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Direto de NY – Um bate papo com o finalista do US Open, Bruno Soares… e com Makarova

Amanhã vou assistar a minha quarta final de Grand Slam com um brasileiro em quadra. Já assisti muitas outras, mas nada se compara a ver alguém do seu país, alguém que você conhece há muitos anos, em quadra, jogando por um dos mais cobiçados trofeus do mundo. A partir das 13h (Brasília), Bruno Soares, com a russa Ekaterina Makarova, jogam a final de duplas mistas, no Arthur Ashe Stadium, contra a checa Kveta Peschke e o polonês Marcin Matkowski.

 

Claro que não dá para comparar as três finais de Roland Garros do Guga, até porque trabalhava com ele, com a final de duplas mistas do Bruno Soares do US Open, mas não deixa de ser uma final de Grand Slam. E para o Brasil, uma muito importante. Depois do Guga erguendo os três trofeus em Paris, só Marcelo Melo jogo uma decisão de Grand Slam, em Roland Garros também, com a americana Vania King, em 2009. Eles perderam para Liezel Huber e Bob Bryan.

Antes, Jaime Oncins, em 2001, o ano do tricampeonato de Guga, foi vice de mistas, com Paola Suarez. Perderam para os espanhóis Tomas Carbonell e Virginia Ruano Pascuall. Essa eu assisti antes da final do Guga. A do Marcelo eu já tinha ido embora de Roland Garros.

 

Nem sempre nos Grand Slams, com tanta coisa acontecendo, especialmente nas primeiras rodadas, consigo ver jogos de duplas mistas. Mas, por acaso, do Bruno, assisti todos e todos os dias bati um papo com ele após as partidas.

 

O de hoje foi com a Makarova junto. Ela joga a segunda final de Grand Slam da carreira. Foi vice de duplas mistas com Levinski, no Australian Open, há dois anos.

 

Claro que perguntei se ela estava falando alguma coisa de português. Respondeu que apenas obrigado e o Bruno, de russo, teve que fazer um esforço para lembrar como se falava spaseeba, o obrigado deles. Mas, lembrou que vamos é Davaj.

 

Mas, o que eu queria saber mesmo era o motivo do sucesso da dupla. Bruno, no primeiro jogo, me contou que acabou jogando com Makarova por acaso, depois de não ter entrado na chave com a parceira de sempre, a australiana Jarmila Gajdosova.

 

Foi Makarova quem respondeu: “Às vezes acontece isso, de você se sentir bem com o parceiro e me sinto muito à vontade com o Bruno.”

 

Para Bruno, o diferencial de Makarova em relação a outras parceiras que ele jogou é a devolução de saque. “Normalmente as mulheres que jogam bem simples, devolve bem saque e ela devolve muito bem – é a 41ª em simples – , o que faz com que a gente consiga quebrar o saque do homem também. Ela tem um timing muito bom, então não dependemos somente da quebra de saque da mulher, que é o normal na dupla mista. Hoje, por exemplo, quebramos três vezes o saque do Cermak. Às vezes ela até devolve melhor o saque do homem do que da mulher.”

 

O mineiro revelou que inclusive hoje, no jogo contra os checos Cermak e Hradecka, a russa foi fundamental no quarto game do segundo set. “A gente estava ganhando meio que no piloto automático. Estava 6/3 1/0 40/0. Comecei a ver lá na frente, a sentir um pouco que estávamos perto da final, perdi o saque, eles mantiveram o deles e no ½ foi um game duro. Ela segurou o game e fomos para cima. Foi o game mais importante do jogo.”

 

Avaliações técnicas a parte, queria saber do Bruno da sensação de estar na final de um Grand Slam. “É a realização de um sonho. Desde que comecei a jogar e a conhecer um pouco mais do esporte, a entender a importância do Grand Slam sempre quis jogar uma final. Quando eu falo que estar na final é o sonho, é porque fico visualizando esse momento, da quadra, de uma decisão e sempre tive isso na cabeça, que queria jogar a final de um Grand Slam. Mas, claro que quero ganhar. Hoje dei o primeiro passo do sonho. Agora falta o segundo.”

 

Makarova, mais experiente, disse que vai conversar com Bruno antes do jogo. “Jogar duplas mistas é divertido. Estou acostumada a jogar com todas essas meninas na simples e amanhã, na final, queremos vencer.”

Volto no ponto da emoção e da história de uma final de Grand Slam e quando pergunto quem é que vem à cabeça de Bruno quando ele pensa numa final de Grand Slam, ele me surpreende e responde Thomaz Koch. “Quando eu tinha uns 11, 12 anos treinei com o Thomaz e o Domingos Venâncio, no Rio, então lembro muito dele. Foi nessa época que comecei a entender da história do esporte e quem tinha sido o jogador Thomaz Koch. Ele é um gênio. Claro que depois vem o Guga e o Jaime também. Estava em Roland Garros quando ele fez a final com a Paola Suarez. Mas, o cara que mais me marcou foi o Thomaz.”

