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Direto de NY – McEnroe e Fleming juntos novamente

Um dia de chuva no US Open é aquele momento em que a sala de imprensa fica cheia, a sala dos jogadores lotada e os fãs amontoados nos cafés e lojas de Flushing Meadows. Num destes momentos, sentada na minha mesa 233 olhei para o lado direito e Peter Fleming estava passando. Aproveitei a chance e bati um longo papo com o ex-número um do mundo de duplas e eterno parceiro de John McEnroe.

 

Até hoje, a parceria dos americanos tem o recorde de maior número de títulos de duplas vencidos em um ano. Foram 15 trofeus juntos em 1979 e a carreira incluiu 7 títulos de Grand Slam e 7 campeonatos do Masters, no Madison Square Garden, seguidos. No total foram 55 torneios vencidos juntos.

 

Com tanta intimidade na quadra, Peter finalmente atendeu aos pedidos de McEnroe e a partir da semana que vem, passa a integrar oficialmente a John McEnroe Tennis Academy, em New York.

 

“Falei com o John em Wimbledon. Ele já havia me convidado algumas outras vezes, mas não sei porque não estava convencido a morar em NY. Tinha algo que não me deixava. Mas desta vez, pensei mais e a minha filha Holly, em um certo momento disse: Você gosta de tanto de jogar, de estar na quadra e se tem alguém querendo pagar você para fazer isso, por que não?”

 

Sentado no alto do Arthur Ashe Stadium, ao lado da cabine da Sky Sports, rede de televisão inglesa para quem comenta uma média de 15 torneios por ano, Fleming contou que não estava fazendo nada além disso, de jogar golfe e tomar cerveja. “Não era eu. Sempre fui muito ativo. Ainda estou muito bem fisicamente e quero ajudar.”

 

Americano nascido em New Jersey, Fleming volta a morar nos Estados Unidos depois de anos na Inglaterra e já sabe como será sua rotina na JTA. “Serão quatro horas por dia treinando a garotada de todas as idades. Muitas crianças, com especial atenção àquelas que tem bolsa na academia. E depois se eu quiser, vou dar aulas para adultos.”

 

O parceiro de McEnroe acredita que o fato de ter jogado tanto com John e conhecê-lo tão bem, ajudará na hora do treinamento. “Eu acho que sei mais sobre o que o John faz em quadra do que ele. Eu assisti tanto ele jogar, aprendi tanto observando ele jogar que consigo dizer como ele fez isso, ou fez aquilo.  Coisas que para ele parecem naturais, então ele não precisa me dizer o que fazer, como deve ser o treinamento. Já nos entendemos só de olhar um para o outro.”

 

O que mais Peter aprendeu com o parceiro foi que o principal é ter equilíbrio, não só em quadra, mais na vida. “Você olha o John jogar, bater uma bola, a maneira como ele treina e organiza a vida dele e sempre há um equilíbrio.”

 

Assim como McEnroe, e baseado nesta ideia do equilíbrio, Fleming também acredita na teoria de que as crianças e adolescentes “não precisam ficar 6 horas em quadra por dia treinando e mais duas horas fazendo preparação física. Eles não podem ser transformados em robôs.” 

 

Para ele, foi Jimmy Connors que os ensinou a ser desta maneira. “Em um dia sem jogos, o Connors treinava uma hora, apenas uma hora, mas essa hora valia por duas de qualquer outra pessoa. Ele estava tão focado e havia uma intensidade nele impressionantes. Quando você entra em quadra é hora de se concentrar, mas também de se divertir, dando duro.”

 

A dupla Fleming/McEnroe incentiva a prática de outros esportes. “Com certeza isso faz de você um jogador melhor. Você usa o cérebro para outras coisas e tem mais auto-confiança. Temos que observar o jogo como um todo até encontrar o equilíbrio.”

 

Pergunto para Fleming, que cumprimentava cada assistente ou produtor que passava perto das cabines, quem hoje em dia tem esse equilíbrio no circuito. “Federer, Djokovic e Nadal são todos bem balanceados. Os outros não são.”

 

Com um sorriso quase inglês, Fleming está animado para voltar a morar no seu país e “ajudar as crianças a se tornarem indivíduos fortes e que possam se tornar jogadores de sucesso.”

 

Aberta em 2010, em Randall’s Island, em Manhattan, a JTA já está presente em outros dois lugares em NY, em Lake Isle e Bethpage.

 

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Academia de McEnroe, em NY, supera expectativas e já tem lista de espera

McEnroe, na sua academia em NY
Há dois meses estive na recém-inaugurada academia de John McEnroe, em New York, no complexo Sportimes em Randall’s Island, a poucos minutos de Manhattan.

Dava para perceber no ar a empolgação dos envolvidos com o projeto e o comprometimento da família McEnroe, que tem como principal objetivo formar campeões.

Parece que esse sentimento se espalhou pela cidade. Hoje recebi um comunicado do assessor da academia, confirmando que já há lista de espera para treinar com a supervisão de John McEnroe. Já são mais de 400 alunos treinando na John McEnroe Tennis Academy, com idades entre 06 e 16 anos.

Um dos segredos do sucesso, de acordo com Mark McEnroe, irmão de John e Patrick e Diretor da academia, está na proposta de trabalho, que não prevê que as crianças deixem suas casas para treinarem e aposta na variedade de atividades para trabalhar a mente, além do tênis. Veja a declaração dele no comunicado que recebi hoje.

“Parents have told us that the balance we offer between tennis, fitness and encouraging kids to follow their educational goals, has made a big difference, and combined with a state-of-the-art facility, easy access from anywhere in the tri-state area  and our team of world class teaching professionals, we have a unique approach that we know will be successful over time.”

