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Teliana joga por vaga na semi em Contrexeville

Teliana Pereira está nas quartas-de-final do ITF de Contrexeville, na França, com premiação total de U$ 100 mil. Depois de jogar o torneio de Wimbledon, na grama, a brasileira iniciou uma nova gira de quatro torneios no saibro, começando pela França e depois seguindo para os WTAs de Bucareste, Bad Gastein e Florianópolis.

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Nesta sexta-feira ele jogará por uma vaga na semifinal da competição francesa, contra a suíça Stefane Voegele, 104a. colocada no ranking mundial.

Para chegar às quartas, Teliana venceu na estreia a francesa Chloe Paquet, por 4/6 6/4 6/3 e nesta quinta ganhou da espanhola Georgina Garcia Pereza, por 3/6 6/2 7/5.

“Estou feliz de estar jogando no saibro novamente. Foram dois jogos super difíceis, mas mentalmente me mantive firme para conseguir virar os jogos,” relatou Teliana. “Tenho um outro jogo duro com a Voegele e tenho que continuar melhorando no torneio.”

Teliana e Voegele já se enfrentaram duas vezes, em 2008, no ITF de Clearwater e em 2013, no WTA de Charleston, com vitórias da suíça.

A brasileira, 77a. colocada no ranking mundial, acredita que evoluiu desde que começou a gira no saibro, do início da temporada e ganhou o ITF de Medellin e o WTA de Bogotá. “Apesar de não ter começado bem esses jogos – preciso entrar mais atenta – estou jogando melhor do que em Medelin.”

Foto de Cynthia Lum

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Lembranças daquele confronto Brasil x EUA em Ribeirão Preto

A primeira coisa que meio veio à cabeça quando vi que o sorteio do Grupo Mundial da Copa Davis colocou o Brasil diante dos Estados Unidos, foi aquele estádio lindo, enorme, montado em Ribeirão Preto, há quinze anos, quando enfrentamos os americanos, na primeira rodada do GM.

 

Foi lá que Jim Courier, hoje o capitão dos Estados Unidos e na época o principal jogador do time, descobriu Gustavo Kuerten, poucos meses antes do brasileiro ganhar o histórico Roland Garros de 1997.

 

Foi lá em Ribeirão Preto que lançamos a Tennis View, ainda com formato de jornal e com apenas duas cores. Era o prenúncio de uma nova era no tênis brasileiro. Havia algo a mais no ar naquele evento.

O confronto, antes de começar, já era rodeado de surpresas e expectativas. Andre Agassi, que inclusive aparece na capa da revista, era esperado no interior paulista, foi escalado pelo capitão Tom Gullikson, mas não apareceu.

Os Estados Unidos jogaram então com Courier, Malivai Washington, Alex O’Brien e Richey Reneberg, um dos maiores duplistas da época.

Era a primeira vez que ia a um confronto de Grupo Mundial. O país estava fora há três anos e eu tinha visto apenas confrontos zonais e play-offs. Presenciei a inesquecível disputa com a Áustria, meses antes, em que Thomas Muster fora expulso depois de chamar o Brasil de país de macacos.

Mas, estar em um “tie” do Grupo Mundial era novidade. E tudo muda. As exigências da ITF são outras, o nível dos jornalistas que cobre o evento aumenta e lembro de ter imprensa estrangeira cobrindo o Brasil x EUA, era uma equipe da ESPN lá de fora. Na época, o seu Ivo Simon era o assessor de imprensa da Copa Davis e tenho foto com todos os jornalistas, que ele sempre fazia questão de tirar. Pena que não estou encontrando agora. Lembro direitinho da sala de imprensa montada no Country Clube de Ribeirão Preto, com as divisórias e se bobear, se procurar bastante ainda devo ter essa credencial guardada comigo. Conheci e comecei amizades com colegas jornalistas naquele início de 1997 que mantenho até hoje.

Fazia um calor de derreter sola do tênis de muita gente. Na quadra então, não dava para aguentar se não fosse na sombra.