 

E Thomaz Koch está em NY. “Converso com ele todos os dias.”

 

Thomaz é o único brasileiro a ter um título de Grand Slam de duplas mistas. Foi em 1975, com a uruguaia Fiorela Bonicelli, em Roland Garros. Eles ganharam do chileno Jaime Fillol e da americana Pam Teeguarden, por 6/4 7/6.

 

A final, claro é no Arthur Ashe Stadium e Bruno pisará na quadra central do US Open, pela primeira vez, para jogar a final que tanto sonhou e que é tão importante para o tênis do Brasil.

 

 

 

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Antes do Hall da Fama, lembranças de uma carreira ao lado do Guga

A semana é especial para o tênis brasileiro, para o Guga e também pra mim. Desde que foi anunciada a entrada de Guga para o Hall da Fama venho recebendo e-mails e telefonemas de jornalistas e comentaristas com pedidos de informações antigas, fotos e para contar histórias dos meus mais de 10 anos de trajetória com o Guga pelo mundo. Tive que abrir arquivos, HDs externas, encontrei muitas fotos, tenho todos os press releases que escrevi, e muita matéria bacana que eu guardei. 

Durante a semana toda fui obrigada a buscar mais coisas ainda e fiquei lembrando de momentos marcantes, mas não nas quadras e sim para mim, como profissional.

Se fosse descrever todos ficaria dias e dias para contar todas as histórias, entrevistas, coletivas, correria e também diversão. Afinal, apesar de todo o stress que era ter que atender a imprensa nacional e internacional, escrever e enviar os releases, atualizar site, organizar as entrevistas, entrar e sair de avião toda semana, os jogos, a comunicação com os patrocinadores e muito mais, eu fazia tudo com muito prazer e profissionalismo.

Mas, algumas histórias ficam marcadas mais do que as outras. Assim como o Guga lembra de cada detalhe de cada jogo, lembro de cada detalhe de cada ação de aparição em evento ou de patrocinador, e de cada entrevista. Até de emails e / ou fax trocados eu lembro.

Talvez, depois de Roland Garros 97, que foi uma surpresa para todo mundo e eu tinha que explicar para o mundo quem era o Guga, contar sobre a família, a avó, Florianópolis, etc e para o Brasil tinha que explicar o que era Grand Slam, game, saibro, quadra rápida, de grama, como funcionava o ranking, etc, o ano mais emblematico em termos de mídia internacional tenha sido o de 2001.

Foi em 2001 que o Guga ganhou reconhecimento na terra dos reis do marketing, os Estados Unidos.

O ano começou com ele no topo, depois de ter derrotado Sampras e Agassi na sequência na Masters Cup de Lisboa em dezembro do ano 2000, chegou ao auge com o título de Roland Garros, o terceiro deles, em junho. A temporada de quadras rápidas continuou com as vitórias do Guga e quando chegou o US Open, Guga era o cabeça-de-chave 1 do Grand Slam, em Nova York e até Goran Ivanisevic apontava o brasileiro como favorito.

Era a época da “Guga Mania.” Nestas buscas encontrei uma matéria muito legal, escrita antes do US Open começar, pelo Doug Smith – não é o Doug Robson que escreve hoje em dia – no USA Today.

Lembro que o Doug, hoje aposentado, fez a maioria das entrevistas num evento na Times Square, em que a HEAD reuniu o Guga, o Agassi e o Goran, os três campeões de Grand Slam daquele ano. 

Esse talvez tenha sido um dos eventos mais bacanas que o Guga fez durante um torneio. A cada evento tínhamos que combinar a agenda dele de treinos e jogos com pedido dos patrocinadores e do torneios para eventos, aparições, autógrafos, etc.

Naquele verão americano, Guga gravou propagandas de televiseo para a USA Networks, que na época detinha os direitos de transmissão do US Open e deu entrevista atrás de entrevista, quando era possível.

 

Lembro que a ATP tentou de todas as maneiras convencê-lo, junto comigo, de participar de uma sessão de fotos para a Sports Illustrated Swimsuit issue, mas ele não topou. Foi mais uma daquelas situações em que tudo o que eu queria era que ele dissesse sim, mas não consegui fazê-lo mudar de ideia.

Alguns meses antes, em Barcelona, o jornal La Vanguardia fez uma matéria bem legal comigo, que guardo até hoje. Na época, não dava muita importância para isso. Era entrevistada sobre o Guga a toda hora. Essa minha profissão era meio novidade no circuito. Hoje vejo que deveria ter guardado muito mais jornais do que guardei.

