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Nishikori faz história na ATP – tenista se mudou para os EUA aos 14 anos de idade

Nunca pensei que fosse escrever sobre a entrada de Kei Nishikori no top 10.  Mas, o fato é que o japonês está jogando muito tênis. Ele entrou para o top 10 da ATP (é o 9o.), como o primeiro tenista do país a conseguir tal feito. Depois de conquistar o ATP 500 de Barcelona, decidiu o Masters 1000 de Madri contra Rafael Nadal, final inédita na sua carreira, mas teve que abandonar a decisão, depois de vencer o primeiro set por 6/2 (ele chegou a liderar por 4/2 o 2o. mas Nadal acabou saindo campeão com 64 3/0).

NISIHIKORI top 10

Lembro da primeira vez que ouvi falar em Kei Nishikori. Era 2007 e estávamos em Miami. Guga ganhava um wild card para jogar a competição, mas tinha que ser ao lado de um tenista da IMG. E o tal tenista era um japonês de 16 anos, grande aposta da casa. Em apenas um jogo não deu para ver muita coisa de Nishikori.

Alguns meses foram passando e um ano depois ele estava ganhando o título do ATP de Delray Beach, quando ainda era disputado na quadra rápida. Ganhou outro em 2012, em Toquio, aumentando ainda mais a sua fama no Japão e no ano passado venceu o ATP de Memphis. Mas, mesmo assim ainda faltava algo a mais para o japonês, baseado na Flórida, na IMG Academy.

Foi justo sobre Nishikori, um dos últimos capítulos do livro de Nick Bollettieri, Changing the Game, que li uns dias atrás e escrevi no post anterior. Bollettieri conta que Nishikori veio parar na academia depois dele e de Arthur Ashe terem feito uma clínica no Japão e um dos acionistas da Sony ter visto o impacto que teve nos tenistas e o quão avançado eram os métodos do americano. O Sr. Morita mandou então um técnico japonês para Bradenton e o treinador, com o patrocínio da Sony, foi levando alguns talentos para a Flórida e um deles, aos 14 anos, foi Nishikori.

“O Kei não falava uma palavra de inglês, nunca tinha provado comida americana e estava num alojamento com outras 7 crianças. Ele demorou um pouco para se adaptar, mas não na quadra. Logo percebi que ele tinha talento. Era muito rápido e tinha mãos mágicas. Como o Agassi e o Rios, ele tem um talento nato, que não pode ser ensinado, apenas canalizado.”

Desde que chegou à academia, mesmo com o consultor japonês por trás, Nishikori foi treinado por Dante Bottini e o agente sempre foi o Olivier van Lindonk. Segundo Bollettieri, ninguém diz muito de Bottini, mas o técnico é quieto, sabe o que faz e entende Kei.

A grande mudança, no entanto, para que a estrela japonesa desse o salto que faltava para começar a vencer os jogadores tops e passar de um jogador mediano para um top foi a contratação de Michael Chang, no fim do ano passado. Há poucas semanas, em uma entrevista ao jornal L’Equipe, Chang disse que aceitou o desafio primeiro por entender Nishikori e ter origem asiática e por acreditar que podia fazer o tenista melhorar. No entanto, Chang não viaja com Nishikori todas as semanas e quem está o tempo todo ao lado dele é Bottini.

A primeira mudança que Chang fez no jogo do tenista foi melhorar a movimentação de pernas e como dar mais impacto à bola, colocar profundidade e spin, que fazem a total diferença no saibro.

Bollettieri conta no livro que aprovou a contratação de Chang e que um fator importante é que o campeão de Roland Garros 1989 fará Nishikori acreditar em si mesmo.

Não há dúvidas de que está acreditando, mesmo precisando de 10 match points para derrotar David Ferrer na semifinal em Madri.

O físico até agora foi um dos principais problemas da carreira de Kei, que desistiu de jogar em Roma para se preparar para Roland Garros, na Flórida. Mas, ainda frágil, está melhor do que uns tempos atrás. Vamos torcer para que ele continue investindo nesta área e continue mexendo com o topo do nosso esporte.

