Tag Archives: nadal roland garros records

O Roland Garros mais interessante dos últimos tempos

roland garros 2014Há tempos, ou melhor, há anos que não chegávamos nesta fase da temporada com tantas dúvidas. Com Roland Garros marcado para começar daqui a uma semana, pela primeira vez em muito tempo, Nadal não chegará à capital francesa com uma série de vitórias seguidas e um número de títulos impressionantes. Mas, não é só ele. Os outros tenistas tops também não dominaram os últimos meses no circuito. Por isso, este Roland Garros, mesmo antes de começar, já promete ser um dos mais interessantes dos últimos tempos.

Claro que não dá para dizer que o oito vezes campeão de Roland Garros não é um dos favoritos a erguer o Trophee des Mousquetaires, ainda mais em um Grand Slam e em jogos de cinco sets. Qualquer um que ganhou um torneio oito das últimas nove vezes será sempre favorito, mas a condição é bem distinta dos anos anteriores. Mesmo tendo sido campeão do Rio Open e do Masters 1000 de Madri, Nadal “não sobrou” em quadra, passou sim muita dificuldade e precisou de toda a sua força mental para vencer jogos que antes ganhava em menos de uma hora.

Novak Djokovic derrotou o número um do mundo Nadal na final de Roma e foi até a semi em Monte Carlo. Não jogou em Madri com lesão no punho. Apesar de ter vencido o Rei do Saibro no Foro Itálico, Djokovic também não teve vida fácil no torneio. Precisou vencer diversos jogos em três sets, mas segue confiante para Paris, onde tentará vencer o único torneio do Grand Slam que falta em seu currículo.

rafael nadal roland garros 2014djokovic roland garros 2014

 

 

 

 

Roger Federer pouco jogou na temporada de saibro. Foi vice-campeão em Monte Carlo, pulou Madri para acompanhar o nascimento dos gêmeos Leo e Lenny e em um dia de muito vento na capital italiana, perdeu na estreia em Roma. Chegará em Roland Garros com menos jogos do que está acostumado, mas jogando muito melhor do que em 2013. Federer roland garros

Stanislas Wawrinka ganhou o primeiro Masters 1000 da carreira em Monte Carlo, mas depois não conseguiu avançar nem em Madri, nem em Roma. O campeão do Australian Open chegará a Porte DÁuteil com muitas dúvidas na cabeça.

David Ferrer, também acostumado a brilhar na temporada de saibro, não chegou a ter uma gira sul-americana fantástica, apesar do título em Buenos Aires. Foi à semi em Monte Carlo e Madri, mas parece que ainda falta algo para o jogo do vice-campeão de Roland Garros do ano passado chegar onde estava 12 meses atrás.

Andy Murray até que fez um bom torneio em Roma, mas também pouco jogou no saibro e deve estar com a cabeça mais voltada para Wimbledon do que a terra vermelha de Paris.

 

Tomas Berdych fez uma temporada de saibro sem grandíssimos resultados. Todos sabem que a “terre battue” não é o seu piso predileto, mas o checo não chegará a Paris no auge da forma. Ele até foi vice-campeão do Portugal Open, mas não foi o suficiente para elevar seu nível de jogo.

 

Dimitrov tennis star Os novatos que brilharam nas últimas semanas, Grigor Dimitrov, Kei Nishikori e Milos Raonic, já não tão novos assim, mas pertencentes a uma geração diferente a dos big 4, tem a chance de mostrar a que vieram. Mas, será que eles estão prontos fisicamente para duelar com os melhores em jogos de cinco sets durante duas semanas, no mais desgastante dos Grand Slams. Eles chegaram perto de bater os tops nas últimas semanas, mas no momento final foram superados pelo próprio corpo ou pela mente ainda em formação de super campeão.

A discussão em torno dos franceses sempre acontece quando chega esta época do ano. Gael Monfils, Jo-Wilfried Tsonga, Richard Gasquet, Gilles Simon e Julien Benneteau serão os nomes mais invocados nos próximos dias em Paris. Mas, será que algum deles está pronto para erguer o trofeu que pela última vez foi levantado por um francês há 31 anos, com Yannick Noah? Monfils, apesar de pouco ter jogado nas últimas semanas, acredita no seu potencial em Roland Garros. Já afirmou que cresce de produção quando joga na sua casa e que sonha com o título. Até mesmo lembrou a posição de número 66 de Gustavo Kuerten, quando o brasileiro venceu o Grand Slam parisiense pela primeira vez.

Tsonga também continua com discurso otimista, mesmo sem ter ganhado um título no saibro ou feito uma final neste 2014 na terra batida.

