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Resiliência para voltar a brilhar 15 anos depois

Há 15 anos Mirjana Lucic não era Baroni ainda e era uma das maiores sensações do circuito. Ela já havia ganhado o primeiro torneio que disputara em simples e o primeiro de duplas também e disputava o US Open depois de haver alcançado a semifinal de Wimbledon. Foi praticamente o último bom resultado da tenista croata até ela chegar agora, vinda do qualifying, às oitavas em Nova York, derrotando a número dois do mundo, Simona Halep.

Mirjana Lucic Baroni

Mesmo quando estava no auge da sua jovem carreira e ainda era uma adolescente, resiliência já era uma palavra importante na vida de Lucic. Ganhasse ou perdesse acabava quase sempre apanhando do pai, Marinko. Ele sempre encontrava um motivo para bater na filha e um dos principais era o peso. Bem mais magra e em forma do que 15 anos atrás, ela teve que fugir da Croácia com a mãe e outros quatro irmãos para se livrar do pai.

Foi morar na IMG Academy, mas abalada mentalmente e sem muitas vitórias, além de uma briga judicial com a gigante do marketing esportivo, ficou sem dinheiro para competir. “Eu nunca fiquei longe do tênis. Ficava treinando com os meus irmãos esperando a minha oportunidade.”

Quando a oportunidade veio, alguns anos atrás, Lucic lembra, emocianada, que não pôde escolher os melhores torneios do mundo para jogar. “Não tive wild cards nos mais belos lugares do mundo. Eu mereço estar aqui. Fui jogar todos os torneios de U$ 25 mil que existem por aí e todos os qualifyings que vocês possam imaginar. Eu ganhei esta vaga aqui merecidamente.”

Para chegar às oitavas deste US Open, a croata teve que passar o qualifying e não teve vida fácil nas primeiras rodadas. Ganhou de Murgurza, depois de Shahar Peer e agora de Halep (7/6 6/2). A próxima adversária é Sara Errani.

“É o dia mais feliz da minha vida. Mesmo com 32 anos estou me sentindo como se tivesse 15 de tão feliz, estou boba. Mas, a diferença é que quando tinha 15 anos mesmo tudo isso era muito normal para mim ir longe no torneio, ganhar, ter todo mundo à sua volta e para chegar aqui de novo tive que dar meu sangue em quadra, treinar até não conseguir mais respirar. Eu estava sempre passando os qualifyings, ganhando um ou outro jogo, me sentia jogando bem, mas tinha uma lesão aqui, outra ali e nunca conseguia ir adiante.”

Ouvindo ela falar, quase esqueço que é croata e que um ano durante Wimbledon, quando o pai ameaçou matá-la com a mãe junto, que foi Goran Ivanisevic quem deu abrigo para a família; os duros momentos vividos parecem marcados para sempre em seu rosto, mas o sorriso da alegria de voltar a estar entre as 16 melhores de um Grand Slam, “fizeram valer a pena cada segundo destes 15 anos que se passaram daquela semifinal de Wimbledon.”

O que ela aprendeu a ter dia após dia é o que o filósofo Alain de Botton considera uma das virtudes do mundo moderno: Resiliência.

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