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Tsonga prova em Wimbledon que mudança de atitude, força mental e alegria fazem a diferença

Gostaria de ter escrito esse post sobre o Tsonga ontem, mas como já não estou mais em Wimbledon e às vezes as idas e vindas de uma cidade para outra na Europa acabam demorando mais do que o imaginado – isso não é uma reclamação – só consegui me conectar novamente quando já era muito tarde.

Desde a metada do jogo estava pensando no poema do Kipling que postei ontem no blog, que fala de batalhas, de erguer a cabeça mesmo na derrota e de se levar ao limite. O jogo de ontem foi um pouco assim. Federer reconheceu a derrota. Achou que jogou o seu melhor e mesmo assim perdeu. Tsonga, derrubou o inimigo maior  e com a alegria natural, relaxamento em quadra, foi além. Ganhou de Federer no “jardim dele.”


Esse jogo certamente será analisado por psicólogos – tenho certeza que nosso colunista na Tennis View Dietmar Samulski já está analisando o lado mental da partida – e por todos que acreditam que o mental é mesmo o mais importante no tênis.

Há algumas semanas venho acompanhando o novo desenvolvimento do Tsonga, especialmente depois que ele resolveu ficar sem técnico (desde meados de maio), pela primeira vez em sete anos. Parece que esse novo jeito de levar o tênis, mais alegre e menos estressante como ele mesmo disse na coletiva – “antes qualquer coisa me estressava. Se o carro atrasava, se o pessoal no meu box não me motivava o suficiente, tudo era motivo para eu reclamar e olha que vida maravilhosa eu tenho, então resolvi relaxar -” fez os resultados aparecerem. “Sinto mais liberdade, mais alegria,” e isso sempre faz a diferença.

“A mudança começou com a vitória sobre Nicolas Almagro em Madri, depois veio a vitória sobre Rafael Nadal, em Queen’s onde ele ficou com o vice-campeonato, perdendo para Murray na final e agora veio a vitória sobre Federer,” me elembrou um jornalista amigo do L’Equipe.

Foi essa tranquilidade e liberdade para soltar o braço, mais a alegria e a sensação de estar num momento especial, acima da zona normal, que surpreendeu os grandes nomes do esporte.

Ontem em Wimbledon, Goran Ivanisevic chegou a comparar Tsonga a Becker. “Ele é grande, forte e nunca teve medo de arriscar. “

O próprio Becker felicitou o francês: “Ele jogou sem medo, usando as suas melhores armas, a direita e o saque e um pouco de tudo mais que ele tem. Ele usa muito também as emoções e quando você as usa e tudo vai bem, é difícil te pararem.”

Se Tsonga vai chegar à final, derrotar Djokovic e depois passar pelo vencedor de Murray e Nadal ninguém sabe, mas o que ele provou é que uma mudança de atitude, uma mudança mental, claro que aliada a um jogo de altíssima qualidade, podem realmente mudar o curso da história. 

Por falar em alegria, olha a  capa do L’Equipe de hoje – “Que Alegria,” diz a manchete com as fotos do Tsonga. Capa 100% dele.

 

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Federer e Nadal transcendem rivalidade nas quadras

Roger Federer e Rafael Nadal disputam nesta terça e quarta dois jogos, um na Suíça e outro na Espanha, com o objetivo de arrecadar fundos para as Fundações de ambos.

Desde que recebi o primeiro comunicado sobre o jogo – a princípio seria apenas em Zurich – em agosto, achei a ideia muito bacana, de ver os dois “grandes rivais” dos últimos anos no tênis, se unindo, no meio das férias e pré-temporada para fazer um jogo desses, o Match For Africa. Quando chegou a notícia de que Federer também iria a Madri para jogar com Nadal, ficou melhor ainda.

É incrível ver como profissionalmente os dois atletas se dão bem e são de altissimo nível, dentro e fora da quadra.  Não vamos dizer que sejam amigos, daqueles que se falam ao telefone diariamente, mas tem um respeito enorme um pelo outro e sabem da força que tem no esporte e o que podem trazer de benefícios para as próprias imagens, para o tênis, para as fundações, etc..

