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Roland Garros: Nadal vence de virada e Monfils elimina Berdych. Djokovic estreia na terça

Rafael Nadal entrou em quadra nesta segunda-feira em Roland Garros e não foi nada fácil. O heptacampeão precisou virar contra o alemão Daniel Brands, na estreia do segundo Grand Slam da temporada, que é disputado no saibro parisiense. No fim, vitória do espanhol com parciais de 4/6 7/6(4) 6/4 e 6/3.

Nadal FFT peq

Tomas Berdych, cabeça 5, também enfrentou muitas dificuldades na estreia, mas diferentemente de Nadal, não conseguiu a virada. O tcheco foi eliminado por Gael Monfils, em longa partida de 5 sets, que acabou com o triunfo do francês por 7/6(8) 6/4 6/7(3) 6/7(4) 7/5.

Monfils FFT peq

Outro favorito que fez sua estreia foi o francês Jo-Wilfried Tsonga, sexto favorito da chave, que não encontrou muitas dificuldades para bater o esloveno Aljaz Bedene por 6/2 6/2 e 6/3.

Richard Gasquet, cabeça 7, foi outro tenista da casa que venceu com tranquilidade, anotando 6/1 6/4 e 6/3 sobre o ucraniano Sergiy Stakhovsky, enquanto o espanhol Nicolas Almagro, cabeça de chave nº 11, virou sobre o austríaco Andreas Haider-Maurer, fechando a partida com parciais de 4/6 6/4 6/3 e 6/3.

Djokovic estreia na terça-feira

A terça será o dia da estreia do nº 1 do mundo. Novak Djokovic inicia a caminhada em busca do único Grand Slam que lhe falta na carreira e enfrenta na primeira rodada o belga David Goffin, que no ano passado se destacou em Roland Garros, quando tirou um set de Roger Federer nas oitavas de final.

O sérvio Janko Tipsarevic, oitavo favorito, estreia contra o francês Nicolas Mahut, enquanto o suíço Stanislas Wawrinka, cabeça 9, tem pela frente o holandês Thiemo De Bakker.

Ainda nesta terça, o alemão Tommy Haas, 12º favorito, enfrenta o francês Guillaume Rufin, e o local Benoit Paire, cabeça de chave nº 24, encara o cipriota Marcos Baghdatis.

Para conferir todos os resultados desta segunda-feira, clique aqui.

Para conferir a programação completa desta terça, clique aqui.

Filipe Alves, da Revista Tennis View.

Foto: FFT

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Roland Garros: Federer e Ferrer estreiam com tranquilidade. Nadal joga na segunda

Começou neste domingo a chave principal de Roland Garros, segundo Grand Slam do ano, disputado no saibro de Paris.

O suíço Roger Federer, campeão do torneio em 2009, venceu com facilidade o qualifier espanhol Pablo Carreno Busta, com parciais de 6/2 6/2 e 6/3.Federer - FFT peq

Outro favorito que estreou bem foi o espanhol David Ferrer, cabeça de chave nº 4, que venceu o australiano Marinko Matosevic em sets diretos, com parciais de 6/4 6/3 e 6/4.

O francês Gilles Simon precisou de 5 sets para superar o australiano Lleyton Hewitt, fechando a partida com parciais de 3/6 1/6 6/4 6/1 e 7/5, assim como o italiano Andreas Seppi, que bateu o argentino Leonardo Mayer com parciais de 6/7(4) 6/4 6/3 6/7(2) e 6/4.

Nadal estreia na segunda

Segunda-feira será o dia da estreia do maior campeão da competição

O heptacampeão Rafael Nadal estreia contra o alemão Daniel Brands, nº 59 da ATP, em confronto que será inédito.

Outro destaque desta segunda é a estreia do tcheco Tomas Berdych, cabeça de chave nº 5, que encara o francês Gael Monfils.

6º favorito da chave, o francês Jo-Wilfried Tsonga joga contra o esloveno Aljaz Bedene, enquanto Richard Gasquet, cabeça 7, encara o ucraniano Sergiy Stakhovsky.

Para conferir a programação completa desta segunda-feira, clique aqui.

Filipe Alves, da Revista Tennis View

Foto: FFT

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Rafa parte II – escrevendo coluna de Melbourne

E para complementar o post que escrevi ontem sobre o Nadal, aqui vai o link da coluna que ele escreveu hoje para o jornal de Melbourne, The Age.

