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Teliana salva match point e vai às 8as no WTA de Bucareste

Teliana Pereira está nas oitavas-de-final do WTA International de Bucareste, na Romênia. A brasileira passou por situações distintas no jogo, com paralização por chuva, interrupção por falta de luz natural, salvar match point, para enfim, depois de um dia – 3h24min de jogo, ganhar da eslovaca Kristina Kucova (133a), por 6/3 6/7(4) 7/6(6).  Nesta quinta, ela volta a jogar contra a cabeça-de-chave 3 do WTA, a romena Monica Niculescu.

Teliana Pereira WTA

“Foi muita tensão. Nunca tinha acontecido algo assim comigo,” revelou Teliana, 83a. na WTA, se referindo ao jogo ter parado por chuva, voltado por alguns games e depois ter sido interrompido por “escuridão”, no 5/5 do 3o. set, para só voltar no dia seguinte. “Foi uma situação muito difícil, principalmente mentalmente. Não consegui relaxar bem à noite. Fiquei pensando o tempo todo no jogo. Mas, estou muito feliz de ter conseguido reverter a situação e saído com a vitória.”

Além das adversidades externas, a brasileira teve que salver match point no tie-break do 2o. set para se manter viva no torneio. “Ontem tive o jogo na mão, ganhando de 6/3 e 4-1 no tie-break. Hoje ela que esteve muito perto de ganhar. Mas o tênis é assim e lutei muito, muito.”

Para avançar às quartas-de-final, Teliana precisará vencer a tenista romena Monica Niculescu, 41a. na WTA. “Uma vitória como a que tive dá confiança, mas agora é outro jogo, uma situação diferente. A Niculescu tem um jogo muito inteligente. Vou ter que jogar melhor e ser consistente o tempo todo.”

O WTA de Bucareste é o segundo de uma série de 4 torneios no saibro que Teliana está jogando. Ela foi semifinalista, na semana passada, do ITF de Contrexeville e depois jogas os WTAs de Bad Gastein e Florianópolis.

SOBRE TELIANA PEREIRA – Natural do município de Águas Belas, no sertão pernambucano, Teliana, nascida em 20/07/1988, migrou para o Paraná ainda criança. Iniciou a carreira profissional em 2005, depois de ótimas atuações como juvenil, e em 2007 deu um pulo na carreira, conquistando a medalha de Bronze no Pan do Rio, ao lado de Joana Cortez, nas duplas.
Em 2013, se tornou a primeira brasileira a alcançar a semifinal de um WTA – em Bogotá –  desde 1989. Ainda naquele ano, se tornou a primeira tenista do Brasil a chegar no top 100 da WTA, desde 1990.
Dentro do top 100, em 2014, Teliana conseguiu disputar, pela primeira vez na carreira, todos os Grand Slams na chave principal, chegou a ganhar uma rodada em Roland Garros.
Agora em 2015 quebrou um jejum de 27 anos do Brasil ao conquistar o primeiro título da carreira no WTA de Bogotá. Semanas depois atingiu a sua melhor posição no ranking até hoje, a 74a. Atualmente ela é a 83a.
Teliana conta com os patrocínios da Asics, CBT/Correios, Deloitte, Estácio e Wilson e tem a sua carreira gerenciada pela LinkinFirm, do ex-tenista profissional Marcio Torres.

Foto de Cynthia Lum

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Antes de enfrentar Monfils em Roland Garros, Gulbis solta o verbo, diz que os tops são chatos e que os tenistas são manipuláveis

Leitura diária obrigatória, o jornal LÉquipe é minha companhia matinal no trajeto de metrô do 11º arrondissement para Roland Garros e hoje, ao ler a entrevista que fizeram com o Gulbis, minha vontade era abrir o laptop no vagão e começar a escrever de lá.

O jornal esportivo francês entrevistou o adversário de Gael Monfils, que não economizou nas palavras, muito menos nos pensamentos. A entrevista é tão forte que tem um aviso aos pais – “palavras explícitas”antes do ping-pong começar.

“Somos facilmente manipuláveis. Não somos acostumados a refletir. A maioria de nós se contenta em jogar Play Station, assistir filmes idiotas e o resto do tempo, em treinar.”

Reproduzo aqui algumas partes da entrevista de Pascal Coville.

Gulbis Latvia

Você tem a reputação de ter boca grande. Isso te cansa?

“Muita gente pensa que sou mimado, rico e arrogante. Mas se me conhecessem, mudariam de ideia. Quando digo algo é porque refleti antes de falar e assume o que digo. Se acham que sou mimado, olhe os jogadores de federações grandes, como os Estados Unidos. Eles sim são mimados. Eles tem tudo. Eu tive a sorte de ter  um pai que trabalhou toda a vida para poder me ajudar.”

Sempre te compararam com o Safin por você falar livremente e de desmontar em quadra…

Ö tênis atual precisa urgentemente de personalidades. Respeito o Roger, Rafa, Djokovic e Murray, mas as entrevistas deles são entediantes. Honestamente, eles são chatos. Vou sempre ao youtube assistir entrevistas e parei de ver as de tênis rapidamente. O Federer que começou essa moda, de super boa imagem, de gentleman suíço perfeito. Repito que respeito o Federer, mas não gosto que os jovens jogadores tentem imitá-lo. Não aguento ouvir “Tive um pouco mais de sucesso nos momentos importantes e por isso ganhei.”O que isso quer dizer? Se eu ganho de alguém, mandei o cara para casa.. Sei de muita gente que gostaria de “mandar o adversário para aquele lugar”

Você arrisca assim a parecer um bad boy

“Não tenho vontade de parecer gentil em quadra. Em quadra é Guerra. Fora da quadra, sem problema algum, Tenho boas relações com a maioria dos jogadores. Gostaria de ver entrevistas como as do boxe.Eles não são os mais brilhantes do mundo, mas quando estão prontos para a batalha eles dão o que o povo quer, a Guerra, o sangue, a emoção.  As pessoas querem ver raquetes sendo quebradas na quadra.

