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Campeão do US Open, Bruno Soares continua escrevendo seu nome na história do esporte nacional

Ganhar Grand Slam é para poucos, ser campeão duas vezes ainda mais. Nesta sexta-feira, Bruno Soares ergueu o segundo trofeu de Grand Slam da carreira, nas duplas mistas, ao derrotar Santiago Gonzalez e Abigail Spears, na final do US Open, por 61 26 11-9, repetindo a conquista de 2012, ao lado de Ekaterina Makarova.

Bruno Soares e Sania Mirza

Se olharmos para o histórico do Brasil nos Grand Slams, apenas quatro nomes até hoje, no profissional, aparecem como campeões: Bruno, Thomaz Koch, Maria Esther Bueno e Gustavo Kuerten. Ninguém mais, entre tantos profissionais que o Brasil já teve, conseguiu levanter este tão cobiçado trofeu.  Por isso a conquista de Bruno se torna ainda mais especial.

São apenas quatro Grand Slams no ano e quase sempre, como aconteceu nste US Open, ele tem que jogar com uma parceira diferente. Se nas duplas ele compete regularmente com Alexander Peya, nas duplas mistas é diferente. “A gente tem que se adaptar na hora, entender quais são os pontos fortes da parceira e mostrar para ela quais são os meus também, onde costumo sacar, como gosto de jogar. Eu conhecia a Sania fora da quadra, mas nunca tinha jogado com ela,” comentou o bicampeão do US Open.

Bruno Soares campeao US Open

Há dois anos, Bruno dizia se sentir até “assustado”ao ver o seu nome ao lado de Guga, Koch e Maria Esther Bueno. Agora ganhar Grand Slam não é mais novidade, mas continua sendo especial. É o auge do tenista, o US Open é o maior campeonato de tênis do mundo, a final foi disputada inclusive na maior estádio de tênis do planeta, o Arthur Ashe Stadium, a cerimônia, mesmo que rápida, teve toda a pompa e circunstância de uma conquista de Grand Slam e pelo terceiro ano seguido em Nova York, Bruno fez parte. Pela segunda vez, saiu com o trofeu, e não com a bandeja de vice-campeão, como fora no ano passado, ao lado de Peya.

Demorou 11 anos entre a última conquista do Guga em Roland Garros e o primeiro título de Grand Slam de Soares, em 2012. Agora se passaram dois anos até que ele erguesse outro trofeu da categoria.

Por isso, vamos comemorar o momento histórico do mineiro Bruno Soares, dando títulos para o Brasil.

Confira a lista de todos os títulos de Grand Slam vencidos por brasileiros

Maria Esther Bueno

1958 – Wimbledon, duplas

1959 – Wimbledon, simples; US Open, simples

1960 – Wimbledon, simples e duplas; Australian Open, duplas; US Open, duplas; Roland Garros, duplas e duplas mistas

1962 – US Open, duplas

1963 – Wimbledon, duplas; US Open, simples

1964 – Wimbledon, simples;  US Open, simples

1965 – Wimbledon, duplas

1966 – Wimbledon, duplas; US Open, simples e duplas

1968 – US Open, duplas

Thomaz Koch

1975 – Roland Garros, duplas mistas

Gustavo Kuerten

1997 – Roland Garros, simples

2000 – Roland Garros, simples

2001 – Roland Garros, simples

Bruno Soares

2012 – US Open, duplas mistas

2014 – US Open, duplas mistas

 

Fotos de Cynthia Lum

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Direto de NY – Um bate papo com o finalista do US Open, Bruno Soares… e com Makarova

Amanhã vou assistar a minha quarta final de Grand Slam com um brasileiro em quadra. Já assisti muitas outras, mas nada se compara a ver alguém do seu país, alguém que você conhece há muitos anos, em quadra, jogando por um dos mais cobiçados trofeus do mundo. A partir das 13h (Brasília), Bruno Soares, com a russa Ekaterina Makarova, jogam a final de duplas mistas, no Arthur Ashe Stadium, contra a checa Kveta Peschke e o polonês Marcin Matkowski.

