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“Decadente” Estados Unidos domina olimpíadas em Londres, com três dos cinco ouros

Quantas vezes já ouvimos falar que o tênis americano está em decadência, que os jogadores dos Estados Unidos já não vencem como antes, que o esporte não tem mais estrelas? Pode até ser que a tal renovação esteja demorando um pouco para decolar, mas os americanos dominaram completamente as olimpíadas no tênis, em Londres. Dos cinco ouros em disputa, três foram para os Estados Unidos e das cinco categorias olímpicas, quatro tiveram a bandeira americana hasteada. Das 15 medalhas em jogo, 4 ficaram com os Estados Unidos.

 Serena Williams foi a grande sensação americana. Desde a estreia, com a Primeira Dama dos Estados Unidos, Michelle Obama, torcendo por ela na quadra central do All England Club, ela parecia estar jogando um campeonato diferente, só dela. Do começo ao fim foi destruindo as adversárias. Não importava se eram campeãs de Grand Slam, número um do mundo, ou simplesmente uma atleta olímpica. Ao fim do jogo, lá estava Serena, comemorando, sem se quer ter sido ameaçada.

 

Nas duplas, com a irmã mais velha, Venus Williams, fez história de novo ao conquistar o terceiro ouro na categoria, depois de Sidney e Beijing. Lesionada ela não competiu em Atenas. Agora ambas as Williams tem quatro medalhas de ouro, recorde olímpico. Venus foi campeã em Sidney.

 

Os irmãos Bob e Mike Bryan deram aos Estados Unidos a medalha de ouro nas duplas, a primeira da dupla que deu a eles o status de parceria Golden Slam. Com o ouro olímpico, tem no currículo agora os títulos dos quatro Grand Slams e as olimpíadas.  De quebra, ainda Mike Bryan levou mais uma medalha para casa, a de bronze, nas duplas mistas com Lisa Raymond.

 

Os três ouros do tênis colocaram os Estados Unidos mais perto da briga com a China, pela liderança no ranking de medalhdas de Londres 2012. 

 

A Rússia que dominou o pódio em 2008, saiu do All England Club com duas medalhas, a de prata de Sharapova e a de bronze de Kirilenko e Petrova. O resultado só deu gostinho de quero mais para Sharapova.

 

Ao lado de Victoria Azarenka, Max Mirnyi pôde enfim comemorar a sua primeira medalha olímpica e de ouro. A nação vizinha a Rússia, a Bielorússia, aplaudiu orgulhosa o ouro da dupla e o bronze de Victoria.

 

As checas Hradecka e Hlavackova, deixaram o país, com a prata nas duplas, na frente do Brasil no quadro de medalhas.

A Suíça esperava ver Roger Federer com o ouro, mas o tenista parece ter se contentado com a prata, afinal, pelo menos foi a primeira medalha olímpica dele.

Os ingleses sonhavam, e de tanto sonhar conseguiram ver um britânico emergir campeão no All England Club. Andy Murray fez as honras da casa e se juntou a outros 15 medalhistas de ouro, além de ter ganhado outra medalha para a Grã Bretanha, a de prata, nas duplas, com a novata Laura Robson.

Mas, sem dúvida, a medalha mais celebrada por uma nação foi a de Juan Martin del Potro. Sem vitórias olímpicas até então, o tenista deu ao país afundado em uma crise econômica, a alegria de ver o nome Argentina no quadro de medalhas. Mesmo sendo um bronze, a sensação para o país foi de uma medalha de diamante.

E nesta segunda-feira, enquanto os olhos do esporte continuam voltados para Londres, os do tênis mudam de continente. Começa hoje a Rogers Cup, em Toronto e Montreal.

É o primeiro Masters 1000 do verão da América do Norte.

O torneio não contará com diversos atletas olímpicos, mas é a chance dos americanos começarem a provar, e tem mais cinco semanas para isso até o fim do US Open, que o tênis americano ainda não está em declínio.

 

QUADRO DE MEDALHAS LONDRES 2012

 

Simples masculino

Andy Murray (GBR)

Roger Federer (SUI)

Juan Martin del Potro (ARG)

 

Simples feminino

Serena Williams (EUA)

Maria Sharapova (RUS)

Victoria Azarenka (BLR)

 

Duplas Masculino

Bob Bryan/Mike Bryan (EUA)

Joe Wilfried Tsonga / Michael Llodra (FRA)

Richard Gasquet / Julien Benneteau (FRA)

 

Duplas Feminino

Serena Williams / Venus Williams (EUA)

Andrea Hlavackova / Lucie Hradecka (CZE)

Nadia Petrova / Maria Kirilenko (RUS)

 

Duplas Mistas

Victoria Azarenka / Max Mirnyi (BLR)

Laura Robson / Andy Murray (GBR)

Lisa Raymon /Mike Bryan (EUA)

 

 

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Murray de ouro, seguiu à risca o conselho olímpico de Michael Johnson

Um mês atrás, Andy Murray chorava de tristeza pela derrota na final de Wimbledon diante de Roger Federer. Neste domingo, o choro foi de emoção. Diante do seu público, na quadra central mais emblemática do tênis mundial, no maior evento esportivo do mundo, Murray derrotou o número um do mundo, por 6/2 6/1 6/4 e conquistou o ouro olímpico.  Ganhar Wimbledon ele ainda pode, mas beijar a inédita medalha de ouro, no All England Lawn Tennis & Crocquet Club, em casa, não se repetirá. Os próximos Jogos Olímpicos serão no Rio de Janeiro, em 2016. Murray fez tudo o que podia para ouvir o hino da Grã-Bretanha tocar para ele, seguindo à risca o conselho de Michael Johnson.