Você tem também uma reputação de festeiro..

“Quando eu saio, saio mesmo. Não quero entrar em detalhes, mas quando faço festa, vou a fundo. Qual o problema de sair com os amigos até as 07h? É normal.

Gulbis x Monfils

Mesmo antes de um jogo?
Isso eu nunca fiz. O que eu fiz de pior foi sair no sábado tendo um jogo na terça. Teve um impacto negativo na minha performance e paguei pela minha estupidez e pelo meu caráter volátil. Mas isso faz parte de outra vida.”

 Em 2010 você ganhou do Federer em Roma e pensávamos que sua carreira deslancharia, mas não foi o que aconteceu.

“Tive 2 chances de deslanchar. A primeira em 2008 quando alcancei as quartas aqui em Roland Garros e em 2010, com a semi em Madri e as quartas em Roma. Espero que a Terceira seja boa.

Em Roland Garros eu era jovem e estúpido, mas jogava muito bem. Fiz um bom jogo depois contra o Nadal em Wimbledon. Tudo foi muito rápido e disse äh isso é muito fácil, não preciso treinar. Vamos fazer festa”

E segui semanas assim. Demorei 6 meses para voltar.

A segunda vez não foi tanto culpa minha. Me machuquei em Roland Garros e tinha que me tratar por um mês, em Tenerife. Os meus amigos vieram e a festa recomeçou. Mais 6 meses para eu reencontrar meu jogo. Dois erros por causa do meu caráter.

Voltando ao jogo, você chegou a pensar em parar de jogar?

“Não porque eu não queria parar com algum arrependimento. Havia ouvido falar muito bem do Gunter Bresnik e fui trabalhar com ele. Decidimos de voltar a jogar como quando eu tinha 15 anos e deixei meu braço encontrar os movimentos sem pensar. Comecei a bater melhor e melhor na bola e reencontrei o gosto até mesmo de treinar.”

Porque você não se junta ao conselho dos jogadores?

Ös jogadores tops que tem falar se querem que alguma coisa muda. Ninguém vai me escutar e além disso, não mudaria nada. O sistema é muito burocrático. Os jogadores tops precisariam estar de acordo em muitos assuntos para fazer as coisas avançarem. Mas, os tops ficam contentes que os menores sejam tratados como merda e não tenham dinheiro para pagar bons técnicos. E os jogadores da grandes federações são controlados por elas. Como pensar em boicotar torneios se mais da metade dos top 100 são controlados por federações?

O que você espera do jogo contra o Monfils? Não vão ser fácil jogar contra ele aqui.

“Difícil foi o meu primeiro jogo (contra o brasileiro Rogério Dutra Silva). Estava muito nervoso. Agora estou mais relaxado.”

Para terminar, quando foi a última vez que você festejou sem limites?

“No dia 1º de novembro… Vodka com leite. Você deveria provar.

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Djokovic triunfa no ATP Finals, encerrando temporada mais equilibrada dos últimos tempos

 

Número um do mundo Novak Djokovic ratificou a sua condição de líder do ranking vencendo o hexacampeão do ATP Finals, Roger Federer, por 7/6(6) 7/5 em uma acirradíssima partida na Arena 02, em Londres. Foi um grande final para uma das mais equilibradas temporadas do circuito mundial.

O ano de 2012 não viu o domínio de apenas um ou dois jogadores como acontecera nos últimos anos, com o próprio Djokovic, Federer ou Nadal.

 

Djokovic começou a temporada ganhando o Australian Open e tentando imprimir o mesmo ritmo de 2011, quando ganhou 10 títulos, incluindo três Grand Slams. Mas, veio a temporada de saibro e o espanhol reinou absoluto para conquistar o seu sétimo trofeu de Roland Garros.

 

Federer, que ganhava alguns Masters pelo caminho, foi rei onde raramente perde a majestade, em Wimbledon. Mas, era o começo da ascensão do súdito da rainha local, Andy Murray, que chegou onde nunca havia estado, numa final do Grand Slam inglês. Foi vice-campeão, mas adquiriu força mental e experiência suficiente para algumas semanas depois ganhar o Ouro Olímpico e deixar Federer com a medalha de Prata.

 

Veio a temporada da América do Norte, sem a presença de Nadal, lesionado desde Wimbledon e que mais tarde viria anunciar a sua ausência das quadras até o fim deste ano. Federer e Djokovic ganharam os Masters 1000 e Murray enfim venceu o seu primeiro Grand Slam, o US Open, em uma épica batalha com o sérvio.

 

A disputa entre os três continuou na turnê asiática, com Djokovic vencendo a maioria dos títulos.

 

De volta a Europa, quem triunfou antes do ATP Finals foram Juan Martin del Potro e David Ferrer.

 

Com cada tenista tendo vencido um Grand Slam e com Djokovic já garantido como número um do mundo, restava ver quem seria mais forte mental e fisicamente no último torneio do ano. Ganhou o sérvio. Pela segunda vez ele ergue o trofeu do ATP Finals e prova que o topo do ranking não foi uma mera combinação de resultados.

Se ainda existia dúvidas de quem deveria terminar o posto como número um, elas terminaram nesta noite de segunda-feira.

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Um dia antes da cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos Olímpicos de Londres, um pouco de história

Quando estive em Wimbledon, no ano passado, tive a honra de me encontrar e conversar com um dos maiores historiadores do tênis, Alan Little. Como agradecimento pela visita à biblioteca de Wimbledon e a entrega de uma série de números da Tennis View para ficarem no arquivo britânico, ele me deu um livro autografado, que havia lançado há pouco, Tennis and The Olympic Games.  Claro que não dei muita atenção ao material, até esta semana.

Comecei a ler toda a pesquisa que o Mr. Little fez e apesar de saber que não houve tênis nas Olimpíadas por 60 anos, de 1924 até 1984, não podia imaginar que as causas foram falta de estrutura, má organização, relacionamentos fracos entre o Comitê Olímpico e as organizações dos campeonatos de tênis.