As voltas para casa depois de grandes campanhas, especialmente as de Roland Garros, eram sempre uma loucura. Todo mundo querendo colocar o Guga em carro de bombeiro e ele se recusando. Inúmeros programas de televisão querendo a presença dele e ele querendo uns dias de descanso para depois retomar os treinos com o Larri – Passos – e continuar na busca por mais títulos.

Parece fácil, mas organizar a agenda dele não era brincadeira não. Gravar comerciais para patrocinadores, treinar, fazer preparação física, entrevistas, viagens, num circuito que tinha um mês ou até menos de folga para quem jogava o Masters, era quebra-cabeça dos mais complicados.

Talvez o momento mais complicado de todos, em termos de comunicação, tenha sido a época do desgaste olímpico com o COB, nas Olimpíadas de Sidney, no ano 2000. Foram dias de angústia, com o empresário do Guga, Paulo Carvalho tentando negociar com o COB a ida dele a Sidney, sem ter que usar o uniforme do patrocinador olímpico, jogando de branco, como havia sido previamente acordado e depois modificado e o Guga querendo jogar, mas não podendo descumprir contrato. Dias de angústia, Guga não querendo dar entrevista, eu escrevendo um texto falando que ele não ia aos Jogos Olímpicos, o Jornal Nacional me ligando, até que à noite o COB voltou atrás e aceitou que o Guga jogasse de branco. Correria. Viagem para Florianópolis para entrevista coletiva de urgência, antes do embarque para Sidney.

Fora esse momento mais dramático, para mim, mais dramático do que as cirurgias e lesões, me orgulho do trabalho feito. Disse não pra muita, muita gente, mas nunca deixei de dar informação e atender a todos e organizar, com nível internacional, as entrevistas e aparições dele. Até hoje o pessoal me contata, inclusive, mais de fora do que aqui.

Tem duas entrevistas que me orgulho muito do Guga ter feito, a da Marília Gabriela, que ele demorou uns 7 anos para aceitar encarar a jornalista e a com o Juca Kfouri, em que o repórter foi até Camboriú entrevistar o Guga.

Já no final, antes da despedida em Roland Garros, foi especial levar o Guga ao Jornal Nacional, para sentar na bancada ao lado da Fátima Bernardes e do William Bonner. Até então apenas o Presidente Lula e o Parreira haviam participado do JN ao vivo, com eles. 

Enfim, foram anos e anos de muitas histórias que serão relembradas neste sábado, em Newport!

PS – tem as entrevistas que fizemos e nunca saíram com as páginas amarelas da Veja, mas o momento é de comemoração…

 

 

 

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Vamos ouvir Boris Becker “não vamos encontrar um novo campeão se não for pelo amor ao esporte, o coração e a vontade de vencer.”

Não importa quanto dinheiro uma Federação de tênis tenha. Se não souber empregar essa verba da maneira certa e conseguir encontrar os jogadores juvenis com mais vontade e determinação, não vai ser capaz de produzir um novo campeão de Grand Slam, ou pelo menos, tenistas que cheguem à segunda semana destes torneios. A afirmação é de Boris Becker e serve para muitos países, inclusive o Brasil, não apenas ao Reino Unido, país a que ele se referia.

Três vezes campeão no All England Lawn Tennis & Crocquet Club, mais jovem vencedor do Grand Slam inglês, aos 17 anos, Boris Becker está para Wimbledon, assim como Guga está para Roland Garros. Durante a quinzena ele é requisitadíssimo para entrevistas, comenta os jogos para a BBC e faz mais sucesso entre os fãs do que muito tenista da atualidade. Exatamente como Guga em Paris, com a diferença de que Guga ainda não se rendeu às cabines de televisão para comentar jogos.

Foi diante dos olhos britânicos que Becker surgiu para o mundo, assim como foi diante dos franceses que Guga se consagrou e onde venceu o seu primeiro grande título.

As comparações param por aí. Os dois são pessoas e tenistas completamente diferentes e a associação foi só um parenteses em meio às declarações de Becker ao The Guardian.

Como uma das figuras mais procuradas para emitir opiniões sobre o campeonato, Becker deu uma longa entrevista ao jornal londrino que procura explicações para a falta de campeões no Reino Unido.

“Vocês ainda tem sorte de ter Murray, que veio logo depois de Henman,” disse o alemão.

“Essa é uma resposta de um milhão de dólares.  Esse país tem um dos eventos esportivos de maior sucesso do mundo, tem a Federação inglesa que é uma organização profissional e que existe há muitos anos e um país que é louco por tênis. Ainda assim, o último inglês a vencer Wimbledon foi Fred Perry, em 1936. Há um centro de treinamento maravilhoso em Roehampton, muita gente envolvida, mas alguma coisa não está funcionando 100%. Já conversei sobre isso com Henman, Rusedski, Draper, Pat Cash e até com Murray. Aparentemente muito dinheiro está sendo investido nos meninos e nas meninas, mas nada acontece.”