Não vamos colocar estas partidas na lista de “Encontro Diretos (Head to Head)” deles, afinal os jogos são em outro momento e uma maneira mais relaxada deles se encontrarem com o público. Esperamos muito mais um espetáculo – na Espanha haverá show de música também – do que uma final de ATP World Finals.

Fico aqui tentando lembrar que outro par de tenistas conseguiu extender a “rivalidade” em quadra para muito além do ranking e dos troféus de Grand Slam e não consigo imaginar.

Essa época do ano também é momento de muitos jogos exibição nos Estados Unidos. São inúmeros, mas nada que se compare a essas mega produções que estão sendo feitas em Zurich e em Madri.

A lista de patrocinadores é imensa, muitos são os próprios patrocinadores dos jogadores e os ingressos, para o jogo da Caja Magica, em Madri, foram vendidos em menos de seis horas. Estilo show de rock. Sem falar que os jogos serão transmitidos em muitos países, inclusive nos EUA. Aqui no Brasil, ESPN e SporTV transmitem.  Os fãs agradecem.

Vai sempre haver a discussão de que era época deles descansarem e não jogarem exibições, afinal sempre reclamam do pouco tempo para relaxar, mas Federer e Nadal viram uma oportunidade agarraram. Profissionais que são, estão aproveitando tudo. Até o piso do jogo em Madri sera vendido com renda revertida para a Fundacion Rafa Nadal.

É um prazer assistir de longe, algumas vezes de perto, tudo o que esses dois mitos do esporte fazem. Viram a foto de Federer buscando Nadal no aeroporto, em Zurich hoje cedo?

É só entrar no site de ambos para ver como aproveitam bem o nome que tem.

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Mais um livro para a minha lista de “tennis books”. E esse é argentino

Terminei de ler mais um livro de tênis. E este nem estava na minha lista, mas ganhei do autor nos últimos dias no US Open e como é pequeno e fácil de levar para lá e para cá, acabei lendo rapidinho.

Enredados, La Copa Davis, ésa eterna busqueda argentina, do querido amigo jornalista Sebastian Fest – argentino com residência em Madri – e com prefácio do lendário Guillermo Salatino, trata do sonho da Argentina de conquistar a Copa Davis nos últimos anos, talvez quando eles mais tiveram chances.

Fest, que acompanha o circuito há praticamente o mesmo tempo que eu – mais de uma década – relata os bastidores dos confrontos nos últimos anos, conversa com dirigentes e jogadores.

Fala da confusão da escolha da sede da final contra a Espanha – Mar del Plata ou Cordoba -, da “liderança” de David Nalbandian, da “ingenuidade” de Juan Martin del Potro, da falta de comando de Alberto Mancini, disserta sobre aquilo que conhecemos bem aqui no Brasil  – quando surge uma oportunidade, quem vai ficar com a fatia maior do bolo -, escreve sobre as possíveis brigas entre jogadores da equipe, entre jogador e capitão, tenistas e dirigentes e até mesmo com a imprensa.

Ele entrevista também jogadores que não estão mais na ativa como Javier Frana – hoje comentarista da ESPN – Guillermo Vilas, Ricardo Rivera e todos os tenistas que fizeram parte da equipe nos últimos anos.

Vale a pena ler. Ainda mais aqui no Brasil, em que passamos por situações muitas vezes similares. A Argentina ainda não ganhou a Davis Cup e o Brasil continua no Zonal Americano, depois de uma inexplicável derrota para a Índia, há poucas semanas.

Tennis View deve ter Enredados em breve, à venda.

PS – este post é um complemento do post do dia 20 de julho – Os meus best sellers na literatura do tênis/ http://gabanyis.com/?p=767. Gostei de escrever e acho que vale a pena falar sobre as novidades, ou sobre os livros bacanas.

Ainda estou pensando em qual será o meu próximo, mas provavelmente o da Venus Williams, Come to Win

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