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Bollettieri, de fato “changing the game”

Nick Bollettieri realmente revolucionou o mundo do tênis. Não, ele não mudou regras do esporte e não se tornou ídolo mundial. Mas, seu método de treinamento e a criação da primeira academia do mundo em que os tenistas puderam morar e estudar no mesmo local, transformou o tênis. É basicamente sobre o seu caminho até chegar hoje no que é a IMG Academy e o seu relacionamento com os inúmeros tenistas tops que treinou que ele conta no livro “Changing the Game – Nick Bollettieri.”

O livro é de fácil leitura, daquelas bem rápidas. Os capítulos são curtos, a linguagem é fácil – mesmo para quem não fala inglês dos mais fluentes, dá para entender bem. Depois das páginas iniciais em que conta como chegou no tênis e o caminho até comprar o primeiro terreno na Flórida, em Bradenton para construir as primeiras quadras e “alugar” um hotel para hospedar os primeiros tenistas, basicamente fala de um tenista por capítulo, emendando com o crescimento da academia – a compra da IMG, a mudança de nome e os seus oito casamentos.

bollettieri changing the game

Há algumas passagens interessantes no livro que eu desconhecia completamente, como o relacionamento de Bollettieri com Arthur Ashe e o programa que eles fizeram em alguns estados norte-americanos de iniciação ao tênis, em áreas de baixa renda no País; o programa que ele lançou com a atual mulher, Cindi, uns anos atrás, para diminuir a obesidade infantil entre meninas e por aí vai.

Os capítulos com os tenistas são interessantes, principalmente os que não ficaram tanto tempo na academia e como ele trabalhava com os jogadores e suas equipes. Foi rápido o contato que ele teve, por exemplo, com Martina Hingis. Mas foi com ele e a mãe Melanie Molitor que ela ganhou um dos Masters, ainda em NY. Ele conta da relação com Serena Williams e Venus Williams, fala abertamente da influência exarcebada das mães de Jelena Jankovic e Anna Kournikova; da do pai de Sabine Lisicki; entre outros.

Não há novidades sobre os relacionamentos com Andre Agassi, Jim Courier, Tommy Haas, entre outros.

Ele já havia falado bastante sobre isso no livro My Aces, My Faults e anunciado alguns arrependimentos, como o da maneira em que terminou a parceria com Andre Agassi.

Boris Becker também ganha algumas boas páginas do livro.

Mas, muito além de como Bollettieri lidou com esse número enorme de tenistas estrelas que pela academia passaram e ainda passam, o que fica claro pra mim é algo que sempre me falaram. Como o tênis te abre portas. Desde que começou a dar aulas em um hotel em Miami, a vida de Bollettieri foi se transformando pelas pessoas que ele encontrou.

Claro, as ideias e os sonhos foram e são deles. Mas, se não fosse pelas pessoas que conheceu em academias, clubes, dando aulas, ou treinando os filhos, não teria o apoio, companheirismo e investimento necessários para chegar onde chegou.

Vejo isso em diversos níveis do esporte.

Até hoje, aos 83 anos, Bollettieri continua viajando o mundo, visitando os amigos de décadas atrás, jogando tênis com grandes figurões do mundo corporativo em suas residências, segue acordando 04h30min e dando treinos na IMG Academy e indo aos Grand Slams, onde é constantemente reverenciado por todos os tenistas que treinou ou que passaram pela academia.

Homenageado inúmeras vezes nos EUA e pelo mundo, ganhará a maior honraria do esporte, quando entrar no Hall da Fama do tênis, em Newport, em julho deste ano.

Nick Bollettieri with Bob Davis
Changing the Game

New Chapter Publisher – disponível em inglês no kindle e impresso.

2014

 

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ATP lança livro comemorativo aos nos.1 e Guga, é claro, é destaque – com relato inédito

A ATP lançou oficialmente neste sábado, em Wimbledon, como parte da campanha Heritage, o livro comemorativo aos 40 anos da instituição do ranking e dos números um, com espaço apenas para aqueles que terminaram uma temporada no topo da listagem. E entre apenas os 16 anos, é claro, está Gustavo Kuerten.

