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Nadal, Isner e Tião Santos: coragem de enfrentar, em Paris e no Jardim Gramacho

 

Se na segunda-feira já estava com a sensação que Roland Garros havia de fato começado, com jogos relevantes e emocionantes, então hoje, o Grand Slam pegou fogo.

Não pude assistir o jogo inteiro do Nadal e do Isner e até agora, com o sol já nascendo em Paris na quarta-feira, não tive tempo de ler as entrevistas coletivas de ambos os jogadores, as matérias que escreveram por aí, enfim, fazer o trabalho normal de um jornalista.

Assisti os dois primeiros sets e tive que sair para um evento com o Tião Santos, na Coca-Cola. É a semana do otimismo e o Tião foi palestrar para uma seleta plateia sobre reciclagem, ao lado de Marcos Simões, vice-presidente de comunicações e sustentabilidade da Coca-cola e do economista Sergio Besseman.

Saí de casa de olho no live scores e no twitter para acompanhar o desenrolar do jogo. Lembro que quando vi o sorteio da chave e me deparei com Nadal x Isner na primeira rodada, logo pensei que poderia ser um jogo perigosíssimo pro número um do mundo.

O Larri sempre me dizia: você consegue ganhar desses caras, dos tops, numa primeira, segunda rodada, mas não quando o torneio já está no meio ou chegando mais pro fim. Aí fica bem mais difícil. Primeira rodada é sempre complicada, ainda mais em Grand Slam. Isso ficou na minha cabeça…

Escutava o debate, com um olho para o palco e o outro na tela do telefone.

Quando o Isner ganhou o terceiro set, comecei a ler os twits dos colegas jornalistas de Roland Garros e mesmo muito distante pude sentir toda a agitação que estava se passando na sala de imprensa, na tribuna dos jornalistas na quadra Philippe Chatrier, nos bastidores do circuito.

Já começavam a perguntar: será que teremos agora um novo número um do mundo? Se Nadal perder, Djokovic vira o primeiro do ranking.

O que vai ser mais marcante na carreira de Isner, ganhar do Nadal em Roland Garros ou o recorde do jogo mais longo da história?

É a primeira vez que Nadal joga uma partida de cinco sets em Roland Garros..

Ao mesmo tempo que lia os twits ouvia o que os palestrantes falavam e de repente surgiam frases do tipo: “Reciclar no Brasil, fazer parte do movimento dos catadores é ter coragem de enfrentar.” Isso porque no Brasil, 90% da reciclagem é feita pelos cataores e apenas 1% do lixo do País é reciclado. Ouvia isso e pensava, o Isner entrou em quadra hoje com coragem de enfrentar o Nadal e de arriscar.

Vivemos hoje tempos interessantes e tempos interessantes são trabalhosos. Que tempos interessantes vivemos no tênis mundial de hoje em dia.

E aí, quando a palestra estava acabando, surge outra frase importante ligada aos materiais recicláveis. “A maior das liberdades é você se libertar do medo.”

Isner se libertou do medo de enfrentar Nadal em Roland Garros, teve liberdade para jogar todo o tênis que sabe. Os catadores tem liberdade e não tem medo de ninguém. Vão atrás do que querem, do sonho de um dia após o outro ter uma vida melhor e com isso transformam o país.

Ouvia as frases, pensava no jogo, lia os twits e por um momento fiquei até preocupada, mas depois, quando Nadal quebrou o saque do americano no quarto set, deu a sensação de que não perderia mais o jogo.

Saí do evento em Botafogo, no Rio e a partida não havia acabado. Fui para Jardim Gramacho, para outra ação com o Tião. Entregar cestas básicas que ele ganhou ao participar de um evento do Pão de Açúcar, para 100 famílias que tem integrantes sofrendo de tuberculose.

Encontramos o pessoal do Pão de Açúcar logo na entrada da ACAMJG (Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis) e fomos com o Tião entregar algumas cestas bem na entrada da rampa do maior aterro sanitário do mundo a céu aberto. É um dos lugares mais chocantes que já estive na minha vida. Não pelo odor, sujeira, etc, mas sim por ver que pessoas que trabalham, que convivem conosco diariamente, vivem em condições como aquelas. Lá, olhando para os barracos eu não conseguia mais checar o telefone para saber do resultados do jogo. Parecia estar em outro mundo, bem mais distante do que os aproximadamente 5 mil km que separam a França do Brasil. Ou será que a realidade de Roland Garros é irreal?

Enfim, de volta ao centro do Rio de Janeiro, vi que Nadal havia vencido.

Como disse, por um certo momento temi pelo espanhol, mas no fim, foi um dia de emoções em Roland Garros, para incendiar o torneio logo no terceiro dia de disputas. Foi um dia de chamar a atenção das pessoas para o trabalho dos catadores e de mostrar que também como pequenas ações podemos fazer muitas coisas, mas que a principal delas, seja em Jardim Gramacho ou em Roland Garros é ter a coragem de enfrentar e se libertar do medo.