E os jogos começaram, com Guga, então  85º do mundo, enfrentando Malivai Washington, 24º. E Guga venceu o primeiro set, mas o americano acabou fechando a partida por 3/6 7/6(6) 7/6(3) 6/3. Em seguida, Meligeni 90º entrou em quadra para enfrentar o ex-número um do mundo, Courier, na época o 22º e fez o bicampeão de Roland Garros suar muito para ganhar por 3/6 6/1 6/4 4/6 6/4.

Com 2×0, os Estados Unidos pretendiam acabar com o confronto no sábado, com uma das melhores duplas da época, Renenberg e O’Brien, em que ambos foram número um do mundo. Mas a performance de Guga e Jaime Oncins, vencendo por 6/2 6/4 7/5, surpreendeu os americanos e deixou a torcida em polvorosa em Ribeirão.

O confronto terminaria no dia seguinte, com vitória dos EUA, depois de Courier ganhar de Guga, por 6/3 6/2 5/7 7/6(11) e O’Brien fechar a disputa ganhando de Meligeni, por 7/5 7/6(4).

O Brasil não ganhou, mas o confronto ficou marcado acredito que para todos que tenham participado dele, seja trabalhando ou assistindo. Guga, em seu mural de fotos que tinha em casa, guardava uma foto da equipe brasileira deste evento, no meio a tantas outras de glória.

Courier afirmou diversas vezes depois que a primeira vez que se impressionou com Guga foi naquele confronto de Ribeirão Preto.

Do desafio com o time americano, o Brasil acabou permanecendo no Grupo Mundial até 2003 e meses depois, com a vitória de Guga em Roland Garros, o tênis do país mudava para sempre.

 

Dezesseis anos depois, os Estados Unidos receberão o Brasil em um confronto válido também pela primeira rodada do Grupo Mundial e Courier, o grande destaque, liderando o time como capitão.

 

 

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Uma atualizada nos Jogos Olímpicos de Londres. Depois de chorar, Murray já está treinando.

Enquanto uma série de torneios ATP e WTA estão sendo disputados mundo afora; Enquanto Thomaz Bellucci está aproveitando o intervalo entre Wimbledon e as Olimpíadas para marcar importantes pontos no ranking, chegando a mais uma semifinal, em Gstaad, já tem gente treinando no All England Club; Enquanto tem gente como Murray treinando na grama, tem outros na sala de reabilitação, como Rafael Nadal. Desde que a primeira lista com as vagas olímpicas foram divulgadas, há um mês, houve uma série de mudanças.

 

A mais significativa delas foi a desistência de Rafael Nadal, anuncianda ontem. Como já dizia o colega jornalista italiano Ubaldo Scanagatta, para ele ter desistido de jogar a exibição com Novak Djokovic, anunciada há muitos meses, no estádio do Real Madrid, deveria ser alguma coisa grave. Nadal foi substituído por Feliciano Lopez.

Hoje, foi a vez de Gael Monfils anunciar a desistência, também com uma lesão no joelho, que o deixou fora de Roland Garros e Wimbledon.

Andrea Petkovic já havia se retirado dos Jogos, no início da semana, assim como Kaia Kanepi.

A austríaca Tamira Paszek, com problemas de relacionamento com a Federação Austríaca de Tênis, havia ficado fora da primeira lista, mas foi incluída. Outros jogadores, de menor destaque, também desistiram da disputa londrina.

Os britânicos que viveram momentos de euforia com a chegada de Andy Murray à decisão de Wimbledon, há duas semanas, de uma certa maneira, comemoram a desistência de Nadal. Mais chance para Murray.

O tenista conversou com os jornalistas nesta sexta e contou que a derrota foi duríssima e que “durante a noite depois do jogo chorei muito. Foi duro. Fiquei muito mal durante uns dois dias. Mas, depois comecei a fazer umas outras coisas para desviar a minha atenção daquele jogo. Fui correr de kart, fui assistir um show de comédia, etc. Nada melhor do que rir para superar uma derrota dessas.”

