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E a corrida voltou a ser corrida e Paris a ser um Super Masters 1000

Logo que a Corrida dos Campeões foi lançada, no ano 2000, através de uma parceria que terminaria rapidamente com a ISL, a ATP quase a tornou mais importante do que o ranking. Por acaso, o Guga foi o primeiro vencedor da Corrida dos Campeões naquele ano 2000 e nós nos acostumamos a divulgar a corrida semanalmente e acompanhar a mesma. Era uma Corrida. Havia até trofeu para ela.

Gasquet ATP FINALSMas, logo a estratégia de marketing mudou e a ATP parou de dar importância à Corrida. Mas, ela sempre esteve lá. Afinal, precisam de um método para determinar os 8 classificados para o ATP World Tour Finals.

O que aconteceu nos últimos anos também foi que a Corrida, com o domínio total de Federer, ou Nadal, ou Djokovic, perdeu um pouco a graça.

Além disso, um deles acabava garantindo o posto de número um do mundo antes das últimas semanas do ano e nada mais importava.

O Masters 1000 de Paris, que nas últimas temporadas andou sofrendo com a mudança de calendário, inserção de Masters 1000 asiático, ou até mesmo com o ATP Finals disputado na Ásia, voltou a ser relevante neste 2013.

Se no ano passado a final foi entre Jerzy Janowicz e David Ferrer, Nadal não jogou, assim como Federer e Murray e Djokovic foram eliminados na primeira rodada, desta vez o diretor do torneio Guy Forget, só tem a comemorar.

Federer atp finals

Os oito classificados para o ATP Finals, em Londres, na semana que vem, jogarão as quartas-de-final em Bercy nesta sexta.

A situação do Masters 1000 francês estava tão complicada – nos anos anteriores sempre um dos tops deixou de participar – que o tradicional torneio fez pressão para mudar o calendário e exigiu a semana de intervalo entre o campeonato e o ATP Finals de volta.

cas_1179  nadal paris

A corrida que já não era interessante, voltou a ganhar destaque especialmente pela classificação no último minuto de Roger Federer. Sem falar que ao chegar em Paris, três das oito vagas ainda estavam em aberto e só foram completamente definidas agora: Nadal, Djokovic, Ferrer, Del Potro, Berdych, Federer, Gasquet e Wawrinka (Murray está lesionado) estarão em Londres na semana que vem e também em ação amanhã no Palais Omnisport de Paris Bercy.

Ainda está em jogo a definição do número um do mundo de 2013. Nadal ou Djokovic? A corrida ainda não terminou.

Esperamos um ATP Finals bem diferente do WTA Championships em Istambul, em que Serena Williams dominou a temporada, assegurou o número um bem antes de desembarcar na Turquia e só perdeu alguns games por lá por causa do cansaço.

Adoramos ver Federer, ou Nadal, ou Djokovic ganhando tudo. Mas, um pouco de emoção e principalmente competição,  é o que todo fã quer.

 

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“C’est Roland”

Ainda estamos na 2ª rodada – alguns jogaram a 1ª hoje – mas os franceses já começam a comemorar um bom Roland Garros. Tentei passar o dia acompanhando os jogos dos franceses para entender o que acontece com eles aqui e a resposta que mais ouvi, dos próprios jogadores, foi “C’est Roland”

JO WILFRIED TSONGA - ROLAND GARROS   Nesta quarta-feira, seis franceses saíram vitoriosos, com cinco avançando à terceira rodada (Monfils, Benneteau, Simon, Chardy, Tsonga) e um, Paire, à segunda. Em todos os jogos a torcida teve papel fundamental.

O primeiro pensamento que pode vir à cabeça é que isso é normal e acontece o mesmo em Wimbledon, no US Open e no Australian Open. Mas, no Reino Unido e na Austrália, há pouquíssimos jogadores na chave de simples e quando há mais do que o normal, costumam ser jogadores novos, convidados que não avançam. No US Open há um ambiente bom de torcida, mas é diferente. Aqui em Paris as pessoas vem assistir tênis, entendem do esporte e respiram Roland Garros durante 2 semanas, na cidade toda. Em New York, o público faz parte de um espetáculo, é um evento de entretenimento.