 

Aparentemente, desde a inserção do tênis nos Jogos Olímpicos, desde a primeira edição em 1863, ao lado de outros 12 esportes, a edição mais bem organizada até então, foi a de 1912, na Suécia. O Rei Gustav V incentivou a disputa do tênis, a cidade de Estocolmo se envolveu com a competição e todos os jogos estavam lotados, diferente dos jogos anteriores, em Londres, praticamente esvaziado.

 

Já em 1920, em Antuérpia, o tênis participou das Olimpíadas, mas sem o mesmo incentive que teve na Suécia. Apesar do número grande de participantes, a organização foi pobre, escreveu o Sr. De Little.

 

Quatro anos mais tarde, nos Jogos de Paris, houve mais do que o dobro do número de participantes do que na edição de Antuérpia, a organização foi pior ainda.

 

Segundo o relato do pesquisador, quando os jogadores chegaram para os jogos, as arquibancadas não estavam prontas e as quadras e os vestiários eram primitivos. O vestiário feminino tinha apenas um chuveiro e o masculino ficava a 1km das quadras. O relato continua, com informações dos jogadores estressados, os juízes sofrendo com as atitudes dos atletas e o espírito olímpico longe do ideal.

 

Tentaram encontrar um culpado para a organização falha, mas as pessoas designadas pelo Comitê Olímpico Internacional para organizar o torneio, não tinham experiência e a International Lawn Tennis Federation, não podia se envolver.

A questão levou a discussões e as duas entidades se distanciaram, deixando o tênis ausente dos jogos.

 

O que ninguém imaginava é que demoraria mais 60 anos para o tênis voltar a integrar as Olimpíadas.

 

Mesmo não tendo o mesmo apelo do que um atletismo, ou uma natação, sendo um esporte tão global, é difícil mesmo pensar nos Jogos Olímpicos sem tênis.

 

Neste período de 60 anos, o Movimento Olímpico só crescia, aumentando a participação de países e competidores.

Por volta de 1963 tentaram colocar de volta o tênis nos Jogos Olímpicos. O assunto foi tema de assembleias, mas a época coincidia com a Era Aberta do Tênis e demorou mais 21 anos para o esporte voltar a fazer parte dos Jogos.

 

Com 6000 espectadores, em Los Angeles, o tênis voltou à competição criada pelo Barão de Coubertin, como um esporte exibição. Stefan Edberg e Steffi Graf saíram vencedores e já nas Olimpíadas seguintes, em Seul, tênis virava novamente esporte oficial olímpico.

 

De 1988 para cá houve uma série de mudanças nos quesitos de classificação, chaves, cabeças-de-chave, formato, entre outros.

Para mim, a mais significativa delas foi em Sidney, no ano 2000, quando a competição passou a dar pontos no ranking mundial.

 

A novidade para estes Jogos Olímpicos que começam nesta sexta, em Londres, com a cerimônia de abertura é a entrada da chave de duplas mistas.

Mas, é para apenas 16 duplas e só para os tenistas que já estão participando nas chaves de simples e / ou duplas. Ou seja, pode ser melhorada.

Como um colega observou recentemente, com apenas três jogos nessa chave de 16 duplas, dá para conquistar medalha. Muito pouco para o valor que tem uma medalha olímpica.

 

O Brasil, que quase ficou fora destes Jogos de Londres, disputa em Wimbledon, com Thomaz Bellucci, André Sá, Marcelo Melo e Bruno Soares, a sua sexta olimpíada consecutiva.

 

Abaixo reproduzo uma parte da material da jornalista Fabiana Oliveira, publicada na edição 118 da Tennis View, com a participação dos brasileiros nos Jogos Olímpicos. Até hoje, Fernando Meligeni foi quem fez a melhor campanha olímpica.

 

Meligeni, o Melhor Brasileiro Até o Momento

O brasileiro com melhor desempenho na história dos Jogos Olímpicos foi Fernando Meligeni, que ficou com a quarta colocação na disputa de Atlanta, após perder na semifinal para o espanhol Sergi Bruguera e na disputa pelo bronze para o indiano Leander Paes. Outros 15 tenistas do nosso País também marcaram seus nomes no evento: André Sá, Andréa Vieira, Cláudia Chabalgoity, Flávio Saretta, Gisele Miró, Gustavo Kuerten, Jaime Oncins, Joana Cortez, Luiz Mattar, Marcelo Melo, Miriam D’Agostini, Marcos Daniel, Ricardo Acioly, Thomaz Bellucci e Vanessa Menga.

 

Campanha dos Brasileiros

 

2008 – Pequim

–       Bellucci e Daniel perderam na estreia de simples, respectivamente para e Benneteau

–       Melo e Sá vencem Berdych e Stepanek e perdem para Bhuphati e Paes

 

2004 – Atenas

–       Guga perdeu na estreia de simples para Massu, que se tornaria campeão do evento

–       Saretta perdeu na estreia para Roddick

–       Sá, ao lado de Saretta venceram Nadal e Moyá na estreia, perdendo em seguida para Black e Ullyett

 

2000 – Sidney

–       Guga vence Pognon, Schuettler e Ljubicic, parando a um jogo da disputa de medalha diante de Kafelnikov, que mais tarde conquistaria o ouro

–       Cortez e Menga vencem chinesas N.Li e T.Li na estreia mas perdem para Marosi e Mandula na segunda rodada.