Murray já está treinando na quadra central do All England Club desde terça-feira.

 

Apesar do favoritismo do finalista de Wimbledon ter aumentado, ao lado de Roger Federer e Novak Djokovic, o campeonato olímpico promete trazer surpresas. A disputa será em melhor de três e não de cinco sets para os homens. Somente a final será jogada em melhor de cinco. Segundo os próprios tenistas, isso pode trazer resultados inesperados, já que o jogo pode acabar muito rápido e os mais experientes não terem a vantagem de poder administrar um jogo em cinco sets, como fez por exemplo, Roger Federer, em Wimbledon neste ano, virando um jogo em que perdia por 2 sets a 0, contra Julien Benneteau.

Aparentemente a grama já foi substituída e depois de dois anos de preparação para receber a competição, tão perto do fim do Grand Slam, está pronta para receber novamente os tenistas.

Os backdrops do fundo da quadra também já foram trocados. Aliás, estes mudaram no dia seguinte da final de Wimbledon.

Agora só faltam os tenistas começarem a chegar e eles não vão de branco.  A regra não será aplicada nos Jogos Olímpicos e além do backdrop violeta com o logo das Olimpíadas de Londres, veremos tenistas jogando com as cores dos seus respectivos países nas quadras de tênis mais tradicionais do mundo.

 

A cerimônia de abertura em Londres é no dia 27 de julho, e a competição de tênis começa no dia 28.

O sorteio da chave será no dia 26.

 

Lista atualizada dos jogadores olímpicos

 


MEN’S SINGLES ENTRY LIST

Argentina Juan Martin del Potro, Juan Monaco, Carlos Berlocq, David Nalbandian

Australia Bernard Tomic, Lleyton Hewitt (*)

Austria Jurgen Melzer

Belgium Olivier Rochus, David Goffin, Steve Darcis

Brazil Thomaz Bellucci (*)

Bulgaria Grigor Dimitrov

Canada Milos Raonic, Vasek Pospisil (*)

Chinese Taipei Lu Yen-Hsun

Colombia Santiago Giraldo, Alejandro Falla

Croatia Marin Cilic, Ivo Karlovic, Ivan Dodig

Cyprus Marcos Baghdatis

Czech Republic Tomas Berdych, Radek Stepanek

Finland Jarkko Nieminen

France Jo-Wilfried Tsonga, Gilles Simon, Richard Gasquet, Julien Benneteau

Germany Philipp Kohlschreiber

Great Britain Andy Murray

India Somdev Devvarman (*)

Italy Andreas Seppi, Fabio Fognini

Japan Kei Nishikori, Go Soeda, Tatsuma Ito

Kazakhstan Mikhail Kukushkin

Luxembourg Gilles Muller

Netherlands Robin Haase

Poland Lukasz Kubot

Romania Adrian Ungur (*)

Russia Mikhail Youzhny, Alex Bogomolov Jr, Nikolay Davydenko, Dmitry Tursunov

Serbia Novak Djokovic, Janko Tipsarevic, Victor Troicki

Slovak Republic Lukas Lacko, Martin Klizan

Slovenia Blaz Kavcic (*)

Spain David Ferrer, Nicolas Almagro, Fernando Verdasco, Feliciano Lopez

Switzerland Roger Federer, Stanislas Wawrinka

Tunisia Malek Jaziri (*)

Ukraine Sergiy Stakhovsky (*)

USA John Isner, Andy Roddick, Donald Young, Ryan Harrison

Uzbekistan Denis Istomin

(*) ITF Place

 

 WOMEN’S SINGLES ENTRY LIST

Australia Samantha Stosur

Austria Tamira Paszek

Belarus Victoria Azarenka

Belgium Yanina Wickmayer, Kim Clijsters

Bulgaria Tsvetana Pironkova

Canada Aleksandra Wozniak

China, P.R. Li Na, Peng Shuai, Zheng Jie

Chinese Taipei Hsieh Su-Wei

Colombia Mariana Duque-Marino (*)