 

http://www.theage.com.au/sport/tennis/win-or-lose-its-a-good-start-20120125-1qi2u.html

 

A coluna não é muito longa, nem excepcional. Ele mesmo conta que escreveu com o PR dele, o Benito Perez Barbadillo, com quem trabalhei muitos anos no circuito. Mas, é uma outra maneira de deixar o espanhol ainda mais perto dos fãs. Por isso, vale a leitura.

HELLO everybody. Well, this is new for me to write a column for a newspaper before a semi-final match. I suppose there’s always a first time for everything.

I do have to say I have what they call a ghost writer for this piece, which is my PR guy Benito Perez-Barbadillo since, (1) my English is not that good, and (2) he can help me express myself a bit better as he knows this world better than me.

Here I am again in a semi-final of the Australian Open. After the past two years reaching the quarters of this tournament and not being able to finish well in the matches – I had to retire in 2010 against Andy Murray and last year got injured after the third game against David Ferrer – finally I am playing again in a semi and I’m very excited about it.

For me, it is very important and a happy moment to start the season. Win or lose, it is a good start considering the end of the season I had last year with many doubts.

It is always special to play against Roger (Federer), for many reasons, but for me to play against arguably the best player of all time – together with Rod Laver – is always something special.

This is the tenth time I have played him at a grand slam tournament and in most of the previous encounters we played the final.

He is playing amazing. Remember when many were saying he was done? Well, here it is. I always said it, he is a great champion.

Many people have asked me about my memories of the last match I played against him here in Australia. It was the 2009 final and that is one of the matches that will always stay in my memory.

After that very hard and physical semi-final, I never thought I could go out and play the final with many chances to win. We both played a great match, a beautiful match and I managed to win that one. That meant for me something special since it has been the only time I’ve won this event.

I am sure this semi-final will be another great match – hopefully very different to the last match we played in London, and I hope all the fans will enjoy watching.”

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Rafa

Desde que acabei de ler a biografia do Nadal, RAFA, de John Carlin, publicada aqui no Brasil pela Sextante, queria ter escrito sobre ele, fazendo uma resenha daquelas.

Mas, terminei a leitura no meio de uma época conturbada de trabalho e acabei deixando passar.

Continuo, como sempre, atolada de coisas para fazer, mas no meio do primeiro Grand Slam do ano, achei que valia a pena recomendar a leitura.

Antes de tudo, gosto de biografias, ainda mais quando são bem escritas.

A do Nadal, a exemplo da de Andre Agassi foi feita por um aclamado escritor, John Carlin, autor de Invictus. A de Agassi, foi escrita por um vencedor de Pulitzer.

Essas características por si só, já fazem a diferença.

As comparações, no entanto, param por aí. São bem diferentes.

Apesar de achar que biografias devem ser escritas quando o personagem em questão encerra a sua atividade de destaque, no caso, como fez Agassi, a de Nadal vale a pena.

Entre descrições detalhadas de jogos importantes da carreira do espanhol, que te fazem sentir dentro da quadra, há inúmeras páginas dedicadas à pessoa Rafael Nadal, que acabam por mostrar como tudo o que faz dele quem ele é, influenciaram e influenciam a sua carreira.

O mais surpreendente para mim foi como, ao ler o livro, deu para me sentir muito mais entendida sobre ele.

São passagens como a que ele revela o medo do escuro; de tempestades; o desejo de comprar um carro uma vez durante Roland Garros e que o pai não deixou; a relação próxima com a irmã Maribel; como ele se sentiu quando os pais se separaram – aliás, o pai aparece como muito presente na carreira dele, muito mais do que podia imaginar – e olha que eu costumo saber destas coisas -; como foi cada processo da descoberta e de recuperação das lesões mais sérias, inclusive detalhando visitas a médicos que jogadores raramente gostam de comentar, que fazem do livro especial.

São detalhes dos jogos mais importantes que revelam uma vontade de vencer ainda maior do que a vemos quando ele luta em cada ponto até o final.

Não sei que resultado esperar do confronto com Roger Federer na semifinal do Australian Open, depois desta vitória sobre Tomas Berdych, de virada.

Mas, com certeza, um grande espetáculo de tênis e a julgar pelo que aprendi no livro, um Nadal diferente do que vimos até agora em Melbourne.

 

 

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Para irmãos Bryan, momento é de união entre os tenistas e eles querem um acordo justo

Já estamos no terceiro dia do Australian Open, metade dos jogadores que viajou até o outro lado do mundo já está arrumando as malas para voltar – sim, nestes dois dias 64 homens e 64 mulheres já foram eliminados do torneio – e a polêmica que veio à tona no fim de semana, quando Nadal falou mais do que deveria, continua no ar.