–       Guga e Oncins caíram na estreia de duplas diante dos campeões canadenses Nestor e Laureau

 

1996 – Atlanta

–       Meligeni vence Pescosolido, A. Costa, Philippoussis, Olhovskiy, perde para Bruguera na semi e disputa medalha de bronze com Paes, que acaba subindo ao pódio

–       D’Agostini e Menga perderam na estreia de duplas para Zvereva e Barabanschikova

 

1992 – Barcelona

–       Oncins vence Muskatirovic, Chang, Koevermans e para nas quartas diante de Cherkasov foi quadrifinalista em simples

–       Vieira e Chabalgoity vencem suecas na estreia e perdem para McQuillan e Provis, da Australia na segunda fase

–       Mattar caiu na primeira rodada de simples, para Haarhuis, e de duplas, ao lado de Oncins, para Sanchez e Casal

 

1988 – Seul

–       Acioly e Mattar chegaram à segunda rodada da chave de duplas, parando diante dos franceses Forget e Leconte

–       Miró venceu vence canadense Kelesi na 1ª rodada e para na sequência diante de Maleeva

–       Mattar caiu na primeira rodada de simples para Masur

 

 

 

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Cinco cirurgias depois, Brian Baker joga por vaga nas 4ªs de Wimbledon porque nunca deixou de acreditar

Há alguns meses estou lendo, vendo imagens e acompanhando a história de Brian Baker, que vem sendo chamada de conto-de-fadas pelos jornais ingleses. Adiei o quanto deu escrever sobre ele, mas agora é de fato por merecimento. Nesta segunda, a mais valiosa do tênis mundial, em que são disputadas as oitavas-de-final masculina e feminina de Wimbledon, ele enfrenta o alemão Philipp Kohlschreiber para tentar alcançar, pela primeira vez na carreira, aos 27 anos, as quartas-de-final de um Grand Slam.

O fato seria normal, muitos tenistas às vezes alcançam as quartas-de-final de um torneio importante depois de anos de luta pelo circuito. Mas, no caso de Baker, ele ficou seis anos praticamente sem competir, passando por cirurgia atrás de cirurgia – foram três nos quadris, uma no cotovelo  direito e a outra devido a uma hérnia esportiva e trocando as quadras da ATP, por um curso de finanças, treinamento para os tenistas da University de Nashville jogando até o inter-clubes de Tennessee.

 

Mas, o ex-número dois do mundo juvenil (2003), nunca deixou de acreditar no seu potencial. Só não sabia se o corpo aguentaria dois, seis ou doze meses seguidos de disputas intensas no circuito.

 

Admito que quando ele chegou à final do ATP de Nice, na semana que antecede Roland Garros e zapeando os canais da televisão, o vi numa entrevista telefônica ao vivo com a CNN, a primeira coisa que pensei foi: “nossa, esse cara tem um PR excelente ou a ATP está fazendo um excelente trabalho pelo bem do tênis americano.”

 

E mais e mais histórias surgiam do tal Brian Baker. Costumo ter uma excelente memória. Lembro nomes de tenistas, datas de jogos, fatos do esporte, detalhes da vida dos tenistas, mas não sei porque não lembro de Brian Baker no juvenil, de ter visto ele jogar, ou ouvido o nome dele.

Fui vê-lo jogar em Roland Garros e o rosto também não é carismático.

Brian Baker, se já foi um tenista americano mimado quando estava entre os melhores juniors do mundo, é um cara mais do que normal. Joga com o patrocínio de roupa da não tão conhecida ADNA (Athletica DNA) roupa, está viajando sem técnico e agora é apenas um de dois tenistas dos Estados Unidos, ao lado de Mardy Fish, que podem chegar às quartas-de-final no All England Lawn & Tennis Club.

Mas, para chegar até o estágio onde está hoje, além de ter passado seis anos lutando para se recuperar de cirurgia atrás de cirurgia, sem nunca deixar de acreditar, ele recomeçou a carreira tenística há 11 meses, do zero.

O primeiro torneio que ele jogou foi um Future, em Pittsburgh, em que teve que passar o qualifying – e só entrou no quali com um convite da USTA – para conquistar o título.  No final do ano ainda passou o qualifying do Challenger de Knoxville e conquistou o trofeu de campeão. Jogou apenas cinco torneios em 2011.

 

Começou 2012 perdendo na segunda rodada de um Future na Flórida. Dois meses depois já havia vencido dois torneios da categoria e em abril vencia o Challenger de Savana, tendo passado o qualifying. Foi então que comecei a ler algumas histórias sobre Baker.

O torneio seguinte que ele jogou após o Challenger foi o ATP de Nice, em que novamente foi do qualifying até a final, ganhando de três top 100 e perdendo para Nicolas Almagro.

Com um convite para a chave principal de Roland Garros, derrotou Xavier Malisse na primeira rodada e perdeu em cinco sets para Gilles Simon.

Perdeu no qualifying de Queen’s e teve que jogar o qualifying de Wimbledon, em Roehampton, para entrar na chave principal do Grand Slam inglês.

Em 2005 ele havia jogado o qualifying nas mesmas quadras e perdido na primeira rodada, tendo que abandonar o confronto com Novak Djokovic, com uma lesão logo no primeiro set da primeira rodada. É a carreira dos dois foram para caminhos praticamente opostos.

Baker precisou de sete anos para pisar de novo na grama inglesa e de duas semanas para cá ele já venceu seis jogos no Grand Slam mais tradicional do tênis, três do qualifying e três na chave principal.

Antes das disputas de Wimbledon e Roland Garros, Baker havia vencido apenas um jogo em um Grand Slam, em 2005, no US Open, em que ganhou de Gaston Gaudio.

Por toda essa história vale a pena ler alguns trechos da entrevista coletiva do americano antes dele entrar na quadra 12, nesta segunda, em busca da inédita vaga nas quartas-de-final de Wimbledon.

 

You’ve come from playing challengers to the now the second week of a major.  Are you still having any ‘pinch me’ moments?

            BRIAN BAKER:  I will.  I’m sure I will.  It’s been unreal.  When I’m on the court I know I definitely have nerves.  Closing out the match you definitely know what’s on the table, what you can accomplish.

            I mean, I missed a few shots at the end that I probably wouldn’t miss if it was the quarters of a challenger and not trying to get to the round of 16 at Wimbledon.

            It is crazy kind of what’s going on.  But I’m still trying to stay focused on the task at hand and not get too wrapped around.

            Because once you do that, I think it’s tough to be able to play your best tennis once you’re happy that you’ve been there.  So I’m trying to every match go in there hungry and try to win the next one instead of, I’m in the Round of 16 of Wimbledon; this is awesome.

