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Mais dinheiro ou boicote? Entendendo a questão da premiação…

De “patinho feio” dos Grand Slams, o Australian Open vem se tornando cada vez mais um dos eventos favoritos dos tenistas. Se esteve ameaçado de boicote, no ano passado, neste ano, os jogadores são só elogios ao time de Craig Tiley, que aumentou em 4 milhões de dólares australianos a premiação total do evento, fez melhorias significativas e continua reformando o Melbourne Park, para agradar tenistas da ATP e WTA.  Quem está sofrendo ameaças agora é o US Open.

Andy Murray Australian Open

Desde que foi anunciada, há alguns meses, a mudança oficial – nos últimos anos, devido à chuva a decisão foi na segunda-feira, da final masculina de domingo para segunda, aumentando em um dia a duração do torneio, jogadores e a ATP se mostraram contra a decisão da USTA.

De acordo com os jogadores e dirigentes da ATP, ninguém foi consultado sobre a decisão. A ATP inclusive soltou um comunicado expressando a insatisfação com a mudança.

Os jogadores, além de não terem gostado de ver o Grand Slam durar um dia a mais, querem ver a premiação aumentar baseada neste dia a mais. Não apenas seguindo o exemplo do Australian Open que aumentou em U$ 4 milhões a premiação.

O prestigiado jornal The Times, da Inglaterra, publicou reportagem nesta semana, direto dos bastidores de Melbourne, mostrando que os jogadores estão conversando sobre a possiblidade de boicotar o Grand Slam americano.

Andy Murray foi questionado sobre a informação na entrevista coletiva após a vitória sobre Gilles Simon e disse que só falaria sobre o assunto depois da participaçãoo no Australian Open. Mas antecipou: “Sei que a ATP não está contente, especialmente porque o lucro que será obtido com um dia a mais de torneio não refletiu em aumento de premiação em dinheiro. Era isso que os jogadores queriam, aumento em premiação geral e mais ainda pelo dia extra. Mas, sobre boicote não falei com ninguém.”

Para entender da onde vem o conflito com a premiação, o repórter Leonardo Stavale fez uma profunda pesquisa na edição 122 da Revista Tennis View que reproduzo aqui.

 

Dinheiro no bolso

Os organizadores do Aberto da Austrália sofreram até com possível boicote de tenistas liderados pelo suíço Roger Federer entre outros tenistas do topo do ranking, caso não subissem a premiação. O resultado foi o anúncio de um aumento de 15% nos prêmios, resultando num total de US$ 30 milhões. Porém, a situação não esfriou. A organização do Masters 1000 de Indian Wells teve sua proposta de ampliação da premiação de US$ 1,6 milhão, rejeitada em votação do conselho da ATP.  A discussão promete. Indian Wells tennis

 

O tema central que permeia o debate é a premiação dos torneios, mais precisamente a fatia do que é lucrado com os grandes eventos e que, de fato, chega às mãos dos tenistas. Apenas para ilustrar com um dado conservado estima-se que menos de 20% da receita dos Grand Slams seja revertida em premiação aos tenistas. Só para citar um exemplo, na NBA a divisão é feita com mais de 50% da receita.

 

O que está por trás das discussões, além da necessidade de dividir de forma mais justa a receita, afinal, são os jogadores que fazem o show, está a necessidade de não apenas os atletas do topo terem um “salário” decente. A discussão passa também por uma espécie “redistribuição da renda”, ou na prática, premiação maior para as primeiras rodadas. Para se ter uma ideia, no circuito mundial de tênis em 2011, apenas 15 jogadores ultrapassaram a barreira de US$ 1 milhão em prêmios, enquanto no circuito do Golfe, 94 atletas chegaram a este montante de dinheiro. A comparação mais justa é com o Golf, pois é a modalidade mais familiar ao tênis no sistema de premiação e ranking.

Rory MclRoy

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Para o sérvio Janko Tipsarevic a questão é sobre a média de salários. “Se você é um tenista do top 100, eu diria que você não perderá dinheiro, mas também não ganhará dinheiro”, escreveu ele em um artigo sobre o tema. “Ser um top 100 em qualquer coisa, na vida, deveria ser uma coisa muito boa”, diz.