Este ano, com a data comemorativa dos 30 anos da vitória do último francês em Paris, Yannick Noah, em 1983, alguns jogadores disseram que estão sentindo mais a pressão, mas que isso é bom.

Além de ter assistido os jogos da maioria dos franceses em ação hoje e sentido a emoção da torcida, especialmente nas vitórias de Monfils, Benneteau e Paire, fui ouvir o que eles tinham a dizer sobre o quão especial é jogar em Roland Garros e porque, de repente, tudo acontece aqui. MONFILS ROLAND GARROS

Monfils, que ganhou de Berdych e Gulbis, falou: äqui há uma energia diferente, um espírito ótimo. A torcida está 100% me apoiando, sinto a pressão de uma maneira boa para mim. C’est Roland”

Benneteau, vencedor de Berankis em 4 sets e Kamke, em 5, falou “C’est Roland, por isso é especial. Sempre damos algo a mais.” E Benneteau precisará aparecer com algo a mais mesmo para derrotar Roger Federer na próxima rodada. “É no saibro, já ganhei dele, tudo pode acontecer. C’est Roland.”

O número um francês, Jo-Wilfried Tsonga confessou sentir uma pressão extra por ser o mais bem colocado de uma nação que não triunfa na própria casa há 30 anos, mas acha isso positive. “Sou francês, é na França e tem mais pressão, mas é positivo. Tenho tudo a meu favor para vencer e diria que nada para perder. Se eu perder, nada vai acontecer, mas se eu ganhar ou for longe, será algo enorme. Tenho que ficar concentrado e espero ir longe.”

O próximo adversário de Tsonga é outra francês, Jeremy Chardy.

PAIRE ROLAND GARROS

Benoit Paire, o mais novo conhecido jogador do público local, após alcançar a semifinal em Roma e perder para Roger Federer, recebendo elogios do suíço, também falou da pressão de jogar em casa. Äs pessoas estão me vendo com outros olhos este ano. Eles querem que eu vá longe, é normal. C’est Roland”

O tenista que derrotou Baghdatis e agora joga contra Lukasz Kubot, na 2ª rodada, disse que sonhava com um momento como o de hoje. “Quando eu era pequeno sonhava jogar nesta quadra – Suzanne Lenglen – Alguns acham que é mais pressão, mas eu só penso que é um sonho, as pessoas vão me apoiar e devo relaxar. Só não quero estragar isso. Tenho que manter o foco.”

Já são cinco franceses na 3ª rodada e amanhã eles podem se tornar 8 entre os 32 melhores do Grand Slam. C’est Roland.

 

Foto de Tsonga – Cynthia Lum

Monfils e Paire – FFT

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Um dia em Roland Garros

Um dia em Roland Garros é sempre bom, muito bom. Cada vez que adentro os portões deste complexo tenho uma sensação gostosa, de estar entrando num lugar de fato especial, replete de história, tradição, e onde me sinto em casa e conheço tanta gente e cada cantinho nas quadras e nas áreas internas. Por isso, resolvi descrever como é um dia em Roland Garros, mesmo que ele esteja cinzento e muito frio.

Hoje acordei cedinho. Precisava passar na lavanderia. Afinal já estamos na segunda semana de torneio. Saí do apartamento e fui até a Rue de Seine, antes das 09h e fazia 13ºc. Tomei um café com Tartine enquanto a roupa lavava, li o 24 Horas e com as roupas em mãos voltei pro apartamento. Às 10h30 já estava dentro do metrô Mabillon, pegando a linha 10 para Roland Garros. 

São 12 estações e a viagem não demora mais do que 20 minutos. Tempo para eu ler algumas páginas do jornal L’Equipe.

A saída do metrô é sempre meio tumultuada, especialmente neste horário de início de jogos, mas é só acúmulo de gente e rapidinho estou na rua. Ventava tanto que quase peguei a Navette (van) para me levar até o estádio, em vez de andar uns oito minutos a pé. Mas, ela tinha acabado de sair cheia e não queria ficar esperando a outra encher.

Fui andando mesmo e entrei pela porta lateral para já sair perto da Quadra 1 onde o Marcelo Melo jogava as quartas-de-final de duplas. Assisti o primeiro set, sem nem passar na sala de imprensa – ele e Ivan Dodig acabaram perdendo para Potito Starace e Daniele Bracciali.

