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Tsonga faz a França sonhar

Há 30 anos a França espera um novo campeão de Roland Garros. Este ano em especial, quando o Grand Slam francês comemora as três décadas da vitória de Yannick Noah, o assunto não saiu das manchetes desde antes do torneio começar. E agora Jo-Wilfried Tsonga está a dois jogos do Trophée des Mousquetaires.

Hoje quando cheguei em Roland Garros a ideia era escrever sobre a loja, o museu e outras coisas off court, mas com tamanha euforia e agora tão perto de fazer história, não dá para ignorar que a França toda se volta para Tsonga. Desde a entrada pela porta Marcel Bernard, de manhã, já percebi o ambiente do torneio completamente diferente dos outros dias. Dia de quartas-de-final, menos pessoas pelo complexo nas primeiras horas do dia – os jogos começavam apenas às 14h. Com partidas em poucas quadras, menos gente circulando e um zum zum zum no ar, na sala de imprensa, nas cabines de televisão, na sala dos jogadores, sobre uma possível vitória de Tsonga diante de Federer.

Tsonga Roland Garros

A imprensa toda francesa deu destaque para o número do país, como vem dando há muito tempo. Outro dia, conversando com o pessoal da ATP, no Centre de Presse, vi um monte de jornalistas chegando que nunca havia visto e perguntei quem eram. A imprensa francesa para a coletiva de Tsonga. A imprensa francesa não especializada, de notícias diárias, até não esportivas, esperando por uma nova glória em Porte D’Auteil.

O ambiente na quadra estava eletrizante, ou melhor, arrepiante. Foi o primeiro dia que vi todos os lugares tomados e com o sol, a imagem da Philippe Chatrier, fica ainda mais bonita. Homens e mulheres, elegantemente vestidos, usando o chapéu panamá para vivenciar o inédito. Até os lugares reservados aos jogadores do torneio para assistir a partida estavam lotados.

Antes mesmo do jogo terminar, nos últimos games, as pessoas já estavam aplaudindo de pé cada ponto vencido por Jo-Wilfried Tsonga.

E quando terminou, com vitória por 75 63 63, Tsonga pulou, rodopiou em quadra e o público aplaudiu e ficou em quadra, como se não estivesse acreditando que um francês acabara de derrotar Roger Federer e avançar à semifinal.

roland garros quadra central

“Foi uma das minhas maiores vitórias. É Roland Garros, na quadra central e ainda ganhando do Federer. Com certeza ninguém esperava isso de mim no passado. O torneio ainda não acabou. Espero que tenha mais. Mas ainda não posso fazer a festa, gritar e sair comemorando.”

Nos últimos 15 anos, houve jogador francês na semifinal apenas três vezes. Em 1998, com Cedric Pioline, com muito mais cabelo do que vemos hoje nas entrevistas em quadra; Sebastien Grosjean, em 2001 e Gael Monfils, em 2008.

O último jogador francês a disputar uma final em Paris foi Henri Leconte, há 25 anos e ele foi derrotado pelo tenista que perdera a final para Noah, em 1983, Mats Wilander.

Tsonga hoje com 28 anos, mais maduro do que quando disputou a sua única final de Grand Slam no Australian Open, há cinco anos, tem a chance de virar herói nacional, de, como eles gostam de falar, “basculer”a França e sabe disso.  Quando Noah venceu, a loucura foi tanta que ele teve que se mudar para Nova York para viver mais tranquilamente. Chegou a passar por um período de depressão depois de tamanha euforia.

E Tsonga, tanto sabe da importância deste momento, que se preparou para este momento. Há alguns meses, depois de um período sem técnico, contratou o australiano Roger Rasheed. Tirou o gluten da dieta, emagreceu e quando Roland Garros chegou entendeu que apesar de ser o seu torneio, na sua casa, entendeu que tinha que jogar para si próprio.

Ontem, em vez de treinar em Roland Garros e ficar no meio do burburinho, com todos os olhos dos franceses, da FFT, dos técnicos, dirigentes, jogadores, público e imprensa, voltados para ele, foi treinar no Tennis Club de Paris, com um juvenil local.

Com muita calma e maturidade bateu um papo mais longo do que o tempo de treinamento com o jornal L’Equipe e parecia saber exatamente o que fazer .

“ Entrar nas disputas do ponto com ele, nas trocas de bola é difícil, mas é essencial. Ele dá um ace aqui, um winner lá e você não toca muito a bola. Mas, entrar na disputa é o que ele menos gosta e preciso levá-lo a esse ponto.”

E foi o que Tsonga fez. Apesar de não ter jogado bem, Federer deu todo o crédito para o francês. “Estou triste pelo jogo e pela maneira com que joguei. Tentei resolver a situação em quadra, mas ele simplesmente foi melhor.”

Para igualar o resultado de Henri Leconte, em 1988 e chegar à final, Tsonga terá que passar por David Ferrer, que assim como ele não perdeu nenhum set até agora em Roland Garros e diferentemente dele, nunca disputou uma final de Grand Slam.

“Ele ganhou de mim algumas vezes. Espero um jogo duro, mas estou em boa forma e vou fazer o meu melhor e ver como me saio. Vou para quadra com um objetivo e 100% das minhas possibilidades. Tenho que ficar concentrado e manter a minha rotina, fazer o que venho fazendo desde o início do torneio.”

 

 

 

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