Gustavo Kuerten number 1

Guga, assim como os apenas outros 15 tenistas (Ilie Nastase, Jimmy Connors, Bjorn Borg, John McEnroe, Ivan Lendl, Mats Wilander, Stefan Edberg, Jim Courier, Pete Sampras, Andre Agassi, Guga, Lleyton Hewitt, Andy Roddick, Roger Federer, Rafael Nadal e Novak Djokovic) que terminaram um ano (desde 1973 até hoje), no topo do ranking, ganhou 2 páginas no livro, com história e fotos marcantes.

O texto de Guga foi escrito por Peter Bodo – ele e Neil Harman se dividiram para fazer os 16 perfis – e para a minha surpresa, provavelmente mais mérito do Guga do que do repórter, li algo que durante os meus 15 anos de trabalho com o tricampeão de Roland Garros, nunca soube. E olha que isso é muito raro.

Guga relata no livro que quando tinha 15 anos de idade e foi a Roland Garros pela primeira vez, foi ao museu do Louvre. Lá viu um quadro, comprou o cartão postal da pintura e mandou para a mãe Alice, com o seguinte recado: “Esse não é um quadro normal e eu não sou um jogador normal; sou um tipo diferente e um dia eu serei número do mundo.”

Guga depois contaque não esperava ser número um, não pensava nisso, mas mesmo assim escreveu o postal. Claro que Dna. Alice ainda guarda o cartão até hoje.

kuerten number one

O texto segue contando um pouco a história de Guga, enaltece Larri Passos, passa por Roland Garros e claro que chega a Lisboa para contar o que todos nós já sabemos, mas que é sempre especial relembrar. Fico aqui pensando hoje, que se Safin tivesse vencido mais um jogo (era o que ele precisava) e Guga perdido qualquer uma das suas partidas depois da derrota para o Agassi, não estaríamos aqui falando sobre isso hoje e teríamos o nome de Marat Safin ao lado do ano 2000 no trofeu. Mas ele venceu e ganhou de Sampras e Agassi na sequência para chegar ao topo do ranking mundial e se tornar o primeiro tenista sul-americano a terminar uma temporada como número um do mundo. trofeu numero um do mundo atp

Aliás, a imagem do trofeu de número um do mundo, que passou agora a ser chamado de trofeu Brad Drewett, em homenagem ao CEO da ATP que faleceu neste ano, é de arrepiar, com os nomes de todos os tenistas que terminaram a temporada no auge.

Para quem quiser ter uma ideia do que encontrar no livro, além de Guga, é claro, aqui estão as páginas do Djokovic e do Sampras.

Por enquanto ele está sendo vendido na Tennis Warehouse, por  U$ 29,90.

No 1 Sampras No 1 Djokovic

 

 

 

 

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Guerra dos Sexos de Billie Jean King também comemora 40 anos e vira filme

O maior jogo de tênis da história comemora em 2013, 40 anos, assim como a instituição do ranking da ATP e a fundação da WTA. Principal articuladora para instituir a Women’s Tennis Association, Billie Jean King foi e ainda é a atriz principal do esporte feminino mundo afora. Personagem de vários documentários, King agora está nos cinemas com a “Guerra dos Sexos.” battle of the sexes movie

Disputada no dia 20 de setembro de 1973, no Houston Astrodome, contra Bobby Rigs, a “Guerra dos Sexos,”entrou para a história não só como o maior jogo de todos os tempos, com 31.000 pessoas na plateia e uma audiência na TV de 100 milhões, mas como uma partida que mudou para sempre o papel da mulher no esporte e além. Billie Jean King venceu a disputa com Riggs por 3 sets a 0, em um jogo que foi altamente divulgado e comentado mundo afora. Imagina na época, nos anos 1970, nos Estados Unidos, no auge da luta pela liberdade feminina, uma mulher desafiar um homem?
Foi notícia em todos os meios de comunicação possíveis, muito além do tênis. Eles apareciam nos mais diversos programas de televisão fazendo o “preview”do jogo, com Riggs dizendo que mulheres deveriam ficar em casa e que King não tinha chance alguma.  Meses antes ele havia derrota Margareth Court por 6/2 6/1.

