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A incrível temporada de Nadal terminará no topo do ranking mundial

Lembro no começo do ano aqui mesmo no Brasil, no Ginásio do Ibirapuera, de ouvir várias pessoas ligadas ao tênis e com conhecimento do esporte comentando: “Ih, o Nadal está bichado.” “ Acabou. Não volta mais.” “Nadal já era.” Não, ele não estava bichado. Ele não acabou. Ele ainda é e ele voltou da melhor maneira possível, da maneira que nem ele imaginava, terminando a temporada 2013 como número um do mundo.

Nadal number one

Aprendi ao longo dos anos, vendo de perto e observando de longe, que dos grandes campeões não se pode duvidar.

Nadal, desde o seu primeiro dia de volta ao circuito, em Vinã del Mar, não escondeu nada de ninguém.
Falou claramente que não havia desaprendido a jogar tênis, mas que ainda sentia dores, que estava com dificuldade de movimentação e que ainda ia demorar um pouco para voltar ao normal.

Foi um choque enorme para os amantes do tênis a derrota para Horacio Zeballos naquela final de Viña del Mar. Virou notícia no mundo todo, mas Nadal estava se sentindo no lucro. Afinal tinha feito 4 jogos durante a semana.

Durante o Brasil Open o espanhol não jogou bem. Sentiu dores, não se adaptou muito às condições de jogo na capital paulista, mas mesmo assim, diante de adversários de menor expressão chegou à decisão para fazer a melhor partida da semana e vencer David Nalbandian.

De São Paulo, Nadal foi para Acapulco e no balneário mexicano começou a jogar melhor. Fez uma das partidas que mais deu confiança, segundo ele, de que estava no caminho certo e voltando a jogar o seu melhor tênis, ao arrasar David Ferrer na decisão e conquistar o segundo trofeu consecutivo.

Nadal Sao Paulo

Com os bons resultados e se sentindo bem, Nadal decidiu jogar Indian Wells – ele ainda tinha dúvidas no início do ano se estaria pronto para jogar na Califórnia, na quadra rápida. A decisão foi acertadíssima. Ele ganhou de Roger Federer, Toma Berdych e Juan Martin del Potro para vencer mais uma vez em Indian Wells.

O espanhol já havia decidido pular o Masters 1000 de Miami e foi para casa descansar antes da temporada de saibro na Europa começar.

Nadal chegou perto de vencer o Masters 1000 de Monte Carlos pela 9ª vez seguida, mas foi parado por Novak Djokovic na final.

Dali em diante Nadal não perdeu mais nenhum jogo no saibro.
Ganhou, na sequência, o ATP World Tour 500 de Barcelona, os Masters 1000 de Madri e Roma e Roland Garros pela 8ª vez em 9 participações, se tornando o primeiro jogador da história a vencer o mesmo Grand Slam tantas vezes.

Nadal French Open 2013Veio Wimbledon e Nadal acabou fazendo apenas um jogo na grama. Perdeu na estreia para Steve Darcis e ao que parece as duas semanas que ele ficou em casa descansando, se recuperando e se preparando para a temporada de quadras rápidas nos Estados Unidos foram fundamentais para ele conquistar o Masters 1000 do Canadá, o Masters 1000 de Cincinnati e o US Open.

Ganhou nas finais, respectivamente, de Milos Raonic, John Isner e Djokovic.

Tantas vitórias já o colocaram mais próximo do número um Djokovic.

Nadal ainda seguiu do US Open para a Copa Davis, no saibro, na Espanha e depois foi para a Ásia jogar o ATP World Tour 500 de Beijing e o Masters 1000 de Xangai.

Nadal US Open champion

Foi vice-campeão em Beijing – perdeu para o seu maior rival hoje em dia, Djokovic e em Xangai caiu na semi. Perdeu para Del Potro.

Depois da Ásia, Nadal resolveu deixar de lado a participação no ATP World Tour 500 de Basel e se preparar para as 2 últimas semanas do ano, em que sabia que teria chances de terminar a temporada como número 1.

Ele foi à semifinal em Paris, send superado por David Ferrer e nesta semana, em Londres, só precisava de 2 vitórias para garantir o número um. Foi o que ele consolidou hoje, depois de ter estreado com vitória diante do conterrâneo espanhol e de ter ganhado de Wawrinka hoje.