 

Claro que não dá para comparar as três finais de Roland Garros do Guga, até porque trabalhava com ele, com a final de duplas mistas do Bruno Soares do US Open, mas não deixa de ser uma final de Grand Slam. E para o Brasil, uma muito importante. Depois do Guga erguendo os três trofeus em Paris, só Marcelo Melo jogo uma decisão de Grand Slam, em Roland Garros também, com a americana Vania King, em 2009. Eles perderam para Liezel Huber e Bob Bryan.

Antes, Jaime Oncins, em 2001, o ano do tricampeonato de Guga, foi vice de mistas, com Paola Suarez. Perderam para os espanhóis Tomas Carbonell e Virginia Ruano Pascuall. Essa eu assisti antes da final do Guga. A do Marcelo eu já tinha ido embora de Roland Garros.

 

Nem sempre nos Grand Slams, com tanta coisa acontecendo, especialmente nas primeiras rodadas, consigo ver jogos de duplas mistas. Mas, por acaso, do Bruno, assisti todos e todos os dias bati um papo com ele após as partidas.

 

O de hoje foi com a Makarova junto. Ela joga a segunda final de Grand Slam da carreira. Foi vice de duplas mistas com Levinski, no Australian Open, há dois anos.

 

Claro que perguntei se ela estava falando alguma coisa de português. Respondeu que apenas obrigado e o Bruno, de russo, teve que fazer um esforço para lembrar como se falava spaseeba, o obrigado deles. Mas, lembrou que vamos é Davaj.

 

Mas, o que eu queria saber mesmo era o motivo do sucesso da dupla. Bruno, no primeiro jogo, me contou que acabou jogando com Makarova por acaso, depois de não ter entrado na chave com a parceira de sempre, a australiana Jarmila Gajdosova.

 

Foi Makarova quem respondeu: “Às vezes acontece isso, de você se sentir bem com o parceiro e me sinto muito à vontade com o Bruno.”

 

Para Bruno, o diferencial de Makarova em relação a outras parceiras que ele jogou é a devolução de saque. “Normalmente as mulheres que jogam bem simples, devolve bem saque e ela devolve muito bem – é a 41ª em simples – , o que faz com que a gente consiga quebrar o saque do homem também. Ela tem um timing muito bom, então não dependemos somente da quebra de saque da mulher, que é o normal na dupla mista. Hoje, por exemplo, quebramos três vezes o saque do Cermak. Às vezes ela até devolve melhor o saque do homem do que da mulher.”

 

O mineiro revelou que inclusive hoje, no jogo contra os checos Cermak e Hradecka, a russa foi fundamental no quarto game do segundo set. “A gente estava ganhando meio que no piloto automático. Estava 6/3 1/0 40/0. Comecei a ver lá na frente, a sentir um pouco que estávamos perto da final, perdi o saque, eles mantiveram o deles e no ½ foi um game duro. Ela segurou o game e fomos para cima. Foi o game mais importante do jogo.”

 

Avaliações técnicas a parte, queria saber do Bruno da sensação de estar na final de um Grand Slam. “É a realização de um sonho. Desde que comecei a jogar e a conhecer um pouco mais do esporte, a entender a importância do Grand Slam sempre quis jogar uma final. Quando eu falo que estar na final é o sonho, é porque fico visualizando esse momento, da quadra, de uma decisão e sempre tive isso na cabeça, que queria jogar a final de um Grand Slam. Mas, claro que quero ganhar. Hoje dei o primeiro passo do sonho. Agora falta o segundo.”

 

Makarova, mais experiente, disse que vai conversar com Bruno antes do jogo. “Jogar duplas mistas é divertido. Estou acostumada a jogar com todas essas meninas na simples e amanhã, na final, queremos vencer.”

