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Quando Agassi ganhou Wimbledon, há 20 anos, eu era apenas uma fã de tênis

Desde o começo do torneio de Wimbledon estou lendo matérias e vendo menções em diversos lugares e meios de comunicação sobre os 20 anos da conquista do primeiro título de Grand Slam de Agassi, no AELTC, em 1992. Interessante como lembro muito daquela final contra o Goran – Ivanisevic – em que eu era apenas uma fã de tênis.

Difícil imaginar, mas 20 anos atrás, só passavam as finais na televisão e era na televisão aberta. Ainda não existia, no Brasil, a TV a cabo e os canais de esporte. Entendo hoje que ter a final feminina e a masculina televisionada, num canal aberto era fantástico para o esporte. Eu vi meus primeiros jogos de tênis desta maneira e são destas partidas exibidas, se não me engano na TV Manchete, que tenho as minhas primeiras memórias dos ídolos do esporte.

Naquele domingo da final de Wimbledon entre Agassi e Goran fomos, como de costume, almoçar na casa da vovó, claro, com meus pais e irmãs e os primos e tios. Começamos a assistir a final e lembro que houve uma discussão se gravaríamos o jogo na hora do almoço mesmo para ver depois, se sairíamos mais tarde, ou se não acompanharíamos o jogo e iríamos almoçar. Claro, vovó não estava nada interessada em assistir jogo de tênis.

Goran ganhou o primeiro set e fomos almoçar. Fui meio contrariada. Já gostava de tênis, fazia aulas, tinha voltado dos Estados Unidos há pouco tempo, lia as revistas de tênis – pedia para qualquer conhecido que fosse aos Estados Unidos comprar a Tennis americana e a Sports Illustrated– lia as matérias nos jornais e queria ver aquela final.

Achava o Agassi o máximo e só sabia que o Goran sacava muito.

Fomos almoçar, mas voltamos a tempo de ver o último set e assistir Agassi ajoelhar na grama e erguer o trofeu de campeão.

Aquela imagem ficou gravada na minha memória e aquela tarde de domingo também. Era uma época ainda em que, para mim, o papai era a maior autoridade no tênis e Agassi um ídolo cool do esporte, apesar de já estar atenta ao que vinham dizendo sobre ele de “image is everything.”

Lembro e tenho até hoje uma revista Tennis com ele na capa, alguns meses depois, e com o título “Has Agassi Come of Age?”  Fui ler a matéria curiosíssima, querendo entender o que aquilo significava e acho que foi ali o primeiro contato que tive com Agassi e a sua conturbada vida dentro e fora das quadras.

Ontem, lendo a matéria do New York Times, tudo parece mais claro quanto à confusão mental do americano, apesar de confuso. Agassi lembra de ter voltado de Roland Garros, após uma derrota para Courier, na semifinal e ter ficado uma semana sem contatar o técnico Nick Bollettieri. Quando contatou, de madrugada, disse que estava pronto para treinar. Pegou um taco de golfe e foi para o campo. “Tinha que ter algum contato com a grama,” lembra ele.

Bateu um pouco de bola numa quadra rápida com o então treinador e foi para Londres. Tudo isso eu li alguns anos depois, na biografia de Bollettieri, “My Aces, My Faults,”

Era apenas a sua terceira participação no Grand Slam inglês. A primeira, em 1987, terminou na estreia, com derrota em três sets para Henri Leconte. Agassi pegou horror à grama e só voltou a Wimbledon, em 1991, quando foi às quartas-de-final, perdendo para David Wheaton. Entendeu que poderia jogar bem na grama, mas que não necessariamente deveria se preparar jogando nela. “Como a bola quica de maneira muito irregular, eu achava que quanto mais eu treinasse na grama, mais dúvidas eu teria sobre os meus golpes.”