O feito de Nadal de voltar ao topo do ranking mundial e terminar um ano que para ele começou sem a participação em um Grand Slam, como número um do mundo, se olharmos para a história. Nenhum jogador, até hoje, tinha terminado um ano como número um, perdido o posto e voltado duas vezes para encerrar a temporada como o melhor do mundo.
Nadal chegou ao topo do ranking mundial pela primeira vez em 2008 e ficou 46 semanas seguidas liderando o ranking. Perdeu a posição e recuperou em 2010, quando dominou o esporte por outras 56 seminas, terminando a 2ª temporada da carreira como o rei do tênis. Agora encerra a sua 3ª temporada no topo da listagem da ATP.

Como curiosidade, é o 10º ano seguido que o número um fica com Federer, Nadal ou Djokovic ao final de um ano.

A lista de todos os tenistas que terminaram a temporada como número um do mundo

 

ATP WORLD TOUR YEAR-END NO. 1  
     
Year Player  
2013 Rafael Nadal (Spain)
2012 Novak Djokovic (Serbia)
2011 Novak Djokovic (Serbia)
2010 Rafael Nadal (Spain)
2009 Roger Federer (Switzerland)
2008 Rafael Nadal (Spain)
2007 Roger Federer (Switzerland)
2006 Roger Federer (Switzerland)
2005 Roger Federer (Switzerland)
2004 Roger Federer (Switzerland)
2003 Andy Roddick (U.S.)
2002 Lleyton Hewitt (Australia)
2001 Lleyton Hewitt (Australia)  
2000 Gustavo Kuerten (Brazil)    
1999 Andre Agassi (U.S.)  
1998 Pete Sampras (U.S.)  
1997 Pete Sampras (U.S.)  
1996 Pete Sampras (U.S.)  
1995 Pete Sampras (U.S.)  
1994 Pete Sampras (U.S.)  
1993 Pete Sampras (U.S.)  
1992 Jim Courier (U.S.)  
1991 Stefan Edberg (Sweden)  
1990 Stefan Edberg (Sweden)  
1989 Ivan Lendl (Czech Republic)  
1988 Mats Wilander (Sweden)  
1987 Ivan Lendl (Czech Republic)  
1986 Ivan Lendl (Czech Republic)  
1985 Ivan Lendl (Czech Republic)  
1984 John McEnroe (U.S.)  
1983 John McEnroe (U.S.)  
1982 John McEnroe (U.S.)  
1981 John McEnroe (U.S.)  
1980 Bjorn Borg (Sweden)  
1979 Bjorn Borg (Sweden)  
1978 Jimmy Connors (U.S.)  
1977 Jimmy Connors (U.S.)  
1976 Jimmy Connors (U.S.)  
1975 Jimmy Connors (U.S.)  
1974 Jimmy Connors (U.S.)  
1973 Ilie Nastase (Romania)  

 

 

 

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E a corrida voltou a ser corrida e Paris a ser um Super Masters 1000

Logo que a Corrida dos Campeões foi lançada, no ano 2000, através de uma parceria que terminaria rapidamente com a ISL, a ATP quase a tornou mais importante do que o ranking. Por acaso, o Guga foi o primeiro vencedor da Corrida dos Campeões naquele ano 2000 e nós nos acostumamos a divulgar a corrida semanalmente e acompanhar a mesma. Era uma Corrida. Havia até trofeu para ela.

Gasquet ATP FINALSMas, logo a estratégia de marketing mudou e a ATP parou de dar importância à Corrida. Mas, ela sempre esteve lá. Afinal, precisam de um método para determinar os 8 classificados para o ATP World Tour Finals.

O que aconteceu nos últimos anos também foi que a Corrida, com o domínio total de Federer, ou Nadal, ou Djokovic, perdeu um pouco a graça.

Além disso, um deles acabava garantindo o posto de número um do mundo antes das últimas semanas do ano e nada mais importava.

O Masters 1000 de Paris, que nas últimas temporadas andou sofrendo com a mudança de calendário, inserção de Masters 1000 asiático, ou até mesmo com o ATP Finals disputado na Ásia, voltou a ser relevante neste 2013.