Desde que comecei a acompanhar tênis ouço falar da “Battle of The Sexes.” Li sobre o assunto, especialmente no livro de Billie Jean King, “Pressure is a Privilege,”em que ela conta os detalhes da preparação para a partida.

Acabei de ler também o livro de Jimmy Connors, “The Outsider,”em que ele também conta passagens da “Battle of The Sexes,”até porque depois enfrentou Martina Navratilova e ganhou. Mas não foi fácil.

O que eu nunca havia visto eram imagens em vídeo desta noite no Houston Astrodome.

Billie Jean King battle of the sexes

Hoje a gente vê um espetáculo como o BNP Paribas Showdown, no Madison Square Garden, ou o Nadal e o Federer jogando em uma quadra metade de grama, metade de saibro e acho que é o maior espetáculo de tênis da Terra. Engano.

Nunca vi nada tão faraônico como aquele jogo em 1973. King entrou em quadra carregada por homens em um trono de realeza e Riggs, rodeado por mulheres.  Os Estados Unidos pararam para ver aquele jogo. Talvez seja algo que nunca mais a gente vá ver no nosso esporte.

A final de Roland Garros teve audiência mundial de 60 milhões na TV e estamos na era completamente digital.

Nos últimos dias Billie Jean deu inúmeras entrevistas falando da Batalha e da fundação da WTA que completou 40 anos no dia 20. E o que ela mais enfatizou foi que ëu estava muito certa de que era sobre uma mudança social, não era sobre o hype e nem por causa do dinheiro” O campeão ganhou U$ 100 mil – valor impensável na época.

De lá para cá, Billie Jean King se tornou a maior voz do esporte feminino mundial. Fundou também a “Women’s Sports Foundation,”ganhou a medalha da liberdade do Presidente Barack Obama, em 2009, e continua a advogar pelas mulheres mundo afora.

Serena Williams, Maria Sharapova, Caroline Wozniacki e muitas outras tenistas participam do filme. E como diz Billie Jean, “elas estão vivendo o nosso sonho.”

A premiere foi nesta semana em Londres, coincidindo, claro com a disputa de Wimbledon. Já entrei em contato como pessoal do filme para ver se há chance dele chegar por aqui.

Billie Jean King women's rightsEnquanto isso pode ser que a gente veja antes uma outra Guerra dos Sexos. Andy Murray, talvez empolgado com o buzz que está na Inglaterra com o filme, desafiou Serena Williams para uma partida em Las Vegas. A americana, apesar de ter dito hoje que “acha que não ganharia um ponto, mas que seria divertido.”

Mais do que divertido, levantaria novamente a questão da igualdade entre homens e mulheres, não apenas nas quadras.

Como disse Billie Jean, hoje com 69 anos, isso me motivou muito naquela época.

Ëra o que mais me motivava. Eu pensava nisso todos os dias. Mas apesar de termos avançado muito, ainda precisamos de muito mais mulheres em posições de liderança.”

Para quem não é super fã de tênis, o diretor James Erskine afirma que não é um filme tenístico e sim um filme sobre a “luta dos direitos das mulheres por igualdade com os homens e como isso aconteceu em uma quadra de tênis.

Fotos – divulgação The Battle of the Sexes

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Court Confidential – um novo livro dos bastidores do circuito vem aí

 Court Confidential tennis bookEnquanto Jimmy Connors vai causando com o lançamento do seu livro “The Outsider,”fazendo revelações íntimas de seu relacionamento com Chris Evert, outro livro será lançado até o final deste mês (27 de maio, em Roland Garros), revelando bastidores do circuito. É o Court Confidential, do jornalista britânico, Neil Harman.

Com imagens de Serena, Djokovic, Murray, Federer, Nadal e Azarenka na capa e contra-capa, Neil conta, através das suas muitas semanas de viagens ano após ano, o que viu, o que apurou e promete revelar também alguns segredos.