Gasquet nem sabe se poderá jogar. A lesão nas costas é mais grave do que se imaginava e ele só tomará uma decisão um dia antes de Roland Garros começar.

Os outros correrão por fora, bem por fora.

Os argentinos que durante anos foram destaque da temporada de saibro chegarão a Paris sem nenhum tenista cabeça-de-chave e com apenas 6 (com Ormaechea) representantes na chave principal. Não que isso seja pouco, especialmente comparado ao Brasil que vai apenas com Thomaz Bellucci e Teliana Pereira, mas para quem já teve uns 14 na chave, é quase preocupante.

serena williams champion tennis

E entre as mulheres, dá para imaginar alguém além de Serena Williams e Maria Sharapova brigando mesmo pelo título. Podemos falar em Li Na, mas a chinesa não teve uma super temporada de saibro, assim como a polonesa Agnieszka Radwanska.

A novata Simona Halep, agora no top 5, pode fazer bonito, mas ainda deve precisar de uns anos para vencer a Coupe Suzanne Lenglen.

Ana Ivanovic vem fazendo a melhor temporada dos últimos tempos, mas na hora final, ainda está faltando aquele plus das campeãs. O mesmo podemos dizer da compatriota Jelena Jankovic.

Flavia Pennetta ganhou Indian Wells, mas depois não avançou muito nos torneios no saibro. sharapova paris 2014

Entre as francesas, Alize Cornet será o centro das atenções, seguida pela novata Caroline Garcia. Mas nenhuma delas venceu o suficiente até agora para dar esperança de título.

Pode ser que uma ou outra tenista do estilo de Carla Suarez Navarro ameace Serena ou Sharapova no início do torneio, mas não devem passar de um jogo apertado para as duas últimas campeãs em Paris.

A pergunta é quem vai conseguir ir mais longe, além de Serena e Sharapova.

E que o torneio que mais exibe o tênis arte comece!

Desta vez assistirei de casa, já sentindo falta de estar em Paris, mas pelo mais nobre dos motivos. Não, não vou cobrir a Copa do Mundo, estarei de licença maternidade.

 

 

Leave a Comment

Filed under Uncategorized

Wimbledon: agora é a vez de Federer jogar pelo 7º trofeu

A temporada de grama começou assim que Roland Garros terminou, mas os olhos do mundo só se voltam mesmo para o tênis na grama a partir desta segunda-feira, quando a temporada mais longa da história neste tipo de piso tiver início, em Wimbledon.

O mais prestigioso clube de tênis do mundo, o All England Lawn Tenni & Crocquet Club, sediará no período de 7 semanas o terceiro Grand Slam da temporada e os Jogos Olímpicos.

Diferente dos torneios na terra batida, em que as atenções estavam voltadas para o duelo entre Rafael Nadal e Novak Djokovic, para ver que recorde seria quebrado em Roland Garros, agora as atenções se voltam de novo para Roger Federer.  O suíço tentará igualar o recorde de Pete Sampras de sete trofeus, no palco onde obteve as suas maiores glórias.

Recentemente em uma entrevista ele apenas disse que o objetivo para a disputa deste Wimbledon era ir além das quartas-de-final onde ele parou nos últimos dois anos.

O heptacampeonato na Inglaterra poderia aproximar Federer (a última final que ele jogou em Wimbledon foi aquela histórica contra Andy Roddick) do posto de número um do mundo para ele então quebrar outro recorde, o de semanas na liderança do ranking mundial. Ele está a apenas uma semana de Pete Sampras (286).

Apesar de Nadal e Djokovic estarem à frente de Federer e como vencedores das edições de 2010 e 2011, respectivamente, serem mais favoritos, em Wimbledon e na terra da Rainha, ele é sempre candidato a reinar novamente.

Entre as mulheres, apesar da derrota na estreia em Roland Garros, Serena Williams e a irmã, Venus, com a saúde ainda frágil, sempre serão destaque. Juntas, elas tem 9 títulos em Wimbledon, 5 de Venus e quatro de Serena.

Vice-campeã no ano passado, Maria Sharapova chega na Inglaterra tendo completado o Grand Slam, e confiante para tentar vencer novamente o primeiro dos quatro torneios que ela conquistou, há oito anos.

Atual campeã, a checa Petra Kvitova não está tendo uma temporada como a do ano passado, mas ainda é a número quatro do mundo.

Para rivalizar com ela, Victoria Azarenka pretende apagar a má impressão deixada em Roland Garros. É, o mesmo pretende Caroline Wozniacki, na terra do namorado Rory MclRoy.