Se no ano passado a final foi entre Jerzy Janowicz e David Ferrer, Nadal não jogou, assim como Federer e Murray e Djokovic foram eliminados na primeira rodada, desta vez o diretor do torneio Guy Forget, só tem a comemorar.

Federer atp finals

Os oito classificados para o ATP Finals, em Londres, na semana que vem, jogarão as quartas-de-final em Bercy nesta sexta.

A situação do Masters 1000 francês estava tão complicada – nos anos anteriores sempre um dos tops deixou de participar – que o tradicional torneio fez pressão para mudar o calendário e exigiu a semana de intervalo entre o campeonato e o ATP Finals de volta.

cas_1179  nadal paris

A corrida que já não era interessante, voltou a ganhar destaque especialmente pela classificação no último minuto de Roger Federer. Sem falar que ao chegar em Paris, três das oito vagas ainda estavam em aberto e só foram completamente definidas agora: Nadal, Djokovic, Ferrer, Del Potro, Berdych, Federer, Gasquet e Wawrinka (Murray está lesionado) estarão em Londres na semana que vem e também em ação amanhã no Palais Omnisport de Paris Bercy.

Ainda está em jogo a definição do número um do mundo de 2013. Nadal ou Djokovic? A corrida ainda não terminou.

Esperamos um ATP Finals bem diferente do WTA Championships em Istambul, em que Serena Williams dominou a temporada, assegurou o número um bem antes de desembarcar na Turquia e só perdeu alguns games por lá por causa do cansaço.

Adoramos ver Federer, ou Nadal, ou Djokovic ganhando tudo. Mas, um pouco de emoção e principalmente competição,  é o que todo fã quer.

 

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Guga: 43 semanas de história

A ATP veio até o Brasil nesta semana para lançar a campanha HERITAGE, que resgata a história do esporte e que neste primeiro momento está homenageando os 16 únicos tenistas que terminaram uma temporada como número um do mundo e entre eles está Gustavo Kuerten.

Já escrevi sobre a campanha e os feitos de Guga quando anunciaram a campanha, em fevereiro e há algumas semanas, quando o livro HERITAGE ficou pronto.

Acho que assim como o Guga, quanto mais passam os anos mais vou tendo a dimensão do que significava cada momento que vivemos. Muitas vezes quando estamos tão envolvidos com algo, é difícil fazer uma pausa e olhar de fora.

O evento hoje, na Sede dos Correios, em São Paulo, com a presença do brasileiro Chief Player Officer da ATP, Andre Silva e Guga, além de um representante da empresa de correios e telégrafos, serviu para isso. Não que nestes anos eu não tivesse parado para pensar e passar um filme na minha cabeça, afinal eu vivi bem de perto cada uma destas 43 semanas dele reinando no topo do ranking mundial.

Quando o André Silva começou a falar que um dos principais motivos da campanha Heritage era resgatar a história do esporte e quando o Guga começou a relatar os momentos marcantes das 43 semanas no topo, realmente veio um filme na cabeça.

Claro que o auge destas semanas foi a conquista em Lisboa, vitória sobre Sampras e Agassi, na sequência e ainda fazer o discurso em português. GugaAgassi

Depois Guga lembrou que logo no início de 2001 perdeu a liderança para o Safin, no Australian Open, o Grand Slam que ele tem o pior desempenho da carreira até hoje.

Poucas semanas depois ele viria recuperar a coroa, ganhando de um argentino – Jose Acasuso – na final do ATP de Buenos Aires e com todo o Buenos Aires Lawn Tennis Club aplaudindo de pé. Foi uma semana especial mesmo na capital argentina. Lembro que todos da equipe éramos parados para falar com fãs, jornalistas, organizadores, mostrando que o Guga havia ultrapassado qualquer barreira da rivalidade Brasil x Argentina. Lembro que o Raí apareceu pelo torneio também. Guga Buenos Aires

Para Guga outro momento marcante foi chegar em Roland Garros como número um do mundo, cabeça-de-chave 1 e defender o título do Grand Slam. “Foi um marco na minha carreira.”

Guga Roland Garros trophy

As semanas continuavam vitoriosas. O meu trabalho não parava, nem mesmo na temporada de quadra rápida.