Quando se compara as premiações do top 10 dos tenistas e dos golfistas a diferença já começa a aparecer. O décimo golfista do ano, Keegan Bradley  recebeu US$3,910,658.50 em prêmios, na temporada, pouco menos da metade faturada pelo número um Rory McIlroy (US$8,047,952.00). Já entre os tenistas, o número um Novak Djokovic faturou em prêmios US$ 9, 953,737, valor mais de sete vezes superior ao do 10º colocado no ranking Richard Gasquet com US$1, 357,677 acumulados em 2012. A situação piora quando se compara a premiação dos atletas de ranking inferior. O número 200º entre os golfistas Alex Cejka faturou US$218,117, enquanto o 200º na lista da ATP Marco Trungelliti recebeu US$49,017 em prêmios em 2012, valor mais de cinco vezes menor ao do golfista.

Richard Gasquet

O australiano Sam Groth foi outro tenista a expressar a sua opinião sobre o tema, representando a classe “operária” do tênis, com ranking entre os 250 da ATP. Em 2009, por exemplo, o tenista obteve sua maior premiação ao faturar US$ 19,4 mil no Aberto da Austrália. “Nada mal, certo?”, brinca ele. “Depois de pagar as despesas com encordoamento, a taxa contratual referente aos treinamentos e gastos com hospedagem, eu levei US$ 1 para casa – e isto apenas porque o sistema não permite um pagamento de US$ 0”, relata. Para o tenista a questão não deve se limitar aos majors. “Não houve um aumento no prize money nos torneios Futures desde que começaram em 1998”, aponta. “Eu não tenho nada contra os caras que ganham muitos dólares, porque eles são os caras que colocam este esporte no mapa e trazem as multidões, mas tudo começa no nível mais baixo, e acontecerá com os jogadores que os sucederão”, completa.

Desde 1980, em termos reais, o prêmio em dinheiro nos Grand Slams aumentou em 1095%. Já os prêmios em dinheiro nos torneios Challengers e Futures diminuiu em 15%.Ou seja, ainda que seja justo que os tenistas mais brilhantes faturem as maiores quantias já que são as grandes atrações do show business, o abismo entre eles e os atletas de ranking mais baixo, que também são de vital importância para o sistema, afinal são eles que retroalimentam a dinâmica do circuito.

De 2011 para 2012 já foi possível observar a evolução na premiação dos Grand Slams. O Aberto da Austrália acrescentou mais de US$ 2 milhões ao total de premiação, por exemplo. Inferior aos mais de US$ 4 milhões garantidos para o evento de 2013. O US Open também  elevou em aproximadamente US$ 2 milhões a premiação de 2011 para o 2012. Confira a tabela ao lado com todas as premiações dos Grand Slams nos últimos dois anos.

*Aberto da Austrália 2011: US$ 24,2 à 2012:US$ 26,9 – 2013: US$ 31,1

Roland Garros 2011:$22,8 à 2012: US$ 24,6

Wimbledon 2011: US$23, 8 à 2012: US$ 26
US Open 2011: US$23,7  à 2012: US$ 25,5

*em milhões

 

No entanto, ao que tudo indica as principais modificações ainda estão restritas ao torneio mais importantes do circuito. A temporada 2013 promete dentro e fora das quadras.

 

 

 

 

TOP 10 Tênis – 2012

 

1º Novak Djokovic – $9,953,737

2º Roger Federer – $7,424,842

3º Andy Murray – $5,124,230

4º Rafael Nadal – $4,997,448

5º David Ferrer – $4,041,340

6º Tomas Berdych- $2,593,967
7º Juan Martin del Potro- $2,775,003

8º Jo-Wilfried Tsonga – $2,168,640

9º Janko Tipsarevic – $1,833,737

10º Richard Gasquet – $1,357,677

 

191- 200 Tênis – 2012

191ºDaniel Munoz-De La Nava $115,893

192º Amir Weintraub $49,802

193º Andrej Martin $28,426

194º Jan Hernych $54,984

195º Facundo Arguello $35,187

196º Yuki Bhambri $49,554

197º Gianluca Naso $59,993

198º Yannick Mertens $63,399

199º Arnau Brugues-Davi $59,155

200º Marco Trungelliti $49,017

 

 

Top 10 Golf – 2012

 

