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WTA: 40 anos de números um reunidas em Londres

É sempre emocionante quando campeões, quando os melhroes do esporte se reúnem. Mais especial quando são números um do mundo celebrando os 40 anos da fundação da WTA, que veio a se tornar o mair esporte profissional feminino do mundo. Mas, acho que o de mais importante que eventos como a WTA 40 party que aconteceu neste domingo, em Londres, fazem, é o de dar uma perspectiva do esporte, de história e de importância destas tenistas.

WTA number one

Quase todas as 21 tenistas foram ao evento da WTA em Wimbledon: Chris Evert, Evonne Goolagong, Martina Navratilova, Tracy Austin, Steffi Graf, Monica Seles, Arantxa Sanchez Vicário, Martina Hingis, Lindsay Davenport, Jennifer Capriati, Venus Williams, Serena Williams, Kim Clijsters, Justine Henin, Amelie Mauresmo, Maria Sharapova, Ana Ivanovic, Jelena Jankovic, Dinara Safina, Caroline Wozniacki, Victoria Azarenka. Além, claro, da fundadora Billie Jean King e Margareth Court, que reinou no esporte até o ranking ser oficializado em 1975.

Logo que a cerimônia começou e surgiram imagens das tenistas entrando no pink carpet, dando entrevistas, já levei um susto ao ver Dinara Safina. Nem lembrava, assim rápido, sem pensar muito, que ela havia sido número um. Afinal, as outras números um sem títulos de Grand Slam ainda estão jogando e é mais fácil lembrar do que elas já foram.

Sharapova number oneJankovic number one Safina number one Ivanovic number one

Ver Martina Hingis lá, sentada entre as grandes do esporte, me fez pensar que ela rivalizou com Serena Williams por tanto tempo e já deixou de jogar há umas boas temporadas enquanto Serena continua dominando o esporte. Não que a gente não veja Hingis com frequência, já que ela tem treinado umas tenistas, mas vê-la no meio das lendas do esporte, me fez atentar para isso.

Foi impressionante ver também como muitas tenistas colocaram Monica Seles e Steffi Graf como ídolas.

Mas, o que foi impressionante foi ver como as números um dos anos 70, 80 e até finais dos 90 eram dominantes, ganhavam títulos, erguiam múltiplos troféus de Grand Slam, não um ou dois. Ganhavam Grand Slams de simples, duplas e duplas mistas, eram número um de simples e duplas.

seles number one Mauresmo number one Court number one Goolagong number one

Não quero menosprezar Wozniacki, Ivanovic, Jankovic, Safina, mas se comparadas a Navratilova, Evert, Goolagong, Graf, Seles e por aí vai, elas parecem pertencer ao WTA número 1 B e não à Classe A do esporte.

E se alguém tinha Classe no circuito, antes de tudo isso acontecer, era Maria Esther Bueno e a brasileira foi reconhecida na cerimônia, por Billie Jean King.

Foi lindo, aliás, de arrepiar, ouvir Billie Jean dizer que tinha que reconhecer Maria Esther Bueno, da geração anterior. “Ela era uma das minhas She-has, ela era a Rainha e eu queria ser como ela.”

wta number ones Serena number one Billie Jean King number one Henin number one Davenport number one

Foi isso que Billie Jean King quis inspirar de geração em geração, que todas as meninas e mulheres, mundo afora, pudessem sonhar e como os americanos gostam de dizer “make a living out of it.

Um pouquinho de história é sempre bom lembrar!

SOBRE A WTA

Líder mundial de esporte profissional feminino, a WTA completa nesta temporada 40 anos, com 2500 jogadoras representando 92 nações e competindo por U$ 100 milhões, nos 54 eventos do circuito, mais os 4 Grand Slams, em 33 países.

A WTA começou a ser desenhada em 1970, quando Billie Jean King e outras 8 tenistas assinaram um contrato no valor de U$1 para competir, no recém-criado Virginia Slims Series.  King, em 1973, conseguiu unir tudo em um circuito, fundando a Women’s Tennis Association.

Linha do  Tempo

1970 – O nascimento da WTA começava a ser desenhado quando 9 tenistas (Billie Jean King, Rosie Casals, Nancy Richey, Kerry Melville, Peaches Bartkowicz, Kristy Pigeon, Judy Dalton, Valerie Ziegenfuss e Julie Heldman), assinaram o contrato de U$1 para competir no novíssimo Virginia Slims Series.

1971 – 1º ano do Virginia Slim Series, com premiação total de U$ 304 mil e 19 torneios nos EUA

1973 – Billie Jean King funda  a WTA, no Gloucester Hotel, em Londres, unindo todas as tenistas profissionais em um só circuito, na semana anterior a Wimbledon.

O US Open passou a dar premiação igual a homens e mulheres.

1974 – A WTA assina o primeiro contrato de transmissão de televisão da sua história (com a CBS).