Guga estava jogando o melhor tênis da carreira. Fez inúmeros jogos na América do Norte e como ele lembrou, fez o último grande jogo como número um no US Open, contra o Max Mirnyi, em uma partida que terminou de madrugada.

Ele ainda tentou se manter na liderança, mas o quadril já começava a incomodar bastante e em Sidney, na Masters Cup, jogando no indoor, na terra de Lleyton Hewitt, em vez de ser no saibro, no Brasil, como estava previsto e não aconteceu por falta de local, o número um foi para o australiano.

Veja abaixo as 43 semanas de história, com os resultados de Guga na temporada. É impressionante olhar para o calendário do ano todo e ver praticamente só número 1.

Só lamento não ter mais fotos minhas em mãos para postar. Estava conversando com um jornalista hoje no evento, que também estava em Lisboa, que acho que estávamos realmente tão envolvidos com o trabalho que nem foto direito tiramos! Até tenho algumas fotos impressas, mas está duro de saber onde estão.. Pelo menos tem esta da comemoração da vitória sobre o Mirnyi no US Open.

Guga US Open Max Mirnyi

 

19.11.2001       2 3 derrotas na Masters Cup Sydney

12.11.2001       1

05.11.2001       1 3ª rodada Paris

29.10.2001       1 Derrota estreia Basel

22.10.2001       1 Derrota 2ª rodada Stuttgart indoor

15.10.2001       1 Derrota estreia Lyon

08.10.2001       1

01.10.2001       1

01.10.2001       1

24.09.2001       1

17.09.2001       1 Derrota estreia Brasil Open

10.09.2001       1 Quadrifinalista US Open

27.08.2001       1

20.08.2001       1 Vice Indianápolis

13.08.2001       1 Campeão Cincinnati

06.08.2001       1 3ª rodada Montreal

30.07.2001       1 Semifinalista Los Angeles

23.07.2001       1 Campeão Stuttgart

16.07.2001       1

09.07.2001       1

25.06.2001       1

18.06.2001       1

11.06.2001       1 Campeão Roland Garros

28.05.2001       1

21.05.2001       1 Derrota estreia Hamburgo

14.05.2001       1 Vice-campeão Roma

07.05.2001       1

30.04.2001       1

23.04.2001       1 Campeão Monte Carlo

16.04.2001       2

09.04.2001       2 Copa Davis Brasil x Austrália

02.04.2001       2 3ª rodada Miami

19.03.2001       1 3ª rodada Indian Wells

12.03.2001       1

05.03.2001       1 Campeão Acapulco

26.02.2001       1 Campeão Buenos Aires

19.02.2001       2

12.02.2001       2 Copa Davis

05.02.2001       1

29.01.2001       2 Derrota 2ª rodada do Australian Open

15.01.2001       2

08.01.2001       2

18.12.2001       1

11.12.2001       1

04.12.2001       1 Campeão Masters Cup

27.11.2000       2

20.11.2000       3 semifinalista do Masters 1000 de Paris

Gustavo Kuerten Book Pages

 

Fotos de Cynthia Lum

 

 

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ATP lança livro comemorativo aos nos.1 e Guga, é claro, é destaque – com relato inédito

A ATP lançou oficialmente neste sábado, em Wimbledon, como parte da campanha Heritage, o livro comemorativo aos 40 anos da instituição do ranking e dos números um, com espaço apenas para aqueles que terminaram uma temporada no topo da listagem. E entre apenas os 16 anos, é claro, está Gustavo Kuerten.

Gustavo Kuerten number 1

Guga, assim como os apenas outros 15 tenistas (Ilie Nastase, Jimmy Connors, Bjorn Borg, John McEnroe, Ivan Lendl, Mats Wilander, Stefan Edberg, Jim Courier, Pete Sampras, Andre Agassi, Guga, Lleyton Hewitt, Andy Roddick, Roger Federer, Rafael Nadal e Novak Djokovic) que terminaram um ano (desde 1973 até hoje), no topo do ranking, ganhou 2 páginas no livro, com história e fotos marcantes.

O texto de Guga foi escrito por Peter Bodo – ele e Neil Harman se dividiram para fazer os 16 perfis – e para a minha surpresa, provavelmente mais mérito do Guga do que do repórter, li algo que durante os meus 15 anos de trabalho com o tricampeão de Roland Garros, nunca soube. E olha que isso é muito raro.