O ponto que Becker levantou na entrevista não é sobre a questão financeira, mas principalmente questionou a maneira como os jogadores que recebem apoio da Federação estão sendo escolhidos.

“Com certeza aquela coisa a mais não está sendo encontrada nos jogadores. Não pode ser apenas um técnico o responsável, mas seja lá quem for na equipe de Roger Draper que faz esta busca pelo país, para encontrar os melhores de Liverpool, Newcastle, etc, não está encontrando tenistas que tenham aquele algo mais de vencedor. Ou será que estão procurando por isso?”

Para Becker, “as qualidades que estão sendo procuradas nas crianças de 10 e 12 anos, devem ir além da linda direita e pender mais para o lado da determinação, da atitude e do amor pelo jogo. Os britânicos devem querer tenistas que chorem e enlouqueçam ao perder um jogo, porque detestam, não suportam perder. Isso é um sinal de um futuro campeão. Está no DNA deles e é isso que está faltando para os juvenis ingleses.”

Muitas vezes me pergunto se este não é um pouco o caso do Brasil. Não há dúvida que temos jogadores talentosos, mas será que não falta para eles aquele a mais a que Becker se refere. Será que com tantas facilidades – patrocínio, viagens custeados, treinadores, preparadores físicos, etc, não ficou mais fácil ser tenista que na hora do vamos ver, não dão tudo de si, pois nem eles sabem se é aquilo que querem mesmo?

O tricampeão de Wimbledon vai além e diz que a única grande Federação que parece estar fazendo o trabalho corretamente é a Francesa, com muitos ex-jogadores envolvidos, como Guy Forget. “Na Alemanha o problema é muito pior. Os americaos também estão passando por isso.”

Quando sugerem se a procura por novos talentos não deveria ser feita em regiões de baixa renda, onde o tênis seria uma ótima maneira de mudar de vida, Becker concorda, mas insiste que o problema está em como esta busca é feita. “Os britânicos tem bons juvenis, mas eles serão número um do mundo? Acho que não.”

Uma solução apontada pelo alemão é a de envolver mais ex-jogadores no commando e procurano novos talentos “nós sabemos em 10 minutos se alguém tem ou não aquele a mais do campeão, mas o sistem tem que estar disposto a aceitar novas pessoas e novas ideias. Acho que se o Tim Henman soubesse que poderia fazer a diferença estando mais presente, além de um papel no Conselho, ele estaria.”

Nascido em uma família de classe alta alemã, Boris Franz Becker, hoje embaixador do Laureus, relata que seus pais não acreditavam que esportista fosse uma carreira e que ele teve que lutar para conseguir treinar mais e provar que poderia ter sucesso.

Antes de terminar o bate-papo com o Guardian, ele faz um alerta. “Não há ninguém para substituir o Murray. Não é possível que num país de 50, 60 milhões de habitantes não dê para encontrar 10 bons jogadores de tênis.”

E o que dizer do Brasil, com quase 200 milhões de habitantes? Não sonho e nem nunca sonhei com outro número um do mundo, mas com um número bem maior de jogadaores disputando Grand Slams e vencendo campeonatos além de Futures e ocasionalmente Challengers.

 

 

 

 

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A vitória de Rosol sobre Nadal em Wimbledon e as sensações de uma derrota inesperada

Rafael Nadal foi um príncipe na derrota por 6/7(9) 6/4 6/4 2/6 6/4 para Lukas Rosol, nesta quinta, na segunda rodada do Grand Slam londrino. Saiu da quadra ovacionado pela plateia em Wimbledon, parou para dar autógrafos para os fãs e não deu desculpas na entrevista coletiva. Mas, a sensação não é das mais agradáveis de sair de um Grand Slam onde você já ergueu o trofeu duas vezes, era o cabeça-de-chave número dois, logo na segunda rodada.

 

Lembro de ter passado algumas situações assim com o Guga. Aconteceu dele perder cedo em alguns Grand Slams e voltar para a sala de imprensa e ter que encarar os jornalistas me olhando como que procurando uma resposta, era horrível. Ou perceber o olhar sarcástico de outros, ok, que torciam para o adversário e ficariam felizes ao ver o monte de brasileiros, normalmente barulhentos, irem embora da sala de imprensa.

Ah e depois ter que encarar o próprio jogador era pior ainda. Nunca sabia muito o que fazer ou o que dizer e os planos todos eram desfeitos.