 

A ITF lançou há um mês um livro com alguns tenistas olímpicos e os seus heróis. Murray escolheu o americano Michael Johnson. Eles haviam se conhecido através do então técnico do escocês, Brad Gilbert e Murray nunca se esqueceu daquele momento, nem Johnson.

Alguns destes heróis olímpicos foram humildes o suficiente para agradecerem a homenagem de quem os havia escolhido e Johnson escreveu uma carta para Murray, dando conselhos para as Olimpíadas de Londres.

 

“Competir em uma olímpiada, em casa, foi a maior honra que já tive, o ponto alto da minha carreira e também fiz um pouco de história em Atlanta, em 1996. Espero que você possa fazer o mesmo em Londres – nós sabemos que será histórico se um inglês ganhar em Wimbledon. O meu conselho para você seria o de fazer tudo o que estiver ao seu alcance, para aproveitar ao máximo esta oportunidade e fazer história na frente do seu público.”

 

Pode até parecer fácil, lendo as palavras de Michael Johnson e se realmente não tivesse feito tudo o que estava ao seu alcance para chegar ao olimpo, muito provavelmente não estivesse lá.

 

Murray já tinha vivido uma experiência olímpica, em Beijing, perdendo na primeira rodada para Yen Hsun Lu, por 7/6 6/4 e depois admitiu, durante Wimbledon deste ano. “Obviamente eu aprendi muito sobre o quanto era importante para mim com a derrota nos últimos Jogos Olimpícos. Me machucou muito. Quando eu vi a reação de outros jogadores no pódio, mesmo Roger vencendo o ouro nas duplas.  Se ele ganhasse um Grand Slam em duplas eu não acredito que seria tão emotivo. Mesmo Novak vencendo o bronze e se derramando em lágrimas. Você não veria isso se ele perdesse na semi nos Grand Slams. Então significa muito para os jogadores”

 

A final perdida em Wimbledon, há 28 dias para Roger Federer, poderia ter tornado a participação olímpica difícil de administrar. Apesar de ter ganhado a admiração do povo britânico com a performance diante do suíço e a emoção demonstrada em quadra, a pressão poderia ser ainda maior pelo ouro olímpico, e foi.

Mas, Murray soube se preparar. Depois de confessar ter chorado a noite toda quando Wimbledon terminou e ter ficado mal durante alguns dias, procurou fazer coisas for a do tênis para se divertir. Até show de comédia ele foi assistir com a namorada Kim Sears e os amigos para descontrair.

Ficou uma semana sem tocar na raquete e no dia 17, 10 dias antes da cerimônia de abertura, já estava treinando no All England Club. O primeiro dia foi difícil para o tenista. Ele ficou lembrando da final, pensando no que havia acontecido, revivendo as jogadas, sem uma pessoa nas arquibancadas. Mas, quando começou a treinar focado nas suas olimpíadas, deixou a derrota para trás e com uma boa razão, como ele mesmo falou, antes da final olímpica. “Como tenistas estamos acostumados a termos uma outra chance na semana seguinte, os Jogos são apenas a cada quatro anos.”

 

Murray também soube equilibrar a euforia dos Jogos Olímpicos com a concentração para a sua própria participação. Optou por ficar em casa, onde mora, com Kim Sears, mas indo ocasionalmente à Vila Olímpica e assistindo outros esportes, como o atletismo ontem à noite. “Se me dissessem há uma semana que eu estaria aqui, não acreditaria. Sabia que eu tinha chances de ir longe no torneio, mas estava cansado depois de Wimbledon e de jogar as duplas mistas também. Mas, em quadra, não me senti nervoso e estava fresco fisicamente também. Depois de tantas derrotas difíceis na minha carreira, não há melhor maneira do que dar a volta por cima com esse ouro olímpico.” 

 

Para o medalhista de bronze, Del Potro, a medalha de bronze também teve um significado a mais. Além de ter sido a primeira medalha nas Olimpíadas de Londres para a Argentina, Del Potro confessou ter ficado arrasado após perder o jogo de mais de quatro horas para Federer (3/6 7/6 19/17), na semifinal. “Chorei durante umas quatro, cinco horas depois de perder aquele jogo. Estava arrasado. Não sei como consegui me recuperar e ainda enfrentar o Djokovic. Foi o apoio do povo argentino que ficou me mandando mensagens.”

Para uma nação fanática por esportes, que idolatra seus campeões e com uma tradição no tênis, maior do que muito esporte, a medalha de bronze teve sensação de ouro.

 

 

 

 

 

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