Houve suspeita de boicote dos jogadores no Australian Open (os com ranking inferior queriam mais premiação / não entendam que acham que ganham pouco, mas acham que o que ganham comparado ao lucro que os Grand Slams tem é pouco  e essa discussão é antiga) e paralelamente a isso, depois de reunião do conselho dos tenistas bem quente, Nadal, em uma coletiva de imprensa, afirmou que não concordava com os pensamentos de Federer, de uma maneira não muito gentil. “”Estoy en desacuerdo con él. Es muy fácil decir yo no digo nada, todo es positivo y quedo como un ‘gentleman’ (caballero) y que se quemen los demás” – disse em espanhol.

A declaração pegou a todos de surpresa, especialmente pela imagem de amigos e respeito que sempre houve entre os dois.

Nadal, vice-presidente do conselho dos jogadores, luta por um ranking que tenha duração de dois anos, como o golfe e não de um ano e principalmente por um calendário com mais semanas de descanso, para preservar o corpo dos jogadores.

Federer, sempre mais saudável, não acredita em ranking bienal e acha que este ano, em que já haverá semana a mais de descanso, já foi um grande avanço.

O espanhol chegou a se desculpar depois, dizendo que não deveria ter feito a declaração aos jornalistas e sim diretamente a Federer. Os dois se entenderam, mas o assunto continua sendo notícia e tenho tentado ler tudo o que encontro de qualidade para me aprofundar mais sobre o tema.

O interessante é que Federer, o Presidente do Conselho dos jogadores e Nadal, o vice, parece que tem conseguido discutir assuntos e fazer bom uso do papel que tem. É raro contar com os nomes deles nesta posição. Antes de Federer, por exemplo,Ivan Ljubicic era o Presidente do Conselho.

Entre algumas matérias interessantes que andei lendo, esta foi uma que se destacou, em que os irmãos Bob e Mike Bryan, falam do ocorrido e afirmam que apesar de tudo, os jogadores do circuito nunca estiveram tão unidos.
Reproduzo aqui o texto do jornal australiano The Age, desta quarta, em Melbourne.

 

Players fight for the right to a fair deal

Bob and Mike Bryan

January 18, 2012

It’s hard to sympathise with millionaire tennis stars, but they have a point.

IT CAN get really tough when players start talking publicly about pay and conditions, because it’s not really what the fans want to be hearing about.

They want to see us at their tournaments, they want to see everyone play, and they don’t have much sympathy for our personal lives or our families and friends, which is understandable.

We’re lucky. We travel to great cities, we’re well paid and we have one of the best jobs in the world, so we try not to open our mouths about a lot of that stuff. But we have some interesting times ahead because the players are more united than they have been in a while.

For a long time, it was impossible to get anything done, because all the players wanted different things, but that’s starting to change.

By the end of the year, everyone’s exhausted. We’ve been on tour now for 13 years, and we’ve had three-week off-seasons for that whole time.

Mike has a big house, a pool and a volleyball court that he doesn’t get to use – he just gets the bills, so he doesn’t think he’s getting much bang for his buck there.

This year we’re going to have a few extra weeks off, which is a really smart move by the ATP, because with how things have stood for the last 20 years or so, players haven’t really had a chance to work on weaknesses.

You don’t want to change, say, your serve, and go straight into a tournament. You need some time at home to work on things, to hit the weights hard rather than just try and maintain where you’re at.

Playing so much tennis takes a physical toll too. It puts a lot of pressure on the top guys especially. That’s why Rafael Nadal has been so outspoken, because if he’s going to get back up to No. 1 in the world, he just has to keep playing tennis. He can’t afford to miss any events.

That’s where the rankings system comes into it, because if you get injured, your ranking drops straight away.

Sam Querrey got hurt for three months and dropped outside the top 100. If we’ve had injuries, we’ve kind of had to push through them, take three or four anti-inflammatories before a match and keep playing. And that would be pretty standard, because everyone has something. Nobody’s ever 100 per cent, but they could be with a three- or four-month off-season.

In a perfect world, we’d have the US Open, have the tour finals for the top guys, then shut things down. As far as the rankings go, look at golf: their rankings are done over a two-year period, which means Tiger Woods can take a year off, come back and still be No. 1.

We have a player council of 11 players, and every group of players is represented on that. There’s a couple of doubles players, there’s someone who looks out for the top players, and players for, say, the top 25 and the lower-ranked guys as well. Everyone has someone they can talk to. In the past it hasn’t really worked too well.

Everyone’s had their own agendas. When you’re talking about cutting the schedule, the claycourters don’t want to lose any of their events, and the hardcourt guys are the same.