1975 – Surge o primeiro ranking da WTA, usado também para determinar entrada das jogadoras nos torneios.

1976 – Colgate se torna, por 4 anos, a principal patrocinadora da WTA e Chris Evert se torna a 1ª mulher a acumular U$1 milhão em premiação

1977 – Nova York sediou o WTA Championships pela 1ª vez no Madison Square Garden

1980 – Mais de 250 tenistas já fazem parte da WTA, jogando em 47 torneios pelo mundo e com prize money total de U$7,2 milhões

1982 – Martina Navratilova se torna a 1ª mulher a ganhar mais do que U$1 milhão em uma temporada.

1984 – Australian Open passa a oferecer premiação igual para homens e mulheres. Navratilova recebe bônus de U$1 milhão da ITF por vencer Roland Garros.

1988 – Steffi Graf se torna a segunda mulher da história a completar o Grand Slam e ainda vence o Golden Slam, com as Olimpíadas em Seul.

1990 – A Kraft Foods substituiu Virginia Slims como patrocinadora principal do circuito, a premiação total passa a ser de U$23 milhões e pela primeira vez um torneio da WTA – Championships em NY – tem premiação de U$ 1 milhão. Recorde para Navratilova que vence Wimbledon (simples) pela 9ª vez.

1991 – Monica Seles se torna a segunda jogadora da história a passar a marca de U$ 2 milhões em premiação em uma temporada e supera o líder do ranking masculino, Stefan Edberg.

1995 – A WTA se une ao Women’s Tennis Council para formar o WTA Tour. Premiação do WTA Championships pula de U$1 milhão para U$2 milhões.

1997 – Martina Hingis se torna a número um do mundo mais jovem da história (16 anos).

2001 – A premiação total da WTA supera os U$50 milhões e torneios do mundo árabe entram para o calendário (Dubai e Doha). Jennifer Capriati, a ex-menina prodígio, completa um retorno triunfal ao esporte ganhando dois Grand Slams e chegando ao posto de número um do mundo.

2002 – As irmãs Williams realizam a profecia do pai e chegam ao posto de número um do mundo no mesmo ano (Venus, em fevereiro e Serena, em julho)

2003 – Serena Willias completou o Serena Slam (venceu 3 Grand Slams em 2002), ganhando o Australian Open e Kim Clijsters se tornou a primeira atleta a ganhar mais do que U$4 milhões em uma temporada.

2005 – WTA assina contrato histórico de U$88 milhões com a Sony Ericsson por 6 anos – o maior da história do esporte feminino.

Clijsters vence o US Open Series e o US Open, ganhando o maior cheque da história para uma atleta, em um evento, de U$ 2,2 milhões.

2006 – WTA anuncia parceria com a UNESCO para promover igualdade sexual e a liderança das mulheres na sociedade.

2007 – A WTA anuncia um Road Map para encurtar as temporadas, diminuir lesões, deixar as tenistas mais próximas dos fãs e Roland Garros e Wimbledon passam a oferecer a mesma premiação em dinheiro para as mulheres. Justine Henin se torna a primeira mulher a superar a marca de U$5 milhões em premiação, em uma temporada.

2008 – WTA lança a maior campanha da sua história, “Are you looking for a hero?”, abre escritórios na Ásia e realiza, pela primeira vez, o WTA Championships em Doha.

2009 – Stacey Allaster se torna CEO da WTA. Serena Williams supera a marca de U$ 6 milhões em premiação, em uma temporada.

2010 – WTA comemora 35 anos com aumento de U$309 mil para U$85 milhões em premiação.

2011 – Pela primeira vez na história 10 tenistas de diferentes países integraram o top 10.

2012 – Victoria Azarenka e Serena Williams se tornam as duas primeiras mulheres a superar U$ 7 milhões em premiação, em uma única temporada.

2013 – A temporada 2013 terá no total 58 eventos em 33 países. 4 são Grand Slams, 1 é o WTA Championships, 21 são os WTA Premiers (com premiação que varia de U$681 mil a U$5 milhões) e 32 os WTA Internationals, com premiação a partir de U$ 235 mil. Serena Williams é a número um.

PS – Azarenka lesionada não compareceu; Clijsters gravidíssima do segundo bebê da família também não viajou a Londres; Venus Williams ficou em casa se recuperando e Steffi Graf não apareceu.

E para quem quiser aprender um pouco de história da WTA e ver as melhores do mundo reunidas, aqui está o   vídeo de 2 horas da cerimônia deste domingo 30 de junho.

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Indian Wells – um oásis cada vez mais rico no meio do deserto

O Masters 1000 de Indian Wells começa hoje com a chave feminina e na quinta com a masculina com todo um “buzz” no ar. O primeiro e mais evidente é o da volta de Rafael Nadal às quadras rápidas e principalmente aos grandes torneios. Depois vem o sucesso mundo afora das festividades do World Tennis Day em Hong Kong, New York e Los Angeles, o lançamento da campanha da WTA 40 love e toda a questão do prize money  que rondou o evento nos últimos meses e foi finalmente resolvida há poucos dias.

