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O poster de Roland Garros 2011 – para começar a entrar no clima de Paris

 

Nem dá para acreditar que Roland Garros começa daqui a pouco mais de duas semanas. Para começar a entrar no clima do Grand Slam francês, coloco aqui a imagem do “affiche” deste ano, feito pelo artista de Camarões, Barthelemy Toguo. Ele é o primeiro artista africano a fazer o poster do “French Open,” desde que o campeonato inaugurou esta tradição em 1980. Até Joan Miró já ilustrou o “affiche” de Roland Garros (1991).

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O tênis também pode ser sustentável

Escrevi essa matéria para a edição 106 da Revista Tennis View, contando um pouco do que os Grand Slams estão fazendo para começar a tornar o tênis  sustentável. A iniciativa dos maiores eventos do mundo é tardia, mas enfim começou. A ideia é divulgar esta matéria o máximo possível para quem sabe inspirar outros campeonatos por aí a adotarem alguma das medidas que exemplifico abaixo.

O tênis também pode ser sustentável.

Quem está ratificando essa afirmação são os Grand Slams.

Depois de o US Open lançar um programa de iniciativas verdes, no ano passado, encabeçado por Billie Jean King, fundadora do Green Slam, Roland Garros avançou no seu programa de sustentabilidade, inovando com a reciclagem de bolas.

A Federação Francesa de Tênis, com a sua operação “Balle Jaune,” já reciclou neste ano 600 mil bolas, que são transformadas em pisos esportivos, posteriormente doados para projetos sociais.

A cada 40.000 bolas recicladas, um piso esportivo de 100m2 é colocado em uma instituição de caridade.

Com vida útil de um a dois anos, as bolas de tênis, material indispensável para a prática do esporte e do mais usado – só em Roland Garros são utilizadas 60 mil e na França 14.000 são vendidas por ano – eram jogadas no lixo. Uma única bola demora 2.500 para se decompor.

Um programa de logística e em parceria com as empresas Coved e Fedex permitiu que a FFT ampliasse o seu programa para o país inteiro. Todos os clubes filiados recebem uma caixa de papelão para depositar as bolas que não serão mais utilizadas. Um caminhão chamado de “Tour de France,” percorre os clubes recolhendo as bolas e a Coved as transforma em Pisos Esportivos.

A Federação investiu em campanha publicitária e está vendo os resultados. Das 150 mil bolas recicladas no primeiro ano do programa, o número já quadriplicou no segundo.

Para diminuir a emissão de CO2, a FFT também colocou um medidor da emissão dos gases e vem reduzindo os números desde 2008.

Todo o material impresso do torneio foi feito com papel reciclável ou misto, iniciativa também adotada pelo US Open, no ano passado.

Assim como o Grand Slam americano que incentivou o uso do transporte público, Roland Garros lançou até um site para quem não fosse de metro ou ônibus encontrasse carona.

Roland Garros também colocou latas de lixo recicláveis pelo complexo e nas saídas do metrô. O US Open, no ano passado colocou 100% das latas de lixo recicláveis.

Veja as principais ações que alguns eventos, incluindo Roland Garros, Wimbledon, US e Australian Open, estão fazendo para que o tênis também seja sustentável:

*Reciclagem de bolas transformadas em pisos esportivos

* Redução da emissão de CO2, incentivando uso do transporte público ou de carona

* Impressão de todo material de papelaria em papel misto ou 100% reciclado.

* Guardanapos de papel reciclável

* Distribuição de ” Recycle Guides”

* Utilização de energias renováveis

* Reciclagem de lixo. Instalação de latas de lixo recicláveis nos complexos, com o lixo já tendo destino certo para ser reciclado.

* Reciclagem das latas e tubos de bolas plásticos. Uma empresa nos Estados Unidos desenvolveu um método para retirar o anel de alumínio da parte superior dos tubos que impedia a reciclagem do mesmo.

* Parcerias com empresas que possuem carros híbridos para transportar os jogadores e VIPS.

*Fim ao desperdício de alimentos, com separação dos mesmos nas cozinhas dos eventos.