We have mandatory meetings that every player has to go to – you get fined if you don’t turn up – and the guys on the council get together eight or so times a year, whether they meet or have conference calls and go through what they’re all thinking. The meeting on the weekend was apparently pretty fiery.

But it’s cool that we have Rafa, Roger Federer and Novak Djokovic on the council together – the big three. They might not be on the exact same page at the moment, but that’s going to happen. They’re uniting the players and making sure we have a voice.

They don’t need to do it – they’re millionaires, they’re great players and they could just focus on their tennis, but they’re trying to make the game better and take it into the future, and we’re becoming a stronger group because of it. We’re less divided than we used to be, and that will hopefully make it easier for things to get done.

We won’t be around when it happens, but we want things to be better for the young guys coming through in the future.

We have friends who’ve had hip replacements at the age of 40, and we don’t want guys to be limping around when they’re 25.

Read more: http://www.theage.com.au/sport/tennis/players-fight-for-the-right-to-a-fair-deal-20120117-1q4qg.html#ixzz1jlrW7Qji

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Um raro bate-papo com Marian Vajda, o técnico de Djokovic

A temporada já acabou, os tenistas todos já estão em plena preparação para 2012, nas suas pré-temporadas pelo mundo.

Agora é o momento de relembrar como foi 2011 e homenagear Novak Djokovic, o destaque disparado do ano.

Para isso posto aqui a entrevista que a Tennis View, com Edgar Lepri, Leonardo Stavale e Nelson Aerts, fizeram com o homem que levou Novak ao topo, o técnico Marian Vajda, em Nova York, publicada na edição 116 da revista.

Vajda, o treinador que transformou Djokovic no melhor tenista do mundo

 

Qual o trabalho por trás do tenista de Novak Djokovic? Quem é o treinador capaz de fazer o sérvio passar Roger Federer e Rafael Nadal para disparar na liderança do ranking da ATP? O nome dele é Marian Vadja, um ex-tenista profissional, que chegou ao 34º lugar no ranking e vencedor de dois torneios ATPs. Feitos que parecem pequenos quando comparado às conquistas obtidas na sua segunda carreira.

Após parar de jogar por conta de uma lesão e se afastar do circuito para curtir a família, por volta dos 30 anos Vadja foi seduzido a iniciar a carreira como técnico ao ser convidado a trabalhar com o eslovaco Domink Hrbaty, na época 320º do mundo.  Para quem estava começando na profissão, Vajda não tem do que reclamar. Hrbaty foi o 14º melhor tenista da ATP, campeão de seis torneios e uma semifinal em Roland Garros.
Depois o treinador teve ainda boas experiências com Karol Kucera e embarcou no tênis feminino até receber a proposta há cinco anos de treinar a então jovem promessa Djokovic. De lá para cá, a história ficou conhecida, e muito. A relação de Vajda com Djoko vai além das quadras. O próprio tenista já afirmou que o treinador é como um segundo pai para ele. O treinador não é nenhum mágico, aparentemente sua grande maestria e genialidade é a capacidade infinita de entender como funciona a mente de seu pupilo.

 

Nesta entrevista exclusiva à Tennis View, realizada durante o US Open, Vadja destaca o fato de ter sido jogador como um diferencial no seu dia a dia como técnino. Diz saber saber a hora de dar um descanso, puxar um treino mais forte e motivar o jogador na medida certa. O treinador afirma também que a paciência é uma de suas maiores virtudes e que passou isso para Djoko quando o tenista ansiava por chegar ao topo. Confira esses e outros segredos do homem que transformou Djokovic no melhor tenista do mundo.

Tennis View  – Quando você se envolveu com tênis?

Marian Vajda – Eu tinha 10 anos e morava na Eslováquia, em Piestany, onde eu cresci. Fui apresentado ao tênis pelo meu pai, que tinha construído uma quadra na cidadezinha e tinha muitos bons técnicos me acompanhando.

 

TV – Como você avalia sua carreira como profissional? Você acha que poderia ter ido mais longe?

MV – O tênis era minha paixão, mas eu comecei a jogar profissionalmente muito tarde, com 18 anos, quase 19. Entrei no top 100 quando tinha 20 anos e meu objetivo, obviamente, era o de todo jovem tenista: ser o melhor do mundo. Sempre via Wimbledon quando era criança e sonhava com aquele troféu. Não realizei esse sonho, mas pude ganhar dois torneios de ATP Tour, fiz outras duas finais… Quando eu olho para trás, me sinto muito satisfeito. Talvez eu pudesse ter alcançado mais coisas, mas eu fui incapaz por minha carreira ter terminado com uma lesão, então parei com 30 anos.

