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Teliana: a história da menina do sertão vai ficando cada vez mais distante

Há mais de 10 anos conto a história de Teliana Pereira, a menina que cortava cana no sertão pernambucano e começou a jogar tênis, quando o pai se mudou com a família para Curitiba, para trabalhar numa academia de tênis. Teliana e os irmãos eram boleirinhos e o dono da Academia, o francês Didier Rayon, deu a eles a chance de aprender a jogar. Provavelmente, a partir de hoje, não precisaremos mais a contar essa história.

Teliana Pereira WTA

Teliana, que nesta quarta-feira derrotou a cabeça-de-chave 2 do WTA, sim um WTA, não um Challenger, de Bogotá, a francesa Alize Cornet, 36ª do mundo, por 7/6 6/7(2) 6/2, cada vez mais dispensará apresentações. Não será mais a menina do sertão que era esperança do tênis brasileiro.

Depois de anos vendo a alegre menina jogar torneios juvenis, ir para a Europa pela primeira vez, ganhar apoio da Little Dreams Foundation, através de Amelie Mauresmo, aprender francês, ganhar o primeiro Challenger, vencer em Campos do Jordão, ganhar medalha no Pan do Rio, se machucar,  conseguir patrocínio, entrar para o Instituto Tênis, ficar fora da Fed Cup por brigas políticas, sair do IT, se recuperar, perder patrocínio, se machucar de novo, ficar sem técnico, conseguir apoio de novo e voltar a viajar com o irmão Renato, começar a subir no ranking, disputar qualifying de Grand Slam, enfim, ela está chegando onde todas as tenistas sonham em chegar, no grande circuito.

Com sua própria garra, vontade, luta, perseverança e o apoio da família – o irmão Renato jogou um pouco de tênis profisisonal e hoje viaja com ela e o outro irmão, José Pereira, joga os torneios da série Future – Teliana está no melhor momento da carreira. É também o melhor que o tênis brasileiro já viu nos últimos 15 anos.

Mérito próprio da tenista que no ano passado resolveu encarar longas viagens e começou a ter bons resultados na Europa e na América do Sul. Conseguiu ajuda de amigos em Curitiba para viajar, o ranking subiu e no fim do ano conseguiu apoio da CBT para custear as viagens com o irmão.  Não ficou com medo da Austrália e arriscou. Não foi bem, mas não desanimou. E há três semanas ela praticamente não para de vencer.

Parece ter aproveitado bem os treinamentos com Dadá Vieira, em São Paulo e com Carla Tiene e Roberta Burzagli em Medellin, durante a Fed Cup, onde perdeu apenas um jogo. Na chave do pequeno WTA de Cali – inovação do circuito com premiação de U$ 125 mil – foi vice-campeã de duplas e quadrifinalista de simples.

Saiu do evento e foi direto para o WTA – premiação de U$ 235 mil – em Bogotá. Ganhou três jogos no qualifying, venceu a 1ª rodada e hoje derrotou Cornet.

Nesta quinta, vai descansar. Volta a jogar na sexta, contra a tenista de Luxemburgo, Mandy Minella, para ir à semifinal de um WTA.

Teliana deu um salto na carreira, o maior que já deu até hoje, ao marcar a sua principal vitória e atingir o melhor resultado. Agora divide o vestiário com tenistas de nome como Jelena Jankovic e Flavia Pennetta. Está no mesmo hotel que elas, pega o mesmo transporte e está vendo, de perto, como elas treinam e o que precisa fazer para melhorar. É uma diferença enorme, em termos de premiação, estrutura, visibilidade, confiança e nível de jogo e treinamento do que os Challengers e Futures que ela tanto disputou.

Enquanto estava no trânsito, vindo para casa, pensava na minha querida amiga jornalista, Lia Benthien, que muitos anos atrás, enquanto assessora da CBT, do Instituto Tênis e minha parceira em muitos eventos, me apresentou a Teliana. Quantos textos não escrevemos dela, quantas pautas emplacamos contando a história da menina do sertão pernambucano.