Q.  You were in the hunt for a wild card here; ended up playing in the qualifiers.  In retrospect, was that a good thing?

            BRIAN BAKER:  Yeah.  Looking at it now it’s a good thing.  I don’t know if you look at it first‑round quallies when you’re walking on the court that it’s the best thing.

            I wasn’t that disappointed that I didn’t get one.  I needed the match practice on the courts.  My only grass court match was at Queen’s quallies and I lost.  Didn’t feel I was comfortable on the stuff.

Q.  Seven years since you’ve been on a grass court before Queen’s?

            BRIAN BAKER:  There’s actually two grass courts at the club where I grew up at back in Nashville.  I think I played once like hit‑and‑giggle tennis on that.  Played kind of a pro‑am doubles tournament up in the Hamptons with a buddy from Nashville on grass.

            But those courts are nothing compared to these.  They’re a lot softer.  It had been seven years since I played on a similar‑style grass court.

                  Q.  At what point did you actually say to yourself that you could play second‑week Grand Slam‑level tennis?

            BRIAN BAKER:  Right now (laughter).

            Nice.  I’ve been saying all along that Nice was huge for my confidence.  Not just getting to the finals, but having quality wins over good players.  I know it’s a totally different surface, but it just kind of validates how well I was playing at that time.

            Once I got those victories, I don’t know if I’m actually playing better tennis now, but during the key moments of the match, which basically determines a lot of the matches, I’m confident I don’t have to step outside my comfort zone, that my game is good enough.

Q.  If this would be the best achievement of the comeback and the best moment of the comeback so far, what would have been the worst moment?

            BRIAN BAKER:  Since the comeback?

 

                  Q.  In general, of all you went through.

BRIAN BAKER:  I’ve gotten that asked a lot.  It’s hard to pinpoint the one exact time.  I think I said that before I had the elbow surgery, because I knew I would be out for so long and I wasn’t going to keep on having surgeries to prolong my career.  That was probably one of the more difficult ones.

            I think anytime you have surgery, sitting in the operating room, sitting in rehab, it’s not going perfectly to plan.  For me I kept on having surgeries.  At one point you’re like, Why is my body not cooperating?  Am I ever going to get out to play?  I think that happened around the same time as the elbow surgery.

 

                  Q.  Did you have an idea of what else you would do?

            BRIAN BAKER:  I went back to school.  I was studying business ‑ finance in particular.  I don’t know if that was going to be my calling, but it was something I was interested in.

            Also I was coaching tennis.  I think college coaching in the right kind of position that would interest me as well.

 

                  Q.  You have to look out for your own prize money now.

            BRIAN BAKER:  I’ll be able to know what they’re telling me about my money.

 

                  Q.  What are your thoughts on playing Kohlschreiber?

            BRIAN BAKER:  I’ve never actually ‑‑ I think I played him in doubles a long time ago, maybe like 2004, 2005.  We can pretty much throw that out.  I never really practiced with him or played him in singles.  It will be a new match, I think, for both of us.

            I’ll try to get together with some people that know how he plays and try to get a game plan together.  I don’t know what he’s ranked, but he’s obviously top 25 or 30.  So he’s a great player.  So I’m sure I’ll probably be the underdog again going into the match, which is fine for me.

            I’m kind of happy being the hunter going in there.  I know I’ll have to play my best match to win because he’s a great player.

                  Q.  Can you tell us a little bit about the first tournament when you came back, the futures event in Pittsburgh.

            BRIAN BAKER:  What do you want to know about it?

 

                  Q.  Is it right you actually turned up and said you wanted to play it?

            BRIAN BAKER:  Unfortunately, when you have zero points you kind of are at the luck of the drawing, if you get in quallies even.  At first cut I was not in quallies, and so I had to actually get a wild card from the USTA to even play quallies.

            So I got the call pretty late.  I don’t know if someone pulled out or not, but I got a call I think on Thursday evening.  I was actually on the golf course.  They were like, Okay, do you want to?  I was like, Sure.  I left the next morning and drove up there because it was tough to get a flight.

            Signed up for quallies and started my next round the next day.  I was able to win three qually matches and then the five main‑draw matches without losing a set.

                  Q.  If you would have been told then that you would be in the world’s top hundred by then, what would you have said?

            BRIAN BAKER:  Wow, how would I have done that?  What tournaments did I do well at?

            Like I said, I’ve always been confident in my game.  I always knew I was a good player.  It was just whether the body would cooperate and whether I could get more than even six, eight, twelve months healthy and able to play.

            Because, I mean, coming back of course I wasn’t just playing awesome tennis and winning every tournament.  I had some lumps down the road.  I’m just so happy that I have been able to play this year a full schedule and now I’m finally kind of finding my stride and doing well.

                  Q.  Novak said there’s 128 players in the draw and everybody is hungry.  Is that how you feel?  How do you feel about it?

            BRIAN BAKER:  Yeah, right.  I think you have to go on the court each time and think that you’re going to win or you shouldn’t even go out there.  I know the top three and top four especially, they’ve kind of been dominating the Grand Slams as far as like who’s winning the Grand Slams.

            But I don’t look at the draw.  Like when Nadal lost I knew he was in my half, but it’s not something that I was thinking about when he lost, Oh, now I can go even further in the tournament.

            Every time I have a match, I’m always ranked lower and always probably the underdog.

            It is nice that maybe you can say it’s a little more open.  But, you know, I don’t pay that much attention to that.  I just go onto the court, whoever I’m playing, try to have a game plan, be confident, try to play my best tennis.

                  Q.  Do you remember a time when you were off watching a Wimbledon final thinking it would be really nice if you could get out there and play on that Centre Court one day?

            BRIAN BAKER:  No, I think it’s great when you can play on any of the biggest courts at each of the Grand Slams.  I’ve played at Louis Armstrong at the Open; I’ve played now Chatrier at the French; haven’t played the Australian yet.

            I think it’s awesome anytime you can go out and play on one of those courts just because not that many people in the world get to do that.