 

TV – Quando você começou a ser treinador?

MV – Depois dos 30 anos, fiquei um tempo cuidando da minha família e senti que gostaria de voltar para o tênis. Tive uma proposta de treinar uma boa promessa, Dominik Hrbaty, que na época era 320º do mundo. Nós fizemos um período de experiência para ver se seria bom e eu realmente passei a gostar. No início eu ficava muito cansado, porque era completamente diferente a carreira de treinador e jogador. Eu precisava focar naquilo que ele estava fazendo, e não mais em mim. Mas começamos a trabalhar juntos, eu gostei e passei a me motivar, porque ele também tinha muita vontade de crescer. Foi assim que comecei como treinador, aos 31 anos e até hoje.

 

TV – Então você já começou com um trabalho muito bom?

MV – Sim, eu tive sorte desde o começo. Ele melhorou muito, fez mais de dez finais, foi semifinalista de Roland Garros e quase um top 10. Foi muito gratificante. Eu recebi muito crédito e sei que fiz um bom trabalho, mas estava com um jogador muito bom. Depois disso eu pensei que não conseguiria mais pegar nenhum bom jogador. Ele foi 12º, isso é o melhor que a gente consegue [risos]. Mas então eu ainda treinei Karol Kucera por dois anos e meio, trabalhei para a Federação por um ano e meio, depois um pouco no feminino…

 

TV – E como surgiu a oportunidade de treinar Novak Djokovic?

MV – Em 2006, eu recebi uma grande proposta da equipe que conduzia a carreira do Novak. Eles se lembravam de mim por ter treinado Dominik, mas eu não sabia quem o Novak era, porque na época eu estava treinando meninas. Aí eu fui para Paris, conheci os pais, a família e ele. E esse foi o início. Também tivemos um período de experiência, por cinco ou seis semanas, ele ganhou o primeiro torneio… E foi assim que tudo começou, de Wimbledon em 2006 e chegou ao auge agora [risos], com uma conquista em Wimbledon, então foi muito legal. Em cinco anos, ele alcançou o número 1 do mundo, o que foi realmente inacreditável. Ele é um cara muito talentoso e tenho muito sorte de contar com esse talento.

 

TV – Qual você acha que foi a grande mudança de Djokovic no último ano?

MV – Ele mudou muito mentalmente, sabe? Mas, em cinco anos de trabalho, ele sempre teve a ambição de ser número 1 do mundo, um desejo mesmo. E ele sempre conseguiu evoluir. Ele trabalhava em todos os golpes. Por exemplo, há um ano e meio o saque dele não estava muito bom. Trabalhamos com isso, depois o forehand, tudo da base. Hoje, ele tem esses movimentos praticamente perfeitos.

 

TV – E a diferença entre passar de top 3 para número 1 do mundo, o que mudou?

MV – Foi muito duro. Acho que ele percebeu algumas coisas importantes e está mais maduro. Se ele pode bater os números 1 e 2 do mundo, se ele pode ganhar a Copa Davis, ano passado, – o que o ajudou muito -, ele percebeu que poderia ser mais agressivo, mais rápido, fisicamente ele estava muito bem no final do ano, e isso tudo se juntou neste ano.

 

TV – Quais foram as mudanças físicas?

MV – Bem, ele parou de consumir glúten e reduziu muito o açúcar. Ele perdeu alguns quilos, está mais magro e muito mais rápido em quadra.

 

TV – O que é necessário para ser um bom treinador?

MV – É preciso ser paciente, viajar muito… ser paciente [risos], e é uma carreira dura. Você não pode ser dominante. Você precisa deixar o cara dominar, precisa ouvi-lo, ser muito paciente e definir metas, como evoluções em longo ou curto prazo. Mas você precisa ser muito paciente, porque você está diariamente com o cara, 24 horas por dia, e às vezes é difícil controlar os nervos, sabe? A carreira no tênis me ajuda, porque eu passei por isso como tenista e tive muitas experiências. É importante não confundir o jogador ao falar de algo que ele não está tão bom, mas ser paciente e melhorar aquilo. Teve um tempo em que ele estava muito para baixo e eu sempre dizia: ‘Você precisa ser paciente, você vai virar número 1. É um passo de cada vez, não vai ser de um dia para outro’. O mais importante é acalmar o tenista mentalmente, o que não é fácil.

 

TV – Você acha que ajuda muito ter sido um tenista profissional?

