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Quando Madri anda era Stuttgart e Hamburgo

Se tem algo que é respeitado no tênis é a tradição. Não só a do branco de Wimbledon, mas como a dos grandes campeões e dos torneios centenários. O Mutua Madrid Open, que começa neste fim de semana, é o mais novo Masters 1000 do circuito. Até alguns anos atrás era o Masters Series de Stuttgart e depois o de Hamburgo. caja-magica-aerea-11_560

A primeira edição do Masters 1000 espanhol foi disputada em 2002, durante a temporada indoor da Europa, substituindo o Masters Series de Stuttgart (diferente da Mercedes Cup que acontece no saibro, no verão europeu – no ano que vem mudará para grama). O campeonato alemão, sem seus maiores ídolos, já não conseguia mais sobreviver.

Haas StuttgartBoris Becker e Michael Stich fizeram o público alemão vibrar com diversas conquistas e finais das mais disputadas. O piso era daqueles bem rápidos, que muitos costumavam chamar de pista de gelo. É só olhar para a lista das finais que dá para comprovar essa teoria. Becker ganhou de Lendl; Ivanisevic de Edberg; Stich de Krajicek; Becker de Sampras; Korda de Krajicek, entre outros. O último campeão em Stuttgart foi Tommy Haas, em 2001.

O Masters Series indoor foi então comprador por Ion Tiriac que o levou para Madri. Mas, até o torneio ser jogado no saibro da Caixa Mágica, ele ficou durante sete anos sendo disputado na quadra rápida indoor. O primeiro campeão do Masters 1000 espanhol foi Andre Agassi.

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Só em 2009, quando o mais do que centenário Masters 1000 de Hamburgo (Guga foi campeão em 2001, Federer venceu 3 vezes) foi rebaixado para um ATP 500 – também por falta de recursos dos alemães, em uma batalha que foi parar na justiça – , que o torneio passou a ser realizado na temporada européia de saibro, a ter disputas simultâneas de homens e mulheres e a acontecer neste local que vemos hoje.

A competição passou por severas críticas desde a mudança. Muitos jogadores reclamaram e ainda reclamam da altitude madrilenha.

A Caixa Mágica em seus primeiros anos foi considerada “fria,” com muito concreto, pouco aconchegante.

Depois veio a tentativa de Ion Tiriac de usar um saibro azul para que a bolinha fosse mais visível na televisão, entre outros pontos.  O saibro não deu certo, jogadores reclamaram, perderam cedo e ameaçaram não voltar mais caso o saibro não fosse o original.

A decisão foi parar na ATP e Tiriac teve que ceder. Aparentemente a relação do poderoso empresário romeno com os tenistas melhorou e agora o Masters 1000 espanhol segue para um caminho duradouro e de tradição no tênis.

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Todos os campeões do Mutua Madri Open

2013 – Rafael Nadal e Serena Williams * saibro

2012 – Roger Federer e Serena Williams * saibro

2011 – Novak Djokovic e Petra Kvitova * saibro

2010 – Rafael Nadal e Aravane Rezai * saibro

2009 – Roger Federer e Dinara Safina * saibro

 

2008 – Andy Murray

2007 – David Nalbandian

2006 – Roger Federer

2005 – Rafael Nadal

2004 – Marat Safin

2003 – Juan Carlos Ferrero

2002 – Andre Agassi

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Com a despedida de Ferrero, só resta Hewitt

Juan Carlos Ferrero disputou nesta terça-feira a sua última partida de simples como jogador de tênis profissional, em casa, em Valência, no ATP 500 que ajudou a levar para a região espanhola. Perdeu para Nicolas Almagro por 7/5 6/3, mas quem perdeu mesmo foi o circuito profissional que se despede de um dos poucos campeões de Grand Slam fora do grupo dos FAB Four, Federer, Nadal, Djokovic e Murray que ainda estavam em atividade. Agora só resta Lleyton Hewitt. 

 

Segundo espanhol a chegar ao topo do ranking mundial, Ferrero teve os seus melhores anos na ATP durante a Era Guga e logo que o brasileiro sofreu a primeira cirurgia no quadril.

Sem a personalidade marcante do seu antecessor Carlos Moyá, e não tão expressivo quanto Guga, Marat Safin, Lleyton Hewitt e Andy Roddick, o campeão de Roland Garros 2003 e vice do US Open, foi talvez o número um menos reconhecido deste período.

Diversas vezes vi seus jogos serem colocados longe das quadras principais e ele andar quase desapercebido pelas ruas espanholas quando não estava em um ambiente esportivo.

 

Mas, dentro dela fez mais pelo esporte espanhol do que podemos lembrar antes de Nadal dominar o circuito. Ganhou a primeira Taça Davis para a Espanha, no ano 2000. Dois anos depois foi vice-campeão do ATP Finals, em Xangai e em 2003 teve o melhor ano da carreira, ganhando Roland Garros e sendo vice do US Open, derrotando Andre Agassi na semifinal e chegando ao topo do ranking mundial.

No total ganhou 16 títulos, entre eles um no Brasil, ainda na Costa do Sauípe, onde adquiriu uma propriedade nas proximidades e se sentia em casa.

Ganhou seu primeiro título há 13 anos, em Mallorca, em 1999.

Foi ele o principal articulador na ATP para levar o torneio para Valência, onde reside e tem uma academia. Da mesma maneira que Guga foi fundamental para o Brasil voltar a ter um ATP, quando o torneio foi para o Sauípe, Ferrero conseguiu levar um torneio para a sua casa que hoje, 10 anos depois, está bem estabelecido e com bons nomes sempre competindo por lá.

Com Guga, Moyá, Safin e Roddick já longe das quadras, só resta agora Lleyton Hewitt da geração dos tenistas “new balls please,” em ação. Foi até por isso que Hewitt jogou em Valência neste ano, a pedido de Ferrero. Foi especialmente para a despedida do companheiro de circuito espanhol, talvez já pensando na sua própria aposentadoria.

Ele não admite mas há rumores de que se aposente no Australian Open.

Pelo menos uma coisa é certa. Ferrero ainda não sabe 100% o que fará, mas continuará envolvido com tênis. Ele tem a sua academia, a Equelite, um hotel no mesmo lugar, viajará com Nicolas Almagro durante algumas semanas no ano que vem e já manifestou o desejo de ser capitão da Copa Davis. Mas, o momento agora é de relembrar a carreira do tenista.

A primeira parte da despedida, com um discurso na quadra central do Valencia Open, já  foi emocionante. Ferrero falava e os olhos dele se enchiam de lágrimas. A parte dois continua nesta quarta, depois do jogo de duplas ao lado de David Ferrer, com uma homenagem que vem sendo divulgadíssima. Afinal, a cerimônia contará com as presenças confirmadíssimas de Nadal e Moyá, respectivamente, o successor e o antecessor.

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