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No tênis, de fato, ano novo = vida nova

Se nas nossas vidas, no dia-a-dia, eu acredito fortemente que a mudança de ano não tem uma influência significativa, apenas viramos uma página no calendário, no tênis, no circuito mundial da ATP e WTA, ela existe.

Nesta quinta-feira, a última de 2012, a temporada 2013 já começa a dar as boas-vindas com a disputa da exibição em Abu Dhabi, com Andy Murray e Novak Djokovic como principais destaques.  Abu Dhabi Djokovic Murray

Diferente de nós, que não vivemos da performance em quadra apesar de vivermos do esporte ou vivermos o esporte, os tenistas sumiram de cena durante algumas semanas, descansaram e treinaram, treinaram muito. Foram horas nos ginásios do mundo, alguns no calor, outros no frio, e muito tempo também em quadra.

A pré-temporada é talvez uma das fases mais importantes do ano de um tenista. É durante essas semanas que os jogadores adquirem condições físicas e fazem as necessárias mudanças técnicas para ajustar ou melhorar o que precisa ser feito no jogo.

Se há um momento em que eles trocam de raquete, é nesse período.

É nesta fase também que há mais mudanças de técnico. É o único momento do ano em que há tempo para erros e acertos. Não que mudanças de treinador e de material esportivo não aconteçam durante a temporada, mas elas são mais raras.

Por isso, quando a temporada 2013 começa, apesar de os torneios serem praticamentes os mesmos, o circuito percorrer os mesmos destinos, há sim uma mudança nos tenistas.  Da mesma maneira que eles tem em mente que no tênis cada semana é diferente, cada semana te dá uma nova oportunidade, quando o ano começa, tudo também é diferente.

Neste ano provavelmente veremos jogadores mais fortes, outros mais vulneráveis e tudo o que foi escrito e visto no ano anterior, muda.

Será que Djokovic vai reinar de novo na Austrália? Será que Andy Murray ganhará o segundo Grand Slam? E Roger Federer continuará no topo? Muitas dúvidas existem sobre Rafael Nadal. Ele voltará rápido a ganhar torneios? E Victoria Azarenka, manterá o posto de número um do mundo por quanto tempo? Sharapova continuará em ascensão? E a Serena, livre de lesão?

Com certeza esses questionamentos eram diferentes há um ano, quando a temporada 2012 estava para começar.

Para relembrar como foi este ano no tênis, recomendo a leitura da retrospectiva Tennis View, detalhando cada Grand Slam, as Olimpíadas de Londres e as aposentadorias.

Em termos de negócios, muitas transações também acontecem neste período, como o anúncio da Emirates como nova patrocinadora da ATP – companhia aérea oficial e patrocinadora do ranking – no lugar do South African Airways que foi feito nesta quinta; ou a assinatura do contrato de Novak Djokovic com a IMG, substituindo a CAA e a possível saída de Rafael Nadal da empresa que agora tem o sérvio como sua principal estrela. É realmente, a temporada 2013 começa com mudanças.

The School of LifeA minha temporada também começará de maneira diferente. Vou fazer um curso na The School of Life, escola fundada pelo escritor e filósofo Alain de Botton, em Londres, com boas ideias para o dia-a-dia e que trarei para o Brasil ainda no primeiro semestre.

São aulas sobre questões do nosso cotidiano, com muito embasamento filosófico, histórico, artístico e literário. Questões comuns que pairam sobre nossas mentes nesse nosso mundo tão complexo.

Se materialmente mudanças não acontecem por virarmos a página do calendário, mentalmente e intelectualmente esse momento em que conseguimos parar por alguns dias, se usados para reflexão e tomadas de atitude, não apenas com uma lista de decisões que esqueceremos rapidamente, podem sim influenciar a nossa história.

Por isso, vou descansar do blog, provavelmente, até o início do Australian Open e voltar com boas ideias que espero compartilhar com todos.

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Murray, campeão do US Open, ganha status de super-herói com Djokovic, Federer e Nadal

 

As gaitas escocesas tocavam e Andy Murray ia deixando o Arthur Ashe Stadium. Mas, diferente das outras quatro vezes em que saira da quadra, de uma final de Grand Slam, depois de posar para as fotos, desta vez Murray saía com o trofeu de campeão, após derrotar Novak Djokovic por 7/6 7/5 2/6 6/3 6/2 no US Open, em mais uma épica final. Os Fab Four do tênis não param de surpreender e agora, mais um super-herói se junta ao grupo de Roger Federer,  Novak Djokovic e Rafael Nadal.

 

Tudo o que faltou para Andy Murray, desde que jogou a primeira decisão, em 2008, nesta mesma quadra em NY, ainda vestido de Fred Perry, quando perdeu para Roger Federer, por 3 sets a 0, sem parecer lutar, e uma apatia no rosto, ele mostrou hoje.

 

Dominou o jogo, perdeu o controle da partida, reclamou das pernas, por vezes parecia perdido, outras mostrava reação, vibrou com a torcida, manteve o foco, buscou forças de onde nem mais Djokovic tinha, olhou fixo para Ivan Lendl, lutou até o fim e enfim, ganhou o tão esperado trofeu de Grand Slam.

 

Há quatro anos era só nisso que a imprensa inglesa falava. Se passaram 76 anos desde que o último inglês foi campeão em um dos quatro maiores torneios do mundo e enfim, Andy Murray acabou com todos essa espera e em uma final, em que fez por merecer.

 

Palavras do próprio Djokovic na cerimônia de premiação, em que ambos extenuados, pareciam estar em uma outra esfera. Não pulavam ou comemoravam como Serena Williams fizera na final feminina, ou como até mesmo Victoria Azarenka, a vice-campeã, graciosa na derrota.

 

As 4h54min de um jogo de longas trocas de bola, em que os dois alternavam momentos de cansaço extremo com força mental e jogadas geniais, tiraram tudo o que eles tinham para dar.

 

É um clichê, mas de fato o tênis foi o vencedor nesta final do US Open. Primeiro porque não vamos ter que escutar mais falar que Andy Murray era o tenista que já poderia ter vencido um Grand Slam e não venceu, que a Grã Bretanha não conquista um Grand Slam há 76 anos, que Murray treme na final. Depois, porque as finais de Grand Slam tem sido históricas.

Quem não quis pegar uma raquete e ir pra quadra depois deste jogo?

A final do Australian Open deste ano foi assim. Nadal e Djokovic batalharam por 59 minutos a mais do que Murray e o sérvio.

Ganharam status de super-herói.

Murray, que por um período era o patinho feio entre os Fab Four, foi elevado a esta mesma categoria e com direito a um recorde que nenhum deles têm: é o único tenista da história a ganhar a medalha de ouro olímpica e o US Open, no mesmo ano.

 

 

 

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