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Middle Sunday e os objetivos de Nadal

Para quem está acompanhando Wimbledon de longe, ter um dia de folga no meio do torneio parece a coisa mais estranha do mundo. Nós que estamos acostumados a acordar e ligar a televisão para ver como estão os jogos, sentimos que tem alguma coisa faltando.

A grama precisa de cuidados

Mas, a grama precisa descansar e sempre que possível, quando não chove muito – e a chuva passou longe de Wimbledon nesta semana – o All England Club fecha as quadras no domingo, o chamado Middle Sunday, para um descanso.

Mas, nada de folga para os jogadores.

Para os tenistas é mais um dia no campeonato. Claro, um dia diferente, sem o público e sem outros jogos pelo complexo, uma outra atmosfera em que as quadras de treino do Aorangi Park são mais disputadas do que nunca.

Os tenistas aproveitam o dia para se recuperarem, treinarem, ou no Aorangi Park, local das quadras de treino dentro do AELTC, ou nas quadras que ficam em frente ao complexo. Nada de passeio por Londres. Quem está hospedado no Wimbledon Village fica por lá mesmo, curtindo um dia sem o stress da competição, mas de olho na segunda-feira mais competitiva do tênis mundial.

Sem jogos no domingo, todas as partidas de oitavas-de-final, masculina e feminina são realizadas na segunda-feira.

Clijsters x Henin; Djokovic x Hewitt; Sharapova x S. Williams; Murray x Querrey; Federer x Melzer; Mathieu x Nadal e por aí vai…

É um dia e tanto para o tênis mundial.

Quem aproveita mesmo o dia de folga é o pessoal que está trabalhando no torneio. Staff, jornalistas, fotógrafos, entre outros, se necessário fazem um breve registro do que está acontecendo pelo torneio e se dirigem para o Centro de Londres, algo que raramente conseguem fazer na primeira semana do campeonato.

Entre os assuntos mais comentados pelos jornalistas, no sábado em Wimbledon, Rafael Nadal se destacou.

Ele precisou de cinco sets novamente para avançar – deopis Haasse ganhou de Pretzchner em cinco sets -, mostrou sentir dores no joelho e já anunciou que para se preservar para a temporada de quadras rápidas americanas não defenderá a Espanha, nas quartas-de-final da Copa Davis, contra a França, na semana depois de Wimbledon.

Mais experiente, o espanhol está escolhendo mais onde competir, para render o seu melhor nos Grand Slams.

Por coincidência, recebo neste fim de semana a coluna de Emílio Sanchez que deveria ter sido publicada na edição 106 da Tennis View. Mas, por falhas de comunicação virtuais, não chegou a tempo.

O capitão da Copa Davis na conquista de dois anos atrás, ex-número um do mundo de duplas, sete de simples e proprietário de uma das mais renomadas academias de tênis do mundo, Sanchez analisa como Rafael Nadal conseguiu dar a volta por cima e reconquistar a coroa de campeão em Paris.

Nadal deu a volta por cima em Paris e está se preservando para os Grand Slams

“O retorno de Rafa Nadal

Quero aproveitar este momento para falar de Rafa Nadal. Exatamente um ano após seu último triunfo em Roma em 2009, seguida da perda da final de Madri para Federer no mesmo ano, Nadal começou o seu calvário pessoal, perdendo em Roland Garros e terminando o ano com três derrotas consecutivas no Masters de Londres.

Nadal, o jogador com a melhor cabeça do circuito, tinha se tornado vulnerável. Seria capaz de dar a volta por cima? Para voltar a vencer, o que deveria fazer?

Ele deveria voltar a trabalhar os fundamentos de seu jogo, tornar-se mais agressivo e, sobretudo, recuperar a confiança. Assim como só os campeões fazem, passou um fim de ano duro, de muito trabalho, recordando da base de seu jogo para se livrar dos vícios que com o tempo tinha adquirido como a direita da frente e do movimento que permite que ele contra-ataque os adversários com muitas opções.


