a primeira rodada ou a final. Eu só não estava com energia suficiente.”
Depois de mais de meia hora de entrevista coletiva, em ingles e italiano, a sétima colocada no ranking mundial, ainda passou outra hora dando entrevistas no jardim da sala dos jogadores para uma série de televisões internacionais.
Agora, ela vai descansar e se preparar para o próximo desafio: Venus Williams, que ganhou de Shahar Peer, por 7/6(3) 6/3 e causou com seu vestidinho rosa brilhante.
Clijsters, mais em casa do que nunca, venceu a 18ª partida consecutiva no torneio, ganhando de Ivanovic por 6/2 6/1.
O outro joga das oitavas-de-final deste domingo é entre Stosur e Dementieva. Último jogo da rodada no Arthur Ashe Stadium.
PS – peco desculpas por qualquer falha de acentuacao e por nao ter fotos hoje. Problemas no computador.

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