De lá fui para a quadra 09 ver a vitória da Bia Haddad Maia, ao lado de quem sempre estive aqui em Roland Garos: Larri Passos. Foi ótimo ver um joguinho do lado dele.

Acabado o jogo, já era hora do almoço e fui almoçar com os jornalistas argentinos no Restaurant de la Presse. O menu especial do dia, que eles chamam de “animation” era um taco mexicano, maravilhoso, regado a vinho para esquentar – aqui tem degustação de vinho todos os dias na hora do almoço.

Resolvi aproveitar que o restaurante da imprensa é na quadra Suzanne Lenglen e fui ver um pouco da partida entre o Berdych e o Del Potro. Mas, não aguentei o vento gelado e vim para a sala de imprensa.

Fiquei assistindo o Del Potro e o Tsonga ao mesmo tempo, fiz um conference call e fui para a quadra 11 encontrar minha amiga e técnica da ITF, Roberta Burzagli.

A Roberta está aqui em Roland Garros treinando uma equipe de 8 meninas – as melhores de determinadas regiões do mundo que integram o time de desenvolvimento da ITF. Há 8 anos a última brasileira a ganhar o Banana Bowl nos 18 anos faz esse trabalho, de viajar pelos maiores torneios juvenis da temporada europeia, da temporada de saibro até depois de Wimbledon treinando os futuros campeões.

E ela já avisou que é para ficar de olho em Jelena Ostapenko, de 14 anos, da Letônia, que foi campeã do Astrid Bowl, em Charleroi, neste fim de semana.

Voltei para o Centro de Imprensa a tempo de acompanhar, da tribuna da quadra central o fim do jogo da Sharapova com a Zakopalova e a coletiva do Del Potro.

Subi para tomar um café no bar de la presse com um amigo jornalista e quando estava pegando o computador para escrever este post recebi uma ligação do antigo agente do Guga, o Jorge Salkeld, para encontrá-lo na quadra 8, onde o Thiago Monteiro estava jogando duplas.

Fui até lá, assisti até o fim do primeiro set e agora estou aqui escrevendo este post.

Acho que lendo isso aqui parece que a vida aqui em Roland Garros é só assistir jogos e bater papo. Mas, são nestes bates papos – eu sempre com bloquinho e camera na mão – e assistindo partidas, que surgem ideias para escrever matérias para a Tennis View, onde colho material para o blog e para outros eventos e trabalhos.

Ah, enquanto escrevo isto estou ouvindo a coletiva da Shvedova…

Normalmente ficaria aqui até os jogos acabarem, mas já tenho um compromisso no centro de Paris marcado há uma semana. Neste torneio, a gente não vê as horas passarem e quando se dá conta acaba saindo daqui todos os dias depois das 21h. Mas, c’est bon, ça va, é para isso que estou em Paris nestas duas semanas.

 

 

 

 

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Chave principal só começa domingo, mas Paris já sente o clima de Roland Garros

Oficialmente Roland Garros só começa no domingo, com a disputa dos jogos da primeira rodada da chave principal. Mas, o evento em si já começou. A disputa do qualifying está em andamento – desde terça-feira -, as principais estrelas do circuito já estão em Paris e treinando para o segundo Grand Slam do ano e os patrocinadores estão fazendo inúmeras ações de marketing pela cidade.

Antes do sorteio da chave principal, que acontece nesta sexta-feira, em Paris, em Roland Garros mesmo, Ana Ivanovic, Jo-Wilfried Tsonga, Richard Gasquet e a vice-campeã do ano passado, Samantha Stosur, fizeram uma aparição no topo da famosa Galeria Lafayette. ELes bateram bola em uma quadra montada no topo do histórico edifício do Boulevard Haussmann e levaram também os trofeus dos campeões que ficaram em exibição enquanto eles treinavam com a vista para a Torre Eiffel e outros marcos históricos da capital parisiense. 

Sábado, um dia antes do início da chave principal, a maioria dos tenistas faz jogos amistosos em Roland Garros, com duração de um set profissional e a renda da venda dos ingressos revertida para diversas instituições de caridade da França.

Nesta quinta à noite também, Rafael Nadal fez uma aparição na loja da Nike, na Champs Elysee. Ainda não recebi imagens, mas já sei que foi uma loucura.

Ou seja, Roland Garros, para Paris, já começou.

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