Guga relata no livro que quando tinha 15 anos de idade e foi a Roland Garros pela primeira vez, foi ao museu do Louvre. Lá viu um quadro, comprou o cartão postal da pintura e mandou para a mãe Alice, com o seguinte recado: “Esse não é um quadro normal e eu não sou um jogador normal; sou um tipo diferente e um dia eu serei número do mundo.”

Guga depois contaque não esperava ser número um, não pensava nisso, mas mesmo assim escreveu o postal. Claro que Dna. Alice ainda guarda o cartão até hoje.

kuerten number one

O texto segue contando um pouco a história de Guga, enaltece Larri Passos, passa por Roland Garros e claro que chega a Lisboa para contar o que todos nós já sabemos, mas que é sempre especial relembrar. Fico aqui pensando hoje, que se Safin tivesse vencido mais um jogo (era o que ele precisava) e Guga perdido qualquer uma das suas partidas depois da derrota para o Agassi, não estaríamos aqui falando sobre isso hoje e teríamos o nome de Marat Safin ao lado do ano 2000 no trofeu. Mas ele venceu e ganhou de Sampras e Agassi na sequência para chegar ao topo do ranking mundial e se tornar o primeiro tenista sul-americano a terminar uma temporada como número um do mundo. trofeu numero um do mundo atp

Aliás, a imagem do trofeu de número um do mundo, que passou agora a ser chamado de trofeu Brad Drewett, em homenagem ao CEO da ATP que faleceu neste ano, é de arrepiar, com os nomes de todos os tenistas que terminaram a temporada no auge.

Para quem quiser ter uma ideia do que encontrar no livro, além de Guga, é claro, aqui estão as páginas do Djokovic e do Sampras.

Por enquanto ele está sendo vendido na Tennis Warehouse, por  U$ 29,90.

No 1 Sampras No 1 Djokovic

 

 

 

 

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ATP celebra 40 anos de ranking e celebra os 16 da Elite, com Guga entre eles

A ATP iniciou nesta semana, em Dubai, as comemorações dos 40 anos da instituição do ranking com uma grande campanha chamada HERITAGE – herança, para resgatar os heróis do nosso esporte. São em eventos como este que damos ainda mais valor ao feito do Guga.

Kuerten number one ATP

A entidade não resgata apenas todos os 25 tenistas que chegaram ao topo do ranking mundial, mas destaca e valoriza os apenas 16 tenistas que terminaram uma temporada como número um do mundo. Guga está entre eles.

Fotos com mini textos sobre os tenistas que conseguiram encerrar um ano no topo do ranking ilustram a campanha do que eles chamam de os 16 da Elite. O nome de Guga aparece com o de Federer, Djokovic, Nadal, Roddick, Hewitt, Agassi, Sampras, Courier, Edberg, Wilander, Lendl,McEnroe, Borg, Connors e Nastase.

Um vídeo de pouco mais de 4 minutos mostra imagens dos tenistas número um do mundo. Guga aparece em diversos momentos, entre entrevistas de tenistas que terminaram a temporada como número um do mundo e outros tenistas apenas com a legenda, ex-número um do mundo. Nomes como o de Boris Becker e Patrick Rafter, por exemplo, aparecem nesta segunda lista.

Confesso que vendo a campanha, me pergunto. Como nunca usei isso nos tantos anos que trabalhei com o Guga. Sempre destacamos o fato de ter sido o primeiro sul-americano a terminar o ano como número um do mundo, o nome dele entre tantos grandes e o dele ter ficado 43 semanas no topo. Na época e até ele se aposentar, em junho de 2008, estes 16 eram apenas 14… Grande ideia deles. Não sei o que os tenistas que não terminaram o ano no topo, mas chegaram ao posto de número um, como Safin, Rafter, Moyá, Muster, entre outros, acharam.

Como Guga chegou ao topo do ranking, com quase nenhuma chance, em Lisboa, na Masters Cup, é inesquecível. Tinha tudo para não acontecer – Safin precisava de apenas uma vitória e Guga não podia perder. Safin perdeu e Guga ganhou todos os jogos.

Imagens e momentos que não saem jamais da minha mente.