Ps – foto do Nadal é da Cynthia Lum – nossa fotógrafa que está em Roland Garros. Acompanhe também o blog dela direto de Paris: http://cynthiasinsiderblog.wordpress.com/

 

 

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Com Tião Santos em YALE, Lixo Extraordinário ganha prêmio do Festival de cinema ambiental,o EFFY

 

Meus posts tem ficado cada vez mais raros. Falta tempo – parece desculpa, mas é verdade – e estou completamente envolvida com os catadores de materiais recicláveis, estruturando a Rede Agrega Rio, com profissionais como a Jackie de Botton, a Produtora Executiva do Lixo Extraordinário e superempreendedora que me chamou para o trabalho com o filme, na época do Oscar e acabou me levando para muitas outras atividades fantásticas envolvendo os catadores, Jardim Gramacho, a reciclagem e a possibilidade de promover uma mudança na sociedade, mesmo que lentamente.

Foi por causa desse trabalho que tive que deixar Miami e o Sony Ericsson Open bem antes dele terminar e viajar para Nova York e YALE, onde o filme abriu o EFFY, o Environmental Film Festival at Yale. Acompanhei o Tião Santos na viagem e tenho certeza que a participação dele no debate após a exibição do filme, ao lado de Martin Medina, advisor do fundo do Clinton para reciclagem, emocionou a plateia que já havia lotado o cinema, com pessoas sentadas no chão para assisitir o documentário e que acabaram votando no filme, como o melhor do festival. Lixo Extraordinário ganhou o prêmio do público de melhor filme do Festival e YALE, além do prêmio, ainda mandou uma mensagem dizendo que quer acompanhar os projetos apresentados por lá, da Rede Agrega Rio e fazer parte da transformação dos catadores em empreendedores.

É, perdi jogos incríveis em Miami, num torneio que tanto adoro, mas, valeu a pena!

Com presença de Tião Santos em YALE,  Lixo Extraordinário ganha prêmio no EFFY, o Festival de Cinema Ambiental da prestigiada universidade

Projeto apresentado por Tião em YALE foi o mesmo apresentado à COMLURB
Tião Santos fez uma passagem rápida, na semana passada pelos Estados Unidos, mas o suficiente para emocionar a interessada plateia de YALE, na abertura do EFFY (Environmental Film Festival at Yale) e dar ao filme Lixo Extraordinário o prêmio de melhor filme, escolhido pelo público.

Lixo Extraordinário abriu o Festival, o único de cinema ambiental no mundo com entrada gratuita, e logo após a exibição do Documentário, que já ganhou outros 20 prêmios pelo mundo e foi indicado ao Oscar, Tião participou de um debate com os acadêmicos de Yale, o público e o Conselhor do Fundo Clinton para Reciclagem, Martin Medina.

“Fiquei surpreso com o interesse de uma universidade como YALE no nosso trabalho e no que estamos planejando para um futuro próximo no Brasil. Tive a oportunidade de apresentar para YALE o projeto da Rede Agrega Rio, o mesmo que foi apresentado para a COMLURB,” disse Santos.

“Foi uma honra para YALE receber o Tião Santos e ouvir todos os projetos que eles estão fazendo no Rio e como os catadores estão se tornando empreendedores e como o lixo está realmente sendo transformado. YALE quer estar envolvida nesse processo,” disse Chandra Simons, Diretora do Festival e Acadêmica de Yale.

REDE AGREGA RIO – Com toda sua experiência de vivência com o lixo, desde os 11 anos de idade e sua liderança natural, Tião Santos falou do lixo no Brasil, do poder de transformação do mesmo, que aprendeu com o filme, e dos projetos futuros com a recém lançada Rede Agrega Rio. A Rede, uma união de cooperativas de catadores de materiais recicláveis, visa a valorização e melhoria das condições de trabalho dos catadores e que tem como principal objetivo, fazer com que os catadores se tornem empreendedores e transformem o lixo em dinheiro. A primeira mudança será a forma de trabalho dos catadores, que não mais catarão com as mãos. Eles trabalharão com um sistema automatizado, em ECOPOLOS  (Centrais de Valorização, com implantação inicial prevista para junho) e terão uma maior capacidade produtiva. O Kg de PET reciclado, que hoje rende até R$ 0,90, passará a valer R$ 4,00, no seu valor agregado,já transformado em “flake,” o produto final que as indústrias compram.
Estudo feito pela Rede, mostra que os catadores, mesmo com as máquinas, terão emprego nos diferentes estágios do processo e em variadas áreas que estão se abrindo com este novo momento e a aprovação, no dia 23 de dezembro de 2010, da Política Nacional de Resíduos Sólidos, que obriga os municípios a fazerem a coleta seletiva. Dez plantas de “Centrais de Valorização – Ecopolos,” – estão planejadas para a região metropolitana do Rio de Janeiro, atuando com a maximização dos ganhos de logística de Coleta dos Materiais, com equipamentos que permitem maior escala de produção, para atingir as metas estabelecidas na Política Nacional de Resíduos Sólidos.
Com estes novos postos de trabalho, os catadores já estão sendo preparados e treinados para assumirem o importante papel na sociedade do Rio de Janeiro, de fazerem a coleta seletiva e a partir daí, transformarem o lixo.

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