Conheço Neil de anos de circuito. Correspondente do The Times, da Inglaterra, há mais de década, sempre foi um dos jornalistas internacionais mais acessíveis, respeitosos e respeitados. Por isso, tem acesso praticamente livre aos jogadores, dirigentes, torneios, ATP, ITF e WTA. No entanto, esse privilégio concebido por meio de trabalho honesto e bom jornalismo, nunca o fizeram criticar quando era hora de dizer algo, ou denunciar algum escândalo. Ele também não poupa reclamações em sua conta no twitter quando se faz necessário.

Murra, Azarenka, Nadal e Djokovic dão depoimentos na capa, orelha e contra-capa do livro.

Promete ser um deleite para os fãs de tênis, da mesma. Pelo que vi do livro e conversei com Neil, me faz lembrar um livro dos anos 90, Tough Draw, que li e me fez sonhar com o circuito.

court confidental back cover

Court Confidential, Inside The World of Tennis – Neil Harman

Robson Press

Preço – 20 libras

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Tournament Tough, livro de técnico brasileiro faz sucesso nos EUA

Um dos mais conhecidos livros de tênis, Tournament Tough, acaba de ser relançado. O que pouca gente sabe é que ele foi escrito por um brasileiro, treinador de John McEnroe e Patrick McEnroe: Carlos Goffi.

Tournament-Tough-NEWCover[2]Publicado pela primeira vez em 1984, Tournament Tough foi traduzido para várias línguas e agora foi atualizado e lançado na versão ebook/kindle. O livro aborda aspectos técnicos, mas principalmente como dosar a energia em um jogo, a antecipação, preparação física e com destaque para a força mental.

Com comentários de John e Patrick McEnroe, Peter Fleming, Mary Carillo e agora do filho de Carlos, Josh Goffi, treinador da Universtiy of South Carolina, é destinado aos tenistas profissionais e amadores.

Às vezes mais conhecido nos Estados Unidos do que no Brasil, o treinador teve como mentor Harry Hopman, o mesmo que inspirou Larri Passos. Goffi jogou tênis universitário, dirigiu academais de tênis e torneios, foi conselheiro da Nike, Dunlop, USTA, Ray Ban, entre outros e é palestrante até hoje, em diversos eventos da USTA e Nike, onde ainda organiza os Tennis Camps.

Estive com Goffi algumas vezes e jamais me cansei de ouvir suas histórias apaixonadas da época em que viajava o circuito com os irmãos McEnroe e suas análises sobre o tênis de hoje. Mas o que sempre mais me impressionou foi sua paixão pelo esporte, demonstrada no olhar e no jeito de falar do tênis!

Link para ler Tournament Tough

 

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Nova biografia de Murray é lançada na Inglaterra

Mais um livro sobre Andy Murray acaba de ser lançado na Inglaterra, em meio ao ATP Finals e ao término da espetacular temporada do escocês, campeão olímpico e do US Open e ainda com chances de se classificar para as semifinais do Masters na Arena 02.

Escrito por Mark Hodgkinson, jornalista que cobria tênis para o jornal londrino The Telegraph,  Andy Murray: Champion, a sua extraordinária história, completa, incluindo o épico ouro olímpico e a vitória do US Open, promete contar detalhes do crescimento na Escócia, a decisão de ir para Barcelona – vamos ver se confere com a que Emílio Sanchez nos contou -, o relacionamento extremamente próximo com a mãe Judy e a competição com irmão Jamie.

 

Hodgkingson também analisa os relacionamentos de Murray com todos os técnicos que passaram pela jovem carreira dele:  Mark Petchey, Brad Gilbert and Miles Maclagan, até chegar a Ivan Lendl.

 

Ainda acho estranho que atletas em atividade tenham livros publicados sobre as suas conquistas.  Na verdade, mais estranho ainda é quando isso acontece e o livro é escrito por eles. Neste caso, não foi.

Murray inclusive já escreveu um livro, Coming of Age e/ ou Hitting Back, publicado há alguns anos que ele diz ter se arrependido. Na Inglaterra, reino dos tablóides e das mega celebridades, é um fato um tanto comum.

Fui ler as auto-biografias de Rafael Nadal e Serena Williams meio reticente, talvez por achar estranho mesmo eles escreverem livros ainda competindo, mas nos dois casos me surpreendi com o que aprendi lendo as histórias de ambos.