MV – Sim, definitivamente. Ajuda muito. Porque eu conheço tudo, todos os torneios, a programação de cada dia. Com o que eu fiz, eu posso dar exatamente o programa de treinos a ele sem causar overtraining, porque há treinadores que forçam demais, sabe? Eu tive sorte de conhecer boas pessoas na minha equipe, na preparação física, alimentar, na fisioterapia e sempre nos comunicamos. E a comunicação é muito importante, especialmente com ele (Djokovic), porque ele sabe identificar as coisas, então o que ele sente, ele conta para a gente. Ele é aberto com a equipe e tem muita sensibilidade nesse aspecto.

 

TV – E ele faz muito preparo físico?

MV – Acho que ele faz o mesmo que os outros, mas ele tem uma capacidade boa e pode “sintetizar” os exercícios muito, muito, muito mais rápido. Ele consegue aprender as coisas muito rapidamente e seu estilo de jogo é muito intenso. Por exemplo, atualmente, ele fica duas semanas sem jogar, volta para o circuito e joga do mesmo jeito. Enquanto muitos tenistas precisam de uma semana ou duas para retomar o ritmo. Então, isso é um talento, um dom.

 

(Fotos de Cynthia Lum)

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Parabéns Argentina

Parabéns Argentina

 

 

A essa hora a Espanha está comemorando a conquista da sua quinta Copa Davis. Estranho pensar que só é a quinta Saladeira espanhola da história e que até uma década atrás eles nunca tinham erguido a tão famosa Taça.

 

Dez, vinte anos atrás outros nomes, outras nações ainda dominavam o esporte. Estados Unidos, Grã Bretanha, Suécia cansaram de ganhar essa competição.

 

Mas, o post não é sobre o time de Rafael Nadal e sim sobre os argentinos.

Já faz tempo também que a nação vizinha deixou de ser uma força dominante no tênis como uma vez já fora, tendo quatro tenistas no top 10.

Eles ainda tem Nalbandian e Del Potro, mas nenhum dos dois está no auge. Já faz seis anos que Nalbandian ganhou o Masters em Xangai e dois que Del Potro venceu o US Open.

 

Por isso, chegar à final pela terceira vez em cinco anos e pela quarta na história e ter chances reais de vencer é para se aplaudir de pé.

 

Pelo que dizem os amigos jornalistas e há até livros escritos sobre o assunto, até hoje a Argentina não ganhou a Davis devido a brigas internas do time, o que aparentemente não aconteceu desta vez.

Como disse Nalbandian, os espanhóis ganharam porque foram melhores.

E ganhar de Nadal, no saibro, na casa dele, é missão quase impossível e Del Potro chegou perto.

 

O domingo também foi cheio de debates entre jornalistas e técnicos sobre a mudança de formato da Copa Davis, especialmente dos Americanos que depois que deixaram de chegar à final, não conseguiram fazer a competição ter destaque nos Estados Unidos.

Houve gente que falou que a Davis só importa para as nações que estão na final.

Não concordo. Quantas pessoas ao redor do mundo assistiram ao embate hoje entre Espanha e Argentina? E no ano passado entre Sérvia e França.

Depende sim da qualidade dos jogadores envolvidos e principalmente do coração que eles estão colocando em quadra.

Adoro os espanhóis e como não gostar de Rafa Nadal, mas gostaria muito de ter visto uma vitória argentina.

Com certeza uma Taça Davis chegando em Buenos Aires teria muito mais impacto no povo argentine do que ela tem nos espanhóis.

Mas mesmo assim, parabéns Argentina.

 

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Bernardes, a trajetória e a história da arbitragem no Brasil que abriu caminho para chegar à a final de Wimbledon.

Todo jogador de tênis tem um sonho,o de um dia disputar a final de um Grand Slam. A maioria deles sonha em estar na decisão de Wimbledon.

Foi o que Novak Djokovic afirmou ao derrotar Tsonga, chegar ao posto de número um do mundo e perceber que estava na final do mais tradicional torneio de tênis do mundo. “Wimbledon é o primeiro torneio que assisti na televisão quando era criança. Sempre sonhei em estar na final.”

Rafael Nadal, mesmo ganhando Roland Garros seis vezes, já cansou de falar que o torneio mais importante para ele é Wimbledon.

Neste domingo, quando Nadal e Djokovic estiverem jogando pelo trofeu, um brasileiro realizará seu sonho também. Carlos Bernardes estará comandando o embate entre o número um e o número dois no mundo.

Pela primeira vez na história um brasileiro sentará naquela cadeira, na final.

Será a terceira vez de Bernardes em uma final. Ele fez duas do US Open,  a entre Roddick e Federer e a entre Federer e Murray, mas nunca nenhuma na grama sagrada.