Como se fosse ontem, Agassi, que está em Wimbledon com a esposa Steffi Graf, também campeã naquele 1992, no torneio, quando eles nem imaginavam que viveriam juntos, lembra detalhes da campanha de 20 anos atrás. “Treinei com o McEnroe antes do torneio começar e ele me deu algumas dicas. Nunca imaginava que a gente fosse se enfrentar e ainda mais na semifinal. Quando vi, no placar, Agassi x McEnroe, quase perdi o foco, porque costumava ver sempre Borg x McEnroe e de fato acho aquilo muito legal.”

Bem, Agassi ganhou do compatriota e estava pronto para enfrentar o grande croata na final. “Estava feliz porque iria jogar contra um cara que realmente poderia ganhar de mim e não teria a pressão de vencer, como nas outras finais.” Ele havia perdido as finais de Roland Garros, em 1990 e 1991, para, respectivamente, Andres Gomez e Jim Courier e a do US Open, de 1990, para Pete Sampras, que era bem menos favorito do que ele, na época.

Cinco anos se passaram depois daquela final de Wimbledon, e eu estava no All England Lawn Tennis & Crocquet Club, não mais como uma fã de tênis, mas como assessora do Guga, que duas semanas antes havia vencido o primeiro dos três Roland Garros e como editora fundadora de uma revista de tênis, a Tennis View.  Se alguém me dissesse, naquele domingo de 1992, que eu passaria 15 dos próximos 20 anos, nos Grand Slams, viajando o circuito, escrevendo sobre tênis, trabalhando com o número um do mundo, publicando entrevistas com Agassi, convivendo de perto com ele e com os outros campeões do tênis, dificilmente acreditaria. As boas circunstâncias da vida me levaram para este universo e hoje posso analisar que o meu conhecimento de tênis não data de 1997 e sim de lá de trás. Hoje, mesmo com todo o meu conhecimento do esporte, continuo devorando revistas de tênis e esportes mundo afora, lendo jornais, vendo matérias, com o mesmo entusiasmo daquele 1992.

  Foto de Agassi e Graf de Cynthia Lum

 

 

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Guga campeão em Cincinnati. Só vitórias sobre tops, tempestade e marreta!

Já escrevi nos últimos meses alguns “faz 10 anos” da carreira do Guga. Tivemos 10 anos do bi de Roland Garros (um ano atrás), os 10 anos da Masters Cup de Lisboa, os 10 anos do tri e nesta semana faz 10 anos que o Guga ganhou o Masters 1000 de Cincinnati.

 

Já fez 10 anos também que ele ganhou Monte Carlo, Roma e Hamburgo e outros torneios importantes também. Mas, tem alguns que ficam guardados na nossa memória mais do que os outros, seja pelas emocionantes vitórias ou pela maneira como aconteceram.

Não sei porque mas guardo na memória detalhes daqueles dias no MidWest Americano.

A temporada estava sendo das mais longas. Começou com uma semifinal em Los Angeles, logo depois do campeonato em Stuttgart.

Aí veio o Masters 1000 de Montreal – naquela época não havia bye para os cabeças-de-chave e as finais ainda eram disputadas em cinco sets – e um jovem Americano, então 35º colocado no ranking mundial e com 19 anos venceu o Guga na terceira rodada. Era o Andy Roddick.

Com a derrota precoce fomos cedo para Cincinnati. Nos hospedamos como todos os anos no Marriott mais perto do torneio, que acreditem se quiser fica na beira de uma estrada e ao lado de um supermercado, o famoso BIG e a rotina de treinos por lá começou, com um intervalo ocasional para jogar um golfezinho, no campo que fica grudado às quadras. O BIG era nossa diversão e passeio diário, no pouco tempo livre que sobrava (mesmo não sobrando muito eu e a Lia Benthien – na época ela fazia o Nas Pegadas do Campeão da ESPN – sempre tínhamos alguma coisa para ver e levar do Big…). O Kings Island, parque de diversões que fica em frente ao torneio, mas do outro lado da estrada, exigia mais tempo para uma visita..