Wimbledon antigamente era conhecido como o torneio em que as grandes surpresas podiam acontecer, por ser disputado num piso em que mais da metade da chave não tem tanta habilidade. Mas, com a diminuição da velocidade da quadra nos últimos anos estas surpresas diminuíram. De qualquer maneira, é o piso onde todos estão mais suscetíveis.

O caminho para o título já foi traçado com o sorteio da chave. Nadal abre a campanha contra o brasileiro Thomaz Bellucci; Djokovic contra Juan Carlos Ferrero; Federer enfrentando o espanhol Albert Ramos e Murray o russo Nikolay Davydenko.

Entre as mulheres, menos suscetíveis a surpresas na primeira rodada – vamos esquecer o jogo entre Serena e Razzano há algumas semanas em Roland Garros – Sharapova enfrenta Rodionova; Radwanska joga contra Rybarikova; Serena pega Zahvalova Strycova; Kvitova joga contra Amanmuradova; Wozniacki desafia a austríaca Tamira Paszek, ex-pupila de Larri Passos e Azarenka joga contra a americana Falconi.

O majestoso torneio de Wimbledon vai começar. Dentro de poucas semanas dois campeões e duas campeãs saírão do All England Lawn Tennis & Crocquet Club com o trofeu mais prestigioso do mundo e uma medalha de ouro olímpica.

 

 

Leave a Comment

Filed under Uncategorized

Foi um anti-clímax em Paris, mas o que vale agora é que Nadal é o maior campeão de Roland Garros da história

 

Lembro exatamente há 11 anos quando o Guga ganhou o terceiro Roland Garros de estarmos em êxtase, pensando, nossa, é o terceiro “Trophee des Mousquetaires.” Isso já era uma coisa impensável, ver alguém diante dos seus próprios olhos ganhar três Roland Garros. Aí vem o Nadal e nesta segunda-feira chuvosa em Paris, derrota o número um do mundo, Novak Djokovic, por 6/4 6/3 2/6 7/5, para quem chegou a perder sete vezes seguidas, e supera todos os recordes do torneio, vencendo Roland Garros pela sétima vez.

Por mais que a gente queira ver um outro jogador posando para a foto como troféu de campeão, ou fosse perfeito ter dois tenistas, no masculino e no feminino completando o Grand Slam no mesmo torneio, já que Sharapova havia sido campeã no sábado, temos que admirar a força mental e o domínio do Nadal no saibro.

Ganhar um Grand Slam não é nada fácil. São duas semanas em que você tem que estar no auge da sua forma, passar por adversidades, vencer sete jogos de cinco sets, aguentar a pressão externa e a sua própria e gerenciar tudo o que envolve a disputa de um torneio deste nível.

Ganhar este mesmo Grand Slam sete vezes em oito anos, é quase que inacreditável, ainda mais da maneira como “Rafa” tem feito, sem passar verdadeiramente por apuros, dominando completamente o torneio do começo ao fim, deixando o público com pena dos adversários a cada massacre.

Outro dia estava lendo uma matéria sobre como era enfrentar Bjorn Borg, na época em que ele dominava Roland Garros, como o Nadal domina hoje. Aparentemente era ainda mais tranquilo para ele. Não tinha adversários, pelo menos no saibro, como Federer e Nadal.  As única vezes que precisou de cinco sets para vencer foi na primeira final, em 1974, contra Manuel Orantes e na última, em 1981, contra Ivan Lendl. Nos outros anos passava por todas as rodadas como Nadal, vencendo por 6/2 6/2 6/0, 6/1 6/1 6/2, enfim, perdendo o mínimo de games possível.

A mesma sensação que os adversários de Borg tinham naquela época, devem ter os adversários de Nadal hoje em dia.

A final terminando nesta segunda-feira, com a dupla-falta de Djokovic, foi um anti-climax, deste momento histórico e de uma final de Roland Garros. Mas, daqui a alguns anos e daqui a muitas décadas, ninguém vai se lembrar, quando contar que o Nadal tem sete títulos de Roland Garros e que ele é o maior vencedor da história do torneio, que ele ganhou a final em dois dias e com uma dupla-falta de Djokovic. O que está escrito agora e para sempre é que ele é o maior campeão de Roland Garros!

Infelizmente a comemoração de Nadal, as entrevistas e todo o resto vão ter que ficar para um próximo torneio. Tenho estrada para pegar aqui na Europa.

Au Revoir, Roland Garros.

 

Foto do Nadal da Cynthia Lum

Leave a Comment

Filed under Uncategorized