Fiquei emocionada quando recebi o email do próprio Bernardes, na sexta à noite, dizendo que tinha sido escolhido para fazer a final.

Alguns dias atrás havíamos nos encontrado pelos corredores do All England Lawn Tennis & Crocquet Club e por Bernardes ser colunista da Tennis View, há algum tempo, desenvolvemos uma relação mais próxima e de muito respeito profissional.

A cada edição ele pega o tempo livre, o pouco que tem, para escrever para os fãs de tênis do Brasil sobre regras, novidades no circuito e se dispõe a tirar dúvidas de todo mundo.

Esse post de hoje é uma homenagem ao Bernardes, que faz com que o Brasil esteja representado na final de um Grand Slam e a todos os árbitros brasileiros, principalmente aqueles que começaram com a formação da arbitragem no Brasil, anos e anos atrás.

Reproduzo aqui uma matéria muito especial que os jornalistas da Tennis View, Fabiana Oliveira e Leonardo Stavale, fizeram na edição 80, relatando como a história da arbitragem começou no País e explicando, de certa maneira, de onde veio e como Carlos Bernardes chegou lá (alguns dados estão desatualizados, mas a base da materia está superatual).

PS – reparem no Bernardes novinho na página 2

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Bjorn Borg, 30 anos depois, faz sucesso vendendo cuecas e chama McEnroe para fazer design de underwear também

Hoje em dia o tênis vive em torno do quarteto mágico formado por Nadal, Djokovic, Murray e Federer, com alguns intrusos ocasionais, como foi o caso de Tsonga neste Wimbledon. Mas há 30 anos era de Bjorn Borg e John McEnroe que se falava. Há 30 anos exatamente eles faziam a final mais comentada de Wimbledon da história, até os recentes embates entre Nadal e Federer, mas mesmo assim, ainda se fala dela e muito.

Tanto se fala que a HBO, nos EUA, lançou um documentário chamado Fire & Ice sobre a rivalidade dos dois, livros estão sendo lançados novamente e a mítica continua.

Tão diferentes quanto eram em quadra, a vida dos dois pós tênis profissional tomou rumos diferentes.

McEnroe continuou 100% envolvido com o esporte. É comentarista na maioria dos Grand Slams para grandes redes de televisão, joga ativamente o Champions Tour e o Champions Series, tem uma academia em NY, a John McEnroe Tennis Academy, participa de eventos beneficentes, encontra os jogadores mais jovens do tour, enfim, está presente com frequência. Quando é chamado para grandes eventos que possam beneficar o tênis mundo afora, também participa.

Já Borg não costuma aparecer tanto assim. Esperavam que ele estivesse em Roland Garros para ver Nadal igualar seu recorde, mas ele não apareceu. Sem alardes, estava ontem no Royal Box, em Wimbledon, assistindo as semifinais.

Joga apenas um outro torneio do circuito senior, faz poucas aparições, não tem academia de tênis e faz sucesso mesmo hoje em dia, fora das quadras, vendendo cuecas.

Eu já estava pensando em escrever um post sobre o sucesso das cuecas Bjorn Borg de tanto andar, em diferentes cidades da Europa e ver a marca em lojas próprias ou em grandes magazines.

Entrei em algumas, vi que também há roupas de tênis, o que não tinha no começo, mas é com as cuecas, com a linha de underwear que ele ganhou o mundo, ou melhor, a Europa novamente. 

São coloridas, festivas e em diferentes modelos.

Uma cueca Bjorn Borg custa mais do que uma cueca Dolce Gabbana. Confirmei isso num grande magazine da Holanda ontem, o V&D – a de Borg estava sendo vendida a 19 Euros e a D&G, a 15.

Ontem, quando vi o Borg assistindo o jogo, tive o empurrão que faltava para escrever sobre as cuecas do ex-número um do mundo.

Ao receber hoje cedo o press release com a notícia de que ele chamou o ex-rival McEnroe para fazer uma série limitada desenhada por ambos, não acreditei.

Como parte das comemorações dos 30 anos do maior jogo da história, cada um fez dois modelos de cuecas e pela primeira vez uma cueca da marca Bjorn Borg sai com o nome de uma outra pessoa – John McEnroe -escrito no elástico.

A edição que deve ser lançada mundialmente no início de agosto será limitada e parte da renda será doada para a John and Patty McEnroe Foundation.

“Adorei a ideia assim que me falaram. É uma oportunidade maravilhosa de me juntar ao John e ganhar dele em novos territórios,” disse Borg – os dois já estão competindo para ver quem vai vender mais cuecas.