Croatia Petra Martic

Czech Republic Petra Kvitova, Lucie Safarova, Petra Cetkovska, Klara Zakopalova

Denmark Caroline Wozniacki

France Alize Cornet (*)

Georgia Anna Tatishvili (*)

Germany Angelique Kerber, Sabine Lisicki, Julia Goerges, Mona Barthel

Great Britain Anne Keothavong (*), Elena Baltacha (*)

Hungary Agnes Szavay, Timea Babos

Israel Shahar Peer

Italy Sara Errani, Flavia Pennetta, Roberta Vinci, Francesca Schiavone

(Continued…)

Kazakhstan Galina Voskoboeva, Yaroslava Shvedova

Liechtenstein Stephanie Vogt (#)

New Zealand Marina Erakovic

Paraguay Veronica Cepede Royg (#)

Poland Agnieszka Radwanska, Urszula Radwanska

Romania Simona Halep, Sorana Cirstea, Irina-Camelia Begu

Russia Maria Sharapova, Vera Zvonareva, Maria Kirilenko, Nadia Petrova

Serbia Ana Ivanovic, Jelena Jankovic

Slovak Republic Dominika Cibulkova, Daniela Hantuchova

Slovenia Polona Hercog

Spain Anabel Medina Garrigues, Carla Suarez Navarro, Maria Jose Martinez Sanchez,

Silvia Soler-Espinosa

Sweden Sofia Arvidsson

Tunisia Ons Jabeur (*)

Ukraine Alona Bondarenko, Kateryna Bondarenko

USA Serena Williams, Christina McHale, Venus Williams, Varvara Lepchenko

(*) ITF Place

(#) Tripartite Commission Invitation Place

 

 

 MEN’S DOUBLES ENTRY LIST

Argentina David Nalbandian/Eduardo Schwank (*)

Austria Jurgen Melzer/Alexander Peya

Belarus Alexander Bury/Max Mirnyi

Brazil Marcelo Melo/Bruno Soares, Thomaz Bellucci/Andre Sa (*)

Canada Daniel Nestor/Vasek Pospisil

Colombia Juan Sebastian Cabal/Santiago Giraldo (*)

Croatia Marin Cilic/Ivan Dodig

Czech Republic Tomas Berdych/Radek Stepanek

France Michael Llodra/Jo-Wilfried Tsonga, Julien Benneteau/Richard Gasquet

Germany Christopher Kas/Philipp Petzschner

Great Britain Andy Murray/Jamie Murray, Colin Fleming/Ross Hutchins

India Leander Paes/Vishnu Vardhan, Mahesh Bhupathi/Rohan Bopanna

Israel Jonathan Erlich/Andy Ram (*)

Italy Daniele Bracciali/Andreas Seppi

Japan Kei Nishikori/Go Soeda (*)

Netherlands Robin Haase/Jean-Julien Rojer

Poland Mariusz Fyrstenberg/Marcin Matkowski

Romania Horia Tecau/Adrian Ungur (*)

Russia Nikolay Davydenko/Mikhail Youzhny (*)

Serbia Janko Tipsarevic/Nenad Zimonjic, Novak Djokovic/Victor Troicki

Slovak Republic Martin Klizan/Lukas Lacko (*)

Spain Marcel Granollers/Marc Lopez, David Ferrer/Feliciano Lopez

Sweden Johan Brunstrom/Robert Lindstedt

Switzerland Roger Federer/Stanislas Wawrinka

USA Bob Bryan/Mike Bryan, John Isner/Andy Roddick

 

(*) ITF Place

 WOMEN’S DOUBLES ENTRY LIST

Argentina Gisela Dulko/Paola Suarez

Australia Jarmila Gajdosova/Anastasia Rodionova, Casey Dellacqua/Samantha Stosur

Canada Stephanie Dubois/Aleksandra Wozniak (*)