Volto no ponto da emoção e da história de uma final de Grand Slam e quando pergunto quem é que vem à cabeça de Bruno quando ele pensa numa final de Grand Slam, ele me surpreende e responde Thomaz Koch. “Quando eu tinha uns 11, 12 anos treinei com o Thomaz e o Domingos Venâncio, no Rio, então lembro muito dele. Foi nessa época que comecei a entender da história do esporte e quem tinha sido o jogador Thomaz Koch. Ele é um gênio. Claro que depois vem o Guga e o Jaime também. Estava em Roland Garros quando ele fez a final com a Paola Suarez. Mas, o cara que mais me marcou foi o Thomaz.”

 

E Thomaz Koch está em NY. “Converso com ele todos os dias.”

 

Thomaz é o único brasileiro a ter um título de Grand Slam de duplas mistas. Foi em 1975, com a uruguaia Fiorela Bonicelli, em Roland Garros. Eles ganharam do chileno Jaime Fillol e da americana Pam Teeguarden, por 6/4 7/6.

 

A final, claro é no Arthur Ashe Stadium e Bruno pisará na quadra central do US Open, pela primeira vez, para jogar a final que tanto sonhou e que é tão importante para o tênis do Brasil.

 

 

 

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Soares: “Fazer parte desse jogo histórico com a Clijsters, foi uma honra”

Kim Clijsters não jogará mais tênis profissional. Ela até poderia voltar a entrar em quadra depois de amanhã, mas um brasileiro parou a tricampeã do US Open, nas duplas mistas. Com a russa Ekaterina Makarova, em um jogo eletrizante, na novíssima quadra 17, Bruno Soares derrotou Clijsters e Bob Bryan, por 6/2 3/6 12/10, encerrando a carreira da belga.

 

“Em nenhum momento pensei nisso,” disse Bruno, alguns minutos após o jogo, ainda vestindo a camiseta verde chocante que usou no match tie-break. “Só estava focado no jogo e no que fazer na partida. Estava pensando mais na atmosfera em quadra e no privilégio que é estar fazendo parte disso tudo.”

 

Bruno, que chegou a ser entrevistado em quadra, para as 2400 pessoas que estavam assistindo ao vivo a partida e para as televisões do mundo todo, ratificou o que disse logo após o match point (Clijsters e Bryan chegaram a salvar 4 match points). “O jogo estava tão incrível, com um tie-break, depois do 0/3 só de winners, que não importava ganhar ou perder. Penso isso mesmo. Mesmo com a torcida toda para eles, a energia em quadra estava muito intensa, maravilhosa e isso me dá mais energia ainda e acho que o público estava participando porque o nível do jogo estava altíssimo, com eu e o Bob na rede e as meninas jogando muito do fundo de quadra.”

 

Clijsters disse depois, na coletiva, que não queria que o último ponto da carreira dela, um que ela iria lembrar para sempre, fosse um erro bobo, ou um ponto feio, por isso foi crescendo de produção e jogando cada vez mais solta.

Acostumado a enfrentar algumas das melhores jogadoras de duplas do mundo, o mineiro Soares raramente fica do outro lado da rede de alguma ex-número um do mundo em simples ou campeã de Grand Slam. “Joguei uma vez contra a Wozniacki, mas quando ela ainda estava crescendo. Ela é uma embaixadora do nosso esporte, uma tenista que fez a diferença no tênis e por isso foi um jogo especial também. Estava tão bom ficar jogando, que poderia ficar em quadra mais umas três horas.”

 

Mas, além de Clijsters, Bruno derrotou um Bryan pelo segundo dia seguido. “Quando vi a chave xinguei todo mundo e pensei: quem é que foi o safado que fez esse sorteio. Nem achei que fosse chegar ao segundo Bryan (ganhou de Mike e Lisa Raymond, a número um do mundo na sexta), mas no fim, o que o sorteio me deu foi ter essa experiência ótima de ter participado desse jogo de hoje.”

 

Agora, depois de eliminar os dois irmãos Bryan, a número um do mundo de duplas, a tricampeã do US Open, Bruno e Makarova enfrentam o vencedor do jogo entre os poloneses Jans-Ignacik/Fyrstenberg e Rodionova/Rojer, por uma vaga na semifinal do US Open.

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