O Guga era o número um do mundo na época e cabeça-de-chave 1 do torneio (o Agassi era o 2º pré-classificado). Então a agenda era cheia. Havia entrevistas todos os dias, imprensa brasileira e estrangeira, gravação de chamada de comercial de TV para o US Open, de mensagem para o MTV Music Awards, sessão de autógrafos, coletivas e os dias eram longos.

Lembro quando a chave saiu, num sorteio feito pelo velhinho simpatico, o Sr. Paul Flory, diretor do torneio, na sexta-feira antes dos jogos começarem. 1ª rodada: Guga e Andy Roddick.

Já se criou todo um burburinho em torno do jogo. Deu Guga, por 7/6 6/1.

Em seguida veio Tommy Haas, que era o 16º do ranking naquela semana e Guga ganhou de novo em dois sets, em dois tie-breaks.

O próximo adversário era o Goran Ivanisevic, que havia ganhado Wimbledon naquele ano e era o 19º colocado. Guga ganhou rapidinho por 6/2 6/1.

Já estávamos nas quartas-de-final e o adversário era o Yevgeny Kafelnikov, que estava em 6º no ranking. E o Guga ganha por 6/4 3/6 6/4 e ele chegava de novo à semifinal em Cincinnati, repetindo o resultado do ano 2000 e contra o mesmo adversário, o Tim Henman, 8º no ranking. No ano anterior, o britânico havia vencido por 7/6 no terceiro set.

Era um dos adversários que mais complicavam o jogo para o Guga.

A outra semifinal era entre o Patrick Rafter e o Lleyton Hewitt. E os jogos nesses torneios costumavam ser, por causa da televisão, um no início da tarde e outro à noite. O Rafter ganhou do Hewitt em dois sets e no meio da tarde já estava se preparando para a final.

Guga entrou em quadra para enfrentar Henman, venceu o primeiro set por 6/2 e de repente o tempo começou a virar.  Dava para ver raios e ouvir os trovões de longe. O jogo continuou – se não me engano até quase o fim do segundo set e veio uma tempestade.

Ficamos por horas esperando para ver se ela ia passar e começando a ouvir relatos do público de que cadeiras haviam voado em alguns lugares de Mason, Ohio e que havia carros boiando por perto.

Quando já era perto de meia-noite decidiram deixar a semifinal e a final para domingo.

Independente do resultado do jogo, já davam Rafter como campeão certo.

Guga voltou à quadra cedo, perdeu o segundo set por 6/1 e foi para o terceiro. Como no ano anterior a batalha iria para o tie-break. Só que desta vez, a vitória ficou com Guga por 7/4.

Para surpresa de muitos, em acordo com a ATP e o torneio, Guga voltou à quadra minutos depois para jogar a final. Já estava quente e pronto para o jogo e tudo que o Larri gritava do box era “Marreta” na devolução.

E com as “marretas” de devolução, Guga venceu Rafter, o sétimo do ranking, por 6/1 6/3 e conquistou um dos maiores títulos da carreira, em uma das situações e chaves mais duras que ele já teve.

A comemoração foi com um churrasco na casa de amigos em Cincinnati.

Afinal, no dia seguinte, já estaríamos na estrada rumo a Indianápolis…. Só para lembrar, em que Guga chegaria a outra final, mas desistiria com dores no braço, no meio do jogo, contra o Rafter.

Mas isso quase ninguém lembra. O que fica na memória é a íncrivel semana em Cincinnati, em que em seis dias ele venceu três campeões de Grand Slam, incluindo dois ex-números um do mundo e seis top 30 (três top 10) no caminho para o título, em seis dias.

Descubro olhando o media guide do torneio para checar as informações que a media de vitórias do Guga em cima de jogadores bem ranqueados é histórica e única no torneio = 13.8.

Depois do Guga ter jogado a semi e a final no mesmo dia, os torneios mudaram a programação dos jogos para sempre, não deixando tanto tempo de diferença entre uma semifinal e a outra.

 

 

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