China, P.R. Peng Shuai/Zheng Jie, Li Na/Zhang Shuai

Chinese Taipei Chuang Chia-Jung/Hsieh Su-Wei (*)

Czech Republic Andrea Hlavackova/Lucie Hradecka, Petra Cetkovska/Lucie Safarova

France Alize Cornet/Kristina Mladenovic (*)

Georgia Margalita Chakhnashvili/Anna Tatishvili (*)

(Continued…)

Germany Angelique Kerber/Sabine Lisicki, Julia Goerges/Anna-Lena Groenefeld

Great Britain Laura Robson/Heather Watson (*), Elena Baltacha/Anne Keothavong (*)

Hungary Timea Babos/Agnes Szavay (*)

India Rushmi Chakravarthi/Sania Mirza (*)

Italy Sara Errani/Roberta Vinci, Flavia Pennetta/Francesca Schiavone

Kazakhstan Yaroslava Shvedova/Galina Voskoboeva

Poland Agnieszka Radwanska/Urszula Radwanska, Klaudia Jans-Ignacik/Alicja Rosolska

Romania Sorana Cirstea/Simona Halep

Russia Maria Kirilenko/Nadia Petrova, Ekaterina Makarova/Elena Vesnina

Slovak Republic Dominika Cibulkova/Daniela Hantuchova

Slovenia Andreja Klepac/Katarina Srebotnik

Spain Nuria Llagostera Vives/Maria Jose Martinez Sanchez,

Anabel Medina Garrigues/Arantxa Parra Santonja

Ukraine Alona Bondarenko/Kateryna Bondarenko

USA Liezel Huber/Lisa Raymond, Serena Williams/Venus Williams

(*) ITF Place

 

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A vitória de Rosol sobre Nadal em Wimbledon e as sensações de uma derrota inesperada

Rafael Nadal foi um príncipe na derrota por 6/7(9) 6/4 6/4 2/6 6/4 para Lukas Rosol, nesta quinta, na segunda rodada do Grand Slam londrino. Saiu da quadra ovacionado pela plateia em Wimbledon, parou para dar autógrafos para os fãs e não deu desculpas na entrevista coletiva. Mas, a sensação não é das mais agradáveis de sair de um Grand Slam onde você já ergueu o trofeu duas vezes, era o cabeça-de-chave número dois, logo na segunda rodada.

 

Lembro de ter passado algumas situações assim com o Guga. Aconteceu dele perder cedo em alguns Grand Slams e voltar para a sala de imprensa e ter que encarar os jornalistas me olhando como que procurando uma resposta, era horrível. Ou perceber o olhar sarcástico de outros, ok, que torciam para o adversário e ficariam felizes ao ver o monte de brasileiros, normalmente barulhentos, irem embora da sala de imprensa.

Ah e depois ter que encarar o próprio jogador era pior ainda. Nunca sabia muito o que fazer ou o que dizer e os planos todos eram desfeitos.

Tinha que devolver a casa em que ficávamos com antecedência – no caso de Nadal, certamente ele havia alugado até o fim do torneio e raramente você consegue fazer o aluguel por menos de 10 dias -, mudar as passagens aéreas e toda a rotina com a qual estávamos acostumados mudava. Pior era não saber se voltaríamos para casa ou entraria um outro torneio no calendário.

Às vezes essas decisões só são tomadas no dia seguinte e o jogador, de todos, apesar de frustrado momentaneamente é o que está mais tranquilo. Sabe que foi mesmo apenas uma derrota, que há outras coisas que pode fazer no momento e que as glórias são tantas, que aproveitar uns dias a mais de descanso não vai fazer mal a ninguém.

Como o próprio Nadal disse, “foi apenas uma derota. Há coisas mais importantes na vida e ela continua. Tive talvez os últimos melhores quatro meses da minha carreira. Hoje não joguei bem os três primeiros sets e no quinto ele esteve incrível. Se continuar jogando como no quinto set, pode ganhar de qualquer um.”