Ele chegou ao topo e se tornou o primeiro sul-americano a encerrar uma temporada como número um do mundo. Permaneceu, no total, 43 semanas como o Rei do Tênis. Só perdeu a coroa, no fim do ano, em Sydney, para o anfitrião da Masters Cup, Lleyton Hewitt.

Todo mundo que estava naquele Pavilhão Atlântico, naquela semana e naquele dia, se lembra das cenas, dos golpes, da tensão, da comemoração. Quem não estava lá, imagino, que como em grandes e raros momentos de glórias do nosso esporte, saiba onde assistiu o jogo e viu o Guga erguer o trofeu de número um do mundo. A ATP, com a nova campanha, resgata estes momentos e nos faz lembrar do que já pudemos nos orgulhar.

A frase destaque da página web criada para o ATP HERITAGE programa, diz tudo.

“É uma rara conquista, alcançada apenas pelos campeões, pelas lendas do nosso esporte, depois de um ano brutal, um teste de atleticismo, técnica, endurance e força mental: permanecer sozinho e vitorioso, no ranking do fim da temporada, como número um do mundo”

“It’s a rare achievement attained only by the legendary champions of our sport after a brutal year-long test of athleticism, technique, endurance and mental strength: To stand alone and victorious at year’s end as ATP World Tour No. 1.”

Coloco aqui a lista de todos os números do um mundo, com o  vídeo – “Veja o que é preciso fazer para ser número um do mundo”

Ilie Nastase

John Newcombe

Jimmy Connors

Bjorn Borg

John McEnroe

Ivan Lendl

Mats Wilander

Stefan Edberg

Boris Becker

Jim Courier

Pete Sampras

Andre Agassi

Thomas Muster

Marcelo Rios

Carlos Moyá

Yevgeny Kafelnikov

Patrick Rafter

Marat Safin

GUSTAVO KUERTEN

Lleyton Hewitt

Juan Carlos Ferrero

Andy Roddick

Roger Federer

Rafael Nadal

Novak Djokovic

 

 

 

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Antes do Hall da Fama, lembranças de uma carreira ao lado do Guga

A semana é especial para o tênis brasileiro, para o Guga e também pra mim. Desde que foi anunciada a entrada de Guga para o Hall da Fama venho recebendo e-mails e telefonemas de jornalistas e comentaristas com pedidos de informações antigas, fotos e para contar histórias dos meus mais de 10 anos de trajetória com o Guga pelo mundo. Tive que abrir arquivos, HDs externas, encontrei muitas fotos, tenho todos os press releases que escrevi, e muita matéria bacana que eu guardei. 

Durante a semana toda fui obrigada a buscar mais coisas ainda e fiquei lembrando de momentos marcantes, mas não nas quadras e sim para mim, como profissional.

Se fosse descrever todos ficaria dias e dias para contar todas as histórias, entrevistas, coletivas, correria e também diversão. Afinal, apesar de todo o stress que era ter que atender a imprensa nacional e internacional, escrever e enviar os releases, atualizar site, organizar as entrevistas, entrar e sair de avião toda semana, os jogos, a comunicação com os patrocinadores e muito mais, eu fazia tudo com muito prazer e profissionalismo.

Mas, algumas histórias ficam marcadas mais do que as outras. Assim como o Guga lembra de cada detalhe de cada jogo, lembro de cada detalhe de cada ação de aparição em evento ou de patrocinador, e de cada entrevista. Até de emails e / ou fax trocados eu lembro.

Talvez, depois de Roland Garros 97, que foi uma surpresa para todo mundo e eu tinha que explicar para o mundo quem era o Guga, contar sobre a família, a avó, Florianópolis, etc e para o Brasil tinha que explicar o que era Grand Slam, game, saibro, quadra rápida, de grama, como funcionava o ranking, etc, o ano mais emblematico em termos de mídia internacional tenha sido o de 2001.

Foi em 2001 que o Guga ganhou reconhecimento na terra dos reis do marketing, os Estados Unidos.

O ano começou com ele no topo, depois de ter derrotado Sampras e Agassi na sequência na Masters Cup de Lisboa em dezembro do ano 2000, chegou ao auge com o título de Roland Garros, o terceiro deles, em junho. A temporada de quadras rápidas continuou com as vitórias do Guga e quando chegou o US Open, Guga era o cabeça-de-chave 1 do Grand Slam, em Nova York e até Goran Ivanisevic apontava o brasileiro como favorito.