            If I ever get a chance to play on it, it would be great.  I don’t know when I was watching the tennis at that time.  I guess I was probably in the middle of recovering from one or another surgery.  I don’t know if I was thinking, I’m going to be playing right there.

            Ever since a child, I’ve always dreamed it would be great to play on Centre Court at Wimbledon.

                                   

 

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Com o início de Wimbledon foi dada a largada para o verão mais esportivo da história de Londres

 

Esta segunda-feira foi apenas o primeiro dia do verão mais esportivo da história da Inglaterra. Com a abertura dos grandes portões de ferro do All England Lawn Tennis & Crocquet Club e o início do torneio de Wimbledon, foi dado o primeiro saque para quase dois meses de muito esporte, com data marcada para terminar. De hoje até 12 de agosto, dia da cerimônia de encerramento das Olimpíadas de Londres (a data de início é 27 de julho), os olhos esportivos do mundo estarão completamente voltados para a Inglaterra.

Um dia após a eliminação da nação na Eurocopa, o público inglês já trocou os campos da Ucrânia e Polônia pela quadra central de Wimbledon. Os fãs de tênis lotaram o All England Club, aplaudiram as vitórias de Novak Djokovic, Roger Federer, Kim Clijsters, Heather Watson, entre outros e se decepcionaram com a precoce despedida de Venus Williams. Mas ela volto logo. Daqui a cinco semanas ela estará em Londres de novo, representando os Estados Unidos nas Olimpíadas.

 

O sol animou os ingleses, que abusaram do morango com Chantilly e dos PIMM’s, típica bebida alcóolica da Inglaterra, vendida pelo complexo e deitaram na grama da Murray Hill, como se estivessem num parque, para desfrutar do início do verão mais esportivo da história.

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São as pessoas que você conhece… Em Miami, Paris, Nova York… E reencontra

Há quatro anos, quando estava na turnê de despedida de Guga, especialmente em lugares como o Sony Ericsson Open (Miami), o Brasil Open e Roland Garros, onde fizemos vários eventos, as pessoas me perguntavam dos momentos mais marcantes e o que foi mais especial.

Claro, que além de ter trabalhado durante mais de 10 anos com uma pessoa incrível que foi número um do mundo, ganhou o Masters, Roland Garros três vezes, etc e ter feito parte de momentos mágicos da história do esporte, foram as pessoas que eu conheci ao redor do mundo.

Algumas foram breves encontros, marcantes ou não, mas outras foram encontros duradouros, que se repetiam a cada ano, em cada torneio.

Havia os torneios mais especiais, como, de novo, Miami, em que tenho amigos até hoje e Roland Garros, em que há 14 anos tive o imenso prazer de conhecer uma cantora, compositora, intérprete, brasileira, Catia Werneck.

Neste fim de semana, no Rio, muitas temporadas depois e muitas vitórias depois do Guga que assistimos juntas e muitas festas depois em que ela cantou, não só nas comemorações dos títulos do Guga, mas em eventos em que foi chamada pelos torneios para cantar, tive a honra de ouví-la cantar.

Não foi a primeira vez e não será a última. Catia veio ao Brasil para fazer uma turnê do seu disco mais recente, Primavera e mostrar um pouco do enorme sucesso que faz na Europa e na Ásia por aqui.

Cantou, se divertiu e cativou o público, acompanhada de músicos de altíssima qualidade e sensibilidade.

São essas as melhores coisas de uma profissão como a minha. Manter uma amizade que começou num torneio de tênis e foi além de uma boa festa com música e champagne.

Um pouco do show da Catia que encerrou a turnê no Brasil – no Vizta, no Hotel Marina, no Leblon.

 

 

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Despedida de Gonzalez deixa tênis sul-americano ainda mais órfão

Quando o Nicolas Lapentti anunciou a aposentadoria dele do tênis, no ano passado, tive a sensação de uma grande perda para o tênis sul-americano. Afinal, era mais um tenista que esteve entre os o top 10, jogou o Masters, enfrentou os melhores do mundo, se despedindo das quadras e sem sucessores à vista (pelo menos, próxima).

Ainda não tinha parado para pensar muito no Fernando Gonzalez, até acompanhar online o jogo dele de despedidado ontem, no Sony Ericsson Open, contra o Mahut (perdeu por 75 46 76(3), assistir a linda homenagem feita pela ATP e relembrar na minha cabeça os grandes momentos do chileno.

Pouco a pouco os grandes nomes do tênis sul-americano que tiveram papel fundamental no circuito da ATP, no final da década de 1990 e durante os últimos 12 anos, vão deixando o tour.

Guga foi embora em 2008, Nico Lapentti, no ano passado, Gonzalez neste ano. Marcelo Rios já tinha dito adeus há muito tempo. Gaudio, Coria, Cañas, Zabaleta, Calleri, entre outros, também já não estão mais competindo.

Se houvesse uma renovação, o momento seria nostálgico mas com um futuro bom para a região adiante. No entanto, se tirarmos Juan Martin del Potro, hoje não temos um tenista sul-americano que consiga chegar longe nos maiores torneios do mundo.

Para uma América do Sul que já teve 4 top 10, ter apenas 9 top 100 a situação é preocupante.

Preocupa ainda mais não ver nenhum sul-americano brilhando no Banana Bowl.

Ídolos que são capazes de mexer com os corações de uma nação são raridade hoje em dia na nossa região.

Estive no Chile em algumas ocasiões quando Gonzalez estava no auge, no ATP de Viña del Mar. Presenciei a força da torcida chilena em diversos torneios pelo mundo e acompanhei com colegas jornalistas chileno o impacto que ele tinha – tem – no País, alcançando final de Grand Slam, enfrentando os maiores do mundo, jogando Copa Davis, ganhando medalha olímpica.

São lacunas de jogadores tops – Gonzalez chegou o a ser o 5º na ATP – que vão ficando vazias e que farão falta num futuro bem próximo. Sem falar, que todos esses jogadores – Guga, Lapentti, Gonzalez, Canãs – entre outros – são bons rapazes, figuras bem quistas em todo o circuito.