Tinha que devolver a casa em que ficávamos com antecedência – no caso de Nadal, certamente ele havia alugado até o fim do torneio e raramente você consegue fazer o aluguel por menos de 10 dias -, mudar as passagens aéreas e toda a rotina com a qual estávamos acostumados mudava. Pior era não saber se voltaríamos para casa ou entraria um outro torneio no calendário.

Às vezes essas decisões só são tomadas no dia seguinte e o jogador, de todos, apesar de frustrado momentaneamente é o que está mais tranquilo. Sabe que foi mesmo apenas uma derrota, que há outras coisas que pode fazer no momento e que as glórias são tantas, que aproveitar uns dias a mais de descanso não vai fazer mal a ninguém.

Como o próprio Nadal disse, “foi apenas uma derota. Há coisas mais importantes na vida e ela continua. Tive talvez os últimos melhores quatro meses da minha carreira. Hoje não joguei bem os três primeiros sets e no quinto ele esteve incrível. Se continuar jogando como no quinto set, pode ganhar de qualquer um.”

As reações que encontrava na sala de imprensa após uma derrota como estas, inesperada, são parecidas com as que estão atualmente no twitter. Jornalistas se perguntando se já houve alguma derrota tão chocante em Wimbledon ou em um Grand Slam como esta.

Como poucos lembram, é uma boa maneira de observar que os triunfos ficam muito bem mais guardados do que as derrotas para jogadores não muito expressivos como o checo Rosol, 100º colocado no ranking mundial.

Surpresas assim eram mais comuns em Wimbledon antigamente, quando a quadra era mais rápida e tenistas altos e com bom jogo de saque e rede faziam estragos.

Lembraram da derrota de Sampras para George Bastl, na segunda rodada, em 2002.

Para mim é a sensação que mais se assemelha. Lembro muito bem deste dia e do zum zum zum que rondou Wimbledon. É o mesmo que está acontecendo agora.

A ITF enviou algumas estatísticas sobre derrotas de cabeças-de-chave 2 na segunda rodada. O último a perder assim num Grand Slam foi Andy Roddick, em 2005, em Roland Garros, para Jose Acasuso. Mas, não foi um choque. Roddick sempre foi alérgico ao saibro e Acasuso já era um respeitado jogador na terra batida.

O último tenista segundo pré-classificado a perder na segunda rodada em Wimbledon foi Marat Safin, para Olivier Rochus, em 2002. Mas, Safin não era tão constant como Nadal e não havia feito as últimas cinco finais de Grand Slam.

Bem, o checo de 26 anos conseguiu se tornar o centro das atenções em Wimbledon, mas sabe que nem sempre foi assim e que nem sempre será. “Tem dias que acordo e posso ganhar de qualquer um, em outros posso perder do número 500 do mundo.”

Treinado pelo ex-jogador Slava Dosedel, Rosol nunca jogou muito na grama. Perdeu cinco vezes na primeira rodada de Wimbledon e neste ano resolveu jogar os torneios preparatórios de Queen’s e Eastbourne. “Se eu jogar mais na grama acho que posso melhorar neste piso.”

Nascido em Brno, Rosol se tornou profissional em 2004 e obteve o seu melhor ranking, no ano passado, quando chegou ao 65º posto e sabe que para sair de onde está e continuar ganhando em Wimbledon precisa de consistência.

A vitória sobre Nadal ele credita ao técnico Dosedel “que assistiu muitos vídeos e me preparou muito bem tecnicamente. Me disse exatamente o que fazer,” e à concentração. “No último set estava apenas concentrado em mim mesmo. Ainda não acredito no que aconteceu.”

A Quadra Central de Wimbledon, em que Rosol “entrava antes apenas para ver como era,” se converteu no palco da maior vitória da sua carreira. “Eu nunca achei que fosse ganhar. Só não queria entrar e perder 6/0 6/1 6/0, mas acreditei em mim e estava muito relaxado. Sem dúvida é a maior vitória que já tive até hoje.”

Para Nadal, as derrotas para Djokovic nas finais dos últimos Wimbledon, US Open e Australian Open, devem ter doído muito mais.

 

PS – Nadal já havia perdido na segunda rodada de Wimbledon, em 2005, quando ainda estava começando a ganhar torneios. Foi para Gilles Muller.

 

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Hoje há exatamente 15 anos, Guga conquistava o 1º Roland Garros – e todo mundo em uma história para contar daquele 1997

Hoje faz exatamente 15 anos da histórica primeira conquista de Guga em Roland Garros. Era 08 de junho de 1997 e Guga derrotava o espanhol Sergi Bruguera na final do Grand Slam francês, recebia o trofeu das mãos de Bjorn Borg, reverenciando-o e transformando para sempre a os rumos do esporte no Brasil, a vida dele e a minha também.