Nadal return

Estive em Indian Wells algumas vezes. Quando Sampras e Agassi ainda jogavam e o Guga, é claro, também, quando passou por apertos financeiros e esteve prestes a ser vendido e quando começou a ser transformado.

Eu nunca me “encontrei” muito por lá. Não sei se é por causa do fuso horário – são cinco horas mais cedo na Califórnia, o que dificulta, e muito, o trabalho -, pelo clima desértico, seco, quente e mais frio à noite, ou pela falta de vida na cidade. Palm Springs é o paraíso do pessoal da terceira idade, com muitos recursos financeiros. A região vive deles, com luxuosos resorts e campos de golfe.

Indian Wells Tennis Garden

O staff é dos mais atenciosos do circuito e o torneio tinha uma sensação quase familiar. Mas, mesmo assim nunca achei que era o meu lugar, ou me senti em casa como em outros torneios do circuito.

Mas, dizem colegas jornalistas, empresários e jogadores e as imagens e benfeitorias realizadas no local, comprovam, que o BNP Paribas Open mudou completamente nos últimos anos. De quase vendido para outro País está ganhando o status de 5º Grand Slam que pertencia a Miami.

Os tenistas que ficam hospedados em um hotel a poucos passos de distância das quadras, tem gostado cada vez mais de jogar lá, no Oásis no Meio do Deserto.

O grande responsável por isso é o co-fundador da Oracle, Larry Ellisson que comprou o torneio e deu carta branca e orçamento também para o staff fazer todo o possível para que o Masters 1000 e o WTA Premier não parem de crescer. Indian Wells expansion

Foi Ellison também que propôs à ATP um aumento de Prize Money, no valor de U$ 800 mil e que tinha sido incialmente rejeitado pela Associação.

Quando soube da notícia de que em meio a toda confusão do Prize Money nos Grand Slams, de jogadores ameaçando boicote que eu nunca achei que fosse acontecer, mas enfim, exigindo mais dinheiro dos grandes torneios, fiquei perplexa com a informação de que a ATP havia rejeitado o aumento de premiação oferecido por Indian Wells.

Aos poucos fui me informando e tentando entender a complexidade do assunto. Não sei se cheguei a ter a visão geral do tema, mas passei a olhar também pelo lado da ATP e dos outros torneios e porque haviam tomado a decisão. Sem apenas ficar ao lado dos jogadores e pensar como eles “estão nos dando dinheiro de graça e nós estamos recusando.”

O ponto que mais me chamou a atenção é que os Masters 1000 são uma série de 9 torneios com o mesmo formato e praticamente a mesma pontuação. Se um deles começa a ficar tão maior do que os outros, não fazem mais parte de uma série. O conceito criado há tantos anos – como Super 9 – começaria a não fazer mais sentido.

Entendo a preocupação da ATP. E sinto que a entidade também ficou preocupada por decisões ou iniciativas como estas estarem vindo de um indíviduo com muito dinheiro. Se sentiu um pouco acuada.

A grande questão envolvendo o aumento do Prize Money foi também relativa à distribuição do mesmo entre os jogadores. Ellison queria que o aumento fosse refletido em 82% nos jogadores de simples e 18% nos de duplas. A ATP distribui o prize money com 80% e 20%.

Outro fato que causou estranheza não só aos jogadores mas à mídia foi também o fato de os votos do Conselho da ATP terem ficado empatados. Houve 3 votos para cada lado e Brad Drewett, o CEO, não quis desempatar.

Enfim, a turbulência passou.  A ATP, diante do fiasco na mídia e da pressão dos jogadores, acabou aceitando a oferta de aumento de prize money, fazendo algumas exigências de distribuição de prêmio rodada a rodada e nas simples e duplas. As tenistas da WTA também receberam aumento.

Mesmo com o furacão já tendo passado, imagino que a conversa nos corredores do lindo Indian Wells Tennis Garden seja essa. A distribuição do Prize Money ficou assim.

Prize Money Indian Wells

Os corredores também estão agitados com a volta de Rafael Nadal. Poucos jornalistas e tenistas tops viram o sete vezes campeão de Roland Garros nos últimos tempos. A maioria dos jogadores que Nadal enfrentou nos torneios do Chile, Brasil e México não jogam a chave principal de Indian Wells e a maioria dos jornalistas que cobrem o circuito mundial de tênis também não veio a América do Sul e nós, brasileiros, chilenos e mexicanos também não costumamos ir a Indian Wells.

Consigo visualizar o sorriso no rosto e o tapinha nas costas simpático dos jogadores, técnicos, dirigentes e jornalistas cuprimentando Nadal e sua equipe e dizendo “it’s nice to have you back.”

 

 

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