 

Para quem não viu ainda, tem o vídeo de homenagem que a ATP e os tenistas prepararam para Gonzalez na noite de quarta-feira, em Miami, exibido na quadra central do Crandon Park.

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Um raro bate-papo com Marian Vajda, o técnico de Djokovic

A temporada já acabou, os tenistas todos já estão em plena preparação para 2012, nas suas pré-temporadas pelo mundo.

Agora é o momento de relembrar como foi 2011 e homenagear Novak Djokovic, o destaque disparado do ano.

Para isso posto aqui a entrevista que a Tennis View, com Edgar Lepri, Leonardo Stavale e Nelson Aerts, fizeram com o homem que levou Novak ao topo, o técnico Marian Vajda, em Nova York, publicada na edição 116 da revista.

Vajda, o treinador que transformou Djokovic no melhor tenista do mundo

 

Qual o trabalho por trás do tenista de Novak Djokovic? Quem é o treinador capaz de fazer o sérvio passar Roger Federer e Rafael Nadal para disparar na liderança do ranking da ATP? O nome dele é Marian Vadja, um ex-tenista profissional, que chegou ao 34º lugar no ranking e vencedor de dois torneios ATPs. Feitos que parecem pequenos quando comparado às conquistas obtidas na sua segunda carreira.

Após parar de jogar por conta de uma lesão e se afastar do circuito para curtir a família, por volta dos 30 anos Vadja foi seduzido a iniciar a carreira como técnico ao ser convidado a trabalhar com o eslovaco Domink Hrbaty, na época 320º do mundo.  Para quem estava começando na profissão, Vajda não tem do que reclamar. Hrbaty foi o 14º melhor tenista da ATP, campeão de seis torneios e uma semifinal em Roland Garros.
Depois o treinador teve ainda boas experiências com Karol Kucera e embarcou no tênis feminino até receber a proposta há cinco anos de treinar a então jovem promessa Djokovic. De lá para cá, a história ficou conhecida, e muito. A relação de Vajda com Djoko vai além das quadras. O próprio tenista já afirmou que o treinador é como um segundo pai para ele. O treinador não é nenhum mágico, aparentemente sua grande maestria e genialidade é a capacidade infinita de entender como funciona a mente de seu pupilo.

 

Nesta entrevista exclusiva à Tennis View, realizada durante o US Open, Vadja destaca o fato de ter sido jogador como um diferencial no seu dia a dia como técnino. Diz saber saber a hora de dar um descanso, puxar um treino mais forte e motivar o jogador na medida certa. O treinador afirma também que a paciência é uma de suas maiores virtudes e que passou isso para Djoko quando o tenista ansiava por chegar ao topo. Confira esses e outros segredos do homem que transformou Djokovic no melhor tenista do mundo.

Tennis View  – Quando você se envolveu com tênis?

Marian Vajda – Eu tinha 10 anos e morava na Eslováquia, em Piestany, onde eu cresci. Fui apresentado ao tênis pelo meu pai, que tinha construído uma quadra na cidadezinha e tinha muitos bons técnicos me acompanhando.

 

TV – Como você avalia sua carreira como profissional? Você acha que poderia ter ido mais longe?

MV – O tênis era minha paixão, mas eu comecei a jogar profissionalmente muito tarde, com 18 anos, quase 19. Entrei no top 100 quando tinha 20 anos e meu objetivo, obviamente, era o de todo jovem tenista: ser o melhor do mundo. Sempre via Wimbledon quando era criança e sonhava com aquele troféu. Não realizei esse sonho, mas pude ganhar dois torneios de ATP Tour, fiz outras duas finais… Quando eu olho para trás, me sinto muito satisfeito. Talvez eu pudesse ter alcançado mais coisas, mas eu fui incapaz por minha carreira ter terminado com uma lesão, então parei com 30 anos.

 

TV – Quando você começou a ser treinador?

MV – Depois dos 30 anos, fiquei um tempo cuidando da minha família e senti que gostaria de voltar para o tênis. Tive uma proposta de treinar uma boa promessa, Dominik Hrbaty, que na época era 320º do mundo. Nós fizemos um período de experiência para ver se seria bom e eu realmente passei a gostar. No início eu ficava muito cansado, porque era completamente diferente a carreira de treinador e jogador. Eu precisava focar naquilo que ele estava fazendo, e não mais em mim. Mas começamos a trabalhar juntos, eu gostei e passei a me motivar, porque ele também tinha muita vontade de crescer. Foi assim que comecei como treinador, aos 31 anos e até hoje.

 

TV – Então você já começou com um trabalho muito bom?

MV – Sim, eu tive sorte desde o começo. Ele melhorou muito, fez mais de dez finais, foi semifinalista de Roland Garros e quase um top 10. Foi muito gratificante. Eu recebi muito crédito e sei que fiz um bom trabalho, mas estava com um jogador muito bom. Depois disso eu pensei que não conseguiria mais pegar nenhum bom jogador. Ele foi 12º, isso é o melhor que a gente consegue [risos]. Mas então eu ainda treinei Karol Kucera por dois anos e meio, trabalhei para a Federação por um ano e meio, depois um pouco no feminino…

 

TV – E como surgiu a oportunidade de treinar Novak Djokovic?

MV – Em 2006, eu recebi uma grande proposta da equipe que conduzia a carreira do Novak. Eles se lembravam de mim por ter treinado Dominik, mas eu não sabia quem o Novak era, porque na época eu estava treinando meninas. Aí eu fui para Paris, conheci os pais, a família e ele. E esse foi o início. Também tivemos um período de experiência, por cinco ou seis semanas, ele ganhou o primeiro torneio… E foi assim que tudo começou, de Wimbledon em 2006 e chegou ao auge agora [risos], com uma conquista em Wimbledon, então foi muito legal. Em cinco anos, ele alcançou o número 1 do mundo, o que foi realmente inacreditável. Ele é um cara muito talentoso e tenho muito sorte de contar com esse talento.