Lembro há alguns anos quando estive na Hungria e vi uma loja Bjorn Borg, de cuecas, achei a coisa mais estranha. Afinal, Borg já tinha se dado mal com uma linha de roupas décadas atrás e não combinava muito.

Mas, o negócio pegou, deu certo e qual não foi a surpresa, ao ver, numa foto do Rio Champions, no ano passado, do nosso fotógrafo João Pires, o Safin vestindo cuecas Bjorn Borg – não, não vimos o Marat só de cueca, apareceu um pouco acima do shorts.

A marca Bjorn Borg existia desde essa época – anos 80 – que não deu certo, mas a partir de meados dos anos 1990 um grupo de investidores resolveu ressurgir com o nome na moda, na Suécia, mas só ganhou força a partir de dezembro de 2006 quando a empresa, the GROUP, adquiriu os direitos mundias e iniciou a expansão.

Os maiores mercados da marca, entre os 23 países em que operam, são a própria Suécia e a Holanda. Não há nenhuma loja, nem venda na América do Sul  – o mais próximo são os Estados Unidos mesmo.

Ah, e para a minha surpresa, o primeiro objetivo da empresa para o próximo ano é aumentar em 10% o uso de material orgânico na confecção. Responsabilidade social está em todos os lugares, até mesmo nas cuecas.

E quem diria, que 30 anos depois, seria uma cueca que uniria Borg e McEnroe novamente. 

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Tsonga prova em Wimbledon que mudança de atitude, força mental e alegria fazem a diferença

Gostaria de ter escrito esse post sobre o Tsonga ontem, mas como já não estou mais em Wimbledon e às vezes as idas e vindas de uma cidade para outra na Europa acabam demorando mais do que o imaginado – isso não é uma reclamação – só consegui me conectar novamente quando já era muito tarde.

Desde a metada do jogo estava pensando no poema do Kipling que postei ontem no blog, que fala de batalhas, de erguer a cabeça mesmo na derrota e de se levar ao limite. O jogo de ontem foi um pouco assim. Federer reconheceu a derrota. Achou que jogou o seu melhor e mesmo assim perdeu. Tsonga, derrubou o inimigo maior  e com a alegria natural, relaxamento em quadra, foi além. Ganhou de Federer no “jardim dele.”


Esse jogo certamente será analisado por psicólogos – tenho certeza que nosso colunista na Tennis View Dietmar Samulski já está analisando o lado mental da partida – e por todos que acreditam que o mental é mesmo o mais importante no tênis.

Há algumas semanas venho acompanhando o novo desenvolvimento do Tsonga, especialmente depois que ele resolveu ficar sem técnico (desde meados de maio), pela primeira vez em sete anos. Parece que esse novo jeito de levar o tênis, mais alegre e menos estressante como ele mesmo disse na coletiva – “antes qualquer coisa me estressava. Se o carro atrasava, se o pessoal no meu box não me motivava o suficiente, tudo era motivo para eu reclamar e olha que vida maravilhosa eu tenho, então resolvi relaxar -” fez os resultados aparecerem. “Sinto mais liberdade, mais alegria,” e isso sempre faz a diferença.

“A mudança começou com a vitória sobre Nicolas Almagro em Madri, depois veio a vitória sobre Rafael Nadal, em Queen’s onde ele ficou com o vice-campeonato, perdendo para Murray na final e agora veio a vitória sobre Federer,” me elembrou um jornalista amigo do L’Equipe.

Foi essa tranquilidade e liberdade para soltar o braço, mais a alegria e a sensação de estar num momento especial, acima da zona normal, que surpreendeu os grandes nomes do esporte.

Ontem em Wimbledon, Goran Ivanisevic chegou a comparar Tsonga a Becker. “Ele é grande, forte e nunca teve medo de arriscar. “

O próprio Becker felicitou o francês: “Ele jogou sem medo, usando as suas melhores armas, a direita e o saque e um pouco de tudo mais que ele tem. Ele usa muito também as emoções e quando você as usa e tudo vai bem, é difícil te pararem.”

Se Tsonga vai chegar à final, derrotar Djokovic e depois passar pelo vencedor de Murray e Nadal ninguém sabe, mas o que ele provou é que uma mudança de atitude, uma mudança mental, claro que aliada a um jogo de altíssima qualidade, podem realmente mudar o curso da história. 

Por falar em alegria, olha a  capa do L’Equipe de hoje – “Que Alegria,” diz a manchete com as fotos do Tsonga. Capa 100% dele.

 

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