Essa história agora começa cada vez a ficar mais distante da Teliana, destaque da home do site da WTA, número 1 absoluta do tênis brasileiro – 1ª brasileira a alcançar as quartas-de-final de um WTA desde 1999, com Vanessa Menga, na mesma Bogotá –  e cada vez mais próxima do top 100 (ela é a 156ª e deve ficar perto das 136 com as quartas-de-final), apesar do caminho ainda ser longo e depender muito dela se manter sem lesões e aguentar jogar, consistentemente semana atrás de semana.

 

 

 

 

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E as Williams, incrivelmente, continuam jogando com garra, sorriso no rosto e vencendo

Podem falar o que quiserem das irmãs Williams, mas elas são impressionantes.

Pode até ser que o nível do tênis na WTA esteja bem mais abaixo do que deveria estar, ou o fato do respeito que elas ainda têm perante as tenistas, especialmente as mais novas, ajude a ganhar uns pontos importantes no jogo.

Mas, isso não tira o fato de ser surpreendente, pelo menos para mim, vê-las jogando e com ambições.
Se não tivessem ambições não estariam competindo. É certo também que com as distrações fora das quadras e tantas lesões nos últimos tempos – há um bom tempo as duas, Venus e Serena, não tem uma temporada regular – elas não jogaram tanto e não se desgastaram como as outras, prolongando a carreira.

Independente de tudo isso, elas estão no circuito há mais de 15 anos, no mínimo, e continuam competindo com a mesma garra de quando jogavam com miçangas nos cabelos e ainda eram “teens” (elas já passaram dos 30 – Venus tem 31 e Serena, 30 ).

Semana passada no Sony Ericsson Open, em Miami, Venus venceu 4 jogos (perdeu nas quartas para a campeã Radwanska), tendo que começar da 1ª rodada, sem ser cabeça-de-chave. Dos cinco jogos que disputou, três foram em três sets.

E voou para Charleston, onde está jogando a Family Circle Cup, no saibro e já tem duas vitórias na chave. A primeira sobre Iveta Benesova e a segunda sobre Jelena Jankovic.

Só para relembrar, ela ficou parada desde o US Open quando teve que abandonar o torneio com a Síndrome de Sjogren e não disputou nenhum evento até Miami. Está ainda se readaptando a uma rotina e vendo como seu corpo aguenta. Aparentemente a síndrome a deixa fraca e ela teve que mudar toda a sua preparação e alimentação.

Serena também pouco jogou no ano passado. Sofreu com lesões no pé, no joelho, com uma embolia pulmonar e apesar de parecer um pouco menos em forma física do que a irmã Venus, se conseguir fazer bastante jogos volta a virar favorita entre as tops.  Competiu em Miami e já ganhou uma rodada em Charleston.

Há opiniões distintas sobre as Irmãs Williams. Alguns acham que elas tem interesses de mais fora das quadras – Serena fez curso de manicure, ponta em programas de TV, com Venus virou investidora dos Dolphins; Venus tem a própria linha de roupas Eleven, frequenta a universidade em Palm Beach – mas o fato é que elas atraem muitos fãs, principalmente nos Estados Unidos, onde são verdadeiras estrelas, comparadas às de Hollywood e tê-las jogando tênis é um privilégio para o esporte.

Vê-las jogando com sorriso no rosto, com vontade de vencer e sonhando com as Olimpíadas é melhor ainda.

 PS – Atualização do post. Venus foi até as quartas-de-final em Charleston, perdendo um jogo disputado para Stosur.

Serena acabou a semana como campeã da Family Circle Cup. Derrotou a checa Lucie Safarova na final por 6/0 6/1, depois de ter ganhado de Stosur na semi por 6/1 6/1, conquistando o 40 título da carreira no 40 aniversário do torneio.

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