 

TV – Qual você acha que foi a grande mudança de Djokovic no último ano?

MV – Ele mudou muito mentalmente, sabe? Mas, em cinco anos de trabalho, ele sempre teve a ambição de ser número 1 do mundo, um desejo mesmo. E ele sempre conseguiu evoluir. Ele trabalhava em todos os golpes. Por exemplo, há um ano e meio o saque dele não estava muito bom. Trabalhamos com isso, depois o forehand, tudo da base. Hoje, ele tem esses movimentos praticamente perfeitos.

 

TV – E a diferença entre passar de top 3 para número 1 do mundo, o que mudou?

MV – Foi muito duro. Acho que ele percebeu algumas coisas importantes e está mais maduro. Se ele pode bater os números 1 e 2 do mundo, se ele pode ganhar a Copa Davis, ano passado, – o que o ajudou muito -, ele percebeu que poderia ser mais agressivo, mais rápido, fisicamente ele estava muito bem no final do ano, e isso tudo se juntou neste ano.

 

TV – Quais foram as mudanças físicas?

MV – Bem, ele parou de consumir glúten e reduziu muito o açúcar. Ele perdeu alguns quilos, está mais magro e muito mais rápido em quadra.

 

TV – O que é necessário para ser um bom treinador?

MV – É preciso ser paciente, viajar muito… ser paciente [risos], e é uma carreira dura. Você não pode ser dominante. Você precisa deixar o cara dominar, precisa ouvi-lo, ser muito paciente e definir metas, como evoluções em longo ou curto prazo. Mas você precisa ser muito paciente, porque você está diariamente com o cara, 24 horas por dia, e às vezes é difícil controlar os nervos, sabe? A carreira no tênis me ajuda, porque eu passei por isso como tenista e tive muitas experiências. É importante não confundir o jogador ao falar de algo que ele não está tão bom, mas ser paciente e melhorar aquilo. Teve um tempo em que ele estava muito para baixo e eu sempre dizia: ‘Você precisa ser paciente, você vai virar número 1. É um passo de cada vez, não vai ser de um dia para outro’. O mais importante é acalmar o tenista mentalmente, o que não é fácil.

 

TV – Você acha que ajuda muito ter sido um tenista profissional?

MV – Sim, definitivamente. Ajuda muito. Porque eu conheço tudo, todos os torneios, a programação de cada dia. Com o que eu fiz, eu posso dar exatamente o programa de treinos a ele sem causar overtraining, porque há treinadores que forçam demais, sabe? Eu tive sorte de conhecer boas pessoas na minha equipe, na preparação física, alimentar, na fisioterapia e sempre nos comunicamos. E a comunicação é muito importante, especialmente com ele (Djokovic), porque ele sabe identificar as coisas, então o que ele sente, ele conta para a gente. Ele é aberto com a equipe e tem muita sensibilidade nesse aspecto.

 

TV – E ele faz muito preparo físico?

MV – Acho que ele faz o mesmo que os outros, mas ele tem uma capacidade boa e pode “sintetizar” os exercícios muito, muito, muito mais rápido. Ele consegue aprender as coisas muito rapidamente e seu estilo de jogo é muito intenso. Por exemplo, atualmente, ele fica duas semanas sem jogar, volta para o circuito e joga do mesmo jeito. Enquanto muitos tenistas precisam de uma semana ou duas para retomar o ritmo. Então, isso é um talento, um dom.

 

(Fotos de Cynthia Lum)

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A reciclagem é um caminho sem volta. Iniciativas sustentáveis aumentam nos eventos.

Tenho andada afastada do meu blog, por pura falta de tempo e inspiração também. Escrever por escrever, não é o meu caso. E quando aculumamos funções de mais, acaba faltando tempo para sentar, pensar, se inspirer, escrever.

Mas, nesta semana, na Tetra Pak Tennis Cup, em Campinas, encontrei o momento e a inspiração.

Desde o começo do ano venho trabalhando com o Tião Santos, os catadores de recicláveis, entrando em um novo mundo e em todo evento de esporte ou não que tenho alguma participação venho tentando incluir cada vez alguma ação sustentável.  Fizemos algumas ações nos últimos eventos da Try Sports, em Campos do Jordão – MasterCard Tennis Cup e no Itaú Masters Tour.  Participamos com a Rede Extraordinária da Coleta Seletiva do Back2Black e do ART RUA.

Agora, na Tetra Pak Tennis Cup, conseguimos montar diversas ações que saíram do papel e vieram para ficar.

Sinto orgulho de fazer parte desta estrutura e de ter conseguindo com o pessoal da Tetra Pak todas essas iniciativas.

Os jogadores todos se surpreendem com a água embalada em caixinha tetra pak – assim é 100% reciclável – e com as ações pela Sociedade Hípica de Campinas.

Fernando Meligeni, em visita ao torneio, participou da campanha para entrega voluntária de recicláveis, em um PEV (posto de entrega) que ficará na Hípica, permanentemente.

São novos tempos e cada vez mais empresas estão entendendo que a reciclagem veio para ficar. É um caminho sem volta e benéfico. Simples ações que fazem e muito a diferença.

 

  • Sociedade Hípica de Campinas – PEV (Posto de Entrega Voluntária) durante e depois do evento
  • Campanha para reciclagem dos tubos de bolas de tênis de plástico e metal
  • Água do evento, inclusive para os tenistas, em embalagem Tetra Pak
  • Lonas serão recicladas
  • Bolas usadas doadas para projeto social
  • Papelaria do evento com papel e caneta reciclável
  • Cooperativa Reciclar coleta  papel, papelão, vidro e latas
  • Cooperativa Eu Reciclo recolhe para reciclaro óleo da cozinha do evento
  • Demonstração do processo de reciclagem das embalagens Tetra Pak
  • Exibição do filme “Carbono e Metano”
  • Separação dos aneis das latinhas de refrigerante para o projeto FRATO SOCIAL – transforma os mesmos em cadeiras de roda.

 

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