Já escrevi inúmeras vezes sobre jogos marcantes do Guga, experiências que vivi, conquistas inéditas, mas escrever sobre isso daqui de Roland Garros e tendo passado já quase duas semanas neste lugar que também é sagrado para mim, tem um sentido especial.

Várias vezes durante esta quinzena me peguei lembrando daquele 1997, da estada no simples Hotel Mont Blanc – parece mentira, mas me lembro exatamente do meu quarto, da vista da janela para o Boulevard Victor, do velhinho careca da recepção, do telefone tocando sem parar, dos faxes chegando do brasil, e da alegria contagiante daquele momento inesperado, em que tudo era novidade. Lembro inclusive da roupa que usei na festa da vitória, no Ritz e não é porque fico vendo em fotos não. Engraçado, mas não tenho fotos daquela noite no Ritz. Devia estar insanamente ocupada ou o filme deve ter acabado. É, naquela época as fotos ainda não eram digitais.

Aquela conquista de 1997 é daquelas tão marcantas, em que todo mundo tem alguma história para contar. Ontem mesmo, no Dinner de la Presse, em Roland Garros, um jornalista da Rádio Catalã veio me contar a sua história com Guga há 15 anos. Com alguns membros da direção de comunicação em Roland Garros relembramos momentos daquele 1997, em que de fato Roland Garros se tornou verde e amarelo. Com jornalistas amigos e que estavam em Paris naquele 08 de junho também damos boas risadas lembrando de fatos momentaneamente esquecidos e ainda brincamos: é se passaram 15 anos e continuamos aqui, trabalhando e revivendo essas emoções.

Olho as fotos do Guga e vejo uma alegria tão pura, genuine, um garoto ganhando inesperadamente um dos maiores torneios do mundo, em que tudo era motivo de alegria. E eu, assim como ele, também era uma garota, com 20 anos e sem saber muito bem o que estava fazendo, mas tentando ajudar a organizar toda aquela demanda por informações e entrevistas.

No Brasil ninguém sabia o que era tênis de verdade. As perguntas variavam do que é um Grand Slam, para o que é saibro e se depois de perder o jogador estava eliminado.

A música que Larri tocava na recepção do hotel do Gonzaguinha, com o refrão “Viver e não tem a vergonha de ser feliz,” não sai da minha cabeça nesses últimos dias, pois esse era mesmo o sentimento daquele 1997, de uma felicidade inocente, que a capa do jornal L’Equipe do dia 09 de junho conseguiu traduzir perfeitamente, com uma imagem do sorriso do Guga e a frase: “Obrigada por esse sorriso”

 

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Uma manhã com Guga no Club Lacoste e a sensação de que “We Will Always Have Paris”

A quinta-feira estava parcialmente dedicada para um encontro com Guga no Club Lacoste, em frente ao Jardins des Tulleries, em Paris. Encontrar o Guga, depois de 13 anos trabalhando com ele diariamente, não era novidade. Mas, visitar a recém-reformada e inaugurada boutique da Lacoste, na Rue Castiglione era sim.

 

 

 

 

 

    Depois de andar pelos diferentes cantos do Club e ver as coleções Roland Garros, Live, masculina, feminina e infantis e provar algumas peças num lindo camarim, com Cortina de couro e imagem de quadra de tênis e um fecho em forma de raquete, me chamaram para ir à sala onde o Guga estava.

Ao entrar, brincando, alguém falou: “Você conhece o Guga?” E eu respondi, o “Guga de Lacoste, não.”

Ele estava vestindo calça social, tênis Lacoste, uma polo e um Blazer e não é que caiu bem nele?

“Com essa roupa aqui eu ganhei um upgrade,” brincou Guga, que sempre foi mais adepto de um estilo relaxado, de bermuda e camiseta. “É, na época que eu jogava eu era muito desleixado para usar uma roupa Lacoste.”

Depois de tantos anos trabalhando juntos e vivendo de muito perto todas as conquistas da carreira dele, sentar para bater um papo com ele aqui em Paris acaba trazendo à tona memórias maravilhosas de momentos únicos e a sensação de que “we will always have Paris.”

 “Esse lugar é sagrado para mim. Cada cantinho que eu ando me faz lembrar de alguma coisa especial que eu vivi.”  Sinto isso todos os dias em Roland Garros.

O encontro informal com o Guga, acabou virando um bate-papo mais longo, em que ele inclusive falou que acha que depois da vitória de Djokovic sobre Tsonga, salvando quatro match points, ele pode surpreender. “Ele não estava tão à vontade na quadra como nos outros anos. Mas, depois de salvar os match points no jogo com o Tsonga ele vai entrar diferente para jogar com o Federer. Isso aconteceu comigo. É como ele se começasse uma nova vida no torneio e sentisse que pode ganhar de qualquer um.

A continuação do bate-papo sai na próxima edição da Tennis View.