Ele começou a competir novamente no circuito e os resultados não surgiram, mas foi, insistiu, trabalhou ainda mais e foi paciente. Ele sabia que sua chance viria nos torneios de saibro. E assim foi. Nadal dosou seu calendário e deixou de jogar alguns torneios menores antes de Roland Garros, como Dubai e Barcelona, e concentrou-se nos grandes. Assim vieram as vitórias em Monte Carlo, Roma e Madri.

Finalmente chegou ao seu jardim, que lugar especial que alguns como Rafa, minha irmã Arantxa – Sanchez Vicário – ou o nosso Guga Kuerten parecem estar em casa: Roland Garros. Aliás, aproveito esta oportunidade para mencionar o quão emocionante foi a homenagem feita a Guga, nesta edição. É espetacular o carinho e apreço das pessoas e reconhecimentos pelo que Guga deu ao torneio. Abraço, Guga!


Mas, de volta para o guerreiro Rafa Nadal, que estava um pouco nervoso em Roland Garros, mas mesmo assim estava eliminando um por um dos seus rivais que apareciam pelo caminho. É interessante notar que o confronto contra Bellucci foi um dos mais duros.

Vamos Thomaz, o futuro é seu!

Rafa continuou a avançar. Nas quartas de final teve um obstáculo difícil, Almagro, mas em dois tie breaks Rafa mostrou do que é capaz, trazendo a tona seus melhores golpes. Mais uma vez, volto a mostrar a minha sincera admiração e respeito pelo nosso guerreiro Rafa Nadal.”   Emilio Sanchez Vicario

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Isner x Mahut e o jogo sem fim: superação dos limites em Wimbledon

O dia 23 de junho de 2010 ficará marcado para sempre no livro dos recordes do esporte mundial.

A partida entre John Isner e Nicolas Mahut, interrompida por falta de luz natural, na quadra 18 de Wimbledon, no 59 a 59 do 5º set – é até estranho escrever este placar – após exatas 10 horas de jogo, só terminará no dia 24, mas o que o americano e o francês fizeram neste 23 de junho, não será jamais esquecido ou apagado dos livros dos recordes e da memoria de quem acompanhou ao vivo, na televisão, on-line, com imagens não oficiais de internet, ou por um amigo passando o resultado.

O jogo de estreia de Isner, 19º colocado no ranking mundial, e Mahut, 148º, em Wimbledon havia começado na terça-feira e sido interrompido quando estava empatado em dois sets (64 36 67(7) 76(3)). Isner havia vencido o primeiro e o quarto. Até aí, um jogo interessante entre um sacador e um francês que gosta de jogar na grama e que no qualifying já havia tido um longo jogo contra Alex Bogndanovic, em que venceu por 24/22 no terceiro set.

Ao entrarem em quadra para encerrar o embate, nenhum dos dois imaginava o que estava por vir.

Multidão se aglomera para assistir momento histórico no esporte mundial

Nesta quarta-feira 23 de junho cheia de reuniões, ao sair de uma delas, no final da manhã perguntei no escritório se alguma coisa de diferente havia acontecido em Wimbledon nas últimas horas e se Roddick havia vencido Llodra. A vitória de Roddick foi confirmada e um colega jornalista me comentou: acontecer ainda não aconteceu, mas o Isner e o Mahut estão jogando o quinto set e está 23 a 23.

Saí em seguida para uma outra reunião, perto do escritório, no Brooklin mesmo e com uma televisão ligada ao fundo, ouvi em um certo momento que Isner estava no ace número 74. Pensei comigo mesma: nossa, será que esse jogo ainda não acabou?

Voltei para a redação da Tennis View mais de duas horas horas depois de ter saído e a partida continuava.

Liguei o live scores de Wimbledon, até que o colega jornalista me passou um link com uma transmissão de imagens de internet. Aí sim, passei a assistir de fato o jogo. Estava 40 a 39.

Meu telefone tocava, mensagens entravam a todo instante, de amigos de várias partes do mundo, que nem são tão fãs de tênis, me perguntando se eu estava vendo o que estava acontecendo.

Sim, estávamos, todos nós, acompanhando um daqueles momentos históricos, de completa superação dos limites físicos e psicológicos.

