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A volta de Nadal. É hoje.

Wimbledon passou, vieram os Jogos Olímpicos, o US Open, o ATP Finals, a final da Copa Davis e o Australian Open. Todos esses grandes eventos – em Wimbledon, no meio da primeira semana ele já estava eliminado – sem a presença de Rafael Nadal, com uma lesão no joelho esquerdo. E hoje, depois de mais de meio ano, ou melhor, oito meses, o Rei do Saibro, o 11 vezes campeão de Grand Slam, o recordista de títulos de Roland Garros, com sete trofeus, o tenista que desafiou Roger Federer, mudou a história do esporte, volta a competir.

Nadal Monaco

A estreia nas duplas foi na noite de terça-feira, ao lado de Juan Monaco. E Nadal e o amigo argentino estrearam com vitória. Derrotaram os cabeças-de-chave 2, Frantisek Cermak e Lukas Dlouhy, por 6/3 6/2. Mas, como Nadal mesmo disse, duplas é mais tranquilo e o verdadeiro teste será no jogo de simples.

O adversário de estreia, (19h Brasília com transmissão do BandSports) o argentino Federico Delbonis – 128º na ATP –  é tão desconhecido do grande público quanto o checo Lukas Rosol (era o 100º), responsável pela eliminação de Nadal, em Wimbledon.

O torneio onde Nadal está jogando, o VTR Open, em Viña del Mar, também está longe de ser um Grand Slam, Jogos Olímpicos e um Masters 1000. Mas, para o tenista a importância é tremenda e faz todo o sentido ele ter escolhido a pacata cidade para voltar a competir (escrevi sobre isso há poucos dias aqui). O evento, no entanto, se tornou grandioso com a presença do 6º número um da história a aparecer por lá. Nadal Viña del Mar

Mais de 300 jornalistas se credenciaram para cobrir a estreia de Nadal, no Club Naval Las Salinas, de Vinã del Mar. Direitos de televisão internacional foram vendidos para diversos países que antes não colocavam o ATP chileno na grade de programação. Novos patrocinadores surgiram, os ingressos aumentaram – segundo o jornal L’Equipe, de entre R$ 40 e R$ 110,00 para R$ 120,00 a R$ 230,00. As arquibancadas também ganharam mais espaço e agora tem capacidade de 5.000 lugares (antes era de menos do que 4.000).

Recebido pelo Presidente Sebastian Piñera e hospedado numa cidade de 290.000 habitantes e jogando um ATP 250. Assim acontece a volta de Rafael Nadal ao circuito mundial.

Não sei se de fato, Federer, Murray e Djokovic sentiram a falta do adversário, mas o público certamente sentiu.

Vamos, Rafa.

Foto de Jim Rydell/VTR Open by Canchantun

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Porque Viña del Mar se transformou no lugar ideal para a volta de Nadal

Rafael Nadal não poderia ter escolhido final de semana mais discreto e lugar mais simples para retornar ao circuito mundial após sete meses de ausência se recuperando de uma lesão no joelho. Enquanto todos as atenções estão voltadas para a Copa Davis, mundo afora, Nadal já está em Viña del Mar, a maior estrela do tênis que o pequeno balneário já acolheu.

Nadal Vina del Mar

O VTR Open é um ATP 250 como o Brasil Open. Mas, nos últimos anos, especialmente depois da aposentadoria de Fernando Gonzalez, vinha sofrendo com a falta de jogadores locais, apoio financeiro e com a complicada data no calendário, logo depois do Australian Open e da Copa Davis, quase sem chances de trazer os jogadores tops para competir no Club Naval Las Salinas. O torneio tentou voltar para Santiago, onde Guga foi campeão no ano 2000, mas não deu certo e retomou a disputa em Viña.

Houve rumores de que o torneio poderia ser vendido, os organizadores, que realizam o evento desde 1993, ganhou um presente para comemorar o seu 20º aniversário: a presença de Rafael Nadal, o sexto número um do mundo a desembarcar por lá (Wilander, Rios, Courier, Moya e Guga foram os outros).

De longe, em meio aos jogos da Copa Davis e o início de folia carnavalesca no Brasil, estou acompanhando atentamente os passos do heptacampeão de Roland Garros em Viña del Mar e tentando visualizar tudo o que está acontecendo. Nadal ATP return

E ao imaginar o Club Naval Las Salinas, as modestas instalações para os jogadores e imprensa, as arquibancadas sem estruturas dos grandes torneios, o simples, mas aconchegante hotel onde todos ficam hospedados, os pequenos restaurantes no caminho entre o torneio e o hotel, a imprensa chilena ávida por qualquer tipo de notícia relacionada ao espanhol, o tratando como rock star, começo a pensar que talvez um torneio pequeno, em que te fazem se sentir em casa, era tudo o que Nadal precisava.

Apesar de parecer perto, Viña del Mar não é aqui do lado. De São Paulo, são quatro horas de vôo para Santiago e mais uma hora de carro até o local onde os chilenos aproveitam a praia. Com fuso horário e um clima de deserto seco – faz muito calor de dia e frio à noite – a sensação é de estar bem mais longe de casa. Para quem vem da Espanha, a distância é maior ainda.  Para Nadal talvez seja ideal voltar a jogar sem muita pressão, em um lugar menor – nem vamos entrar na questão do piso/saibro.

Nadal return Chile

Imagino que as matérias que estão saindo na imprensa chilena estejam até sendo divertidas para Nadal. Até material da paradinha do maior rival de Roger Federer, no caminho do Palácio de La Moneda, depois do encontro com o Presidente Sebastian Pinera, para o Club Naval Las Salinas, em um restaurante de estrada virou destaque nos jornais chilenos.  Entrevistaram o cozinheiro, o dono do restauranta, descreveram o que ele comeu e por aí vai. Nos últimos dias, os jornalistas chilenos entrevistaram quem eles conseguiram para falar sobre Nadal. Falaram com John Carlin, o autor da auto-biografia de Nadal, com os tenistas que Nadal treinou, na Espanha e no Chile, e aí me lembrei de que quando fui a Viña, com o Guga até matéria comigo fizeram e seguiam Dna. Alice, a mãe dele e uma namorada da época, por onde quer que elas andassem.

Ontem falei rapidamente com o pessoal do staff de Nadal e estavam todos felizes por estarem em Vinã del Mar, se sentindo acolhidos pelos organizadores, os irmãos chilenos Alvaro e Jaime Fillol e claro, por estarem de volta ao circuito, em um torneio pequeno, como quando começaram a se aventurar pelo mundo.

PS –a  estreia de Nadal é contra o vencedor do jogo entre o argentino Guido Pella e um qualifier

“Fotos por Jim Rydell, VTR Open por Cachantun, Vina del Mar”

 

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