Mas, o dia não acabou no Club Lacoste. De lá vim para Roland Garros ver a inauguração da quadra rosa e almoçar no Club des Loges com a equipe da Lacoste e antes dos jogos começarem dei uma rápida passada no Village para continuar o bate-papo com o Guga, que trouxe a filha Maria Augusta pela primeira vez a Paris. O espaço da Lacoste estava cheio e agitado. Além de Guga, que continua mexendo com a emoção das pessoas, mesmo já fazendo 11 anos que ganhou o último dos três Roland Garros, outro esportista que fez muita história em Paris também estava lá. Raí, parceiro da Lacoste com Fundação Gol de Letra, deve ser o próximo embaixador da marca.

 

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E a quadra ficou rosa em Roland Garros. Homenagem, mimos e dia de “luluzinha” no Grand Slam.

O convite era para um “champagne breakfast” em Roland Garros, às 10h, para comemorar o Dia das Mulheres no Grand Slam de Paris. Mas, com o evento do Guga na Lacoste ao lado da Place Vêndome, só cheguei de fato para ver a quadra 1 se tornar rosa, uma hora mais tarde. Foi um daqueles momentos de deixar uma pessoa embasbacada de tão chocante que foi ver, de tão perto, aquela mítica quadra cor de terra, ficar rosa pink.

Para marcar o evento, a Federação Francesa de Tênis convidou Chris Evert, com um vestido igualmente pink para inaugurar a quadra, que ficará rosa por uns dias.

Minutos mais tarde, Martina Navratilova e Jana Novotna e Nathalie Tauziat e Sandrine Testud, adentraram a quadra 1 para jogar o Troféu das Lendas. Foram ovacionadas e Navratilova ainda brincou: “já imaginei muitas coisas numa quadra de tênis, mas nunca tinha visualizado uma quadra rosa.”

Diferente de Madri, em que houve uma preparação de meses para o saibro ficar azul, em Roland Garros colocaram apenas uma camada de saibro tingido em cima da terra batida laranja.

 

 

 

 

 

As comemorações em homenagem ao Dia da Mulher não ficaram apenas na quadra rosa. O torneio montou uma “Vila das Mulheres,” com cabeleireiro, manicure, massagista e bar para atender gratuitamente, nesta quinta-feira, as mulheres. Claro que eu não resisti a esta oportunidade e fiz um “brushing” e as mãos, expresso.

Diversas áreas do complexo foram maquiadas de rosa, como o “Village,” a área VIP de Roland Garros, que teve o tapete verde trocado por um rosa.

A ideia do Presidente Jean Gachassin, com esse Dia das Mulheres especial em Roland Garros – especial porque normalmente, todas as quinta-feiras da segunda semana são dedicadas apenas aos jogos de simples femininos – é a de chamar a atenção para as mulheres e o tênis feminino, ainda mais o francês, carente de tenistas tops. São cinco mulheres francesas no top 100 e 10 homens entre os 100 primeiros, sendo que quatro entre os top 20.  “Precisamos dar mais atenção às mulheres,” discursou Gachassin. Bem, no Brasil nem se fala…  Mas isso é tema para um outro post, se não vamos ter que fazer uma quadra de lágrimas. A nossa número um é a número 210 do mundo e com muito suor e a número dois, 300.

 

 

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As “Raquetes Malucas” do Museu de Roland Garros

Tinha uma missão a cumprir aqui em Roland Garros: levar a Tennis View para a Biblioteca do Museu de Roland Garros e entregar de presente o livro A Porta, do Daniel Azulay. Cumpri a missão com êxito – entreguei o material para a chefe do museu, fotografei, registrei – e mesmo com o museu já fechado para entrada do público consegui visitá-lo e ser surpeendida por uma linda exposição chamada “Les Raquettes en Folie – Crazy Racquets,” ou “raquetes malucas, de Jean Philippe Bertrand.

O bom de visitar o Museu de Roland Garros é que até a parte da História do Tênis é renovada a cada temporada e sempre há exposições novas, mesmo fora da época do Grand Slam francês.

Comecei passeando pela “Histoire(s) du Tennis,” onde estão expostas algumas Taças Davis, uniformes de diversos campeões de Roland Garros, vídeos de vitórias inesquecíveis, como a de Yannick Noah, em 1983, entre outras.

Depois “viajei” nos pôsters antigos, na exibição intitulada “L’invitation au Voyage,” até me deparar com as “raquetes malucas” e ficar boquiaberta com a obra de Jean Philippe Bertrand.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O artista que virou cenógrafo trabalhou durante 15 anos para juntar raquetes suficientes para expor o que chama de esculturas poéticas.   Acho que a minha favorita é a que relembra uma árvore. Gosto muito também da carroça e do pêndulo. Apesar de ser um pouco mais comum, gosto também desta de duplas.