As reações que encontrava na sala de imprensa após uma derrota como estas, inesperada, são parecidas com as que estão atualmente no twitter. Jornalistas se perguntando se já houve alguma derrota tão chocante em Wimbledon ou em um Grand Slam como esta.

Como poucos lembram, é uma boa maneira de observar que os triunfos ficam muito bem mais guardados do que as derrotas para jogadores não muito expressivos como o checo Rosol, 100º colocado no ranking mundial.

Surpresas assim eram mais comuns em Wimbledon antigamente, quando a quadra era mais rápida e tenistas altos e com bom jogo de saque e rede faziam estragos.

Lembraram da derrota de Sampras para George Bastl, na segunda rodada, em 2002.

Para mim é a sensação que mais se assemelha. Lembro muito bem deste dia e do zum zum zum que rondou Wimbledon. É o mesmo que está acontecendo agora.

A ITF enviou algumas estatísticas sobre derrotas de cabeças-de-chave 2 na segunda rodada. O último a perder assim num Grand Slam foi Andy Roddick, em 2005, em Roland Garros, para Jose Acasuso. Mas, não foi um choque. Roddick sempre foi alérgico ao saibro e Acasuso já era um respeitado jogador na terra batida.

O último tenista segundo pré-classificado a perder na segunda rodada em Wimbledon foi Marat Safin, para Olivier Rochus, em 2002. Mas, Safin não era tão constant como Nadal e não havia feito as últimas cinco finais de Grand Slam.

Bem, o checo de 26 anos conseguiu se tornar o centro das atenções em Wimbledon, mas sabe que nem sempre foi assim e que nem sempre será. “Tem dias que acordo e posso ganhar de qualquer um, em outros posso perder do número 500 do mundo.”

Treinado pelo ex-jogador Slava Dosedel, Rosol nunca jogou muito na grama. Perdeu cinco vezes na primeira rodada de Wimbledon e neste ano resolveu jogar os torneios preparatórios de Queen’s e Eastbourne. “Se eu jogar mais na grama acho que posso melhorar neste piso.”

Nascido em Brno, Rosol se tornou profissional em 2004 e obteve o seu melhor ranking, no ano passado, quando chegou ao 65º posto e sabe que para sair de onde está e continuar ganhando em Wimbledon precisa de consistência.

A vitória sobre Nadal ele credita ao técnico Dosedel “que assistiu muitos vídeos e me preparou muito bem tecnicamente. Me disse exatamente o que fazer,” e à concentração. “No último set estava apenas concentrado em mim mesmo. Ainda não acredito no que aconteceu.”

A Quadra Central de Wimbledon, em que Rosol “entrava antes apenas para ver como era,” se converteu no palco da maior vitória da sua carreira. “Eu nunca achei que fosse ganhar. Só não queria entrar e perder 6/0 6/1 6/0, mas acreditei em mim e estava muito relaxado. Sem dúvida é a maior vitória que já tive até hoje.”

Para Nadal, as derrotas para Djokovic nas finais dos últimos Wimbledon, US Open e Australian Open, devem ter doído muito mais.

 

PS – Nadal já havia perdido na segunda rodada de Wimbledon, em 2005, quando ainda estava começando a ganhar torneios. Foi para Gilles Muller.

 

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Um dia em Roland Garros

Um dia em Roland Garros é sempre bom, muito bom. Cada vez que adentro os portões deste complexo tenho uma sensação gostosa, de estar entrando num lugar de fato especial, replete de história, tradição, e onde me sinto em casa e conheço tanta gente e cada cantinho nas quadras e nas áreas internas. Por isso, resolvi descrever como é um dia em Roland Garros, mesmo que ele esteja cinzento e muito frio.