 

Não sou especialista em livros, apesar de sempre ter gostado de escrever resenhas e me considerar praticamente uma viciada em biografias. É apenas pura coincidência que eu esteja escrevendo um segundo post seguido sobre livros.

 

Andy Murray: Champion, foi lançado hoje oficialmente na Inglaterra. Já acabei o Stop War, Start Tennis, um livro de fácil leitura e nada, nada profundo, mas que no meu caso, como jornalista de tênis, sempre acrescenta algo.

Assim que o Murray chegar ao kindle será lido também.

 

Ah, na Inglaterra o livro está sendo vendido com preço especial de lançamento por 12 libras = R$ 39,12.

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A tetralogia do tênis

Lembro, há mais de 10 anos, quando conheci o jornalista argentino Eduardo Puppo, dele me falar que estava escrevendo o livro com a história do tênis do seu país e que o trabalho era enorme. Claro, imaginei. Os argentinos tem muito mais tradição no tênis do que os brasileiros.

Sempre que o encontrava perguntava como andava o livro e ele falava que estava complicado, que parecia que nunca ia terminar e até achei que tivesse desistido de continuar a obra.

Até que nesta semana recebo fotos do lançamento da Tetralogia, da “História del Tenis en la Argentina”, de Puppo e do também jornalista Roberto Andersen.

Imediatamente mandei um email para parabenizar o colega e pedir mais informações sobre o longo trabalho realizado.

E que longo. Descubro que foram 54 anos de de trabalho para concluir mais de 600 páginas, em três volumes e mais um e-book. Mais de 5.700 fotos e momentos marcantes da história do tênis argentino lembrado por grandes nomes da história do tênis mundial e por diversos jornalistas e dirigentes.

O nosso mestre Thomaz Koch escreve um capítulo sobre Guillermo Vilas; Bud Collins, talvez o mais conhecido jornalista de tênis mundo afora, disserta sobre o esporte na Argentina; Martina Navratilova, John McEnroe, Maria Esther Bueno, Manoel Orantes, entre outros também escrevem no livro. Gabriela Sabatini, Martin Jaite, José Luis Clerc, são apenas alguns dos nomes que colaboraram com a obra.

E nada mais propício para lançar o livro, que conta a história desde 1877 até a final da Copa Davis contra a Espanha, no ano passado, do que a Copa Claro, o ATP 250 de Buenos Aires, que acontece nesta semana, depois do Brasil Open.

Mais bonito do que ver os livros prontos – por enquanto só por imagens – foi ver a presença dos grandes nomes da história do tênis no lançamento, incluindo a musa Sabatini.

Mais uma vez temos que parabenizar nossos “hermanos”argentinos que preservam a sua história e recentemente lançaram um “Hall da Fama do Tênis Argentino.”

Mais informações sobre a Tetralogia no www.tenniscom.com – ou na página do Facebook http://www.facebook.com/pages/Historia-del-Tenis-en-la-Argentina-Andersen-Puppo

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Os meus best sellers na literatura do tênis. Agassi, Serena, Sampras, Seles, Ashe, McEnroe…

Uma troca de mensagens no Twitter, na tarde desta quarta-feira, me fez pensar em livros.

A questão se referia aos livros das irmãs Williams.

Fã de livros, ainda mais de autobiografias, na hora respondi que o da Serena valia a pena ler.

O da Venus, Come to Win: Business Leaders, Artists, Doctors, and Other Visionaries on How Sports Can Help You Top Your Profession ainda não li. Quando vi o título pela primeira vez pensei se tratar de um daqueles livros chatos, com muita auto-ajuda, mas lendo algumas páginas, disponíveis nos sites internacionais de livrarias virtuais, está me parecendo muito mais um exemplo de como o esporte pode mesmo te ajudar na vida. Há depoimentos inclusive do ex-presidente norte-americano Bill Clinton.

Bem diferente do livro da Serena – aliás, difícil as irmãs fazerem coisas iguais, estão sempre juntas, mas se diferenciando uma da outra -, que é uma autobiografia.

Fiquei pensando no que me atraiu no livro dela. A primeira razão de adquirir um exemplar foi puramente profissional.