 

 

 

 

 

 

E para terminar a minha visita, antes de ir embora, ainda me deparei com um quadro do Guga que eu nunca tinha visto, do artista Neno Ramos, de 1997.

 

 

 

 

 

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O que realmente mudou em Roland Garros

Já faz tempo que Roland Garros planeja mudanças estruturais e o planejamento para 2017 já está pronto. Daqui a cinco anos o complexo estará completamente mudado.

Mas, enquanto 2017 não chega, a Federação Francesa de Tênis vai anunciando benfeitorias e hoje, já mais descansada e já completamente instalada, fui andar pelas “allés” de Roland Garros para ver o que realmente mudou no Grand Slam francês.

Ao virar à direita, saindo da alameda da quadra central, onde fica o centro de imprensa, para a alameda da quadra Suzanne Lenglen, fiquei boquiaberta ao me deparar com o enorme telão mostrando imagens de jogos. Ficou realmente bonito e uma evolução do antigo placar que exibia resultados dos jogos e só há poucos anos se tornara eletrônico.

Impressionada com o lindo e vibrante telão digital, fui ver as quadras do fundo, já notando mudanças nas lanchonentes e quiosques de comida, com novos letreiros e menus.

Ao chegar na quadra 13, uma das quadras de treino em que tantas horas o Guga passou em Roland Garros, me deparei com uma quadra de Beach Tennis. Pela primeira vez a Federação Francesa de Tênis trouxe o esporte das areias mais para perto. Anexo à quadra de beach tennis, fizeram um colorido paredão, com quadra de mini tênis para atrair a atenção das crianças.

De lá atravessei o complexo, notando que as placas de informação, antes apenas verde e branca, se tornaram coloridas e com fundo branco, me dirigindo à Praça dos Mosqueteiros, entre a quadra central e a quadra 1.

  O smash tennis da Longines continua lá, com filas para você medir o se saque, mas o que mudou mesmo é uma nova área com mesinhas e embaixo de sombra, para o público descansar, bater um papo ou lanchar. Esses espaços que faltavam em Roland Garros e foi nisso que a Federação investiu para este ano, melhorar o torneio para o público. Para isso fez mudanças também nas áreas de entrada e informações, ampliando as opções dos visitantes. 

 

 

 

 

A imprensa também foi beneficiada nessas mini-reformas, com um restaurante mais moderno, no mesmo lugar. O chão foi acarpetado, as cadeiras e mesas foram trocadas e a parede encoberta por um grande painel com imagem da quadra central. Gostei, mas confesso que fiquei com saudades das lindas fotos dos jogadores que decoravam o espaço e não sei onde foram parar. Vi algumas pelo complexo, mas em tamanho menor e pareciam ser apenas fotos dos jogos de 2011.

Não tem como não vir para cá e não ser um pouco nostálgica.

 

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São as pessoas que você conhece… Em Miami, Paris, Nova York… E reencontra

Há quatro anos, quando estava na turnê de despedida de Guga, especialmente em lugares como o Sony Ericsson Open (Miami), o Brasil Open e Roland Garros, onde fizemos vários eventos, as pessoas me perguntavam dos momentos mais marcantes e o que foi mais especial.

Claro, que além de ter trabalhado durante mais de 10 anos com uma pessoa incrível que foi número um do mundo, ganhou o Masters, Roland Garros três vezes, etc e ter feito parte de momentos mágicos da história do esporte, foram as pessoas que eu conheci ao redor do mundo.

Algumas foram breves encontros, marcantes ou não, mas outras foram encontros duradouros, que se repetiam a cada ano, em cada torneio.

Havia os torneios mais especiais, como, de novo, Miami, em que tenho amigos até hoje e Roland Garros, em que há 14 anos tive o imenso prazer de conhecer uma cantora, compositora, intérprete, brasileira, Catia Werneck.

Neste fim de semana, no Rio, muitas temporadas depois e muitas vitórias depois do Guga que assistimos juntas e muitas festas depois em que ela cantou, não só nas comemorações dos títulos do Guga, mas em eventos em que foi chamada pelos torneios para cantar, tive a honra de ouví-la cantar.

Não foi a primeira vez e não será a última. Catia veio ao Brasil para fazer uma turnê do seu disco mais recente, Primavera e mostrar um pouco do enorme sucesso que faz na Europa e na Ásia por aqui.

Cantou, se divertiu e cativou o público, acompanhada de músicos de altíssima qualidade e sensibilidade.

São essas as melhores coisas de uma profissão como a minha. Manter uma amizade que começou num torneio de tênis e foi além de uma boa festa com música e champagne.

Um pouco do show da Catia que encerrou a turnê no Brasil – no Vizta, no Hotel Marina, no Leblon.

 

 

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