1º Rory McIlroy –  $8,047,952.00

2º Tiger Woods – $6,133,158.50

3º Brandt Snedeker – $4,989,739.00

4º Jason Dufner – $4,869,303.50

5º Bubba Watson- $4,644,996.50

6º Zach Johnson – $4,504,244.00

7º Justin Rose – $4,290,929.50

8º Phil Mickelson – $4,203,821.50

9º Hunter Mahan- $4,019,193.00

10ºKeegan Bradley – $3,910,658.50

 

 

191-200 Golf – 2012

191º         Lee Janzen –     $258,589.16

192º         Simon Dyson – $257,456.00

193º         Thomas Aiken – $257,179.25

194º         Gavin Coles      $247,561.03

195º         Rocco Mediate        $242,353.58

196º         Ryuji Imada      $238,647.50

197º         Anders Hansen         $232,900.00

198º         Scott Dunlap    $230,220.44

199º         Kyung-tae Kim $220,590.00

200º         Alex Cejka        $218,117.28

 

A temporada 2013 promete dentro e fora das quadras.

 

 

 

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Tamanho e construção em cima de lixão são os maiores problemas para implementação de telhado no US Open

 

Todo ano é a mesma história e ela se reforça quando acontece algo como hoje, em que um Tornado passa por NY e muda a final feminina entre Serena Williams e Victoria Azarenka, para domingo e a final masculina, pela quinta vez seguida, para segunda. Quando construirão um telhado no Arthur Ashe Stadium, o maior estádio do tênis do mundo? Por que ainda não construíram? O que estão esperando? Bem, porque o estádio foi construído em cima de um lixão e o peso de uma cobertura seria excessivo em um terreno que não é tão estável. Mas, há esperança. A direção da USTA anunciou que construirá um teto, quando encontrarem a tecnologia necessária.

 

Segundo o Diretor de Operações do US Open, Gordon Smith, em entrevistas durante o torneio, um teto retrátil será construído. “Já contratamos quatro estudos diferentes e temos alguns pontos principais: o tamanho do estádio que requer um teto cinco vezes maior do que o de Wimbledon; as condições do solo – construído em cima de um lixão; e o jeito que o estádio foi construído, não podendo suportar mais peso.”

 

Quando Mr. Smith fala em tecnologia, ele quer dizer tecnologia de material de construção, para poder remover parte da arquibancada, reconstruí-la com material mais leve, sem perder muito espaço e aí sim, colocar um estádio com material de pouco peso, não afetando assim o peso que o Ashe Stadium tem hoje em dia. “Construir o teto sem ser desta maneira, seria como construir outro prédio em cima do estádio.”

 

Além dos estudos do estádio, o diretor também já afirmou que haverá um dia de descanso entre a semifinal e a final masculina. Desde 1984, o US Open tem o Super Saturday, para muitos o melhor dia de tênis do ano, em que são disputadas as duas semis masculinas e a final feminina. Mas, tanto os homens, quanto as mulheres, vem pedindo um dia para descansar entre estes jogos importantes, como acontece nos outro Grand Slams.

Sucesso da programação de televisão, a CBS está avaliando com a USTA a melhor maneira de fazer essa mudança, sem prejudicar o espaço dedicado ao tênis e aos anunciantes, gerando grande receita para a rede de TV. Tenistas não gostam da ideia de uma final na segunda-feira e a CBS, por enquanto, não se mostra muito favorável. Afinal, segunda-feira é dia de futebol americano, é o “Monday Night Football.”

 

Enquanto essas discussões não saem do papel, algumas mudanças já estão sendo sentidas por Flushing Meadows. A USTA inaugurou a quadra 17, um mini estádio aconchegante, que já se tornou uma das minhas quadras favoritas. A quadra onde Bruno Soares e Makarova ganharam de Clijsters e Bryan.

O estádio Louis Armstrong, a segunda maior quadra do US Open, antigamente a quadra central até a inauguração do Ashe, em 1997 e a quadra GrandStand, serão destruídos e construídos novamente pelos “grounds” de Flushing Meadows. As duas quadras já tem mais de 50 anos.

 

A ideia da USTA também é dar mais espaço e conforto para os fãs. Apesar de não ser o mesmo aperto para circular do que Roland Garros e Wimbledon, já senti mais dificuldade para andar de uma quadra para outra este ano. Antes de perder o bonde, pelo menos, neste quesito, eles já estão avançando.

 

 

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