Como editora de uma revista de tênis tenho por obrigação ler materiais como este. Achei estranho e ainda acho ler autobiografias de tenistas que ainda estão em atividade, mas ao ler o Serena Williams, On The Line, não senti falta da carreira dela ainda não ter terminado. Demorei para pegá-lo para ler e confesso que o livro não foi um daqueles que fluiu, que me fez virar página após página, sem parar. Mas, foi um livro que me trouxe muita informação sobre a história dela e de toda a família Williams que eu jamais havia ouvido falar e o interessante é ler sobre essas histórias não por alguém que apurou os fatos e escreveu, mas sim da própria personagem.

Ela conta com detalhes como era a vida na Califórnia, bem antes da fama, como no início todas as irmãs treinavam, como iam para o treino – em uma van -, como ela convenceu o pai que jogaria o primeiro torneio, como aconteceu a mudança para a Flórida, como viveu a morte da irmã Yetunde e por aí vai.

Dá para perceber no livro também a admiração que ela tem pela irmã Venus, que desde a infância mantém o papel de irmã mais velha e protetora e entre outras coisas, que sua vida se divide entre a de uma super atleta, de celebridade e de uma pessoa normal, que vai à faculdade e faz curso de manicure.

Por ser uma rica fonte de informações, gostando ou não da Serena e suas attitudes, a leitura de On The Line é válida.

Ao pensar um pouco no livro dela, olhei em volta da minha sala na redação da Tennis View e percebi quantos livros de tênis eu já tinha lido. Resolvi então fazer uma seleção dos mais interessantes, começando pelo livro de Andre Agassi, Open, que teve sua versão em português lançada recentemente.

Independentemente de toda controvérsia que surgiu semanas antes do livro ter sido lançado, com Agassi confessando ter usado drogas e mentido em um tested a ATP, eu já teria adquirido o exemplar, imaginando que se Agassi estava lançando uma biografia teria algo de novo para contar.

Toda a controvérsia gerada com os capítulos publicados pré-lançamento no The Times da Inglaterra, os depoimentos dos jogadores, praticamente todos atacando o norte-americano e sua entrevista no programa 60 minutes, em que parecia completamente transtornado, aumentaram ainda mais a minha curiosidade.

Este livro sim, eu devorei. Mais ainda do que o livro da Serena, o do Agassi traz, muito além da história das drogas e da peruca, uma verdadeira descrição de quem ele é e como viveu, desde o momento em que o pai colocou uma raquete na mão dele até os dias de hoje, a relação de amor e ódio com o esporte.

O livro todo, capítulo a capítulo, é baseado nas relações de Agassi, começando pelo pai e passando pela mãe, os irmãos, o ex-melhor amigo Perry Rogers, Nick Bollettieri, Gil Reyes, Brooke Shields, Steffi Graf, entre muitos outros. Cada página foi tão bem escrita – Agassi contratou o vencedor do prêmio Pulitzer, J.R. Moehringer – que apesar de ser uma autobiografia de um tenista você parece estar lenda uma verdadeira obra prima, diferente de qualquer outro livro de tênis, de esportes, que eu já tenha lido.

Os capítulos estão tão bem amarrados, que quando você está lendo o livro, sem pular páginas, a parte que fala das drogas, da peruca, do exame anti-doping da ATP, não chocam tanto, porque lendo a história todo você parece entender o ser humano Andre Agassi.

Os fãs de romance vão adorar todo o relato de como ele se apaixonou por Graf e a conquistou.

A lista de livros é grande e se for relatar o que cada tenista contou é melhor eu começar a escrever um livro sobre os livros e deixar todos os meus outros afazeres de lado.

Continuo aqui observações mais sucintas sobre os outros livros.

You Can Not Be Serious, do John McEnroe é outro livro que se destaca nas autobiografias dos tenistas. Não sei, se no meu caso, por eu não ter acompanhado de perto a carreira dele, mas me trouxe também muita informação e a leitura foi das mais agradáveis.