Bem, a minha visita, durante o US Open, virou uma matéria para Tennis View, publicada na edição 108, que reproduzo aqui e que mostra mais detalhes do complexo de John McEnroe.

John McEnroe que formar novos campeões 

Ele tem sete títulos de Grand Slam, foi número um do mundo, joga o Champions Tour, o World Team Tennis (WTT), é um dos comentaristas esportivos mais respeitados da televisão, é casado com Patty Smith, tem seis filhos e agora quer formar campeões.

Aos 51 anos de idade, John McEnroe inaugurou há dois meses a John McEnroe Tennis Academy, em Randall’s Island, a poucos minutos de Manhattan. Uma academia de tênis, em parceria com o grupo Sportimes, com o objetivo de ver o tênis renascer em Nova York, cidade onde ele nasceu, e formar campeões.

Sem um americano entre os top 10, pela primeira vez, desde 1973, a ideia de McEnroe ganha ainda mais força.

A academia não é simples, nem luxuosa. Tem 20 quadras de tênis, 10 de har-thru e 10 rápidas, espaço para montar arquibancadas provisórias, vestiários e sala de ginástica bem equipada. Há uma lanchonete, uma pro-shop e os escritórios.

As quadras todas podem ser cobertas, com o que eles chamam de “bubble,” para que os treinamentos não parem no inverno.

Há programas para todos os tipos de tenistas e idades. Desde aqueles que querem ter apenas meia hora de aula por semana, passando pelos que desejam alugar quadra, ou ter aulas em grupo. Os níveis de treinamento, excluindo o competitivo, variam do iniciante ao avançado, até o cardio tennis, com treinos específicos para adultos e para crianças com idades de 2 a 5 anos.

Para participar de qualquer um destes programas é necessário ser membro da academia e o título, individual ou familiar sai por U$ 500. O que varia são as taxas mensais que custam aproximadamente U$ 65 por pessoa. Adolescentes e jovens até 22 anos entram no programa Junior, em que o título sai por U$ 100. Os treinamentos custam entre U$ 3,6 mil e U$ 4,8mil, por 34 semanas.

Durante as férias há ainda o que eles chamam de “Summer Camps,” com clínicas semanais para diferentes grupos de crianças.

A academia fornece transporte de ida e volta do centro de Manhattan e não prevê hospedagem para os atletas.

“Não queremos transformar a academia em um centro como o do Nick Bollettieri. Não queremos que as crianças saiam de casa para treinar tão cedo. Elas devem ter uma infância e adolescência normal,” explica o Diretor Técnico, Gilad Bloom, um israelense, ex-profissional da ATP, que chegou a ser o 43º no ranking mundial e que McEnroe escolheu para implantar o sistema de treinamento.

A visão de John, que encarregou o irmão do meio, Mark, de administrar a academia, é de que as crianças e os jovens façam de tudo um pouco, até para desenvolver outras áreas da mente que depois possam ser úteis no tênis. “É uma maneira de evitar o burn-out,” diz Bloom.

“Essa academia é um sonho antigo do John,” conta o advogado Mark. “Muita gente tem dúvida se ele vai realmente estar presente, mas quando John se envolve em algo é sério e ele quer muito ver isso dar certo.”

As 728 crianças que participam do programa de treinamento da JMTA diariamente praticam algum outro esporte, podendo ser o futebol, baseball ou xadrez.  “Não queremos tenistas unilaterais. Eles tem que abrir a mente,” disse McEnroe à New Yorker, na inauguração do seu espaço.

O próprio John desenvolveu o seu tênis perto de casa, na extinta Academia de Port Washington, do australiano Harry Hopman, seu mentor e chegou a cursar um ano de tênis universitário, em Stanford, antes de optar pelo profissionalismo.

Com uma agenda atribulada, Gilad e Mark é quem tocam a academia no dia a dia. Mas, é John quem contrata os treinadores pré-selecionados por Bloom e está presente frequentemente para olhar os jogadores e bater bola com eles.

“O teste de admissão aqui é feito em quadra. O John bate-bola com os treinadores e depois joga um set com eles. Só depois decide se contrata ou não,” conta Bloom.

Entre os treinadores só há ou ex-profissionais de nível ou tenistas que jogaram tênis universitário em alguma faculdade da Divisão I da NCAA. “O nível de educação é importante,” ressalta o israelense.

“Quando John está em quadra com as crianças, nós usamos o cérebro dele. É a nossa missão, quando ele está aqui, de anotar tudo o que ele está observando e implantar nos dias que se seguirem, porque quando ele voltar, ele vai cobrar.”

Foi o próprio John que recrutou as crianças que ganharam bolsas de treinamento, em um dia inteiro de testes na JMTA.

Os grupos de treino são dividos em quadra, de acordo com o nível e idade, mas a base do método é a mesma, com ênfase na técnica, disciplina e experiência. “Não adianta você fazer 2 mil drills por dia e não jogar sets. Só jogando sets você vai fortalecer a sua mente.”

Entre tantas crianças que já estão treinando na academia, há uma que mais chama a atenção, o menino de 12 anos, Alex Kovacevic. “Os pais não queriam que ele fosse morar na Flórida ou no Texas e faziam questão que continuasse tendo uma boa educação,” relata Bloom.

“Se daqui a um tempo conseguirmos ter um top 10, estivermos encaminhando jogadores para o profissionalismo e para a universidade, teremos sucesso.”

(DG e NA)

Crédito das fotos: CameraWork e Tennis View

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