Era a época da “Guga Mania.” Nestas buscas encontrei uma matéria muito legal, escrita antes do US Open começar, pelo Doug Smith – não é o Doug Robson que escreve hoje em dia – no USA Today.

Lembro que o Doug, hoje aposentado, fez a maioria das entrevistas num evento na Times Square, em que a HEAD reuniu o Guga, o Agassi e o Goran, os três campeões de Grand Slam daquele ano. 

Esse talvez tenha sido um dos eventos mais bacanas que o Guga fez durante um torneio. A cada evento tínhamos que combinar a agenda dele de treinos e jogos com pedido dos patrocinadores e do torneios para eventos, aparições, autógrafos, etc.

Naquele verão americano, Guga gravou propagandas de televiseo para a USA Networks, que na época detinha os direitos de transmissão do US Open e deu entrevista atrás de entrevista, quando era possível.

 

Lembro que a ATP tentou de todas as maneiras convencê-lo, junto comigo, de participar de uma sessão de fotos para a Sports Illustrated Swimsuit issue, mas ele não topou. Foi mais uma daquelas situações em que tudo o que eu queria era que ele dissesse sim, mas não consegui fazê-lo mudar de ideia.

Alguns meses antes, em Barcelona, o jornal La Vanguardia fez uma matéria bem legal comigo, que guardo até hoje. Na época, não dava muita importância para isso. Era entrevistada sobre o Guga a toda hora. Essa minha profissão era meio novidade no circuito. Hoje vejo que deveria ter guardado muito mais jornais do que guardei.

As voltas para casa depois de grandes campanhas, especialmente as de Roland Garros, eram sempre uma loucura. Todo mundo querendo colocar o Guga em carro de bombeiro e ele se recusando. Inúmeros programas de televisão querendo a presença dele e ele querendo uns dias de descanso para depois retomar os treinos com o Larri – Passos – e continuar na busca por mais títulos.

Parece fácil, mas organizar a agenda dele não era brincadeira não. Gravar comerciais para patrocinadores, treinar, fazer preparação física, entrevistas, viagens, num circuito que tinha um mês ou até menos de folga para quem jogava o Masters, era quebra-cabeça dos mais complicados.

Talvez o momento mais complicado de todos, em termos de comunicação, tenha sido a época do desgaste olímpico com o COB, nas Olimpíadas de Sidney, no ano 2000. Foram dias de angústia, com o empresário do Guga, Paulo Carvalho tentando negociar com o COB a ida dele a Sidney, sem ter que usar o uniforme do patrocinador olímpico, jogando de branco, como havia sido previamente acordado e depois modificado e o Guga querendo jogar, mas não podendo descumprir contrato. Dias de angústia, Guga não querendo dar entrevista, eu escrevendo um texto falando que ele não ia aos Jogos Olímpicos, o Jornal Nacional me ligando, até que à noite o COB voltou atrás e aceitou que o Guga jogasse de branco. Correria. Viagem para Florianópolis para entrevista coletiva de urgência, antes do embarque para Sidney.

Fora esse momento mais dramático, para mim, mais dramático do que as cirurgias e lesões, me orgulho do trabalho feito. Disse não pra muita, muita gente, mas nunca deixei de dar informação e atender a todos e organizar, com nível internacional, as entrevistas e aparições dele. Até hoje o pessoal me contata, inclusive, mais de fora do que aqui.

Tem duas entrevistas que me orgulho muito do Guga ter feito, a da Marília Gabriela, que ele demorou uns 7 anos para aceitar encarar a jornalista e a com o Juca Kfouri, em que o repórter foi até Camboriú entrevistar o Guga.

Já no final, antes da despedida em Roland Garros, foi especial levar o Guga ao Jornal Nacional, para sentar na bancada ao lado da Fátima Bernardes e do William Bonner. Até então apenas o Presidente Lula e o Parreira haviam participado do JN ao vivo, com eles. 

Enfim, foram anos e anos de muitas histórias que serão relembradas neste sábado, em Newport!

PS – tem as entrevistas que fizemos e nunca saíram com as páginas amarelas da Veja, mas o momento é de comemoração…

 

 

 

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