O livro de Pete Sampras, a Champion’s Mind, ou em português Mente de Campeão, também entre na lista dos meus favoritos. Ao ler o livro não estava achando tão interessante, mas com o passar das páginas fui percebendo que havia ali muitas passagens que nunca haviam sido contadas e que o objetivo do livro, de relatar como pensa um campeão, estava sendo cumprido. A visão de Sampras sobre o que é ser um atleta profissional e como ele trilhou o seu caminho, merecem atenção.

Fã de Monica Seles, desde criança, devorei o livro Getting a Grip on My Body, My Mind, My Self. Muito mais do que aprender sobre a carreira vitoriosa dela, antes da fatídica facada, o livro é um fiel relato de como ela viveu aquele momento e como o acidente transformou completamente a sua vida, causando sérios danos a sua saúde mental e física. É chocante ler as descrições de como ela perdia o controle com a comida, como se sentia mal quando vestia uma roupa de jogo e ficava apertada e quanto tempo demorou para ela conseguir sair do buraco.

Adorei ler o livro de Boris Becker, The Player. É outro livro, que já começa falando do episódio em que ele engravidou uma garçonete, em um bar de Londres, após o seu último jogo como profissional e em que você sente de fato estar ouvindo a própria voz do autor página após página.

O “Je Voulais Vous Dire,” de Henri Leconte, também me agradou muito. Não era um tenista que eu conhecia muito, apesar de sempre ler e ouvir histórias sobre ele. O livro, além de detalhes da carreira, relata como era o circuito nos anos 80 e início dos anos 90, o que é sempre interessante.

Um dos primeiros livros que li, antes mesmo de me tornar jornalista e guardo até hoje é o Arthur Ashe, Days of Grace, que ele escreveu com Arnold Rempersad, um ano antes da sua morte.

O livro de Billie Jean King, Pressure is a Privilege: Lessons I’ve Learned from Life and the Battle of the Sexes, é pequeno, com poucas páginas e fácil de ler. É também um livro de auto-ajuda, com conselhos desta lenda mundial que tanto fez e continua fazendo pelo tênis. Mesmo sendo um livro pequeno, dá para ter mais apreço ainda pela pessoa especial que é Billie Jean. Foi a primeira vez que li, em detalhes, como foi a famosa “Battle of the Sexes,” entre ela e Bobby Riggs.

Outro livro que não é exatamente uma autobiografia, mas é bem interessante é o de Martina Navratilova, Shape Your Self. Entre dicas de hábitos saudáveis, alimentares e físicos, ela conta alguns detalhes da sua vida no circuito.

Best Seller do New York Times, o livro de James Blake.

Breaking Back: How I Lost Everything and Won Back My Life, não me entusiasmou. Não trouxe quase nada que eu não soubesse sobre sua história. Talvez, para um leigo no esporte, seja interessante.

Os livros de Roger Federer, Quest for Perfection – sera lançado em português ainda neste ano –  e de Rafael Nadal, “Rafael Nadal, a biografia de um ídolo do tênis,” de Tom Oldfield, não são auto-biográficos, mas são boas fontes de informação, especialmente o de Federer, do amigo jornalisa René Stauffer.

Tenho dois livros na minha prateleira, me olhando diariamente, o de Rod Laver, The Education of a Tennis Player e do Fabrice Santoro, A Deux Mains.

Mas, estou lendo outros dois livros fora do esporte e é preciso ler outras coisas de vez em quando.

Assim que concluir a leitura de ambos faço um post contando  o que achei de cada um deles.

Ah, já ia me esquecendo. Tem outros dois livros que gostei muito de ter lido, com histórias interessantes do circuito, o do Brad Gilbert, I’ve Got Your Back e o de Nick Bollettieri, My Aces, My Faults.

Já li inúmeros outros livros de tênis, mas assim de cabeça – já saí do escritório com minha prateleira repleta deles – são os que me mais me recordo e com certeza, se recordo é porque ou são recentes, ou são os mais legais.

PS – Quase esqueci, mas jamais poderia. Aqui Tem, o livro do Fernando Meligeni com o jornalista André Kfouri é uma agradável leitura das melhores passagens do tenista no circuito mundial. Só o fato de Meligeni, um tenista, ter  conseguido lançar um livro no Brasil, país em que pouco se lê, merece aplausos.

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