Hoje acordei cedinho. Precisava passar na lavanderia. Afinal já estamos na segunda semana de torneio. Saí do apartamento e fui até a Rue de Seine, antes das 09h e fazia 13ºc. Tomei um café com Tartine enquanto a roupa lavava, li o 24 Horas e com as roupas em mãos voltei pro apartamento. Às 10h30 já estava dentro do metrô Mabillon, pegando a linha 10 para Roland Garros. 

São 12 estações e a viagem não demora mais do que 20 minutos. Tempo para eu ler algumas páginas do jornal L’Equipe.

A saída do metrô é sempre meio tumultuada, especialmente neste horário de início de jogos, mas é só acúmulo de gente e rapidinho estou na rua. Ventava tanto que quase peguei a Navette (van) para me levar até o estádio, em vez de andar uns oito minutos a pé. Mas, ela tinha acabado de sair cheia e não queria ficar esperando a outra encher.

Fui andando mesmo e entrei pela porta lateral para já sair perto da Quadra 1 onde o Marcelo Melo jogava as quartas-de-final de duplas. Assisti o primeiro set, sem nem passar na sala de imprensa – ele e Ivan Dodig acabaram perdendo para Potito Starace e Daniele Bracciali.

De lá fui para a quadra 09 ver a vitória da Bia Haddad Maia, ao lado de quem sempre estive aqui em Roland Garos: Larri Passos. Foi ótimo ver um joguinho do lado dele.

Acabado o jogo, já era hora do almoço e fui almoçar com os jornalistas argentinos no Restaurant de la Presse. O menu especial do dia, que eles chamam de “animation” era um taco mexicano, maravilhoso, regado a vinho para esquentar – aqui tem degustação de vinho todos os dias na hora do almoço.

Resolvi aproveitar que o restaurante da imprensa é na quadra Suzanne Lenglen e fui ver um pouco da partida entre o Berdych e o Del Potro. Mas, não aguentei o vento gelado e vim para a sala de imprensa.

Fiquei assistindo o Del Potro e o Tsonga ao mesmo tempo, fiz um conference call e fui para a quadra 11 encontrar minha amiga e técnica da ITF, Roberta Burzagli.

A Roberta está aqui em Roland Garros treinando uma equipe de 8 meninas – as melhores de determinadas regiões do mundo que integram o time de desenvolvimento da ITF. Há 8 anos a última brasileira a ganhar o Banana Bowl nos 18 anos faz esse trabalho, de viajar pelos maiores torneios juvenis da temporada europeia, da temporada de saibro até depois de Wimbledon treinando os futuros campeões.

E ela já avisou que é para ficar de olho em Jelena Ostapenko, de 14 anos, da Letônia, que foi campeã do Astrid Bowl, em Charleroi, neste fim de semana.

Voltei para o Centro de Imprensa a tempo de acompanhar, da tribuna da quadra central o fim do jogo da Sharapova com a Zakopalova e a coletiva do Del Potro.

Subi para tomar um café no bar de la presse com um amigo jornalista e quando estava pegando o computador para escrever este post recebi uma ligação do antigo agente do Guga, o Jorge Salkeld, para encontrá-lo na quadra 8, onde o Thiago Monteiro estava jogando duplas.

Fui até lá, assisti até o fim do primeiro set e agora estou aqui escrevendo este post.

Acho que lendo isso aqui parece que a vida aqui em Roland Garros é só assistir jogos e bater papo. Mas, são nestes bates papos – eu sempre com bloquinho e camera na mão – e assistindo partidas, que surgem ideias para escrever matérias para a Tennis View, onde colho material para o blog e para outros eventos e trabalhos.

Ah, enquanto escrevo isto estou ouvindo a coletiva da Shvedova…

Normalmente ficaria aqui até os jogos acabarem, mas já tenho um compromisso no centro de Paris marcado há uma semana. Neste torneio, a gente não vê as horas passarem e quando se dá conta acaba saindo daqui todos os dias depois das 21h. Mas, c’est bon, ça va, é para isso que estou em Paris nestas duas semanas.

 

 

 

 

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