Fiquei lembrando do jogo dos mineiros André Sá e Marcelo Melo, em Wimbledon, há três anos, quando venceram Hanley e Ullyett, por 28 a 26 no quinto set. Foi o recorde de jogo com maior número de games em Wimbledon. Lembro do momento histórico, de todos os fotógrafos indo à quadra para registrar o fato; de Melo e Sá dando entrevista coletiva; lembro da imagem do placar na quadra, imagem que agora parece não ter importância, afinal Isner e Mahut já jogaram mais do que o dobro de games no quinto set e a partida ainda não terminou.

Fico pensando também que nos últimos tempos, partidas históricas tem acontecido em Wimbledon. É só lembrar das finais dos últimos dois anos entre Federer e Nadal e Federer e Roddick.  Jogos longos, partidas incríveis, momentos inesquecíveis, que transcendem o tênis.

Penso no blog que li outro dia de um jornalista inglês, falando que o tênis pode não ser o futebol, que Wimbledon pode estar perdido no meio da Copa do Mundo, mas que só o tênis produz momentos como este, em que não há um árbitro que determine o fim do jogo. Ele se referia à final entre Federer e Roddick de 2009, em que o suíço ganhou por 16 a 18 no quinto set.

Enquanto penso e trabalho, fico olhando a tela do computador. Está escurecendo, mas Isner e Mahut continuam jogando. Pode ter outras partidas em Wimbledon, mas todos estão olhando para a quadra 18. John McEnroe está lá. Tim Henman também é visto. O árbitro quer interromper a partida, mas os tenistas querem continuar.

Eles jogam mais dois games. Isner chega ao match point no 59 a 58, no saque de Mahut, mas o francês salva, empata o set novamente e aí não tem mais jeito. A lua está iluminando mais a quadra do que o sol que já está se pondo. O embate, que só neste quarta teve 7h06min de duração – só o quinto set – continuará na quinta-feira.

Mahut e Isner estão exaustos, mas antes de saírem da quadra conversam rapidamente com a televisão inglesa.

Mahut afirma, com um sorriso no rosto, que ambos estão lutando como nunca lutaram e que os dois querem ganhar, mas que a decisão terá que ficar para quinta. Isner, um pouco menos sorridente, com um ar mais cansado, diz saber estar vivendo um momento histórico, que nada como isso acontecerá novamente e que quer ver as estatísticas do jogo. Até agora, Isner deu 98 aces e Mahut, 95. É o novo recorde do circuito mundial.

Ovacionados, como várias vezes aconteceu durante a partida, nos intervalos dos games, os dois jogadores deixam a quadra. Já são 21h em Londres. Amanhã, às 15h30 (Horário de Londres), eles tem que estar novamente na quadra 18 para continuar o embate.

Antes mesmo da partida terminar, já começam os comentários. Será que é agora que Wimbledon vai eliminar de vez o tie-break do quinto set, como já acontece no US Open, ou é isso que eles querem, a busca completa da superação?

Continuo imaginando cenas – logo me vem à cabeça a imagem daqueles maratonistas em olimpíadas, perto da linha de chegada, quase caindo, ao alcançar a reta final. Fico tentando, de longe, viver a atmosfera. Avisto a nossa fotógrafa em quadra – que bom, ela estava lá registrando o momento -, começo a pensar em como este fato histórico será retratado. Tenho vontade e curiosidade de entrar nos sites, ler notícias e blogs, mas prefiro antes deixar minhas próprias impressões aqui e depois me perder por esse mundo cibernético, para colocar os links para vocês do que de mais interessante eu encontrar.

Ah, antes de finalizar o blog, vou checar se o horário do jogo entre Isner e Mahut é mesmo 15h30. Sim, está correto. Vou até o final da página e vejo o nome dos dois novamente no “schedule of play” de quinta-feira. Tanto Isner, quanto Mahut, estão inscritos nas duplas e tem jogo marcado para não ante das 18h (Londres). Isner joga com Querrey, contra  Sela e Przysiesny e Mahut, com Clement, contra Fleming e Skupski.

Quantas horas mais será que eles vão conseguir jogar?

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